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Adaptar a Equipa ao Modelo ou o Modelo à Equipa?

Adaptar a Equipa ao Modelo ou o Modelo à Equipa?

O Modelo de Jogo e a Sua Importância

Para mim é bastante simples, tudo se resume ao tempo. O treinador ao ingressar num novo projeto, num novo clube e equipa de trabalho, é necessário que disponha de tempo para conhecer os “cantos à casa” para encetar uma nova abordagem de trabalho (com métodos e estratégias que pertencem à sua lógica própria).

Ora parece-me, mesmo iniciando a colaboração com o clube com alguma antecedência, que ter tempo suficiente para compreender o contexto e selecionar mais-valias para a equipa, sob forma de jogadores e não só, é condição essencial para implementar e difundir práticas próprias e ideias (essas que são a base do trabalho do treinador) no clube em todos os seus departamentos. Ainda assim creio que não aproveitar o que detetado como bom (porque há sempre coisas positivas) no clube e equipa de trabalho, é não apresentar o discernimento suficiente para uma avaliação capaz, é não aproveitar nem fazer valer-se da ajuda para o sucesso eficiente.

Claro está que, mesmo que de forma inconsciente, as mudanças forçosamente acontecerão, forçar imediatamente a equipa ao modelo próprio do treinador à revelia do passado recente e da lógica de trabalho vigente vai contra uma perspetiva de apresentação de conteúdo e sua consolidação. No longo curso, numa janela temporal maior, o treinador orientará sempre o contexto à sua visão do jogo, ao seu modelo de treino, de equipa, de jogador, em suma, de trabalho. Realizá-lo de forma forçada, sem respeito pelos ritmos de adaptação próprios do ser humano, parece-me improdutivo.

Acresce referir que sou adepto da adaptação do modelo (mesmo no momento de criação) à equipa ao invés do contrário. Significa isto que ideias pré-concebidas são próprias de estagnação, de dogmatização quer do processo e, por extensão, do produto.

Num contexto não linear, onde a imprevisibilidade impera, ser fiel às ideias é apenas ser direcionado por convicções que podem ser, em última análise, prejudiciais. Acreditar num processo é o que sustenta a realidade de um treinador, até aqui estou em acordo e eu próprio pauto o meu comportamento/trabalho por estas premissas, mas ser adepto da adaptabilidade ao contexto é o que de facto faz diferenciar quem ganha e quem perde.

Um modelo, dentro da sua própria definição, apresenta-se como uma referência, um exemplo, não como uma obrigação uma estagnação. Próprio da adaptação ao contexto, conter no modelo de jogo (e treino) a própria variabilidade é sinal de um pensamento crítico evoluído, concorrente com a realidade e processos naturais. Criar e construir com base nos jogadores é para mim a referência base de um trabalho sustentável.

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