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A incrível Sampdoria que fascinou a Europa

A incrível Sampdoria que fascinou a Europa

Comandado por Vujadin Boskov, clube genovês venceu o Scudetto e foi vice continental no início dos anos 1990.

A Sampdoria ainda jogava na segunda divisão do futebol italiano quando suas páginas registraram capítulos vitais para a mudança de patamar da instituição e o ingresso definitivo dela na história do Calcio. O ano era 1979, e o resultado mais expressivo do clube àquela altura fora um título da categoria supracitada. A chegada de Paolo Mantovani, no entanto, configurou-se como um divisor de águas para os genoveses.

Diferentemente do que possa parecer, ele não era um talento oriundo das divisões inferiores, nem um renomado jogador que levou os Blucerchiati à glória. Na verdade, seu reforço foi extracampo. Grande empresário do ramo petrolífero, Mantovani adquiriu a Samporia no ano em questão e convidou o torcedor a sonhar alto, tão alto quanto nunca havia sonhado. Suas promessas não surtiram efeito imediato, mas se concretizaram.

Na temporada 1981/82, o clube genovês enfim retornou à elite nacional depois de cinco anos. É bom lembrar que o Campeonato Italiano viveu períodos de ouro nas décadas de 1980 e 1990, o que amplifica as façanhas dos Blucerchiati, que arrebataram três Copas da Itália (1985, 1988, 1989), a extinta Recopa Europeia, também conhecida como Taça das Taças (1990), e o Scudetto (1991), seguido pela Supercopa Italiana (1991).

Resultados tardaram mas apareceram…

Como o (a) amigo (a) leitor (a) observou, o êxito se construiu de maneira gradual e esteve em parte relacionado à abertura do mercado para jogadores estrangeiros. Os investimentos de Mantovani para a reestreia na primeira divisão levaram a vestir a camisa do clube jogadores como o atacante inglês Trevor Francis e o meia irlandês Liam Brady, além de um tal de Roberto Mancini, à época com 18 anos – e um futuro brilhante.

No ano seguinte, a Sampdoria fortaleceu o setor defensivo com dois membros do grupo campeão mundial pela Azzurra em 1982. Tratava-se do experiente goleiro Ivano Bordon e do zagueiro Pietro Vierchowod.

Sem sucesso, a diretoria continuou trazendo novos nomes, como o do jovem Gianluca Vialli. Em 1984/85, houve sinais de evolução sob o comando do técnico Eugenio Bersellini, com o quarto lugar na Serie A e o título da Copa Itália sobre o Milan.

Os resultados abaixo do esperado logo na temporada subsequente, apesar do vice na Copa Itália, porém, minaram o trabalho de Bersellini, que acabou dando lugar ao sérvio Vujadin Boskov até 1992. Com a contratação de Toninho Cerezo e o brilho da dupla Mancini e Vialli, o escrete genovês se firmava como sério concorrente, ao brigar na parte de cima da tabela e amealhar títulos relevantes, incluindo um internacional.

E finalmente o Scudetto!

Já com uma base entrosada e figuras como Pagliuca, Pari, Mannini, Katanec, Invernizzi, Lombardo e Dossena, ao lado dos jogadores citados, entre outros, a Sampdoria fez uma campanha histórica e venceu o Scudetto de 1990/91, o único do clube, cinco pontos à frente de Milan (bicampeão europeu) e Inter. De quebra, teve o melhor ataque (31 dos 57 gols foram da dupla Vialli-Mancini), a segunda melhor defesa e três derrotas.

Enfim, o sonho improvável do torcedor virava realidade e se expandia ainda mais com a participação inédita na Liga dos Campeões. Não havia limites para a esperança de Mantovani, e isso ficou claro nas fases preliminares do torneio continental, com vitórias sobre Rosenborg-NOR e Honved-HUN (7×1 e 4×3, respectivamente, no placar agregado), e na fase de grupos, com a liderança sobre Estrela Vermelha, Anderlecht e Panathinaikos.

Do outro lado na busca pela taça inédita estava o Barcelona do comandante Johan Cruijff, representado em suas fileiras por jogadores do quilate de Zubizarreta, Koeman, Laudrup e Stoichkov, algoz da própria Sampdoria na Recopa Europeia de 1888/89. Desta vez, o duelo em Wembley só acabou na prorrogação graças a um gol solitário de falta convertido por Koeman, que deu o títulos aos catalães e enterrou a quimera italiano.

Fim de uma era

Em outubro de 1993, outro evento extracampo afeta diretamente os rumos da Sampdoria: a morte de Mantovani, aos 63 anos, vítima de uma enfermidade. Seu filho, Enrico, assumiu a presidência no lugar dele, mas jamais esteve à altura do pai. Poucos meses depois, em meio à tristeza generalizada, os Blucerchiati amenizaram a dor com outra taça da Copa Itália, que representou o fim de uma era próspera.

Desde então, o clube genovês nunca recuperou o prestígio. Jogou mais uma vez da Recopa Europeia (1994/95), uma da Liga dos Campeões (2010/11), e seis da Liga Europa, a última em 2015/16. Caiu em duas oportunidades para a segundona, a primeira na virada do século, permanecendo lá por quatro anos – a família Mantovani deixou o comando nessa época -, e a segunda em 2011/12, tornando-se um figurante na Serie A.

Embora tenha sofrido com variados tipos de limitações nesse período, como a financeira, por exemplo, perdido inúmeros talentos e visto aumentar o poderio de seus adversários, a Sampdoria escreveu em letras douradas seu nome na história do futebol italiano e nenhuma crise poderá apagar essa façanha. Ela é eterna assim como a gratidão do torcedor por Paolo Mantovani, e a recíproca neste caso certamente é verdadeira.

Autoria: Alambrado

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