-- ------ A volatilidade nos dias que correm - Bom Futebol
Bom Futebol

A volatilidade nos dias que correm

Volatilidade

A volatilidade nos dias que correm

A natureza do jogo, e as influências sociais.

Qualquer actividade humana, com características semelhantes a um jogo de futebol, é inerentemente complexa e não determinada, aberta a ocasos improváveis que, por muito que tentem prevenir-se ou contrariar-se, podem ter lugar. Este é um princípio que devemos aceitar e tentar compreender, para que a interpretação que fazemos da volatilidade de certos momentos nos guie no sentido correcto.

Será até esta sensação de incerteza, esta instabilidade latente, que mais nos agarra ao jogo, ou em mais profundidade, à vida. É por saber transitória a nossa condição que desejamos mais, que nos preparamos melhor, que tentamos transcender aquilo que somos.

Este é um dos sentimentos que o jogo transmite que nos aproxima da nossa condição humana, mas a forma como damos sentido e significado a este pressuposto já varia com determinadas tendências sociais que podem prejudicar sobremaneira o papel formativo que este deve ter.

A ditadura da era pós-moderna.

As experiências que o Futebol proporciona não são ao nível de um simulador em que, correndo de forma não desejada, reiniciamos as partidas ou desligamos o computador! Não deve ser um percurso que se construa de facilidades e imediatismo, e muito menos deve ser encarado com o desprendimento de quem somente o utiliza para passar tempo.

Infelizmente a velocidade cada vez mais acelerada dos nossos tempos alterou de forma tão radical as dinâmicas comportamentais (nos mais diversos níveis) que o Futebol acaba por ser logicamente influenciado, porque não se dissocia de quem o pratica, de quem o orienta e de quem o dirige.

Hoje é comum que uma criança que pratica futebol saia do seu clube ou desista por não jogar na posição ou o tempo que desejava… É frequente ver crianças que não respeitam os adversários porque perderam… É praticamente normal faltar ao treino porque está a chover ou porque há um aniversário de um qualquer amigo…

Mas também é prática corrente digerir as derrotas com publicações numa das inúmeras redes sociais… Como é aceite que se faça coação ou dispensem jogadores sem qualquer aviso prévio… Mais banal só a dança de treinadores de 3 em 3 meses a que se assiste, e que é indicador de uma total falta de conhecimento e visão de investidores/dirigentes.

A volatilidade do jogo por vezes confunde-se com a volatilidade que se trouxe para o jogo. Mas são bem distintas, e devem ter tratamentos muito diferentes.

Um pressuposto para a solução.

O Desporto não é uma área onde qualquer um possa fazer uma perninha, dar um jeitinho, desenrascar… Esse é talvez dos maiores ataques feitos ao seu desenvolvimento!

Assim como não nos atrevemos a suturar a cabeça a alguém porque já partimos a nossa várias vezes, no Desporto também não deve intervir quem não tenha competências e ferramentas para tal, mesmo que o tenha vivido como praticante.

Sendo assim, e tendo a noção de que esta é uma área profissional, deverão ser os profissionais a zelar pela sua evolução, pelo que terá de existir a profundidade de análise necessária por parte das entidades e pessoas competentes a fim de perceber para onde desejamos caminhar.

Só deste modo se poderá defender de forma digna uma área com tanto potencial, e encarar todos os seus princípios da maneira mais rentável possível.

NOTA:

Como se explica o resultado do F.C. Porto na última eliminatória da Champions League?

Como se explica que hajam clubes na 1ª Liga Portuguesa a contratar, sem ser por obrigação, três treinadores numa só época?

Como se explica a série de resultados do C.S. Marítimo nesta 2ª fase da época?

Como se explicam os problemas de Neymar no P.S.G. desde a sua chegada ao clube?

 

Será o mesmo tipo de volatilidade??? É preciso saber diferenciar!

Deixe o seu comentário

bomfutebol
Cópia não permitida! Conteúdo protegido por direitos de autor.