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A vida do gigante Sport Clube Beira Mar! – Parte 5

É com muita pena minha que termino este trabalho que tanto prazer me deu em escrever. Após a realização de algumas pesquisas em arquivos, conversas com o meu avô e com o meu pai, resultou este trabalho: A vida e obra do clube da minha cidade – Aveiro.

Ao escrever esta último artigo, senti que faltava algo que se destacasse de tantas outras publicações que já li pelas diversas plataformas. Senti que precisava de algo próximo do relvado, próximo da nossa casa ou dos nossos adeptos. É assim que apresento a última parte deste trabalho: uma entrevista feita ao atual técnico/adepto da equipa principal do Beira-mar, José Alexandre Silva, ao qual, desde já, agradeço publicamente a sua disponibilidade.

  1. A primeira questão que lhe faço é: porquê o Beira-Mar? O que o levou a aceitar um projeto que na altura não se sabia se teria “pernas para andar”?

J.A.: A resposta é fácil: porque o Beira-Mar é o meu clube e aos nossos não se pode nem se deve virar as costas quando mais se precisa. Quando fui convidado, a resposta foi, por isso, rápida e fácil de dar.

  1. Fora do estádio os adeptos do Beira-Mar conhecem o adepto José Alexandre, mas dentro de campo está o treinador José Alexandre. É fácil fazer essa passagem adepto/treinador ou quando vai para dentro de campo ainda leva consigo o adepto auri-negro que é?

J.A.: Já tinha treinado o Beira-Mar durante sete épocas, nos escalões de formação e, como tal, já sabia o que era ser treinador do clube que se gosta. Os adeptos do Beira-Mar sempre souberam que tanto no banco a orientar a equipa como no campo, a jogar, que estavam pessoas que na hora da verdade fizeram questão de estar presentes. Foi esse, também, um dos motivos da escolha do plantel, que na época passada, tinha 90 por cento da sua génese atletas formados ou que já tinham passado noutras realidades, no clube. No entanto, mesmo no banco, não consigo tirar totalmente a pele do adepto e quando fazemos golo, admito, às vezes festejo como tal.

  1. Como é que vê a reaproximação dos aveirenses ao clube?

J.A.: Com naturalidade. O regresso ao Mário Duarte e a chegada de atletas maioritariamente de Aveiro e da formação do clube fez com que os sócios e os adeptos se sentissem, de novo, mais perto de um Beira-Mar que era o deles ou o da sua memória. Depois, também perceberam que toda a direção do clube, liderada por António Cruz, mas ainda composta por Nuno Quintaneiro Martins, Marco Monteiro, João Claro e Afonso Miranda, que precisava de todo o apoio para reerguer o clube.

  1. O Beira-Mar regressou a casa. Regressou a velhinho Mário Duarte. Que significado tem para si jogar no Estádio Mário Duarte?

J.A.: O Mário Duarte é a minha casa. Foi ali que vi e vivenciei as melhoras recordações como adepto e sócio do Beira-Mar. Foi ali que o meu pai (e também o meu irmão), envergou a camisola do clube e, depois, a braçadeira de treinador. Regressar ao Mário Duarte também tem outro significado: o da vontade férrea e indomável dos adeptos e sócios auri-negros, que demonstrando toda a sua fé no clube, recuperaram todo o estádio, incluindo um relvado que já não existia, para colocar o clube de novo em funcionamento. Cada golo, cada momento e cada alegria que temos dentro das quatro linhas é também partilhada com todos os que deram muito de si para fazer o Mário Duarte voltar ao que era.

  1. Que análise faz à época passada? Era o que esperava ou ultrapassou o que tinha em mente?

J.A.: A época passada correu como era expectável. Foi muito dura e complicada, com momentos em que tudo foi posto em causa, mas que terminou da melhor forma possível, com a subida de divisão e a presença na final da Taça de Aveiro, que nos permitiu, esta época, regressar à Taça de Portugal. O campeonato foi tão complicado como eu esperava que fosse, porque quando começou nós estávamos muitos atrasados em relação a todos os outros competidores, que tinham planteis feitos e outro tipo de orçamentos. Mas fomos mais regulares e no final, só nós fizemos a festa. Mais ninguém.

  1. O Beira-Mar levou a cabo uma pré-época bastante curta e começou a nova época a jogar em Gouveia para a taça de Portugal. Acredita já ter o plantel preparado para o arranque da época 2016/17?

J.A.: Fizemos a pré-época possível dentro do pressuposto que somos um clube amador, com atletas que trabalham antes de irem para o treino e que, na sua grande maioria, treinaram e jogaram a época passada até dia 30 de Junho. Ou seja, de férias só tivemos seis semanas. Foi um risco calculado e acreditamos que foi a melhor solução.

  1. Qual é o objetivo para o campeonato? Vamos atacar a subida de divisão?

J.A.: A direção do clube já avançou, de forma pública e ponderada, com os objetivos do Beira-Mar para esta época e, naturalmente, todo o grupo está vinculado a esse desiderato e pronto a defendê-lo: Não somos candidatos à subida, mas temos, naturalmente, o valor e a ambição de lutar sempre pelos três pontos em cada partida. O caminho do clube este ano é continuar a sua recuperação financeira e construir uma estrutura que permita nunca mais ter de passar por problemas como os que fizeram com que caísse na divisão mais baixa.

  1. O Beira-Mar regressou este ano à taça de Portugal tendo já ganho a primeira eliminatória. Que importância tem para equipa esta prova e qual o objetivo do Beira-Mar?

J.A.: O Beira-Mar já tem no seu palmarés uma Taça de Portugal e, portanto, como é óbvio, era importante, pelo menos, ser competitivo na prova e passar uma eliminatória. Agora o nosso foco está no campeonato e o que vier agora, na Taça de Portugal, será sempre um fator de valorização do clube e dos seus jogadores, mas não é uma prova prioritária. No entanto, independentemente do adversário, entraremos sempre em campo com o fito de querer vencer.

  1. Em nome de toda o plantel, o que é que pode prometer aos adeptos do Beira-Mar para esta época?

Continuar a ser aquilo que sempre fomos: sérios, responsáveis, um grupo unido e de caráter que lutará sempre pelo Beira-Mar até ao limite das suas capacidades.

#orgulhoaurinegro

Autor: João Neves

Co-autoria “A arte do Futebol”

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