-- ------ As Ideias e o seu Valor - Bom Futebol
Bom Futebol

As Ideias e o seu Valor

As Ideias e o seu Valor

O jogo não separa, nem nunca separou…

O Futebol, e a forma como é jogado, tem mudado exponencialmente ao sabor daquilo que são as evoluções social e tecnológica que se sentem com cada vez mais intensidade. São evidentes as transformações, e as formas como se influenciam entre si, nos mais variados domínios que concorrem para o desenvolvimento deste jogo. No entanto, nunca deixou de ser jogado por pessoas, e, como tal, com as ideias dessas mesmas pessoas!

O conhecimento disponível é incomparavelmente diferente de há meros 10 anos atrás, permitindo a construção de conceitos, sentidos e significados distintos, sendo assim, as ideias acerca do jogo modificam-se com velocidades cada vez maiores, exigindo um constante acompanhamento, análise e compreensão. E se anteriormente, dominados por um cartesianismo enraizado, fomos levados a crer que as ideias eram um parente pobre quando comparado com a dimensão física do jogo, actualmente não há razão para fazer tal afirmação (embora, na prática, ainda dominem exemplos do contrário).

O jogo sempre foi jogado com ideias, assim como a sociedade sempre se foi guiando por elas, e não houve momento algum em que se pudesse separar a dimensão física, técnica, táctica, ou qualquer outra, do todo, da globalidade que a pessoa representa, embora pudesse ser desprezado por questões de ignorância.

O jogo irá continuar a ser jogado com ideias, caso contrário irá extinguir-se.

O valor subjectivo ou absoluto de uma ideia

Actualmente, mesmo em níveis competitivos inferiores, já é comum existir alguma preocupação com diferentes dimensões do jogo, e ouvir, ainda que seja apenas por reflexo e num vazio de significado, falar de ideias. A ideia ou ideias de jogo.

Como qualquer outra ideia ou conceito, deve ser sempre passível de ser refutada, e, nesta área onde a sensibilidade tem um papel que não deve ser desprezado, tem também um cunho muito subjectivo. Não há apenas uma ideia para jogar, há infinitas, apesar dos padrões que podemos reconhecer, no entanto, devemos fazer passar estas ideias pela peneira da ética, não esquecendo ainda objectivos e intenções mais profundas que o próprio jogo, como sendo os desígnios da modalidade, do Desporto, da Sociedade e do Homem. Sendo assim, será possível separar o que deve ser de valor absoluto e inegociável, e aquilo que diz respeito à subjectividade e interpretação de cada individuo.

É nas ideias que reside o carácter distintivo de cada jogar, é pelas ideias que influenciamos os outros, são as ideias, no fundo, que nos aproximam mais ou menos de nós próprios e dos nossos limites, daquilo com que nos identificamos, e daquilo que queremos ser.

Sem preconceitos excludentes, deve ser pelas ideias que se valoriza o jogo, resultem elas na forma estética que resultarem.

A operacionalização das ideias

Esta pode ser a chave de todo o processo: passar dos discursos aos percursos.

Saber como operacionalizar, e ter o conjunto adequado de ferramentas para o fazer, uma série de ideias para o jogo que depois resultam numa determinada forma, mas sobretudo num conjunto de dinâmicas e processos. Este é o trabalho do treinador! Construir das ideias de todos uma determinada estória, ir vivendo e fazendo viver, aprofundando, experimentando, ajustando, evoluindo…

As verdadeiras revoluções acontecem ao nível das ideias! Não se deve treinar sem ter essa noção bastante presente, e sem ter previsto e estudado as consequências que tais mudanças acarretam.

NOTA:

O Futebol, pela proximidade que consegue com grande parte das pessoas, é muitas vezes tratado de forma leviana. O seu carácter simples, não deve ser confundido!

Imaginemos que, nos dias que correm, marcamos uma consulta no dentista, para desvitalizar um dente… Numa clínica num prédio recente. Marcação por telefone! Entramos no consultório e a sala de espera é agradável, com muitas revistas, uma televisão… Quando somos chamados, entramos no gabinete e deparamo-nos com uma cadeira de madeira e utensílios dos anos 70. Ainda assim, a medo, sentamo-nos… O médico, vestido de bata e luvas perfeitamente modernas, diz-nos que irá começar, mas nunca refere o termo anestesia… Provavelmente fugimos! Ou então aguentamos algo que é demasiado doloroso, mesmo sabendo que já não é necessário porque já existem procedimentos diferentes…

No Futebol, habitualmente, aguentamos… Porque não provoca as dores de arrancar um dente, e os danos que causa são menos visíveis (mas não menos graves). Talvez seja esta a forma leviana de olhar para o fenómeno… ´

O que não falta são consultórios e dentistas… O que não falta são ideias!

Deixe o seu comentário

bomfutebol