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Bailes de Debutantes – Bundesliga – Os Príncipes de França

Bailes de Debutantes – Bundesliga – Os Príncipes de França

O hábito de lançar jovens valores continua bem vivo no futebol alemão e estes continuam a brotar com imensa qualidade. A protecção faz-se fora do relvado, no entorno, pois só dentro das quatro linhas é que conseguem exibir a irreverência própria da tenra idade.

Esta temporada não tem sido excepção e o brilho surge em todos os relvados. Bom Futebol é característica nata da Bundesliga, este ano ‘invadida’ por jovens ‘lobos’ gauleses, numa curiosa nota entre dois países tão desavindos e concorrentes ao longo dos séculos.

Se a maioria dos analistas é fanática pela simetria ‘perfeita’, a ‘linha tirada a régua’, nós sempre preferimos onzes assimétricos, falsas defesas a quatro, falsos extremos, falsos avançados-centro, um miolo em completa rotação, naturalmente tudo excelentemente trabalhado diariamente para que funcione como um relógio; estes onzes também são um espelho disso mesmo, fora da caixa, mas que encaixariam um modelo e dinâmicas alicerçadas nas ideias acima identificadas.

JIRI PAVLENKA

Aos 25 anos, Pavlenka está na linha de sucessão de Petr Cech na baliza da selecção checa. Com quase 2,00 m, o guardião faz uso de toda a sua atlética figura na guarda das balizas.

A origem do andebol moderno tem sítio na República Checa e Pavlenka mostra isso de forma bem evidente nas saídas, onde utiliza os membros como um guardião de uma rede 2×3.

Esforçado, Pavlenka deixou Hlucín para entrar na academia do Banik Ostrava aos 16 anos, evoluindo nos escalões do Banik até à estreia sénior numa cedência ao ‘seu’ Hlucín. As boas exibições nas temporadas seguintes em Ostrava levam-no às selecções jovens e à mudança, a meio de 15/16, para a capital Praga, passando a ostentar a camisola do Slávia.

De reflexos notáveis, Pavlenka mudou-se nesta temporada para o norte germânico, bem perto do Mar do Norte, numa formação que prossegue com dificuldades para manter o nível do passado, tal como o HSV. No Werder Bremen já somou 19 encontros, com 20 golos encaixados e sete desafios ‘limpos’, até ao momento desta peça. O checo tem sido um dos que se tem salvo na temporada dos ‘Grün-Weissen’, neste momento em zona de play-out na tabela.

PANAGIOTIS RETSOS

Grego nascido em Joanesburgo, Retsos tem 19 anos e é um defesa de nova vaga, formatado de forma perfeita para encaixar no futebol germânico, apto a alinhar em qualquer posição defensiva.

A temporada passada, ainda com idade júnior, foi lançado por Paulo Bento na primeira equipa do Olympiacos, utilizando-o o técnico português à esquerda, no meio e à direita, como que o fazendo num tapa-buracos face às necessidades da equipa.

Internacional helénico desde os sub16, Retsos catapultou-se já para a ‘AA’, chamado à principal selecção aquando da confirmação da sua transferência do campeão grego para o ‘Werkself’, num valor a ascender a 17,5 milhões de euros. A sua polivalência leva Herrlich a já o ter utilizado no centro, à direita e à esquerda da linha defensiva, com o Bayer Leverkusen a posicionar-se neste momento na 4.ª posição da Bundesliga.

PHILIPP LIENHART

Outro menino em afirmação, infelizmente com uma lesão ligamentar a pará-lo desde o final de Outubro, com um regresso provavelmente demasiado precoce e nova paragem, agora até à retoma da Bundesliga, é Lienhart. Austríaco, 21 anos, Lienhart formou-se na academia do Rapid Viena, que trocou por ‘La Fábrica’ do Real Madrid em 2014, já depois de se confirmar na ‘Amateure’ dos ‘verdes’ de Viena. Um ano de cedência e aquisição por 800 mil euros em 2015.

Dois anos no Real Madrid Castilla e a chegada à liga alemã para defender as cores do Freiburg, com opção de aquisição por parte dos germânicos. Os desempenhos na Bundesliga valeram uma internacionalização já pela ‘AA’ da Áustria.

Tem no posicionamento, tranquilidade e antecipação as suas principais armas, mas Lienhart surge com potencial para bastante mais. O jovem austríaco tem Bom Futebol nos pés e na cabeça.

KARIM REKIK

Aos oito anos o menino Rekik juntou-se à academia do Feyenoord. De raízes tunisinas, nascido em Haia, Karim evoluiu em Roterdão e virou estrela das selecções jovens da Holanda, onde liderou uma equipa campeã europeia de sub17 em 2011. As qualidades não passaram despercebidas aos olheiros e acabou na academia do Manchester City, que se sobrepôs aos igualmente interessados concorrentes ingleses.

Ao contrário de outros adolescentes contratados para se perderem nas reservas das equipas ingleses, Rekik teve o potencial bem reconhecido, sendo logo cedido a primeiras equipas, porém sem o necessário tempo de jogo. No Portsmouth fecha bem a temporada 11/12, mas a cedência ao Blackburn Rovers não é bem aproveitada por Bowyer.

O regresso à Holanda, naquela que seria etariamente a sua primeira temporada sénior, foi a melhor opção. Rekik vê Cocu acreditar plenamente no seu valor e ajuda o PSV Eindhoven ao título de 2015 e o Manchester City, a cujos quadros ainda pertencia, transfere-o para Marselha por cinco milhões de euros.

Apesar da intermitência do clube, Rekik faz uma razoável primeira temporada no OM, contudo Rudi Garcia afasta-o da equipa, percebendo-se nitidamente que o jovem holandês não entrava nos planos do técnico francês para o OM. Assim, ruma à capital alemã por 2,5 milhões de euros e tem sido um dos melhores no Hertha, nesta que está a ser uma das melhores épocas ofensivamente, já com dois golos e três assistências na liga alemã.

Impulsivo, Rekik necessita de ter um pouco mais de calma na abordagem ao esférico e aos adversários, tem dotes de líder, mas abana no encontro quando algo lhe sai mal. Será uma das naturais alternativas na defesa da Holanda para a próxima década, sendo que pode alinhar a central ou defesa esquerdo.

DAN-AXEL ZAGADOU

O milionário investimento no PSG esmorece e estreita uma porta, já de si somente entreaberta, à academia do clube. Têm sido vários os jovens valores que optam por abandonar Paris e procurar outros pontos de afirmação sénior, quer pela procura que têm, quer por observarem poucas hipóteses de promoção dentro do Paris-SG. Zagadou é um desses recentes exemplos.

Em 2011 o jovem defesa de 18 anos, ainda podia alinhar pelos sub19, trocou o Créteil natal pela academia parisiense, sendo uma estrela das selecções gaulesas, imponente, capitão, veloz, um esquerdino que tem tudo para ser uma das grandes estrelas defensivas dos próximos anos e que no Borussia Dortmund está a ganhar um espaço maior do que o antecipado aquando da sua mudança – pensar-se-ia que alinharia na ‘Amateure’ ‘Schwarz-gelb’ durante esta primeira época, para se adaptar.

Zagadou tem raízes marfinenses e vê-se ao longe, bem magro, o defesa tem bastante altura e uma rapidez e lonjura de pernas/passo que o torna num obstáculo bastante complexo de ultrapassar.

Bosz colocou-o em diversas partidas como defesa esquerdo, também face às baixas de Schmelzer, Guerreiro e o adaptado Durm, saindo da equipa nas últimas partidas do BVB, mantendo-se fora na estreia de Stöger. Veremos como Zagadou continua o seu processo afirmativo sob égide do austríaco. As suas qualidades inatas colocam-no como um elemento fantástico para uma defesa a três, descaindo sobre a esquerda.

JETRO WILLEMS

Aos 18 anos Willems salta para o estrelato com a internacionalização pela principal selecção ‘Oranje’. Um lateral esquerdo tremendamente ofensivo, capaz de comer metros como um velocista, em posse, progressão e aceleração contínuos, confirmando o acerto da sua contratação em 2011 pelo PSV Eindhoven ao Sparta Roterdão.

No PSV Willems passou pelo melhor e pior, subiu aos céus, foi campeão, chegou à ‘AA’ da Holanda e parecia caminhar para outras ligas rapidamente, soube refrear o desejo de outros ares e mais capital mensal, porém uma grave lesão, reiterada, limitou parcialmente o seu crescimento, já em plena fase de confirmação. Tudo começou no final da temporada 13/14, não afectando o desempenho na época seguinte, onde somou 13 assistências no título dos de Eindhoven, mas o problema no joelho voltou e ‘roubou-lhe’ mais de metade da temporada 15/16.

O que facilmente se infere do comportamento de Willems é que o lateral continua sem vacilar, ainda não perdeu o fulgor e a impetuosidade ofensiva, tem um pulmão excelente, talvez se notando um pouco de perda no pique, todavia está a comportar-se muito bem nesta mudança para a capital europeia da finança, Frankfurt, onde Kovac o tem mediado entre lateral-ala, dependendo de optar por um modelo de três defesas ou uma linha recuada de quatro.

É o lateral-ala quase perfeito para uma linha de três atrás, sabe defender q.b., mas tem um foco ofensivo poderoso e é capaz de desequilibrar à linha como poucos. Willems ainda pode ser trabalhado no remate, criando a partir daí dúvidas no defensor, sobre se segue à linha ou tenta ‘esticar’ o guarda-redes.

DENIS ZAKARIA

Nasceu em Genebra há 21 outonos atrás, filho de mãe sudanesa e pai zairense, Denis Zakaria cresceu no sistema suíço e formou-se no Servette, onde não necessitou de muitas partidas para suscitar o interesse de emblemas superiores, com o Young Boys a conseguir este polivalente médio, que também pode alinhar a central, por 400 mil euros em 2015.

No clube da capital helvética ajudou a dois vice-títulos e atingiu a principal selecção da Suíça, captando as vistas de diversas formações alemãs, gaulesas e inglesas, acabando por rumar ao Borussia Monchengladbach, onde se está a impor claramente.

Fisicamente poderoso, Denis Zakaria procura jogar simples, tenta dar saída de bola mal possua uma linha, não tem problemas em colocar a bola no espaço a média distância, com razoável precisão, sabe fazer valer o seu físico para proteger a posse e no desarme. Adaptou-se mais facilmente do que antecipado à Bundesliga.

CORENTIN TOLISSO

O jovem gaulês com sangue togolês está a conseguir tudo o que Renato Sanches não conquistou no Bayern, é uma mais-valia, não receia os nomes gigantes que o clube tem ou teve e muito menos se amedronta com a grandeza clubística do clube ou os estádios constantemente lotados na Bundesliga. O Bom Futebol de Tolisso prova-se que está para além do ‘seu’ Olympique Lyon e Deschamps não abdicará dele no Mundial de 2018.

Os mais de 40 milhões que foram transferidos para o OL pelo jovem médio de 23 anos estão a ser bem retornados em todas as provas, Tolisso tem passe, tem golo, tem posicionamento extraordinário, tem posse, tem desarme, tem construção, tem remate fácil, envolve-se tão facilmente nos processos ofensivos como logo surge nas compensações defensivas.

‘Coco’ oferece bem mais do que leite no seu Bom Futebol, é um médio completo e ainda em desenvolvimento!

AMINE HARIT

Marrocos ‘roubou-o’ a França depois de brilhar no Nantes de Sérgio Conceição e aos 20 anos Amine Harit ainda tem tanto para oferecer.

Os ‘Canaris’ aceitaram a proposta do Schalke 04 e Harit, apenas uma época depois de se estrear na primeira equipa do Nantes, salta para a Bundesliga em grande estilo, mantendo a confiança e já com dois golos e seis passes decisivos!

Tem uma desfaçatez sobre os adversários desconcertante e, por isso, já sentiu de forma bem dolorosa a resposta ao seu curtíssimo drible. A sua aceleração em drible é diabólica – é o jogador, até ao final de Dezembro, que mas faltas sofreu na Bundesliga, 57 (!!!), em 16 encontros onde participou.

Harit é daqueles futebolistas que poderá ter a carreira encurtada por lesões, por ser demasiado bom, cansa só de ver, tropelias, mas com sentido de baliza. É uma loucura de tão Bom Futebol.

CHADRAC AKOLO

A história de Akolo é única, pois é a sua, mas replica várias outras recentemente escutadas. Mais um menino refugiado que encontrou na Europa um espaço de paz longe, no seu caso, de um gigantesco Zaire, agora República Democrática do Congo, com diversos polos de conflito, para crescer na Suíça e vingar como futebolista profissional, agora internacional pela sua nação de nascença também. Aos 14 anos chegou à Suíça e o seu maior desejo era não ser recambiado para a RD Congo.

Um baixinho típico africano, gingão, veloz, imprevisível, a poder jogar em qualquer posição do ataque, foi resgatado ao Bex pelo Sion aos 16 anos. Akolo brilhou cedo no Sion, a alinhar pela segunda equipa do clube, no terceiro escalão suíço. Na terceira temporada ‘B’ acabou por ser cedido ao Xamax, com nove golos e três assistências no segundo escalão a finalmente convencerem o Sion a apostar neste jovem. Foram 15 golos no Sion 16/17, cinco assistências, ajudando o clube a terminar em 4.º lugar na Superliga.

No regresso à Bundesliga o Estugarda contratou-o por seis milhões de euros e Akolo tem respondido em pleno, são já cinco golos e dois passes decisivos para o jovem congolês que apenas queria estudar quando chegou ao ‘Velho Continente’.

São jovens como Chadrac Akolo que provam a necessidade de uma maior atenção aos campos de refugiados e aos conflitos que continuam a grassar no chamado Terceiro Mundo, infelizmente com as potências ocidentais a assobiarem politicamente para o lado e a continuarem a financiar os vários lados dos conflitos em termos de armamento e afins.

JEAN-KÉVIN AUGUSTIN

Tem 20 anos, alinha em qualquer posição ofensiva e é mais um jovem talento oriundo da academia PSG a aceitar um novo desafio depois de ver partirem de Paris centenas de milhões por concorrentes, Augustin é um portento, parisiense de nascimento, haitiano de alma ancestral.

Os 16 milhões de euros do Rasenballsport (RB – Red Bull) Leipzig pelo seu concurso foram um belo investimento, pois Jean-Kévin Augustin traz espectáculo, golos, loucura, ofensividade e alternativas às boas soluções que a formação dos ‘Touros Voadores’ já possui.

Não tem sido primeira opção de Hasenhutl no RB Leipzig, porém Augustin já se revelou decisivo em vários encontros, somando três golos e duas assistências na Bundesliga até ao momento.

A sua mudança de direcção em velocidade é assustadora e a forma como parece não ser vertebrado pela rapidez com que se ‘desmonta’ e ‘monta’ nessas mudanças e logo parte para o remate dão-lhe capacidades ao alcance de poucos. Sendo a dança parte integrante da cultura haitiana, Jean-Kévin Augustin encarna esse espírito na perfeição, parece em constante bailado nos relvados, tem Bom Futebol nos pés com toda a certeza!

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