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Bailes de Debutantes, Lozano, o Chucky da Eredivisie

Bailes de Debutantes, Lozano, o Chucky da Eredivisie

Na Eredivisie, a máxima divisão holandesa de futebol, o talento brota em idade bem tenra, numa tradição decana do futebol ‘oranje’. Ainda assim, tal como nos restantes Bailes de Debutantes que nos propusemos a subjectivar, os caloiros perpassam várias faixas etárias e as suas origens bastante diversas.

A outra tradição, do futebol-total, ofensivo, bebida pelos ensinamentos que os treinadores magiares transportaram no pós-guerra para toda a Europa, permite uma melhor adaptação a elementos vindos praticamente de qualquer lado.

Bom Futebol é marca registada da Eredivisie, habitualmente entre as ligas com mais golos e onde a magia individual e colectiva estão presentes a cada desafio. Os estádios estão dimensionados para a grandeza, em termos de público habitual, dos clubes e, por essa razão, também a nível de taxa de ocupação a Eredivisie rivaliza directamente com a Bundesliga e a Premier League.

OGMUNDUR KRISTINSSON

Apesar dos 18 golos encaixados na Eredivisie ao serviço do Excelsior, o islandês Ogmundur Kristinsson está no pico da sua carreira. Aos 28 anos chega à Eredivisie e vai disputando os lugares no Mundial 2018.

Alto, ágil debaixo dos postes, com rapidez na chegada ao chão apesar da altura, Kristinsson ainda é um guardião clássico no posicionamento, domina bem a pequena área, porém não se atreve a ‘ocupar’ a grande área, ao estilo da nova geração. Na sua área de conforto, contudo, é muito bom, notando-se uma tremenda evolução ao longo dos anos por parte do guarda-redes.

Foi no Fram Reykjavik que Kristinsson surgiu, mas no clube islandês demorou algum tempo, um par de anos, até assumir as redes, em 2011. Depois da totalidade em três anos, mudou-se para a Dinamarca em 2014, mas a passagem pelo Randers fez-se com poucas oportunidades e logo rumou à vizinha Suécia para assumir a baliza do Hammarby, que trocou no último defeso pelo ‘terceiro’ clube de Roterdão, rival de Feyenoord e Sparta, o Excelsior.

Halldorsson não dá mostras de resvalar na titularidade da selecção islandesa, porém Kristinsson está na linha da sucessão do guardião de 33 anos.

FANKATY DABO

Dentro do acordo que faz do Vitesse uma espécie de ‘satélite’ holandês do Chelsea, chegou a Arnheim esta temporada o jovem anglo-serra-leonês Fankaty Dabo, já famoso por um autogolo na Eredivisie, onde ‘chapela’ o próprio guarda-redes a partir da linha lateral.

Dabo tem já 22 anos, são quatro temporadas a jogar apenas nas ‘reservas’ dos ‘Blues’, foi cedido ao Swindon Town na época transacta, a alinhar no terceiro escalão do futebol inglês, e chega esta temporada pela primeira ocasião a uma primeira liga, ainda com o claro sonho de vingar.

O Bom Futebol de Dabo começa agora a dar nas vistas e a captar as vistas de observadores de outros emblemas. Lateral polivalente, com razoável capacidade de progressão e em claro crescimento em termos defensivos e ofensivos, Dabo foi internacional jovem inglês, todavia o seu desenvolvimento recente poderá guindá-lo até à principal selecção da Serra Leoa, com vários nomes de qualidade ofensiva, mas com brechas no que concerne ao cômputo defensivo.

KIK PIERIE

O que dizer quando surge um menino de 2000 a jogar em grande estilo, no centro de uma defesa – onde habitualmente a idade é ainda mais posto, o ‘capitão’, o ‘xerife’, como sucede com Kik Pierie, um jovem holandês nascido no Massachusetts, em Boston, que vai brilhando no Heerenveen, esquerdino, capaz de jogar ao meio ou na esquerda, é um dos mais promissores futebolistas na nova geração holandesa.

Jurgen Streppel não teve quaisquer problemas em lançar o miúdo com pouco mais de 17 anos na principal formação do Heerenveen e Pierie está a responder na plenitude. A sua margem de desenvolvimento coloca-o nos píncaros do Bom Futebol mundial no futuro. Tem um potencial estrondoso.

MAXIMILIAN WÖBER

A mais jovem dupla de centrais entre os nossos debutantes, dois adolescentes em estreia na Eredivisie, um oriundo da academia formativa local, outro vindo da Áustria, outrora Império Austro-Húngaro, de onde chegou há décadas atrás o ‘futebol total’ que Michels ofereceu depois ao mundo, já televisivamente mediatizado.

Wöber tem 19 anos, é o seu primeiro ano de sénior e foi recrutado pelo Ajax ao Rapid Viena, onde fez toda a formação. Para se perceber o potencial do jovem internacional austríaco, basta dizer que o Ajax pagou 7,5 milhões de euros pelo seu passe, recordando-se que o Bom Futebol dos ‘Lanceiros’ já conta com o adolescente, ainda em idade júnior em termos formativos, Matthijs de Ligt como referência defensiva da primeira equipa.

Em 2015 Wöber já era o homem de marca na ‘Amateure’ do Rapid Viena, a alinhar no terceiro escalão da Áustria. Ganhou estatuto de primeira equipa na temporada passada e arrancou 17/18 como titular absoluto, razão pela qual o Ajax se movimentou no seu encalce, antecipando-se ao interesse de emblemas alemães e ingleses.

Para o jovem de 19 anos é um belo clube para ganhar calo, apesar da época irregular, que já valeu alteração no banco. Wöber tem-se dividido no Ajax entre a posição de central e a de lateral esquerdo, falhando os mais recentes desafios devido a uma lesão no joelho. Na visita ao campeão Feyenoord, por exemplo, o Ajax alinhou com De Ligt e Wöber, uma das mais jovens duplas de centrais do futebol mundial, mas com muito Bom Futebol.

KONSTANTINOS TSIMIKAS

Da Grécia não há um histórico de grandes estrelas do futebol mundial, sendo de sublinhar o brilhante e inesperado título europeu de 2004, um país que vibra imenso com desporto, mas que tem no basquetebol a base das suas estrelas desportivas em modalidades colectivas.

Anos recentes, contudo, têm trazido nomes helénicos ao panorama mediático do futebol, deixando os gregos de serem um país periférico, no que ao jogador local diz respeito, continuando a ser especialmente importadores, no entanto a conseguirem da mesma forma ‘exportarem’ talentos, como é o caso do lateral esquerdo Tsimikas.

Aos 21 anos, o ‘dono’ da linha esquerda dos sub21 gregos tem usufruído de poucas oportunidades no Olympiacos e depois de uma cedência interessante na segunda metade da temporada aos dinamarqueses do Esbjerg, ficou este ano pelo centro da Europa, onde vai alinhando no Willem II Tilburg, um bom espaço para crescer como futebolista, a demonstrar qualidades ofensivas menos observadas aquando dos seus desafios na Grécia e mesmo pelos sub20 e sub21. O Esbjerg deu-lhe confiança e isso vem-se reflectindo nos desempenhos na Eredivisie, onde parece ser o colectivo a não engrenar tão bem para o estado do clube na tabela.

DEROY DUARTE

Não espanta, ainda tem idade júnior, mas Deroy Duarte – de raízes cabo-verdianas – tem tudo para ser um grande do futebol, tem muito e Bom Futebol, na época passada a realizar uma temporada estrondosa na segunda equipa do Sparta Roterdão, razão pela qual foi promovido à principal formação, com resposta à altura.

Se é verdade que o Sparta é ‘lanterna vermelha’, Deroy Duarte tem sido dos que vai remando contra a maré, já tendo alinhado como médio centro, médio ofensivo – onde alinhava mais habitualmente na ‘Jong’, ala direito, interior direito, surgindo mais como tapa-buracos ou com os técnicos ainda a procurarem compreender onde Duarte será melhor para a equipa.

Agora que o Sparta tem ao leme o veterano Dick Advocaat se verá como pode ainda crescer – irá por certo fazê-lo em grande ao longo dos próximos anos – Deroy Duarte na formação de Roterdão e se o ex-seleccionador holandês o vê no meio, onde parece sentir-se mais confortável e a dar mais, ou ecoa a utilização recente encostado à faixa.

RITSU DOAN

Quem vem seguindo o Bom Futebol sabe a atenção recente dada à liga nipónica, leu por certo a nossa análise a Nakajima, antes de qualquer outro órgão de comunicação social ou especialista português se debruçar sobre o jovem, e na Holanda um ainda mais novo nipónico vai brilhando em grande estilo no Groningen, Ritsu Doan.

Apesar de ter a educação tradicional japonesa, respeitador, honrado, dentro das quatro linhas o Bom Futebol de Doan é desafiante, repleto, de remate pronto e imprevisível, tem 19 anos e é um médio ofensivo que mescla o requinte com a aspereza, percebendo-se neste, ainda adolescente, competências para ser um box-to-box de classe internacional. É uma carraça quando lhe solicitam que faça marcação ou integre uma pressão alta, mas quando tem a bola nos pés vê-se-lhe um desdém e qualidades técnicas dos sobredotados.

Doan formou-se no Gamba Osaka e em 2016 brilhava na equipa ‘B’ do clube, a alinhar no terceiro escalão nipónico, já depois de se ter estreado na primeira equipa, quer na J1, quer na Liga dos Campeões Asiáticos. A primeira metade do ano na Meiji Yasuda J1 League e, particularmente, as exibições no Mundial de sub20, aí alinhando primordialmente como médio ala direito, catapultou-o para a Europa. No Groningen está como Nakajima no Portimonense, cedido pelo clube com opção de aquisição por parte da equipa holandesa, que deverá avançar, pois não faltam interessados, começando logo pelo PSV, que o queria contratar em 2016. Não somos dados às fáceis comparações, nem ligamos particularmente a tal, todavia – fica para nota – Ritsu Doan é denominado o ‘Messi’ japonês.

THIERRY AMBROSE

Em 2013 o Manchester City reconheceu potencial tremendo em Ambrose para o ir buscar ao Auxerre e o polivalente avançado vem evoluindo na academia ‘citizen’ desde aí.

Ambrose tem 20 anos e foi dos futebolistas que mais se mostrou na UEFA Youth League de 14/15 e 15/16, faltando aí ao clube de Manchester aproveitar o seu Bom Futebol e colocá-lo a ganhar experiência num outro clube, perdendo mesmo o jovem dianteiro espaço nas selecções jovens gaulesas.

Finalmente, 2017 é o ano de possível afirmação, cedido ao NAC Breda da Eredivisie, Ambrose leva seis golos e quatro assistências na primeira volta da liga holandesa, Ambrose participou directamente em metade dos golos marcados pela equipa!

HIRVING ‘CHUCKY’ LOZANO

Craque mexicano de 22 anos, ‘Chucky’ Lozano chegou à Eredivisie e ao PSV para apresentar um cartão de visita Bom Futebol VIP e não tem desiludido. Joga tanto!

Lozano estreou-se no Pachuca aos 18 anos e neste curto hiato de tempo ultrapassou os 120 desafios pelos ‘Tuzos’, somando igualmente mais de 20 partidas pela ‘Tri’ em menos de duas temporadas, já com sete golos.

Liverpool, Arsenal lideram o lote de interessados apenas alguns meses depois de ‘Chucky’ ter entrado na Europa. O PSV terá pago pelo seu passe oito milhões de euros, mas em Inglaterra fala-se de 25 milhões de euros já alinhavados pelo Arsenal para contar com o jovem mexicano.

A sua capacidade de aceleração é impressionante e pará-lo é costumeiramente com falta. A tradição do PSV com o México volta a confirmar-se e Lozano tem sido estrela-maior no clube de Eindhoven. São 11 golos e sete passes decisivos na Eredivisie 17/18 para ‘Chucky’ e uma desconcertante capacidade de drible que os oponentes têm dificuldade em ‘encaixar’.

CYRIEL DESSERS

Parece que se perfila mais um goleador na Bélgica. Dessers tem 23 anos, raízes belgo-nigerianas, mas não parecia destinado às finalizações em catadupa até se ter mudado para a vizinha Holanda.

No OH-Leuven mal ‘calçou’, enquanto sénior, no Lokeren mostrou veia em posição mais adiantada, no entanto nem sempre foi opção para essa posição e os minutos de que dispôs foram também escassos.

Em 2016 Dessers tomou a opção de rumar ao secundário NAC Breda e ‘apenas’ concretizou 22 tentos, adicionando mais 13 assistências. Nos playoffs de subida o belga ‘só’ marcou sete golos em quatro jogos para garantir o regresso do NAC à Eredivisie! Não há melhor descrição do que observar cada um dos golos que conseguiu no NAC, facilmente se lhe notando um claro instinto de golo!

O Utrecht conseguiu o seu concurso por tranquilos 350 mil euros e Dessers já terá aceitado o convite das ‘Super Águias’ para representar a Nigéria. Na Eredivisie e restantes provas já leva nove golos e continua a despertar cobiça com o seu Bom Futebol. A mudança de Erik Ten Hag do comando técnico do Utrecht para o Ajax até pode fazer o avançado voar ainda mais cedo para um emblema de maior nomeada.

BJORN MAARS JOHNSEN

Quem diria que quatro anos depois de chegar a Portugal, passado um período sem clube, para alinhar nos algarvios do Louletano, o Bom Futebol do ‘gigante’ norte-americano-norueguês Bjorn Maars Johnsen estaria a dar cartas na Eredivisie? Pois é, está mesmo!

Nova-iorquino, Bjorn Maars Johnsen ganhou estatuto tal que de um profissional de terceira ou quarta linha passou a ser internacional pela Noruega, cortesia dos golos pelo escocês Heart of Midlothian e a chegada ao ADO Den Haag.

Filho de pai norueguês e mãe estado-unidense, Bjorn Maars Johnsen fez-se na capital da Noruega a representar o Valerenga, mas o seu destino não seria simples. Primeiro o Tonsberg, depois formações espanholas de terceiro e quarto escalão, Antequera e Atlético Baleares.

Em 2013 chega a Loulé e no ano seguinte ‘sobe’ até à capital lusa para representar o Atlético CP na LedmanLigaPro. Marca 14 golos pelos da Tapadinha e a meio da temporada salta para a liga búlgara, onde continua a fazer valer a sua altura, perto de 2,00 m, para seguir na senda goleadora, o que o transporta para o Hearts e agora para Haia, onde soma sete golos.

O primeiro requisito que se deve querer de um ponta-de-lança não é a capacidade técnica, é mesmo a competência concretizadora, Bjorn Maars Johnsen tem-na!

Numa liga tão ofensiva como a Eredivisie, faz todo o sentido que o onze debutante se enquadre nesse espírito, daí este desenho tão ousado, com quatro homens claramente avançados e dois médios de perspectiva ofensiva e com Bom Futebol de ataque dos pés à cabeça!

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