-- ------ Ao cuidado do Porto: Análise ao Grupo G da Liga dos Campeões
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Ao cuidado do Porto: Análise ao Grupo G da Liga dos Campeões

Ao cuidado do Porto: Análise ao Grupo G da Liga dos Campeões

Começa na próxima semana mais uma edição da Liga dos Campeões. Neste artigo analisamos o Grupo G, equipa a equipa, onde figura o FC Porto, que terá pela frente Mónaco, Besiktas e RB Leipzig.

O Grupo G da edição 2017/2018 da Liga dos Campeões é talvez o mais equilibrado de todos os grupos da liga milionária. Não porque esteja recheada de tubarões, como acontece em dois grupos (C – com Chelsea, Atlético de Madrid e Roma; e H – Real Madrid, Borussia de Dortmund e Tottenham), mas porque todas as equipas têm um nível alto, não havendo o habitual remediado do Pote 4, sem qualquer hipótese de fazer frente aos cabeças-de-série. Olhamos assim para cada uma das quatro equipas deste Grupo G, seguindo a ordem de sorteio, do Pote 1 para o Pote 4:

 

AS Monaco: campeões franceses renovam-se a ganhar

Leonardo Jardim fez um feito histórico no ano passado ao conquistar o título francês, pondo fim à hegemonia do milionário PSG. O treinador madeirense foi o grande artífice de um grupo repleto de jovens valores que surpreenderam a França e a Europa do futebol, tendo alcançado as meias-finas da Liga dos Campeões. Tamanho sucesso redundou numa sangria do plantel monegasco, com os gigantes europeus a escolherem o principado como o destino preferido para investirem largos milhões, fazendo da equipa do Monaco a grande campeã das vendas no futebol mundial neste defeso.

Saíram para o City o lateral esquerdo Mendy e o médio ofensivo português Bernardo Silva, para o Chelsea o médio Bakayoko e para o rival PSG, a grande revelação da época transacta, Kylian Mbappé. Quatro titulares indiscutíveis de enorme preponderância no onze. E tendo em conta que se falou insistentemente das saídas de Lemar e Fabinho, o balanço até nem é negativo pois os dois médios continuam ao serviço de Jardim.

Mas quem pensa que esta sangria resultou num Monaco mais fraco está enganado. Os resultados provam-no, com um arranque 100% vitorioso na Liga Francesa em quatro partidas, e com alguns resultados contundentes, em especial a goleada por 6-1! sobre o Marselha, o histórico francês que ainda para mais apostou forte este ano para se aproximar da frente.

A defesa é praticamente a mesma, com o brasileiro Jorge a entrar para o lugar de Mendy. Obviamente não é a mesma coisa, mas o brasileiro tem dado conta do recado. Um ano de preparação à espera da oportunidade parece ter servido para agora assumir o posto levando até a melhor a Kongolo, que veio do campeão holandês, o Feyenoord, e parecia favorito para o lugar.

No meio-campo, um João Moutinho em grande forma neste arranque de época tem feito esquecer Bakayoko, compensando o seu menor fulgor físico, com excelente leitura de jogo, sentido posicional, e uma cada vez melhor capacidade de marcação das bolas paradas, como cantos e livres laterais, que já lhe valeram assistências, numa equipa que tem sido muito forte neste tipo de lances. À direita, Bernardo Silva foi substituído por outro português, Rony Lopes, também proveniente do Caixa Futebol Campus no Seixal, apesar de ter deixado o Benfica em mais tenra idade. Tal como Bernardo, é um 10 adaptado à direita, com um pé esquerdo capaz de maravilhar. As semelhanças no estilo são bastantes, com Rony Lopes a estar longe ainda do patamar que o seu compatriota já atingiu, apesar de ter um trunfo que o agora jogador do City não possuiu, uma meia distância muito poderosa.

Na frente, Mbappé partiu para o PSG sob o fecho do mercado, mas já pouco tinha contado neste início de temporada, dada a instabilidade que demonstrava ao insistir em deixar o principado. Assim, a aposta inicial foi no também jovem Diakhaby, a quem se antevê um futuro brilhante. Contudo, com a chegada de Keita Baldé da Lazio e de Jovetic do Inter, é provável que um destes se assuma como parceiro do inevitável Falcao. O colombiano parece estar de volta aos seus melhores tempos, com sete golos em quatro jogos na Liga!

Como referimos, foram muitas as baixas para Jardim, mas quem vê os monegascos a jogar pouco sente as perdas e a máquina parece estar montada de forma tão bem desenhada que mesmo com peças diferentes, tudo funciona na perfeição. O ataque continua demolidor e o estilo de jogo irreverente e ousado mantém-se.

Uma referência final para várias alternativas de valor que o treinador português tem à sua disposição. Na defesa há Kongolo e Touré para as laterais e Raggi para o centro. No meio-campo chegou o jovem belga Tielemans, que não assume para já a titularidade muito devido à forma de Moutinho, mas que a breve prazo deve ser uma referência no meio-campo tal a qualidade e maturidade para a idade que apresenta. E mais para a frente há Ghezzal para a direita e as várias opções para a frente de ataque, acima referidas. Um verdadeiro luxo para Leonardo Jardim que tem às suas ordens um plantel repleto de juventude e valor. Um encontro perfeito para o estilo de jogo que impôs neste Monaco.

 

O campeão francês é o claro favorito do Grupo G.

As peças mudaram mas o sistema mantém-se inalterado no Monaco de Jardim.

 

FC Porto: Um novo velho Dragão

Afastado dos títulos que foram o seu ADN nas últimas décadas, os dragões estão em busca do retorno à glória. Porém, uma grave crise financeira devido à má gestão da administração do clube levou à intervenção da UEFA para garantir o cumprimento do Fair-Play Financeiro. Assim, ao longo das próximas épocas, a margem dos azuis e brancos para investirem é escassa. Desta forma, o clube viu-se obrigado a apostar na continuidade. Com apenas uma única contratação (e de um guarda-redes que é o terceiro na hierarquia), a grande aposta foi na mudança de treinador.  E até ver foi acertada. Sérgio Conceição mudou a forma de jogar da equipa, deixando para trás a obsessão pela posse de bola. Com uma pressão muito alta, sempre a sufocar o adversário, este novo dragão procura, na primeira fase de construção do adversário, recuperar a bola e chegar à baliza contrária.

Muitos acharam impossível atingir uma melhoria tão significativa com um plantel muito semelhante ao do ano anterior, onde só chegaram alguns jogadores que estavam emprestados e que não se julgava serem capazes de se imporem no regresso à Invicta. A verdade é que Ricardo Pereira, Aboubakar ou Marega têm-se revelado verdadeiros reforços e elementos fulcrais para este novo velho FC Porto.

Estas alterações resultaram num Porto asfixiante em termos ofensivos, com muito maior capacidade para criar situações de golo, sem que com isso tenha perdido a eficácia defensiva, que era o seu grande trunfo no ano passado.

E é precisamente na defesa que o Porto tem a sua fortaleza com zero golos sofridos até ao momento na temporada. Casillas parece igual ao Vinho do Porto, quanto mais velho melhor, até porque tem um quarteto à frente que joga já de olhos fechados, mesmo com uma alteração, o regresso de Ricardo Pereira, que se havia destacado no Nice em França, que conquistou o posto, relegando para o banco o até então indiscutível Maxi Pereira.

No meio-campo o treinador opta por um sistema com dois médios, à imagem do que se verifica nos rivais da Liga NOS. Já havia acontecido com Nuno Espírito Santo, mas de forma esporádica, com um dos alas a assumir o papel de terceiro médio central, sendo mais um falso ala. Agora, Danilo e Oliver assumem o centro nevrálgico do jogo, com o médio português a ter mais liberdade ofensiva e com o espanhol a assumir o total controlo das operações. Nas alas, Brahimi parece menos perdido nos seus dribles, mas ainda revela défice de eficácia na finalização e último passe, enquanto à direta, Corona tem, como já é seu timbre, variado entre excelentes exibições e momentos de apagamento.

O ataque passou a ser definitivamente a dois, com Soares e Aboubakar como titulares, apesar do brasileiro ter cedido o lugar a Marega devido a lesão, com o avançado maliano a mostrar o porquê da aposta no seu futebol de força. A referência tem sido o camaronês Aboubakar que tem marcado vários golos e assumido um papel fundamental no jogo dos azuis e brancos, pela sua mobilidade, capacidade de desmarcação e sentido de oportunidade.

O grande calcanhar de Aquiles desta equipa é o reduzido leque de opções de que dispõe Conceição. O plantel é muito curto e faltam opções em lugares-chave. No centro da defesa apenas há Reyes em alternativa à dupla titular. Danilo não parece ter ninguém com as suas características para suprir uma eventual baixa. E nas alas há o adaptado Otávio, que é um 10, e Hernâni, que parece curto para estes voos. Na frente de ataque, jogando com dois elementos, há apenas três jogadores.

Em suma, o Porto parece de novo pronto a lançar labaredas sobre os adversários, mas o seu sucesso estará intimamente ligado à capacidade de gestão do esforço da equipa e da sorte de não haver muitas baixas ao longo desta fase de grupos.

 

Sem dinheiro para reforços, Sérgio Conceição renovou o dragão com as peças que já tinha.

Um dragão à procura do regresso à glória em que o treinador é a única cara nova.

 

Besiktas: Uma águia turca com experiência acumulada para voos maiores

Há um ano, apenas uma desastrosa exibição na última jornada, que redundou numa goleada em Kiev perante um Dínamo já eliminado da competição e da luta pelo acesso à Liga Europa, impediu os homens de Senol Gunes de chegaram aos oitavos. Um ano depois, e com vários reforços de peso, a aposta será certamente em atingir o que falhou há um ano. A tarefa não é fácil em grupo tão equilibrado, mas os turcos parecem ter trunfos para o alcançar. Até porque a experiência é algo fundamental nesta competição, onde por vezes equipas com muito valor acabam por tombar devido a uma menor experiência na liga milionária. Esse problema não se colocará certamente ao Besiktas.

É que para além da experiência do ano passado, onde ganhou e empatou nos dois jogos frente ao favorito e vencedor do grupo Nápoles, e em que não perdeu com o Benfica (dois empates), que passaria no segundo posto, o Besiktas apostou em assegurar jogadores com experiência ao mais alto nível. Exemplo disso são o português Pepe, campeão em título da Champions pelo Real Madrid, o chileno Gary Medel e o avançado espanhol Álvaro Negredo. Em sentido contrário, perderam Aboubakar, que regressou ao FC Porto, e será agora um rival nesta fase de grupo, Inler, que era por vezes opção no centro do meio-campo, e o central Marcelo, que era um dos esteios do sector recuado, assim como o lateral direito Beck.

Ainda é difícil fazer um desenho definitivo desta equipa pois alguns dos reforços ainda não assumiram um lugar na equipa, sendo expectável que o possam vir a fazer a breve trecho. Na baliza o espanhol Fabri mantém-se, tendo agora à sua frente uma dupla de centrais composta por Pepe e o sérvio Tosic, sendo que Medel pode vir a ser opção para este posto. Na direita, Adriano assumiu o lugar no último jogo, quando já se previa a saída de Beck, que entretanto foi para o Estugarda, com Erkin a jogar à esquerda. Porém, Gonul poderá assumir a direita quando regressar de lesão, devolvendo Adriano à esquerda.

No centro do meio-campo, o duplo pivot tem sido composto por Hutchinson, um médio de grande pulmão, e Ozyakup. Também aqui o chileno Medel pode ser opção dado que também joga como trinco. Nas alas, o português Ricardo Quaresma e o holandês Ryan Babel são indiscutíveis, mas há agora uma nova opção, o também holandês Jermaine Lens, que pode também ser opção para o lugar de Talisca.

E é precisamente o médio ofensivo emprestado pelo Benfica que mais capacidade de decisão parece ter na equipa. Os seus golos têm garantido muitas alegrias à turba fervorosa dos turcos, assim como assistências decisivas. Já para não falar da sua eficácia na marcação de livres diretos, que fazem dele um dos melhores especialistas da atualidade. Na frente, Tosun é a referência. O combativo e oportuno avançado turco terá que conseguir manter o nível alto pois à primeira oportunidade certamente que o espanhol Negredo lhe roubará o lugar.

Estes turcos são uma ameaça a ter em conta neste grupo. Como já o mostraram há um ano quando bateram o Nápoles e lutaram até final com o Benfica pelo acesso aos oitavos. O capital de experiência dos seus reforços e o ambiente efervescente do seu estádio são o que de mais temível esta equipa apresenta. O seu ataque reúne vários elementos capaz de desequilibrar qualquer adversário, com os alas a serem esse dínamo, e o brasileiro Talisca o homem dos grandes golos. A debilidade poderá estar mesmo na defesa, apesar do português Pepe ser agora o comandante do reduto defensivo.

 

A formação de Gunes conta com os portugueses Pepe e Quaresma.

O Besiktas vai tentar repetir a excelente prestação de há um ano, mas desta feita carimbando a passagem aos oitavos.

 

RB Leipzig: O estreante que quer ganhar asas

Há dois anos, o RB Leipzig estava na segunda divisão da Alemanha. Dois anos depois está na fase de grupos da Liga dos Campeões, graças a uma tremenda época de estreia na Bundesliga em que ficou num surpreendente segundo lugar. Foi a única equipa de fazer frente ao inevitável campeão Bayern, apesar dessa luta ter durado apenas meia época. A verdade é que a equipa de Ralph Hasenhuttl nunca quebrou e manteve o seu caminho até final da temporada.

Assente em muita juventude de imensa qualidade, este clube com menos de uma década de existência é inevitavelmente um candidato ao dois lugares cimeiros do Grupo G. Ser segundo de uma liga como a alemã eleva a exigência pelo que o apuramento será a única coisa na mente dos alemães, ou na pior das hipóteses, a manutenção nas competições da UEFA via Liga Europa, onde poderiam ser um dos candidatos à vitória final.

A temporada nem começou da melhor forma, com uma derrota na estreia, por 2-0, no campo do Schalke 04. Há um ano, a primeira derrota tardou em surgir, ao invés. A resposta foi dada na jornada seguinte, com vitória categórica por 4-1 em casa, sobre o Friburgo, que incluiu uma reviravolta no marcador depois de terem estado a perder.

Apesar de ser detido pelo milionário que gere a marca Red Bull, não é com base em grandes investimentos em nomes sonantes que se faz o sucesso do Leipzig. Chegaram este ano alguns jogadores, como Kampl, que será o mais mediático, ou o português Bruma, ou o francês Augustin. A aposta é sempre em jovens com potencial para poderem ficar no clube alguns anos e lá tornarem-se jogadores de top, como Naby Keita, já vendido ao Liverpool para a época 2018/2019. Apesar do sucesso, foram poucas as baixas, com apenas Oliver Burke a merecer destaque a par de David Selke.

O dono da baliza é o húngaro Péter Gulácsi, atual dono das redes da seleção magiar, que tem à sua frente um quarteto com Klostermann à direita, Halstenberg à esquerda, e Orban e Upamecano como centrais. Um sector com uma média de idades baixíssima, onde o mais velho do quarteto é o lateral esquerdo com apenas 25 anos.

No meio campo, Keita é a grande referência, uma espécie de Kanté, que ocupa o campo todo, recupera bolas e transporta-a para a frente, Laimer a seu lado. Nas alas, o falso extremo sueco Emil Forsberg, jogador que faz muitos movimentos interiores, parte da esquerda, e à direita Sabitzer é a opção, mas Bruma poderá espreitar o lugar, com Kampl ou Demme como outras opções no meio ao lado de Keita.

Na frente, Timo Werner é a grande referência. O jovem ponta-de-lança é já titular no eixo do ataque da seleção campeã do mundo e é sem dúvida um goleador nato, que sabe como ninguém mexer-se entre os centrais adversários. Ao seu lado poderá ter uma de várias opções. O titular costuma ser o dinamarquês Poulsen, mas poderá ser também Augustin o parceiro, ele que muito prometia no PSG mas poucas oportunidades teve. Kampl poderá ser também opção neste lugar, ainda que seja um pouco mais um médio ofensivo que um avançado. Há ainda Bruma ou Forsberg que poderão jogar aqui ao invés das alas.

A equipa é muito jovem e isso costuma pagar-se caro nesta competição. Contudo, o valor do RB Leipzig é inquestionável pelo que quem não levar a sério os alemães pode vir a arrepender-se seriamente. Se o talento for capaz de sobrepor-se à inexperiência, então a formação germânica poderá almejar a passar à fase seguinte. É uma tarefa difícil mas longe de ser impossível.

Repleta de jovens de valor superior, apenas a inexperiência a este nível pode comprometer as ambições da equipa.

O outsider do grupo mas uma equipa que impõe respeito depois da fantástica prestação na Bundesliga há um ano.

A importância do arranque num grupo tão equilibrado

Em qualquer competição, arrancar de forma positiva é importante. Num grupo G tão equilibrado, essa premissa ganha maior importância pois qualquer deslize será difícil de recuperar. Serve isto para focar a preponderância que o jogo da primeira jornada, entre Porto e Besiktas poderá ter. Um deslize para os dragões pode ser fatal pois terá no Dragão o covil para a garantia da passagem, até porque seguem-se deslocações ao Monaco e Leipzig onde a vitória será sempre complicada de assegurar.

Também o jogo entre Besiktas e Leipzig na segunda ronda poderá ajudar a definir um pouco se o equilíbrio será mesmo a palavra de ordem. Já os campeões franceses, começam na Alemanha, tendo depois dois jogos em casa. O cenário perfeito para poderem chegar ao fim da primeira volta em posição privilegiada.

Uma nota final para a última jornada, onde o Porto receberá o Mónaco. Se os franceses confirmarem o favoritismo, então poderão até jogar de forma poupada no Dragão, à imagem do que aconteceu com o Leicester há um ano que foi goleado no Dragão pois já tinha ganho o grupo e optou por apresentar uma segunda linha de jogadores. E o Besiktas volta a fechar fora, esperando certamente os turcos que não da mesma forma de há um ano quando perderam o apuramento em Kiev.

Será sem dúvida um grupo interessante de seguir, onde se torna complicado adivinhar um só resultado pois qualquer das quatro equipas tem capacidade para vencer qualquer uma das 12 partidas do Grupo G.

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