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Bailes de Debutantes, Série em busca da retoma

Bailes de Debutantes, Série em busca da retoma

Das denominadas ‘Big 5’, a Série A é a única que está, nesta viragem de turno, com o campeonato totalmente em aberto e várias formações a procurarem desafiar a Juventus pelo título. O Bom Futebol, mais ofensivo e ousado, é a nova marca da liga transalpina.

Tal como nos anteriores ‘Bailes’, a Série A mescla os estreantes, entre nomes já bem reconhecidos internacionalmente, vários futebolistas em ‘retoma’ e alguns aspirantes a reconhecimento.

Muitos dos ‘especialistas’ portugueses que abordam o futebol na televisão continuam a associar a Série A aos seus anos áureos e tempos recentes, até 2013 ou 2014, onde predominou o futebol de contenção, alicerçado no cinismo e numa tradição transalpina de sucesso, porém ultrapassada, obsoleta e percebida por todos os intervenientes, o que vem levando a alterações na abordagem, pela compreensão das mudanças no ‘Belo Jogo’ e nos modelos de sucesso que vingam actualmente. Ver a Série A hoje em dia é assistir a Bom Futebol com golos, algo que se aconselharia a alguns desses tidos como especialistas de futebol, mas que abordam, no caso, a Série A TIM sem assistirem a encontros desta há tempo demais.

ALFRED GOMIS

Irmão do meio numa família de guarda-redes, Alfred Gomis formou-se no Torino, como os irmãos Lys e Maurice, e estreia-se na Série A aos 24 anos, depois de um excessivo tempo a alinhar na Primavera dos ‘Granata’.

Em 2013/14 esteve no Crotone e ajudou o clube a atingir os playoffs de subida à Série A, repete a faceta na época seguinte, agora cedido pelo Torino ao Avellino e completa um tri consecutivo na Série B a ajudar formações a chegarem à zona de subida através do playoff no Cesena.

O Torino cede-o ao Bologna no início da temporada transacta, contudo apenas alinha um encontro na Taça de Itália e segue na segunda metade da época para a Salernitana, ajudando o clube a escapar da despromoção, 11 encontros de rede virgem em 21 disputados!

Finalmente é 2017 o ano da sua afirmação na Série A TIM, num empréstimo ao igualmente debutante SPAL, com aquisição do passe no final da época por 1,5 milhões de euros.

Como se antecipava, não tem sido uma estreia fácil, mas Alfred Gomis tem feito por evitar desaires maiores para a equipa de Ferrara. Os bons desempenhos levaram à sua chamada à selecção do Senegal, onde se estreou em Novembro último.

ADAM MARUSIC

Um lateral tremendamente ofensivo é a proposta da Lázio para a Série A TIM 17/18. Marusic nasceu em Belgrado há 25 anos, mas tem sangue montenegrino, como muitos outros, integrando a selecção de Montenegro com o seu Bom Futebol exibido na Bélgica, para onde rumou em 2014 oriundo do clube com um dos estádios mais curiosos do mundo, o Vozdovac, que alinha num relvado construído em cima de um Shopping em plena Belgrado, muito bonito.

Depois de ajudar à promoção do Vozdovac à Superliga sérvia em 2013, Marusic realiza uma época de tremenda qualidade em 13/14, a alinhar como ala esquerdo, o que sustenta toda a sua polivalência, capaz de alinhar como ala ou lateral em qualquer das linhas.

É como ala-extremo direito que brilha primeiro no KV Kortrijk e é aí, na segunda temporada, que Belhocine o experimenta, como pleno sucesso, como lateral direito.

Yves Vanderhaeghe passa a tê-lo no KV Oostende e alinha-o nas quatro posições, lateral e ala em ambos os lados, sempre com resposta muito positiva de Marusic, que capta o interesse ‘laziale’.

Quando trocou o Vozdovac pelo KV Kortrijk Marusic terá rendido à formação sérvia perto de 500 mil euros, especulando-se que o KV Oostende terá desembolsado mais do dobro para o contratar em 2016, fazendo ainda assim um excelente encaixe com a sua ida para Roma por 6,5 milhões de euros.

Marusic tem Bom Futebol para continuar a crescer e se afirmar no contexto internacional. Na Lázio soma até ao momento dois golos e cinco assistências, alinhado por Simone Inzaghi como lateral-ala direito, a fazer o flanco todo, numa linha defensiva de três centrais.

RICARDO RODRÍGUEZ

Tal como Alfred Gomis, também Ricardo Rodríguez é o irmão do meio de uma família de futebolistas, filhos de pai espanhol e mãe chilena, nascidos e criados na Suíça, onde os seus irmãos, Roberto e Francisco, alinham.

Em 2012 o Wolfsburgo contratou-o ao FC Zurique por 8,5 milhões de euros, Ricardo que faz parte da brilhante geração helvética campeã do mundo de sub17 (2010) e tem um enorme percurso nas selecções da Suíça, onde totalizou quase meia centena de encontros apenas pela ‘AA’, fora as dezenas disputadas dos sub17 até aos Olímpicos.

A sua chegada a Milão faz parte do enorme investimento chinês para procurar trazer novamente os ‘rossoneri’ ao topo do futebol, apesar da medíocre resposta até ao momento do plantel, Ricardo Rodríguez tem sido dos melhores, mesmo que não surja sempre como opção, em escolhas bastante dúbias por parte dos técnicos.

Rodríguez já alinhou como médio esquerdo, lateral esquerdo e central, numa linha de três, desde que chegou a Milão, Tal como sucede com vários dos seus companheiros, também o internacional suíço é questionado pelos 18 milhões de euros pagos pela sua transferência, contudo o problema milanês prende-se com ideias de jogo e aproveitamento dos jogadores, dentro de uma ideia colectiva, muito mais do que escassez de rendimento por parte dos atletas.

NICOLAS N’KOULOU

Internacional camaronês, N’Koulou aterrou no Mónaco aos 17 anos oriundo da Academia Kadji. Já associado a vários emblemas de monta, o central de 27 anos acaba por ser cedido ao Torino por empréstimo, por parte do OL, uma temporada depois do Olympique Lyon o ter adquirido ao Marselha.

Depois de mais de 250 encontros na Ligue 1, N’Koulou é até ao momento totalista na Série A TIM. Forte na marcação e antecipação, N’Koulou continua com alguns excessos nas abordagens, porém está a exibir-se bem em Turim, numa defesa onde Mihajlovic tem mexido razoavelmente, mas com o camaronês como pedra-basilar e inamovível.

JOSÉ LUÍS PALOMINO

Convencido pela estrela de Bérgamo, Papu Gómez, Palomino reforçou esta temporada a Atalanta e procura afirmar-se.

Papu Gómez passou pelo San Lorenzo entre 2009 e 2010, numa altura em que o central Palomino sobe das camadas jovens do clube e vai-se dividindo entre os treinos com o plantel principal e os jogos pelas reservas, surgindo aí a amizade entre ambos.

Palomino tem 27 anos, está na Europa desde 2014, quando chegou para reforçar o Metz, não impedindo a descida deste à Ligue 2, mas ajudando ao retorno na temporada seguinte e rumando a leste para reforçar o recordista Ludogorets da Bulgária, formação que é campeã nacional desde que subiu ao máximo escalão local, um feito digno de Guinness, seis épocas, seis ligas, a mais recente das quais com o contributo do central argentino, canhoto, que custou aos cofres de ‘La Dea’ quatro milhões de euros.

Apesar de não ser um titular absoluto, Palomino revela boa adaptação ao futebol transalpino, ainda a ajustar-se à defesa a três de Gasperini, onde Rafael Toloi, Caldara e Masiello surgem como fortes concorrentes, já habituados a alinharem em conjunto.

BLAISE MATUIDI

Com origens angolanas e congolesas, não são necessários muitos adjectivos para descrever Matuidi, o que este médio já fez fala por si, mas na Juventus tem estado um pouco aquém do antecipado, menos interventivo ofensivamente face ao que se lhe via no PSG, certamente condicionado pela visão de Allegri para as suas funções na ‘Vecchia Signora’.

Médio todo-terreno, esquerdino, Matuidi cimentou-se, evoluiu e ganhou estatuto que o eleva a um dos melhores médios do futebol actual. Passou por Clairefontaine, fez-se no Créteil e foi no Troyes que se estreou no futebol sénior profissional. Aos 20 anos muda-se para o histórico Saint-Étienne por cinco milhões de euros e o PSG, pré-qatari, contrata-o em 2011 por oito milhões, já estava o jovem médio na principal selecção gaulesa.

Eleito jogador do ano em França em 2015, Matuidi está neste recente domínio parisiense em França, mas opta por abandonar o Parque dos Príncipes para se juntar à ‘Fidanzata d’Italia’, a Juventus, onde vai partilhando o miolo com Khedira, Pjanic, Marchisio, muita experiência acumulada e diversidade de soluções oferecidas pelos futebolistas em questão, com Matuidi a procurar integrar e ajustar-se a ideias diferentes.

JORDAN VERETOUT

A outra terra de príncipes e duques, Florença, chegou mais um gaulês, este do Noroeste, da zona ampla da antiga Bretanha, Veretout, um médio centro de 24 anos que vê, por enquanto, as portas da selecção francesa fechadas face aos colossos que a preenchem neste momento, como Matuidi, acima notado, Pogba, Rabiot, entre outros, mas que espreita lá chegar a breve trecho.

Veretout surge no Nantes, onde realiza várias temporadas de tremenda qualidade, primeiro a trazer novamente os ‘canaris’ para a Ligue 1, depois a manter o nível no escalão máximo gaulês, por força do seu Bom Futebol, simples, inato, irresistível, com muito perfume na mais bela pureza do ‘Jogo do Povo’.

Em 2015 o Aston Villa paga 10 milhões de euros pelo seu passe e não foi por ele que a formação de Birmingham desceu. Cedido ao Saint-Étienne na temporada transacta, Veretout recupera índices de confiança e volta a exibir dotes de médio centro de eleição, convencendo a Fiorentina a avançar com sete milhões de euros para o resgatar ao clube inglês ainda detentor do seu passe.

Pioli vê no médio gaulês enorme preponderância para os ‘Viola’ e Veretout é um dos totalistas na Série A TIM.

ANTONIN BARAK

Barak é, claramente, um médio com muito e Bom Futebol. Checo, 23 anos, esquerdino, ofensivo, Antonín – nome próprio de craque, era-o Panenka – Barak chegou à Udinese e parece ter reavivado os bons momentos no Friuli, depois de duas épocas bem tremidas.

Com cerca de 1,90 m, Barak exibe uma qualidade de pés bem interessante, canhoto preferencialmente, não ‘renega’ o pé direito e tem facilidade em aparecer nas zonas de finalização.

Formou-se no FK Pribram, acabando por se afirmar tardiamente face ao habitual na Europa Central; é apenas na cedência ao secundário Vlasim que Barak ganha estatuto, já com 20 anos, saltando quase no imediato da primeira formação do Pribram para o Slávia Praga, onde se revelou fulcral na conquista da HET Liga

Condicionado pelas ideias de Delneri, que não lhe permitia liberdade ofensiva, onde é capaz de realmente desequilibrar, começou-se a ver o ‘verdadeiro’ Barak já com Oddo no comando técnico da Udinese e é o jovem checo a mostrar essas qualidades na recente onda de quatro triunfos seguidos (15.ª-18.ª) na Série A TIM, com quatro golos e duas assistências, ele que já se tinha mostrado decisivo em dois triunfos anteriores com golos a valerem pontos. Na selecção checa soma cinco tentos em sete internacionalizações! Um achado a ser ainda mais potenciado no futuro este Barak.

BRUNO ZUCULINI

Em 2016 reuniu-se novamente com o irmão mais velho, Franco, no Hellas Verona. O propósito dos italo-argentinos concretizou-se, alinharam juntos e foram importantes para este retorno de um antigo campeão da Série A TIM ao máximo escalão transalpino.

Grande promessa do futebol argentino, Bruno foi contratado pelo Manchester City ao Racing Avellaneda em 2014 por 2,5 milhões de euros, tinha o jovem criativo 21 anos.

Era mais um ‘novo Messi’ na forja, só que não. As cedências ao inconstante Valencia e ao aflito Córdoba foram totalmente falhadas e o panorama no Middlesbrough foi ainda pior, repetindo-se o cenário no AEK Atenas, em duas temporadas quatro clubes e cerca de 1000 minutos de competição no total, o que não augurava nada de bom para o futuro de Bruno Zuculini.

Inicia-se 16/17 com novo empréstimo ‘Citizen’ para Espanha e no Rayo Vallecano nada se alterou, pouco tempo de jogo, pouca garra e nervo, muita falta de confiança, até que surge a oportunidade Hellas Verona, a meio da temporada, onde estava o seu irmão Franco, que para ali havia rumado oriundo do Bologna no início da época.

Pecchia soube aproveitá-lo e acaba por ‘roubar’ espaço ao irmão mais velho. Se surgiu no Racing como um médio ofensivo, com competências para chegar à área contrária, no Hellas tem recuado, alinha como interior ou como o pêndulo recuado do miolo, a ganhar calo para a posição, fazendo valer os atributos técnicos das camadas jovens e fulgor inicial dos tempos na Argentina. Ainda há muito para ver de Bruno Zuculini e o Hellas Verona espera que ele consiga ajudar a equipa nesta frenética luta pela manutenção na Série A TIM.

AMATO CICIRETTI

Ciciretti é uma das revelações da Série A TIM 17/18. Apesar de alinhar no Benevento, que apenas soma um ponto, está como o clube, cuja pontuação não reflecte de todo aquilo que têm feito nos relvados, onde já perderam demasiados desafios nos últimos minutos.

Romano, formou-se nos ‘Lupi’, andou pela Lega Pro no Carrarese, L’Aquila, Pistoiese e Rilancio, onde há pouco mais de dois anos jogou pela não descida ao quarto escalão.

É na Lega Pro que o Benevento alinha quando o contrata em 15/16 e Ciciretti é fundamental na inédita ascensão à Série B, onde se revela ainda mais decisivo – seis golos e 12 assistências – para uma passagem fugaz e nova subida histórica, agora à Série A TIM.

Exemplo de crença, abnegação e voracidade, Ciciretti tem somente 23 anos, mas espelha muito daquilo que é o futebol, altos e baixos, ele que foi campeão italiano júnior pela AS Roma, todavia alinhava no terceiro escalão pouco tempo depois e não imaginava certamente que estaria na Série A TIM desta forma. É também isto o Bom Futebol, o melhor futebol. Este é o sonho de qualquer aspirante nos escalões secundários, ou um dos sonhos pelo menos. Claro que alinhar numa equipa já num primeiro plano é o desejo principal, contudo escalar a pirâmide futebolística com um clube é ainda mais maravilhoso, sentir e saborear cada degrau subido até atingir o pico! Topo!

DAWID KOWNACKI

20 anos, capitão dos sub21 polacos, Kownacki está na senda para suceder a Lewandowski e já joga regularmente no futebol profissional há quatro épocas – esta é a quinta.

No Lech Poznan, onde se formou, alinhou como ala, médio criativo, segundo avançado, avançado centro, interior, o que demonstra toda a sua versatilidade e as possibilidades que pode oferecer a uma equipa e a um treinador.

A Sampdória contratou-o por quatro milhões de euros e o jovem avançado polaco já respondeu com cinco golos, nos escassos minutos em que o alinharam. Habitualmente não estaria nas escolhas, pois soma apenas cerca de 230 minutos nesta temporada, contudo os golos que já apontou em tão curta utilização tornam-no realmente figura e uma exigência de maior utilização por parte de Giampaolo, até por aquilo que pode fazer além de estar na frente. Tem muito Bom Futebol este menino!

 

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