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A/C dos Clubes Portugueses: Apostem mais no Talento Nacional

Seleção Nacional Sub 19 Geração de Enorme Talento

A/C dos Clubes Portugueses: Apostem mais no Talento Nacional

O jovem talento nacional provou, mais uma vez, que, para além de vencedores, também conseguimos juntar o perfume de um excelente Bom Futebol.

A imperial geração de 99 que, em 2016, conquistou o Europeu de Sub 17, no Azerbaijão, como gente grande, tendo chegado a uma final frente à seleção espanhola, de Abel Ruiz, Mboula, Brahim Díaz, Oriol Busquets e companhia, sem qualquer golo sofrido e conquistando, naturalmente, a mesma, via grandes penalidades após empate a uma bola nos 80 minutos de jogo. A “Geração Imperial” volta a conquistar mais um lugar na história, com a vitória na final frente à Itália, por 4-3, após prolongamento, no Campeonato da Europa Sub 19, Finlândia 2018. Um conquista histórica e inédita no palmarés da nossa seleção.

Campeões de 2003 sem oportunidades nem acompanhamento adequado

Talento, sempre existiu no Futebol Português. De Eusébio a Chalana, de Futre a Luís Figo, de Rui Costa a Cristiano Ronaldo. E sim, tantos foram os talentos que tanto prometiam e que, mais tarde, se foram “perdendo”. Casos de Hélder Barbosa, Bruno Gama e Márcio Sousa, por exemplo. Talentos puros dos quais se esperava muito mais do que na realidade vieram a alcançar. Talentos que se sagraram Campeões da Europa de Sub 17, em Portugal, em 2003. Mas que no fundo foram mal aproveitados, ou aproveitaram mal as poucas oportunidades que lhes foram concebidas.

O caso mais “interessante” é mesmo o de Márcio Sousa. Hélder Barbosa e Bruno Gama foram trilhando o seu caminho, de uma forma ou de outro, num patamar sempre elevado. Já Márcio Sousa, o “Maradona de Guimarães”, talvez o talento máximo dessa seleção de Sub 17, está, hoje, na sua humilde carreira no Grupo Desportivo União Torcatense da Série A do Campeonato de Portugal, enquanto seu homologo espanhol e finalista vencido na final de Viseu, David Silva, brilha nos maiores palcos mundiais ao serviço do Manchester City.

Ironias do destino, faltas de oportunidade e, sobretudo, falta de acompanhamento para que Márcio Sousa, o nosso Maradona, pudesse, hoje, espalhar o seu Bom Futebol em palcos maiores, como todos, tanto ele como nós, merecíamos estar a assistir.

Geração de 99 com mais um desafio mas já sem necessidade de nada provar

Os conquistadores de ontem, do Campeonato da Europa de Sub 19, estavam desfalcados de mais talento, com as ausências de Diogo Dalot, Gedson Fernandes, Diogo Leite, João Félix (o grande ausente, de ultima hora, do Euro 2016 de Sub 17 devido a lesão) e Rafael Leão que é necessariamente um caso especial dada a conjuntura no seu Sporting, todos ausentes devido a imposição dos respetivos clubes, mas nunca órfãos de talento.

Estamos perante uma geração que NÃO PODE SER DESPERDIÇADA, que merece ser bem cuidada e acompanhada. São o nosso futuro. Uma geração que a 23 de Maio de 2019 terá mais um enorme desafio, o Campeonato do Mundo de Sub 20. Para alguns poderá ser o grande e decisivo teste, para outros, como eu, estes jovens já não têm nada a provar.

A qualidade em 2016 era significativa e a sua evolução para os dias de hoje é óbvia. Evoluíram com a idade e experiência obtida nas equipas B dos seus clubes. Evolução essa de acordo com a natural mutação do Futebol em Geral para os dias de hoje.

Mentalmente sempre se demonstraram muitíssimo fortes. Isso aliado à forte condição física, forte qualidade técnica, tanto individual como coletiva, ao conhecimento de todos os momentos e timings do jogo e a uma mentalidade super vencedora, faz desta seleção um conjunto muito especial.

“É mais barato ir buscar um jogador ao Brasil do que formar um jogador Português”

O Talento Nacional é responsabilidade nossa, dos nossos clubes. Em formar, acompanhar, seguir, cuidar, proteger, evoluir, trabalhar e nunca desperdiçar. Para quê ir buscar fora se temos talento de sobra dentro das nossas portas.

Em tempos ouvi um responsável de um clube dos campeonatos profissionais de futebol a dizer que “é mais barato ir buscar um jogador ao Brasil do que formar um jogador Português”. Mesmo partindo do principio que é verdade parece me lógico que a compensação a curto, médio e longo prazo é bem superior com um jogador nacional, formado com os valores do clube e conhecedor imediato da realidade do campeonato.

Com conhecimento destas mentalidades, destruidoras do belo trabalho feito na formação de jovens talentos nacionais, eu tenho proposto a imposição de um numero certo de jogadores portugueses e/ou formados no clube. Tanto imposição no que ao onze inicial diz respeito como no numero de jogadores, nessas condições, presentes no plantel principal.

Algo tem mesmo que ser feito para não desperdiçarmos mais talento. Com a mentalidade e panorama atual, corremos o risco de “perder” esta “Geração Imperial”.

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