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A inocência do Futebol num enredo de George Orwell

Futebol - Buffon

A inocência do Futebol num enredo de George Orwell

Dispensadas as apresentações iniciais (por falta de relevância da minha figura), mas não os agradecimentos (foi com honra e gosto que aceitei o convite de partilhar ideias neste espaço), importa fazer uma pequena introdução a esta colaboração onde se pretende construir uma plataforma que de algum modo sirva para despertar a curiosidade e crítica acerca das mais diversas problemáticas que envolvem o Futebol.

Sendo assim, e visto que actualmente as regras já o permitem, joguemos para trás a partir do pontapé de saída para preparar o ataque:

Escrever, comentar, opinar ou criticar acerca de Futebol, mesmo que revestido de um aspecto aparentemente mais sério e sofisticado que a simples conversa de café onde vamos discutindo os assuntos mais sérios desta nossa vida, é nos dias que correm um exercício de risco! Numa era em que a pós-verdade tomou conta de quase toda a informação, mesmo a dita fidedigna, em que a contra-informação causa um ruído ensurdecedor, e em que a vertigem do tempo é cada vez mais acentuada, o risco que se corre é o da banalidade, o da futilidade, o da superficialidade…

Esse foi um dos motivos que me levou a ponderar cuidadosamente esta participação! Que este espaço consiga (e admito que a ambição possa ser desproporcionada) não ser engolido por essa espiral que a muitos parece arrastar, e que depois vai cuspindo de forma caótica. Que possa representar, ainda que apenas para o seu autor, um local de questionamento, de abertura à refutação, de cultivo do espírito crítico, e sobretudo de humanização deste jogo, o Futebol.

De todas as temáticas que possam ser abordadas, desde as mais terrenas experiências às conjecturas mais abstractas, o compromisso é o de tentar respeitar esta modalidade, e o Desporto em geral, como merecem e devem ser respeitados: como áreas de importância impar na formação do Homem, e que devem ser utilizados de forma intencional para tal desígnio.

Não será uma tarefa simples, no meio de tantos pontapés e atropelos que têm sido feitos a este jogo, quer nacional quer internacionalmente, e que apenas contribuem de forma reles para o seu enfraquecimento.

Mas o Futebol é inocente! O Futebol, não sendo apenas um jogo, continua a ser apenas um jogo. O Futebol todos recebe e todos abraça, mesmo aqueles que dele apenas se querem servir, mesmo os que o maltratam, mesmo os que em vão invocam o seu nome, mesmo os que se querem apoderar de si como se fosse só seu.

O Futebol é inocente… Mas as pessoas não!

Nem George Orwell conseguiria conceber um enredo tão engenhoso como aquele(s) que se sustentam a partir da inocência desta modalidade! A revolta dos porcos e a traição da sua liderança, comparado com a corrupção descarada (desde as altas esferas aos contextos mais pobres), com a prostituição intelectual nas redes sociais (onde todos são o que mais lhes convém), com os interesses sujos, paralelos e parasitas, com a manipulação dos mais diferentes agentes sob a bandeira da defesa do jogo, é uma estória para crianças.

 

Fica o pedido de desculpa prévio se todas estas intenções não conseguirem ser levadas a cabo! Mas o compromisso está assumido: voltar ao jogo, a falar do jogo nas suas diferentes dimensões como alguém que o ama, mas não é nem quer ser o seu dono (já dizia o Caetano Veloso). Porque quem ama, liberta…

NOTA: A Itália é um país com uma cultura futebolística muito representativa! O seu desaire na qualificação para o Mundial na Rússia recorda-nos que o futebol, como a vida, vive de diferentes ciclos. Esperemos que seja um momento que aproveitem para evoluir e regressar necessariamente diferentes, mas com o espírito livre, humanismo e cultura desportiva que o seu capitão cessante lhes transmitiu pelo exemplo. Grandíssimo Buffon!

Autoria: Francisco Pires

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