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A voz do silêncio – Adepto do Vitória Sport Clube

A voz do silêncio – Adepto do Vitória Sport Clube

“É fácil trocar as palavras. Difícil é interpretar silêncios!”

Fernando Pessoa

Escrevia Fernando Pessoa que “É fácil trocar as palavras. Difícil é interpretar silêncios!” No final do jogo em Santa Maria da Feira, logo após o golo da equipa da casa, senti nos adeptos Vitorianos pela primeira vez nesta época um silêncio vindo da bancada, um silêncio não de uma simples tristeza mas de constrangimento com o que se passava.

Silêncio, minutos finais em silêncio, uma bancada que estava repleta, num vazio de som que doeu intensamente. Eu não fui, não estava lá mas vi (o que pude) do jogo, ouvi o relato e senti que aquele vazio ou silêncio seria difícil de interpretar. Tivemos várias vezes oportunidades nesta época de chegar ao 5º lugar, não por uma, não por duas, mas por mais que três vezes de chegar lá e não fomos capazes, não fomos dignos da camisola que vestimos, do símbolo que ostentamos orgulhosamente, do preto e branco da nossa camisola. Não nós, os adeptos, mas sim, quem nos representa em campo.

Todos sabemos hoje que o Vitória deste ano tem uma lacuna evidente, no que toca a defesa, meio campo ou ataque, e essa lacuna não é mais nem menos, que a entrega da equipa. A capacidade, a energia com que vivemos as coisas, desde que não seja de forma excessiva, deve ser considerada boa, mas a verdade é que não sentir, causa um enorme amargo de boca e um sentir de incapacidade completo.

Aprender com os erros

Nós na bancada gostávamos tanto de podermos chegar ali e marcar golos, de fintar, cruzar, passar a bola ou até defender um remate, e vocês? Fazem aquilo que gostam? Nós olhamos sempre por vós, vamos para qualquer lado, enchemos bancadas, sofremos tanto e vocês sofrem? Acho que muitos vão recordar esta época pelos 13 milhões de euros, por uma questão de podermos chegar mais perto dos 3 eucaliptos, por uma questão de eleições. Pois eu, eu não quero recordar esta época que se está a finalizar, quero sim e apenas, relembrar-me que não devemos de maneira nenhuma voltar a cometer os mesmos erro. Erros que se pagaram caro, que não nos deixam agora em Maio ir ao Jamor cantar nas matas, comer o tal panado ou simplesmente fazer uma festa no Toural e que não devemos de maneira nenhuma ficar a mais de 30 pontos dos 3 eucaliptos, já para não falar do nosso eterno rival.

Doeu e sofri em silêncio, sentado é verdade (o que queria ter ido neste sábado lá), doeu e ainda dói mais, semana após semana vai doendo, dói, porque nos importamos, dói porque sentimos, mas mais que isso, dói porque a garra, a energia contagiante da bancada, não passa para o campo, ou melhor, não é recebida. Dói, não foi bonito, não é lindo como diz a nossa música e porque os anos vão passando e te queremos ver Campeão.

As minhas palavras não são fáceis de escrever, também elas hoje doem, doem como se tivesse uma ferida aberta, não devem ser entendidas como bonitas, mas transmitidas como uma dor de um simples Vitoriano que sempre que pode, está lá. Como um Vitoriano que faz quilómetros como muitos outros, como um Vitoriano como muitos outros que independentemente da chuva ou sol, estará sempre que possível lá. Essa deve ser a mensagem transmitida ao balneário, aos dirigentes, a todos eles sem exceção.

Estamos sempre lá

Que nós sofremos com o Vitória, que nós estamos sempre lá pelo Vitória, que dignificamos o símbolo, que amamos o Clube. Aquele silêncio de perdemos o jogo nos últimos minutos, aquele silêncio na bancada foi ensurdecedor e sinceramente, não há nada pior do que o silêncio, é sinal que as palavras ficaram gastas, que essas palavras tão fáceis de exprimir acabaram por se silenciar, e aí, é fácil trocar não palavras mas olhares e ver o desalento, a dor, o desanimo, a tristeza patente, numa época que só pode ficar marcada por dor, porque às vezes importa ficar em primeiro, mas há uma coisa nessa letra e nessa música que não irá mudar, porque nesta vida, mais que tudo Vitória nós te amamos, mas há uma razão para um grande alarme, é que este silêncio pode ser também um grito de revolta e é extremamente necessário, corrigir, não remediar e na próxima época, voltar aos lugares a que pertencemos, urgentemente.

 

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