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Bailes de Debutantes, Premier Global

Liga Premier League XI Debutantes 1718

Bailes de Debutantes, Premier Global

Há anos que a Premier League lidera os rankings no que toca à participação de não-nacionais no campeonato, rivalizada, mas a outro nível, apenas pela liga cipriota. Esta temporada não tem sido diferente e ao campeonato inglês chegaram vários valores oriundos dos quatro cantos do mundo, vários deles com uma surpreendente adaptação e Bom Futebol acima das expectativas.

Tal como nos anteriores bailes de debutantes, as escolhas vão desde futebolistas consagrados a jovens promissores, sendo de sublinhar a inesperada adaptação de alguns dos escolhidos, face às suas origens.

EDERSON

Dificilmente se imaginaria que Ederson atingiria este patamar de carreira observando as suas exibições enquanto júnior e na transição sénior. O potente pontapé e as qualidades para a posição estavam lá, porém o brasileiro agarrava pouquíssimas bolas, no típico molde de guardião canarinho, a blocar bem, a reagir de forma muito boa às segundas bolas, mas com a faceta intranquila de não ser um imã para a bola.

A aprendizagem foi soberba, o crescimento extraordinário, com muito mérito a dever ser reconhecido ao actual treinador de guarda-redes do Watford, Hugo Oliveira, cujo trabalho específico com guardiões tem potenciado vários nomes para o patamar de topo na posição.

Neste momento Ederson Moraes é um guarda-redes completo. Aos 24 anos é a muralha perfeita para o último reduto idealizado por Guardiola, líbero, de forte capacidade com os pés, tem dimensão de grande área no posicionamento, leitura e enquadramento com equipa, o que permite a mais fácil construção.

No início de 2010 deixou o São Paulo para integrar a academia do Seixal, em 2012 experimentou o Ribeirão e passou na temporada 12/13 para o Rio Ave, onde secundou Jan Oblak sob orientação de Nuno Espírito Santo, sucedendo ao esloveno na baliza durante a temporada seguinte, dividindo as redes com Ventura, Salin e Kritsyuk. As qualidades e fragilidades ainda estavam lá, daí não ter sido absoluto dono das redes nos Arcos.

Sob orientação de Pedro Martins Ederson inicia a época 14/15 como alternativa ao titular Cássio, agarrando a primeira posição na segunda parte da temporada e retorna à Luz em 2015 sem parecer preparado para suceder a Oblak e aceitando o papel subalterno a Júlio César, contudo o trabalho no Seixal com Hugo Oliveira viu o jovem crescer e tornar-se num monstruoso guarda-redes, já a fazer sombra aos grandes da nova geração, De Gea, Oblak, Courtois.

No Manchester City tem ganho milhões de seguidores e admiradores, face ao mediatismo que granjeia na Premier, sendo um dos mais elogiados pela crítica, primeiramente bastante cautelosa e a torcer o nariz, correntemente aprovado e a pedir meças de titularidade nas redes do Brasil.

LEWIS DUNK

Uma das maiores maravilhas que o futebol ainda oferece é ver um local ‘crescer’ no seu clube e aparecer em belo plano no primeiro patamar, como acontece esta temporada com o central Dunk nos ‘Seagulls’.

Dunk já viveu sentimentos contrastantes no Brighton. Surgiu como primeira opção em 11/12, com a equipa orientada por Poyet a ficar à porta dos playoffs de subida à Premier. O uruguaio não manteve a aposta e Dunk passou a temporada seguinte, depois de bater à porta dos sub21 ingleses, pouco jogando.

Apenas em 14/15 volta a recuperar o estatuto de titular, primeiro com o também antigo central, Hyypia, depois com Hughton, que consolida o jovem como escolha e o traz como um dos capitães até à Premier League.

Os ‘Seagulls’ já rejeitaram várias abordagens pelo duro central, forte na marcação e no jogo aéreo, que afirma o seu amor e sonho conquistado com este debute na Premier inglesa ao serviço do clube da sua cidade.

DAVINSON SÁNCHEZ

Tem 21 anos, é oriundo da Colômbia, estreou-se na primeira equipa do Atlético Nacional de Medellín aos 17 anos e o brilho que conseguiu na Libertadores de 2016 levou-o para o Ajax, ficando somente uma temporada nos ‘Lanceiros’ e despertando imediatamente o interesse inglês, com o Tottenham a prevalecer.

Uma transferência da América do Sul por cinco milhões de euros, uma mudança de Amesterdão para Londres por 40 milhões, num ano, uma enorme carga sobre o jovem Sánchez, que vai correspondendo nos ‘Spurs’.

A entrada na Europa fez-se por uma liga pouco recomendada na avaliação da performance defensiva, tão votada que é a Eredivisie para o ataque, no entanto Davinson Sánchez está a mostrar-se bem identificado com as exigências europeias e, agora, da Premier, denotando rápida adaptação a tal.

Líder, veloz, arguto, espampanante, rápido na reacção às falhas – suas ou de companheiros, Davinson Sánchez parece ter bem mais de 21 anos pela forma como vê, se posiciona e ajusta os colegas. Ainda possui várias debilidades próprias da sua idade e falta de experiência, contudo é já uma das grandes referências futuras para o centro da defesa. A seu favor tem ainda o facto de alinhar com praticamente a mesma eficácia a descair na direita ou na esquerda, numa defesa a dois ou a três, é um central de potencial tremendo, Bom Futebol ‘cafetero’ em acção atrás.

AHMED HEGAZY

Se é verdade que o West Brom está no fundo da tabela da Premier League, também não deixa de o ser que o central egípcio Hegazy tem superado as expectativas depositadas em si. Aos 26 anos tem a segunda experiência fora do seu país e tem-se adaptado e respondido com positividade, particularmente observando a falta de oportunidades na Fiorentina, onde alinhou pouco mais de 200 minutos em duas temporadas de clube, ou seja, sem oportunidades dificilmente se poderia mostrar.

Impetuoso, forte no jogo aéreo, Hegazy é titular dos ‘Faraós’ e deverá ser o ‘xerife’ da selecção egípcia no Mundial 2018. As qualidades que vem exibindo no WBA levou os ‘Baggies’ a resgatarem a cedência no imediato, adicionando cinco milhões de euros pelo seu passe ao milhão pago ao Al Ahly pelo empréstimo.

MARIO LEMINA

Lemina nasceu há 24 anos no Gabão, mas cresceu em França, por cujas camadas jovens chegou a alinhar e foi campeão mundial de sub20 – 2013, antes de aceitar o convite para ser internacional absoluto gabonês. Iniciou-se na ES Nanterre, passou por Rueil-Malmaison e Garenne-Colombes antes de chegar ao Lorient, aos 16 anos. É no Lorient que sobe a sénior e as suas exibições e polivalência captam o interesse do Marselha, que adquire Lemina no término da janela de transferências de Verão para 13/14.

Apesar de não ser um titular absoluto, o franco-gabonês sobe mais um patamar em 2015, novamente mesmo sobre o fecho do mercado, deixando a Provença para rumar ao Piemonte e reforçar a campeoníssima Juventus.

Bicampeão em Itália, Lemina sempre foi uma segunda ou terceira opção nos ‘bianconeri’ e duas temporadas depois troca Itália por Inglaterra, com um belo encaixe para os campeões transalpinos, uma mudança de Marselha por pouco mais de 10 milhões de euros e volvidas duas temporadas são 17 milhões para um suplente da ‘Fidanzata d’Italia’ reforçar o Southampton.

Médio defensivo de formação e afirmação, Lemina pode e sabe alinhar no flanco direito ou como médio de transição. Tem um belo controlo de posse, gosta de envolver-se nos processos ofensivos, preferencialmente em combinações, sabe variar bem o jogo e parece sempre ser subaproveitado nos clubes onde passa.

É verdade que já perdeu jogos pelo Southampton, porém sem Lemina em campo os ‘Saints’ ainda não conseguiram vencer na Premier League (até 25 de Dezembro de 2017, data de concepção esta peça).

VICENTE IBORRA

Valenciano de 29 anos, Iborra é o espelho – ou mais um espelho – da nova geração espanhola. Depois de décadas ‘fechados’ nas suas ligas, com poucas saídas e menores aprovações, os espanhóis têm-se espalhado pelo mundo e fixam-se nas ligas com muita qualidade, adaptando-se aos costumes, superando o obstáculo linguístico e crescendo como força emigrante no universo do ‘Belo Jogo’.

É no Levante que o alto médio Iborra surge no primeiro galarim do futebol. Em 2013 muda-se para Seviha por seis milhões de euros, fazendo parte das vitórias andaluzes na Liga Europa como pêndulo do miolo.

Iborra faz parte da retoma ‘Fox’ na Premier, depois de um arranque com quatro derrotas – estando o médio lesionado, o espanhol chegou para equilibrar o meio-campo e sustentar a subida do clube até à primeira metade da tabela, onde se encontra depois do empate diante do Manchester United a finalizar a 1.ª volta da liga. Trouxe Bom Futebol ao Leicester.

AARON MOOY

Uma das estrelas em potencial do desporto australiano – aqueles que conseguem fazer parte do Australian Institute of Sport, Mooy rumou ao norte inglês aos 15 anos, deixando o Instituto para integrar a academia do Bolton Wanderers.

Depois de perceber que não teria oportunidades no clube, o jovem australiano ruma a norte, mais concretamente a Paisley, para representar os escoceses do Saint Mirren. Com a equipa a disputar desesperadamente a manutenção, Mooy não dispôs de muitas oportunidades, mas serviu para ganhar calo no futebol sénior, regressando em 2012 à Austrália para alinhar e brilhar nos Western Sydney Wanderers, saltando em 2014 para o Melbourne City, onde ganha estatuto de estrela que o coloca no ‘clube-mãe’, Manchester City.

A antiga estrela holandesa Johny van’t Schip vê em Mooy muito mais do que um médio de trabalho, de cobertura, de recuperação, coloca-o mais adiantado no terreno, a funcionar em zonas de decisão… e eis que o internacional australiano demonstra competências de concretização e de último passe de fazer inveja aos melhores ‘10’.

No Huddersfield Town, cedido pelos ‘Citizens’, é uma das pedras fulcrais para a ascensão e estreia dos ‘Terriers’ na Premier League, Mooy participou em 45 dos 46 desafios do Championship 16/17. Wagner sabe trabalhá-lo e o médio de 27 anos conta com quatro golos na primeira metade da temporada de Premiership.

Nos seus tempos de Bolton partilhou o balneário das reservas com nomes como Adam Bogdan, hoje um dos guardiões suplentes no Liverpool, Gary Cahill, do Chelsea, Chung-yong Lee do Crystal Palace, o português Ricardo Vaz Té, o sueco Elmander e vários internacionais irlandeses já retirados.

Versátil, competente nas bolas paradas e corridas, tende a não inventar, o que faz de Mooy um médio potencialmente letal para qualquer oponente.

MIKEL MERINO

Navarro, Mikel Merino é filho de Ángel Merino, ex-profissional de futebol, fez-se no seu Osasuna natal e aos 21 parece ter saltado precocemente do Reino de Navarra para Dortmund, onde Tuchel poucas oportunidades lhe proporcionou, apesar da temporada irregular dos ‘Schwarz-gelben’.

Benítez leva-o para Newcastle no regresso dos ‘Magpies’ à Premier, onde o jovem internacional sub21 espanhol agarrou lugar, mas cuja lesão parece ter abalado a estrutura da equipa, pois daí para cá, mesmo com o seu retorno, os resultados não têm sido nada animadores.

Apesar de alinhar preferencialmente como médio defensivo, Mikel Merino ainda nos divide sobre aquilo que poderá ser, médio mais posicional, central ou médio de transição. Demonstra ter qualidade de pés e inteligência para se envolver mais no processo ofensivo, de construção da equipa, mas técnicos clássicos ainda preferem ter o pêndulo do meio-campo mais em equilíbrio, retraído, muitas vezes a recuar para abrir os centrais, todavia sem liberdade para avançar. Mikel ainda está a iniciar o seu trajecto e a explorar todas as suas possibilidades enquanto futebolista, com Bom Futebol em potencial.

RICHARLISON

É a surpresa da Premier League. Em Inglaterra o hábito brasileiro está mais relacionado com não vingar do que com brilhar, mas o jovem avançado tem sido uma revelação sob o comando de Marco Silva e o investimento de cerca de 12,5 milhões de euros está a ser muito bem retornado.

Certamente que, quando saltou do Real Noroeste de Capixaba para o América Mineiro, Richarlison não se imaginaria a brilhar na Premier League um par de épocas depois.

Imprevisível, brincalhão, capaz de driblar e rematar com ambos os pés, Richarlison é claramente um bom jogador de bola, mas confirma-se nestes meses de Inglaterra como futebolista, ainda que tenha a liberdade para criar, a vantagem de ter uma equipa técnica lusa, vai-se adaptando às exigências de uma liga bem distinta da brasileira, onde brilhou com a camisola do Fluminense antes desta mudança.

A recente perda de fulgor do Watford está também relacionada com algum abaixamento de forma do jovem de 20 anos, a quem talvez fizesse bem algum descanso e trabalho de treino no colectivo – os ‘Hornets’ possuem demasiadas individualidades, que pensam o jogo dessa forma, e necessitam que o colectivo também intervenha ofensivamente, assim se vencem partidas de forma reiterada. Richarlison tem, apesar de tudo, Bom Futebol para dar e vender.

ERIC CHOUPO-MOTING

Choupo-Moting é alemão de nascimento e formação futebolística, camaronês de família, alinhou em todas as camadas jovens germânicas até aos sub21, passando posteriormente a representar os Camarões.

Máquina displicente, o avançado tem faro de golo, é polivalente, alinha em qualquer posição ofensiva, nos flancos, como ponta, segundo ponta ou até como médio mais ofensivo, e passou pelos grandes clubes de Hamburgo, St Pauli e HSV, onde debutou como sénior. Na Bundesliga Choupo-Moting somou mais de 200 desafios, até ao momento, dividindo-se entre Hamburgo, Nuremberga, Mainz 05 e Schalke 04, que esta época trocou pelo Stoke City, onde leva quatro golos e outras tantas assistências na 1.ª volta da liga inglesa.

Apesar da sua irreverência, é um avançado a contar, dá garantias ofensivas aos clubes que representa.

ALVARO MORATA

De ponta-de-lança com potencial em ‘La Fabrica’ e nas selecções jovens espanholas, Morata ganhou dimensão futebolística na passagem pela Juventus, cresceu como futebolista para se afirmar em pleno, um ponta-de-lança completo, na concretização, na movimentação, na compreensão plena do jogo, ofensiva e defensivamente.

O retorno a Madrid fez-se com golos, sempre golos, todavia sem a esperada primeira opção, sempre reservada para Benzema estando este disponível, mesmo que oferecesse, comparativamente, menos ao jogo e à equipa, tomando nova via para fora do Real, agora a reforçar os quadros do Chelsea, onde tem correspondido às expectativas.

Morata tem 25 anos e já movimentou, em termos de transferências, 112 milhões de euros, ao que se sabe, podendo subir em 18 milhões de euros face aos seus desempenhos nos londrinos. É ‘O’ avançado, Bom Futebol de área completo!

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