-- ------ 15 figuras míticas da história dos Mundiais de futebol (Parte 2 de 2)
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15 figuras míticas da história dos Mundiais de futebol (Parte 2 de 2)

15 figuras míticas da história dos Mundiais de futebol (Parte 2 de 2)

Ao longo destes anos e anos de Mundiais muitas foram as figura(ça)s que pisaram os relvados do maior certame futebolístico do planeta. Relembre, após a leitura da primeira parte, esta segunda com as sete remanescentes. De ler e… clamar por mais. Ou, como diriam na pátria do futebol, priceless!

 

9. Krasimir Balakov

Era, por direito, o dono da batuta da geração dourada búlgara, que contava com uma constelação constituída, à cabeça, por Hristo Stoichkov (que jogou no Barcelona durante 7 temporadas, tendo averbado 84 internacionalizações pela sua Seleção), Emil Kostadinov (ex-FC Porto), Borislav Mihaylov, Ivanov, Yordanov (ex-Sporting), Houbchev, entre muitos outros.

“10” clássico, essa espécie atualmente em vias de extinção, Krasimir Genchev Balakov deliciava, jogava e fazia jogar. Pautava os ritmos a seu bel-prazer e preenchia de Bom Futebol os campos por onde passava. Pela sua Seleção fez 92 jogos, anotou 16 golos e um sem-número de assistências e jogadas fabulosas. Participou em dois Mundiais (1994 e 1998), além de um outro na categoria sub-20 (em 1985 – 4 jogos), mas foi em 1994 que ele e a “sua” Bulgária mostraram ao mundo o puro e verdadeiro futebol dos balcãs, naquela que foi a melhor participação búlgara de sempre em Campeonatos do Mundo.

Acabaram os búlgaros na primeira posição fora do pódio (4.º), numa campanha que até nem começou nada bem por território norte-americano. A goleada inaugural aos pés da Nigéria (3-0) não pressagiara nada de bom, mas a armada búlgara logo se reergueu em Chicago diante da Grécia por números maiores até (4-0).

Seguira-se a última jornada, um jogo de nível de dificuldade elevadíssimo: nada mais nada menos do que a Argentina (apesar de já partir qualificada). Stoichkov e Sirakov fizeram os golos que garantiram a passagem às rondas a eliminar.

Aí, os búlgaros derrotaram a Seleção Mexicana nas grandes penalidades (Balakov até falhou, tendo sido o único búlgaro nessa condição), seguindo-se o triunfo nos quartos-de-final diante da poderosíssima Alemanha (2-1, com golos de Stoichkov e Lechkov, aos 75′ e 78′, numa fabulosa ‘remontada’). Acabaram os “Lions” por cair perante a poderosa Itália na semifinal (2-1, golos de Roberto Baggio e do inevitável Stoichkov – que a par de Salenko foi o melhor marcador do certame), tendo também sido derrotados pela Suécia (4-0) no jogo de atribuição do 3.º lugar.

Balakov participou decisivamente em todos os jogos dessa inolvidável campanha da sua Seleção, tendo averbado um total de 10 no conjunto das duas participações (7 em 1994 e 3 na dececionante campanha búlgara em 1998).

Foi jogador de “um clube só”, tendo tido apenas três ao longo da sua carreira: Etar Tarnovo (Bulgária), Sporting CP e Estugarda. Fez mais de 100 jogos por Etar Tarnovo e Sporting e mais de 200 pelo Estugarda, onde é recordado com muita saudade em todos eles. Ou não fosse a sua dimensão humana tão grande como foi enquanto futebolista.

Balakov foi, sem dúvida, um dos grandes!

Balakov é uma figura importante da história dos Mundiais de futebol.

Imagem 1- A Bulgária, de Balakov e companhia, fez história no Mundial 1994. Fonte: fifa

 

10. Paolo Maldini “Il Capitano”

Falar de Itália é falar, por tradição, do país do catenaccio (ou, por outras palavras, do futebol defensivo).
Paolo Cesare Maldini, nascido em 26 de junho de 1968, era o típico defesa italiano. Tackles a roçar a perfeição, “límpido” a sair com bola (esquerdino de excelência), posicionalmente brilhante, entre outras inúmeras valências de que dispunha “Il Capitano”.

Maldini, a maior figura de sempre do AC Milan (único clube da sua longa carreira), foi, indubitavelmente, um dos melhores defesas da história do futebol e jogou no centro e na esquerda com idêntica qualidade. Jogou 126 (!) jogos pela «Squadra Azzurra» e anotou 7 golos. Foi o capitão mais carismático de sempre do «país da bota» e participou em quatro Mundiais (1990, 1994, 1998 e 2002).

Acabado de fazer 22 anos, estreou-se nestas andanças em casa (Itália 90), tendo realizado a totalidade dos jogos (7) da caminhada italiana que culminou na 3.ª posição. Quatro anos mais tarde, voltou a fazer os 7 jogos possíveis, tendo a sua Seleção sido finalista e respetiva segunda classificada no Mundial USA 1994. Em 1998, fez os 5 jogos num percurso que culminou na lotaria das grandes penalidades aos pés da Seleção da casa (França), nos quartos-de-final. Já no novo milénio, em 2002, acabou por sair sem honra nem glória no que foi o seu último Mundial de futebol. A derrota tão amarga quanto polémica diante de uma das Seleções da casa (no caso, a Coreia do Sul), logo nos oitavos de final (voltou a jogar todas as partidas possíveis – 4), injustiçou uma lenda do futebol planetário.

Desafortunadamente, Paolo Maldini já não foi à campanha italiana no Mundial seguinte, em 2006, na Alemanha, que culminou com o ouro. Ainda assim, a lenda nunca se apagará. Maldini perpetuar-se-á no palmarés dourado dos Campeonatos do Mundo. Além de ser o 2.º com mais presenças (23 – só atrás de Lothar Matthäus, com 25), é, em termos absolutos, o que tem mais minutos jogados em Mundiais: nada mais nada menos do que 2200 minutos (mais 168 minutos do que o próprio Matthäus).

Por tudo isto, Maldini é, simplesmente, eterno.

Imagem 2- O nome Paolo Cesare Maldini confunde-se com a história dos Mundiais. Uma lenda eterna. Fonte: fifa

 

11. Gamarra

Carlos Alberto Gamarra Pavón, somente Gamarra no mundo do futebol, nasceu em Capiatá, no Paraguai, em 1971. Pelo seu país participou em cinco Copas América, dois Jogos Olímpicos (Barcelona 1992 e Atenas 2004) e três Mundiais (França 98, Coreia/Japão 2002 e Alemanha 2006).

Defesa central tecnicamente evoluído, destilou classe, tanto com a bola no pé como a fazer «tackles» transparentes, tendo, a certa altura em que jogava no Brasil, circulado uma curiosa estatística em que o número de «tackles» eficazes era esmagador no comparativo com as vezes em que recorria à falta. A sua presença e forma de estar conquistou paraguaios e adeptos por todo o mundo. Esteve em Portugal em 1997/98, ao serviço do Benfica, tendo passado também por Inter, Atlético de Madrid, entre muitos outros.

Realizou mais de uma centena de jogos pelo Paraguai (110) e apontou 12 golos. Nos três Mundiais pelos Guaranis jogou todos os jogos possíveis (11), tendo por duas vezes a sua Seleção transposto a fase de grupos (1998 e 2002) e igualmente caído na primeira ronda a eliminar. Em 1998 perderam com os anfitriões, que acabaram por tornar-se campeões do mundo (França), num jogo fantástico por parte de Gamarra e companhia, que por pouco não quebraram precocemente as aspirações gaulesas. Foi, até hoje, considerado o dissabor mais custoso para os paraguaios nas suas epopeias mundialistas. O mítico Chilavert fez exibição de luxo, defendendo praticamente tudo o que havia para defender, Gamarra lesionou-se no ombro esquerdo já na segunda parte, mas, incólume, prosseguiu exibição assombrosa, tal como o seu parceiro de posição Celso Ayala. Pelo meio, José Saturnino Cardozo podia ter feito o gosto ao pé, mas acabaram os Guaranis, depois de muita insistência, por cair no 114.º minuto, por intermédio de um tento de Laurent Blanc.

Em 2002, a história repetiu-se quase a papel químico, mas desta feita diante da Alemanha (só aos 88 minutos Oliver Neuville derrotou o conjunto paraguaio).

Gamarra é, de forma unânime, considerado o defesa central mais fantástico da história do Paraguai. Tinha todos os atributos que um bom jogador dessa posição pode ter, aliado a outras que, na altura, eram mais raras e que oportunamente foram ressalvadas.

Carlos Gamarra é subtileza, toque fino, corte limpo, mestria,… futebol.

Imagem 3- As prestações superiores de Gamarra no Mundial 98 serão, para todos os adeptos de futebol, inolvidáveis. Fonte: fifa

 

12. Hagi “Maradona dos Cárpatos”

O melhor jogador romeno de todos os tempos chama-se Gheorghe Hagi. Era, por si só, uma galáxia de futebol. O manda-chuva de Bom Futebol, o grande imperador do que melhor há no desporto-rei, um profeta artístico enviado para o nosso planeta com o fim de destilar classe.

A alcunha (“Maradona dos Cárpatos”) encaixava-lhe como uma luva. Ver Hagi jogar era uma ode. Senhor de um pé canhoto fabuloso, protagonizou um dos melhores momentos da história dos Campeonatos do Mundo quando, na 1.ª jornada da fase de grupos do Mundial 1994, fez uma chapelada titânica ao então guardião colombiano da altura Óscar Córdoba. Uma chapelaço pleno de técnica, força (de remate), enfim, magia. Era Hagi em estado puro.

Fez mais dois golos nesse Campeonato do Mundo, tendo sido o “El Comandante” das tropas “Tricolorii” na grande caminhada que só parou, ingloriamente, nos quartos-de-final. Os romenos foram primeiros classificados no Grupo A (2v, 0e, 1d) e derrotaram os argentinos por três bolas a duas nos oitavos de final, num jogo absolutamente soberbo e pleno de emoção. Dumitrescu abriu o livro por intermédio de um livre direto de excelência, logo ripostado, cinco minutos depois, por uma grande penalidade batida por Gabriel Batistuta. Mas nem dois minutos depois já Dumitrescu voltara a fazer das suas. Após triangulação com Hagi e ser magistralmente assistido por este, não perdoou à frente de Luis Islas e recolocou os “Tricolorii” na frente do marcador. O jogo, entretanto, decorrera a ritmo qualitativo de alto gabarito, até que, já no segundo tempo, o festival Hagi/Dumitrescu continuou. Desta feita em inversão de papéis, tendo o avançado, numa grande transição ofensiva, feito brutal incursão pelo centro do terreno e oferecendo, com superior mestria, o golo ao genial 10, que, de primeira e de pé direito, não perdoou. Os argentinos ainda reduziram por intermédio de Abel Balbo, mas tarde demais. O dia foi dos romenos, ou de… Hagi e Dumitrescu. Uma exibição assombrosa da dupla romena da dianteira.

Os romenos acabaram por cair diante da Suécia (3.ª classificada nesse Mundial), após um grande jogo (mais um!), que terminou empatado a 1 ao fim dos 90 minutos e a 2 no final dos 120′. Hagi ainda converteu uma das grandes penalidades, mas Petrescu e Belodedici não cumpriram a sua missão na marca dos onze metros.

Hagi fez os cinco jogos dessa grande campanha romena nos Estados Unidos da América, tendo feito mais quatro no França 98 (novamente 1.ª classificada no seu respetivo grupo, mas desta feita caindo logo nos oitavos de final, diante da Croácia) e três dos quatros jogos possíveis da caminhada da sua Seleção no Itália 90 que terminou, tal como em 1998, nos «oitavos».

Gheorghe Hagi fez, no total, 125 jogos e 35 golos pela Roménia. Jogou duas temporadas no Barcelona e no Real Madrid (sendo dos poucos jogadores a conseguir essa proeza). Brilhou também no Steaua Bucareste e no Galatasaray, entre outros. Conquistou muito, mas, mais importante do que tudo isso, fez muitas vezes aplaudir de pé uma audiência… planetária. Os adeptos que o idolatraram. De todas as cores e raças. Ou não fosse ele o Maradona dos Cárpatos.

Imagem 4- Hagi era artista por decreto. Uma imagem que vale por mil palavras em mais um jogo «aterrador» por parte de um dos mágicos mais profícuos da história dos Mundiais. Fonte: fifa

 

13. Finidi George “A Gazela”

O seu apelido diz tudo, mas “Fini” era mais do que isso: era também técnica, explosão, criatividade e… magia. A típica magia da África Negra com toques de feitiçaria. Extremo puro, natural de Port Harcourt, Finidi nasceu em 15 de abril de 1971 e pertenceu a uma célebre geração nigeriana que brilhou nos Campeonatos do Mundo de 1994 e 1998. Uma constelação formada por jogadores como Jay-Jay Okocha, Rashidi Yekini (ex-Vitória de Setúbal), Emmanuel Amunike (ex-Sporting), Daniel Amokachi, Sunday Oliseh, Victor Ikpeba, Mutiu Adepoju, Peter Rufai (ex-Farense), Celestine Babayaro, Taribo West, Nwankwo Kanu, Babangida, Uche, entre outros.

Comecemos pelo Mundial USA 94. Finidi e companhia logo abriram com um recital num fim de tarde no Texas (mais concretamente em Dallas) diante da poderosíssima Bulgária (que ficou, nesse Mundial, na 4.ª posição). Finidi tratou de abrir o livro pelo flanco direito e ofertou o golo ao ex-Vitória FC Rashidi Yekini. Amokachi fez o segundo ainda antes do intervalo e, no segundo tempo, o ex-leão Amunike, num salto de peixinho, fechou as contas do desafio, após cruzamento a roçar a perfeição de Finidi.

Finidi «partiu tudo» logo no jogo de estreia, não tendo a Nigéria sido feliz no segundo jogo, diante da poderosa Argentina (derrota por 2-1 em Boston), mas o terceiro jogo confirmou a potência africana. No triunfo por 2-0 diante da Grécia foi “Fini” a abrir o placar com uma chapelada monumental no limite da grande área quando se apercebeu da saída extemporânea do guardião grego. ‘Priceless’! Acabou, já no tempo de compensação, o inevitável Daniel Amokachi por fechar as contas num soberbo pontapé colocado ainda antes da grande área, fechando, por isso, com o 1.º lugar nesse Grupo D.

Nos oitavos de final, as Super-Águias acabaram por ser batidas pela finalista Itália, num grande jogo de futebol em que os africanos acabaram por “morrer na praia”. Amunike ainda adiantou a Nigéria no marcador, mas, como quase sempre acontecia nos jogos em que os italianos participavam, veio um golo tardio (ao minuto 88) a adiar todas as decisões para o prolongamento. Aí, foi (novamente) o cinismo italiano a ditar lei, culminando o sonho nigeriano num penalty batido por Baggio (que, assim, bisou).

Em 1998, as Super-Águias voltaram a ser as primeiras do seu grupo (novamente o D), por intermédio de um titânico triunfo diante da Espanha por 3-2, em que por duas vezes esteve em desvantagem no marcador, e diante da Bulgária (tal como quatro anos antes, mas desta feita por 1-0). Na última jornada, já qualificados, os nigerianos perderam com os paraguaios (3-1, com Finidi a ter entrado a meio do segundo tempo).

Voltaram, contudo, por cair de novo as Super-Águias na primeira ronda a eliminar. A pesada derrota (4-1) aos pés da Dinamarca não deu veracidade à real mais-valia da melhor geração de sempre do futebol nigeriano, que tinha em Finidi um dos grandes cabeças de cartaz. Além de ter realizado todos os 8 jogos que a sua Seleção jogou nesses dois Mundiais, fez mais 54 pelas Super-Águias e marcou mais 5 tentos (visto que havia faturado um no Mundial 1994).

Brilhou cintilantemente em Amesterdão (ao serviço do Ajax na primeira metade de década dos anos 90 – onde foi campeão europeu) e em Sevilha (pelo Bétis). Ganhou uma CAN pela Nigéria (em 1994). Teve, enfim, um carreira bem condimentada. O seu talento global, esse, fora… in”Finito”.

Imagem 5- Finidi simbolizava África no seu estado mais puro. Fonte: fifa

 

14. Michel Preud’homme

Michel Georges Jean Ghislain Preud’homme nasceu na Bélgica, mais precisamente em Ougrée, no dia 24 de janeiro de 1959. Estreou-se pela sua Seleção em 1978, com apenas 19 anos, diante da RDA. Fez, no total, 58 jogos pelos Diabos Vermelhos.

Participou em dois Mundiais (1990 e 1994), tendo em ambos os belgas ultrapassado a fase de grupos e caído nos oitavos de final. Em 1990 aos pés da Inglaterra, com Preud’homme a fazer exibição de alto nível, defendendo tudo o que era defensável até… ao momento em que David Platt cometeu uma obra-prima. Isto a um minuto do final do prolongamento. Os ingleses evitaram, assim, as grandes penalidades e, mais do que isso, “Saint Michel”…

Em 1994, o recital nas balizas de Preud’homme atingiu os píncaros. Três jogos de excelência na fase de grupos (1 golo sofrido apenas) e outro de nível idêntico diante da Alemanha. Os germânicos venceram por 3-2 no que foi considerado o melhor jogo do ponto de vista técnico do Mundial 1994. Partida aberta, fantástica, de qualidade a rodos e com cinco golos em 90 minutos. “Saint Michel” sofreu três, mas evitou outros tantos de uma Alemanha temível na frente liderada pela dupla Rudi Voller-Jurgen Klinsmann (o primeiro bisou e o segundo fez o outro). Pela Bélgica, marcaram Grun e Philippe Albert (golo espantoso).

O reconhecimento a Preud’homme foi tão grande que, não obstante ter “apenas” disputado essas quatro partidas, foi considerado o melhor guarda-redes do certame pela FIFA. No final desse Mundial tinha já meio mundo atrás dele, tendo valido ao Benfica ter acertado contratualmente com o guardião belga antes do Campeonato do Mundo ter iniciado.

Michel Preud’homme era, de resto, um guardião excecional. Entre os postes era do melhor que podia existir, com reflexos absolutamente descomunais. É por muitos considerado um dos 10 melhores de sempre no reinado das balizas. Deslumbrou nos três clubes onde fez carreira: Standard Liège, Mechelen e Benfica. Até nisso Michel era especial, tendo criado uma ligação muito forte em todos eles, sendo proporcional à saudade que todos sentem do rei entre os postes. Brilhante ser humano, estratosférico na baliza.

Imagem 6- ‘Saint Michel’ atingiu o olimpo em 1994, com exibições assombrosas no Mundial disputado nos Estados Unidos da América. Fonte: fifa

 

15. Roger Milla

Albert Roger Mooh Miller, ou somente Roger Milla para o mundo do futebol, é um nome incontornável das histórias dos Campeonatos do Mundo. Só não foi, até ora, o mais velho a participar num Mundial porque no último, em 2018, o guardião colombiano Faryd Mondragón passou a ser detentor desse recorde (43 anos e 3 dias), que até então pertencia a Roger Milla (42 anos, um mês e oito dias).

E foi precisamente aos 42 anos, 1 mês e 8 dias de vida que Milla concluiu a sua bonita história mundialista com um golo. O jogo até nem foi feliz para as cores camaronesas, atendendo à copiosa goleada infringida pela Rússia (6-1), na última jornada do Grupo B do Mundial dos Estados Unidos em 1994, mas o avançado dos Leões Indomáveis, com a alegria natural que emanava, festejou como se do último se tratasse (e, de facto, foi mesmo…).

Teve duas aparições nesse Mundial em terras norte-americanas e cinco quatro anos antes, trazendo de Itália quase uma mão-cheia de golos: 4. Nessa fabulosa campanha em 1990, os Leões Indomáveis começaram por bater a Seleção que iria tornar-se finalista (Argentina) por uma bola a zero. Seguiu-se outro triunfo, desta feita diante da Roménia, por 2-1 (com bis de Milla). Já qualificada, a Seleção Camaronesa consentiu uma goleada da URSS (4-0).

Chegados aos oitavos de final, foi novamente Roger Milla a soltar magia africana em Nápoles. No dia 23 de junho desse ano não houve golos nos 90 minutos desse jogo que opôs os Leões Indomáveis à Colômbia. Chegado ao prolongamento, concretamente aos 106 minutos, Milla pegou na bola, driblou em potência um defensor colombiano e, com o pé canhoto, bateu com clareza o lendário René Higuita.

Não satisfeito com o desbloqueio do placar, nem três minutos tinham passado quando o potente avançado voltou a fazer o gosto ao pé. Aproveitando desvario do extravagante Higuita, que o tentara driblar, só teve que ser mais astuto que o colombiano e fazer, assim, o bis que deitou os colombianos ao tapete, não obstante ainda terem respondido aos 115 minutos por intermédio de um tento de Redín.

Com a ajuda preciosa de Milla, os camaroneses fizeram história ao serem a Seleção africana mais adiantada numa fase final do Campeonato do Mundo, conto de fadas que… ficou por aí. Nos quartos-de-final, a muito custo, os Leões foram domados por uma Inglaterra que só no prolongamento conseguiu levar de vencida a armada camaronesa. Platt abriu o ativo, Kundé (de grande penalidade, castigando uma falta sobre Milla) e Ekéké (assistido por Milla) fizeram a remontada, mas Lineker, aos 83′, levou o jogo para o «extra time». O próprio Lineker fez questão de arrumar com a eliminatória, aos 105′, novamente através de uma conversão de um penálti, apagando, assim, a bonita história que os Camarões desenharam.

Roger Milla foi uma das grandes figuras do Campeonato do Mundo 1990, tendo ainda participado no Espanha 1982. Fez os três jogos do triplo empate camaronês, no grupo da que viria a ser a campeã do torneio: a Seleção Italiana. Italianos que, tal como os camaroneses, fizeram… três empates.

Milla era talento, alegria, potência,… África. Se um dia me pedissem para explicar o perfil do jogador africano, responderia com duas palavras: Roger Milla.

Imagem 7- Uma lenda chamada Roger Milla que subsistiu no tempo. Fonte: fifa

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