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Aprender, desaprender e reaprender.

Índia

Aprender, desaprender e reaprender.

O meu regresso à Índia foi uma decisão em grande parte emocional (que é mais rápida que a razão), a relação pessoal e o mútuo reconhecimento profissional construído ao longo de mais de 8 meses com o médico da equipa nacional de Sub 17 Indiana, Dr. Sandeep Kumar, e atual presidente do Delhi United FC, foi determinante para aceitar o desafio de liderar a equipa na I League 2nd Division.

Como tudo na vida, esta decisão teve os seus riscos e consequências. A ideia de influenciar através da nossa metodologia de treino e liderança a um jogo de maior qualidade e organização foi conseguido. Os inúmeros elogios dos nossos adversários (especialmente treinadores, jogadores e também dos seus adeptos) sobre a nossa proposta de jogo foram a prova que fizemos algo de diferente. Embora e infelizmente os resultados não fossem os pretendidos, estivemos em praticamente todos os jogos sempre mais próximos da vitória que os nossos adversários.

As dúvidas, que esta experiência nos poderiam criar sob a ausência dos melhores resultados (vitórias), são verdadeiramente dissipadas pelo entusiasmo dos jogadores à nova proposta de jogo e à sua execução.

A nosso identidade

Na Índia ainda se joga um futebol muito directo, especialmente nesta divisão, com as equipas sempre à procura de uma bola direta para o avançado e a uma constante luta pela bola.

Não era nossa intenção nos adaptamos ao estilo de jogo da competição e nem queríamos, pois não foi para isso que aceitamos este enorme e difícil desafio, a nossa missão era transformar, era proporcionar a este grupo de jovens jogadores indianos uma forma de trabalhar muito diferente daquilo que conheciam. Logicamente foi necessário uma enorme adaptação e mudança por parte dos jogadores, pois rompemos com tudo aquilo que conheciam sobre o treino (conteúdos), sobre o jogo e a sua organização (conceitos).

Sabemos os riscos e medos que as mudanças provocam nos seres humanos e este foi seguramente um processo que os levou a aprender, a desaprender e a reaprender. O tempo, um dos piores inimigos dos treinadores, revelou-se fatal para que a adaptação não fosse completa e acompanhada de vitórias. Os 3 meses não foram suficientes. Ainda assim com a escassez de tempo aquilo que os jogadores foram capazes de fazer enche-nos de orgulho e satisfação e fazem nos crer que a Índia necessita, cada vez mais, de ideias positivas de jogo para promover este espectáculo.

Na minha concepção, muito pessoal do jogo, tem de existir sempre uma preocupação estética nas equipas, deve-se criar sempre a necessidade nos jogadores em jogarem bem e eles sempre o tentaram em cada jogo, nunca caindo na tentação de desvirtuar a nossa identidade, quando era muita mais fácil fazê-lo.

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