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ALMA VAREIRA – Estudo de Caso Sporting Espinho

Sporting de Espinho

ALMA VAREIRA. Estudo de Caso Sporting Espinho

Mística. Identidade, Visão Clubística. Desafios para um futebol que se requer repensado, reinventado, redefinido.

Este é um exemplo, não de afastamento, mas de reaproximação.

Parto de um relato de uma recente semana em que estive em Espinho a fazer uma observação dos treinos do Sporting de Espinho.

Nessa semana falei com equipa técnica, com pessoas de Espinho e adeptas do Sporting de Espinho, procurei conhecer um pouco o contexto local, a história recente do clube, de como se afundou nos distritais e como se está agora a reerguer. Essa semana coincidiu com o jogo para a Taça de Portugal frente ao Ac. Viseu, em que o Espinho venceu por grandes penalidades após empate 3-3.

No final resulta uma reflexão sobre este caso pontual, que me inspirou pela positiva, e que serve de mote para este tema em concreto, dividido em dois artigos – desafios para o “consumo” do produto “futebol”.

Mística clubística

27 de Outubro 2018, Estádio do Bolão em Fiães, Sporting de Espinho -Académico Viseu

Jogo com alternância constante no marcador, duas equipas a jogar com intenção clara de ganhar. Espírito, emoção e momentos de bom futebol.

Minuto 85, empate do Viseu, 3-3. Ainda que triste pelo golo, um adepto do Espinho, comenta: “Porra, que jogo!”

Espírito de bola, adeptos no estádio, identificados, em massa. Uma aura que só surge na empatia, na identificação. Adeptos, jogadores, clube, cidade.

O Sporting de Espinho não tem neste momento uma casa. Joga e treina em Fiães.

Tem outros desafios importantes como projectar o futuro da formação, ter todas as suas equipas da formação a disputar os campeonatos nacionais, criar melhores instalações com condições tanto para o futebol sénior como futebol de formação. Entre outros.

Mas conseguiu recuperar algo que é Cultural e que tem uma força imensa. Numa palavra, mística.

Estratégia

Só havendo um processo, é possível haver sucesso”

Prof Vítor Frade

Mas um clube ter mística não chega, é preciso também estratégia, Visão, definição de política e um processo.

Sem excluir como o mercado funciona. Para além dos jogadores locais, aberto a jogadores de fora que possam chegar, seja por necessidades estratégicas do clube (futuras vendas por ex), necessidades específicas do plantel, etc. Com qualidade para serem activos no verdadeiro conceito da palavra. , No exemplo do Espinho, a contratação de jogadores estrangeiros, nomeadamente do mercado brasileiro, acrescenta qualidade. Mas os jogadores têm de perceber a filosofia do clube.

O exemplo do novo Espinho, cuja Direcção é conterrânea, debate-se, tal como as gentes da terra com adversidades. Mas projecta o futuro do clube, partindo de alicerces fundamentais. O projecto é para o clube, para a cidade, para valorizar os seus jogadores e para satisfazer os seus adeptos. É também para a indústria obviamente. Não de forma separada, sim como um todo e em função de.

Um processo. Que só pode ser avaliado, se tiver tempo de execução.

Comandante (s). Ideólogos de um processo

E nisso, a figura do Treinador aparece como alguém que deve ser respeitado, ouvido, confiado.

Um Treinador a quem seja dado poder de escolha o plantel, e confiança em momentos de dúvida. Coincidência ou não, jogadores focados, motivados e alegres em treino foi o que vi na semana de observação.

É impossível um Treinador agradar a todos. Mas havendo um rumo, um processo, uma lógica, objectivos e indicadores definidos é possível avaliar com fundamento e conhecimento..

Cobertura e confiança directiva reflecte-se em maior probabilidade de coerência e consistência desportiva. Pela credibilidade que o Treinador ganha nos momentos de desconfiança, pela autonomia que ganha no planeamento, recrutamento de novos jogadores, constituição do plantel, pela segurança com que pode passar a sua mensagem…

A figura do Treinador. Aquele, de quem mais dependerá o desempenho concreto da equipa. Responsável por criar harmonia entre quem está acima e abaixo na hierarquia, o que não é fácil.

Só com cobertura poderá exercer a sua influência de forma independente.

Próximo artigo

Temos de olhar para o futuro, porque os jovens já estão a jogar videojogos. Estamos a destruir o futebol. Daqui a oito anos, os recém-nascidos não vão preocupar-se com o futebol”

Aurelio De Laurentis

(Presidente do Nápoles em recente entrevista ao “Le Parisien”)

A dita “indústria” futebolística, debate-se. Pegando na afirmação do Presidente do Nápoles, totalmente lógicas e factuais as causas das suas preocupações: “jogos que aborrecem”. Propõe a redução do tempo de jogo para duas partes de 30 minutos.

Não crendo que seja por aí, actue-se antes nas causas, não nos sintomas.

A qualidade do jogo é o principal factor que nos deixa colados à tela.

O que a equipa expressa em campo é em muito resultado directo das ideias do Treinador. A qualidade do produto depende pois e muito dele e, consequentemente, das condições que lhe são oferecidas para exercer um processo.

Tal não é viável com a descredibilização que o Treinador em Portugal tem vindo a ser alvo nos últimos tempos.

O consumo virá naturalmente se acontecer aquilo que assisti em Espinho. Duas equipas a jogar para atacar, público a apoiar e em massa. O consumo não advirá com os preços de bilhetes a 10 euros.

No artigo seguinte irei desenvolver as ideias-chave desta problemática, algumas já evidenciadas a título de exemplo neste artigo, nomeadamente o que penso acerca do enquadramento do Treinador nesta questão – o consumo do produto “futebol”.

No imediato, ideia a reter

O “consumo” advindo da identificação, da mística e da qualidade de jogo. Com política. Com estratégia. Com um processo.

Carlos Miguel

[email protected]

(o Autor opta por escrever na ortografia antiga)

Outras Referências bibliográficas

– Manuel Cajuda in Colóquio Planeamento do Treino em Futebol, Sapienta Sports sob o tema Evolução da Carreira do Treinador. O caminho do Sucesso.

– Jornal O Jogo 28.10.2018. “Presidente do Nápoles quer jogos mais curtos”

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