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A História repete-se

Para quem poderia pensar que as lições aprendidas em Saltillo, México, no distante ano de 1986, seriam para a vida, provou-se errado em 2002, com semelhanças intrigantes. Portugal, era em 2002, uma potência do futebol, tendo conseguido excelentes prestações em 1996, no Europeu de Inglaterra, e em 2000, no Europeu da Holanda e Bélgica, chegando ao mundial da Coreia do Sul / Japão com talvez a melhor geração desde 1966. Com um apuramento relativamente tranquilo, num grupo que contava com Holanda, Irlanda, Estónia, Andorra e Chipre, Portugal qualificou-se em primeiro com os mesmos pontos que a Irlanda e chegava à Coreia do Mundo com o melhor jogador do Mundo, Luís Figo, e outras estrelas como Rui Costa, Sérgio Conceição, Fernando Couto, Nuno Gomes, entre outros.

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Os problemas começaram quando Kenedy, que representava o Marítimo, foi apanhado nas malhas do doping e foi substituído por Hugo Viana, no Sporting na altura, um caso semelhante ao de Veloso, 16 anos antes. O planeamento também foi bastante criticado, pois Portugal estagiou em Macau, cujo clima é completamente diferente da Coreia do Sul e não conferia todas as condições necessárias para a preparação. Para ajudar, houve, alegadamente, elementos da comitiva que aproveitaram a ida a Macau para conhecer a mesma durante a noite, criando cissões no grupo de trabalho, onde a disciplina não imperava, até pela ausência da presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que delegou a responsabilidade de acompanhar a equipa ao diretor técnico e ao vice-presidente. Eram, por esta fase, demasiadas semelhanças com o último mundial disputado por Portugal.

Selecção_2002

A grande diferença terá sido até no jogo de estreia, num grupo que incluía os EUA, a Polónia e a Coreia do Sul, onde Portugal defrontou uma seleção dos EUA com o estatuto de super-favoritos. Talvez olhando para o jogo com sobranceria, Portugal começou muito mal e começava o jogo a perder, tendo chegado o resultado até aos 3-0. Ao intervalo, o jogo registava 3-1, tendo ficado o resultado final em 3-2. No jogo seguinte, contra a Polónia, uma demonstração de força ao Portugal golear a Polónia por 4-0, numa exibição convincente. Parecia que tudo se iria encaminhar para um apuramento, apesar do susto, pois bastaria um empate contra a Coreia do Sul para Portugal se apurar (com a combinação de resultados que acabaria por acontecer, pois a Polónia ganharia aos EUA). No entanto, Portugal não se revelou competente no jogo, que ficou marcado por um dos episódios mais negros dos Campeonatos do Mundo, quando João Vieira Pinto, expulso por uma entrada violenta, aplica um soco diretamente no estômago do arbitro Angel Sanchez, demonstrando o estado de espírito da equipa portuguesa. Já na 2ª parte, Beto seria expulso por acumulação de amarelos e Ji-Seung Park, aos 70 minutos, faz o golo da vitória da Coreia do Sul.

joão pinto

As repercussões da eliminação foram também elas graves, com João Vieira Pinto a ser suspenso por 4 meses pela agressão, e a equipa técnica demitida, tal como vários elementos da federação, entrando numa troca de acusações entre estes últimos que chegou a tribunal. No entanto, ao contrário do Mundial do México 86, Portugal continuou na elite do futebol mundial e desde então que não falha qualquer competição, conseguindo inclusive ser vice-campeão da Europa em 2004 e 4º classificado no Mundial de 2006, na Alemanha.

Autor: João Pedro Português

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