-- ------ Bailes de Debutantes, Super Lig entre consagrados e subaproveitados
Bom Futebol

Bailes de Debutantes, Super Lig entre consagrados e subaproveitados

Bailes de Debutantes, Super Lig entre consagrados e subaproveitados

Na Super Lig da Turquia há espaço para futebolistas maduros, já em trajectória descendente da carreira, que conseguem os contratos da vida, ou perto disso. O Bom Futebol também existe ali, mas há um hiato competitivo, entre os hábitos locais e as necessidades profissionais, que continua a emperrar a afirmação internacional dos emblemas turcos.

Os investimentos também não ajudam de sobremaneira, são inconstantes, visam a tentativa do sucesso imediato e não são pensados a médio/longo prazo, como forma de impor uma ‘dinastia’ futebolística, como sucedeu com o Olympique Lyon de Aulas, um exemplo que poucos olham e ainda menos seguem.

Tempos houve em que a Super Lig era um dos pontos de entrada de futebolistas africanos no futebol europeu, algo que tem perdido fulgor ultimamente. O forte capital de alguns donos de clubes turcos faz com que levem futebolistas trintões ou já feitos para a liga local, pagos principescamente, mesmo que tal nem sempre aporte mais-valia ao campeonato e à equipa.

Por outro lado, é interessante verificar que, apesar da grande qualidade reconhecido aos jogadores do Médio Oriente, iraquianos, iranianos, sírios, estes não são especialmente recrutados pelos emblemas turcos, o que explica também algo sobre a situação política da região, pois este caminho tem muito de político e pouco de desportivo.

Com este Baile concluímos os ‘Bailes de Debutantes’, onze futebolistas entram em campo em cada encontro de futebol sénior, por isso escolhemos onze ligas para trazer o Bom Futebol que nelas se estreia.

SILVIU LUNG JR

Como o seu nome indica, Júnior, Silviu Lung é filho de um antigo guarda-redes internacional romeno, com o mesmo nome, ou seja, é Bom Futebol genético no seu corpo.

Apesar de ter chegado cedo à selecção principal romena, 2010, no dia seguinte ao seu 21.º aniversário, a concorrência pela posição levou-o a não ir além das três internacionalizações até ao momento, mesmo que exiba qualidades superiores para a posição.

Formado no Universitatea Craiova, Lung mudou-se em 2011 para o Astra, ainda em Ploiesti, e seguiu a mudança do clube para Giurgiu, revelando-se vital para o título romeno que a equipa alcançou, surpreendentemente, em 2016.

Associado a vários emblemas nessa altura, Silviu Lung Jr. Acabou por permanecer em Giurgiu mais um ano e no último defeso aceitou mudar-se para a vizinha Turquia, passando a defender as cores do Kayserispor, a troco de 350 mil euros para o clube romeno, aproveitando o facto do treinador deste emblema turco ter passado a ser o antigo avançado que passou por Marítimo Marius Sumudica. O clube de Kayseri é 5.º a seis pontos da liderança, na viragem da liga, e muito desse bom desempenho se deve ao guarda-redes romeno. Melhor defesa da liga a par do líder Basaksehir.

Reflexos felinos, velocíssimo nas saídas – por vezes demasiado veloz, Silviu Lung Jr parecia talhado para grandes feitos, mas acabou por se quedar na Roménia natal e seguiu a via turca, sabendo que seria primeira opção, garantias que não teria noutras ligas.

ISSAM CHEBAKE

Lateral direito marroquino, 26 anos, Chebake completou o seu processo formativo no futebol gaulês, aí se iniciando no futebol sénior.

US Forbach, Sarre-Union, Rodez, foram passos dados pela CFA2 e CFA até chegar ao Le Havre, em 2014, ganhando dimensão na Ligue 2 Domino’s e levando agora o seu Bom Futebol para a Turquia, onde passou a defender esta temporada as cores do Malatyaspor. Os seus desempenhos no segundo escalão francês valeram a estreia nos ‘Leões do Atlas’ em 2016.

Chekabe envolve-se bem nas acções ofensivas, tem precisão de centro com potencial, é audaz nos cortes e mostra-se duro no 1×1 defensivo, difícil de contornar. Apenas falhou um desafio da Super Lig em 17/18 e porque estava suspenso devido a acumulação de amarelos. Tal como Ertugrul Saglam, o técnico até final de Setembro, Erol Bulut não dispensa o marroquino do lugar na lateral direita.

GAEL CLICHY

Um dos novos nomes na Super Lig que dispensa quaisquer apresentações, tem uma carreira a falar por si. Depois de 14 anos em Inglaterra, oito de Arsenal e seis de Manchester City, o lateral esquerdo gaulês Clichy aceitou rumar à euro-asiática Istambul para defender as cores do Basaksehir, actual líder da Super Lig. O dono do clube é um dos milionários turcos e quer romper com o clássico domínio na cidade que se divide pelo Bósforo.

De acordo com alguns media ingleses, Clichy receberá cerca de três milhões de euros líquidos por temporada no Medipol Basaksehir.

PEPE

Outro nome sobre o qual não é necessário dizer muito, a carreira e os títulos falam pelo central luso-brasileiro.

Pepe assinou pelas ‘Águias Negras’ de Istambul e leva o seu Bom Futebol carregado de dureza para a Super Lig, num contrato que lhe garante 3,35 milhões de euros/ano, mais três milhões de euros como prémio de assinatura, além dos bónus habituais por desempenho. Pepe falhou dois encontros do Besiktas na Super Lig 17/18, ambos findados a 0-0, mas isso não quer dizer que o central nascido em Maceió não faça falta ao Besiktas, tem sido um dos mais elogiados pelos ferozes diários desportivos turcos nesta primeira fase da temporada.

WILLIAM TROOST-EKONG

Muito menos conhecido é Troost-Ekong, nascido na Holanda, internacional jovem pelos Países Baixos que, entretanto, aceitou o convite para representar as ‘Super Águias’ nos Jogos Olímpicos e já é internacional absoluto pela Nigéria, onde parte das suas raízes familiares se situa.

Rumou criança a Inglaterra e passou pelas academias de Fulham e Tottenham, regressando aos 19 anos à Holanda para representar o Groningen, onde se estreou no futebol sénior, sendo cedido ao Dordrecht, onde ajudou o clube a atingir o playoff de subida. O seu Bom Futebol ganha dimensão na mudança para a Noruega, realizando uma segunda temporada em cheio no Haugesund, cedido pelo Gent. Em 2017 Troost-Ekong tem finalmente a oportunidade na Bélgica, contudo a jogar menos do que antecipado, acordando no último defeso passar a representar os ‘Crocodilos Verdes’ da Super Lig, desembolsando o Bursaspor cerca de um milhão de euros pelo seu passe.

Imponente no ar, William Troost-Ekong tem 24 anos e ainda aparece em progressão nas suas capacidades e competências. Tem as escolas holandesa e inglesa por formação, ou seja, sabe sair a jogar, mas procura evitar complicações. É forte na marcação directa e parece ter convencido os responsáveis da Nigéria, com cuja selecção já soma 15 internacionalizações.

SERGINHO

Aos 31 anos, Serginho é uma boa surpresa da Super Lig, está a mostrar Bom Futebol para um médio defensivo com experiência brasileira em quase toda a carreira, apenas deixando o Sport Recife no início de 2017 para reforçar o Al Wasl dos EAU, onde foi recrutado pelo Akhisar.

Com aptidões no passe longo, não deixa a posição de forma fácil, todavia já leva dois golos na Super Lig e a perda de forma da equipa está em muito relacionada com a sua lesão e um regresso ainda sem a forma que denotou no arranque de época.

TREZEGUET

Sempre fértil em virtuosos, o Egipto tem na nova geração mais um naipe de talentos de qualidade superior, como é o caso de Trezeguet, extremo formado no Al Ahly, lançado por El Badry, ainda como médio centro, antes da sua transição para os flancos. Com Mohamed Youssef passou a trilhar zonas mais ofensivas e laterais do terreno, alinhando como ala, interior, médio criativo, mas com uma constante, a qualidade técnica.

Aos 19 anos brilhava em grande estilo no clube africano do século XX e o Anderlecht resolveu levá-lo para Bruxelas. Poucas oportunidades teve, fechado numa equipa com demasiados constrangimentos tácticos, mostrando novamente dotes aquando da cedência ao Mouscron, na temporada passada. Agora, Trezeguet é cedido pela formação belga ao Kasimpasa e tem sido uma das estrelas da equipa. Começou de forma estrondosa, com três golos e duas assistências nos quatro encontros iniciais, perdendo algum fulgor com a mudança técnica. Parecia bem ajustado às ideias de Duman, o que não vem sucedendo com Ozdes.

Ver Trezeguet com bola é testemunhar Bom Futebol de classe mundial. É um desequilibrador nato, capaz de maravilhas em posse, de driblar praticamente qualquer oponente, necessitando do devido enquadramento para poder exibir-se ao melhor nível e ser potenciado também colectivamente. É daqueles futebolistas para os quais tem de existir uma equipa técnica de olho arguto, detalhar onde Trezeguet pode fazer mossa ofensivamente e protegê-lo nos aspectos defensivos, onde ele pode contribuir e bem, na pressão alta e desarme, mas dificilmente com essa tarefa de forma obrigatória e continuada.

MAICON

Hamzaoglu acaba de aterrar no comando técnico do Antalyaspor e tem em Maicon um ala para potenciar em prol da equipa. Maicon tem sido dos melhores da equipa, que está na zona perigosa da tabela.

Maicon fez-se no Fluminense e entrou naqueles obscuros negócios em que um clube liberta o futebolista para um clube-empresa, como o Desportivo Brasil, que o cede novamente ao clube, mas posteriormente encaixa os valores de transferência, que voam para paraísos fiscais.

Maicon foi transferido para o Lokomotiv Moscovo por quatro milhões de euros em 2010, tinha 20 anos, onde somou quase 200 encontros, esta época levando o seu Bom Futebol para a Turquia, onde tem alinhado essencialmente como extremo direito, ainda que possua atributos para jogar em qualquer posição atrás do avançado.

Ter a alcunha de Maicon ‘Bolt’ explica algo sobre as qualidades deste brasileiro, cuja velocidade, com ou sem posse, é estonteante. Leonardo optou por um clássico 4-4-2 e a equipa está bem aquém daquilo que o plantel exige. Ter Nasri, Vainqueur, Eto’o, Ménez, El Kabir, entre outros, até pediria outras dinâmicas, como colocar Nasri-Maicon-Ménez atrás de Eto’o, com El Kabir e Kadaz como alternativas ao camaronês e Vainqueur a alinhar com Charles, Kurtulus ou os miúdos Alpsoy ou Inan em dupla de médios mais equilibradores.

GIULIANO

Que craque, talvez o melhor de entre os jogadores que os media mal falam, a andar entre a Rússia e a Turquia mesmo que se lhe vejam qualidades e Bom Futebol para estar entre os melhores, nas grandes ligas, outro estranho caso no futebol.

Giuliano é um criativo nato, formado no Paraná, brilhou no Internacional Porto Alegre, no Dnipro, no Grêmio, no Zenit e agora continua a pintar uma manta cintilante ao serviço do Fenerbahce.

Aos 27 anos ainda se pode imaginá-lo a criar numa equipa de topo, mas o certo é que Giuliano já terá encaixado mais capital do que muitos dos que alinham em Inglaterra, Espanha, França, Itália ou Alemanha, todas as suas transferências foram muito bem pagas e os salários que auferiu não terão sido de baixo porte. Contudo, falar de Giuliano é falar de dinheiro, sim, mas do bilhete, que vale a pena pagar para o ver ao vivo no estádio, tem golo, tem visão, tem técnica, tem mobilidade, tem criação, dos prazerosos elementos que o futebol oferece. Vale a pena vê-lo em acção!

ADIS JAHOVIC

30 anos, avançado, macedónio-bósnio, Jahovic ultrapassa a dezena de golos na temporada desde 11/12, salvo em 15/16, exibindo nesta estreia turca, com o Goztepe Izmir uma fome recordista. Na temporada passada apontou 20 para ajudar o clube a regressar à Super Lig, agora leva 14 em 16 partidas! Um goleador!

No princípio da carreira, numa liga de poucos golos como a da Bósnia-Herzegovina, Jahovic marcava, mas sem o fulgor que passou a exibir quando trocou o FK Sarajevo pelo Wil 1900, aí, no FC Zurique, nos ucranianos do Vorskla Poltava, no Rijeka, no Krylya Sovetov Samara e, agora, no Goztepe demonstrou características de finalizador, só necessita que lhe endossem bem o esférico para mostrar o seu Bom Futebol goleador.

A temporada nos de Izmir, porém, tem sido bem acima das expectativas, tendo um golo a cada 99 minutos disputados na Super Lig!

BAFÉTIMBI GOMIS

A luta de galos pela ‘bota de prata’, pelo título de goleador da Super Lig, está intensa entre Gomis e Jahovic, com Burak Yilmaz igualmente no triunvirato líder, todos a já terem concretizado por 14 ocasiões, numa lista de goleadores onde o primeiro sub30 é Giuliano, com oito!

Gomis é mais um elemento que não necessita que o descrevam, tem golos e trajecto de primeira linha a falar por si.

Aos 32 anos, o internacional francês com raízes no Senegal mudou-se para a Turquia, deixando Swansea e Marselha para trás e passando a envergar as cores do Galatasaray. Na Ligue 1 somou 340 partidas e fez 122 golos, na Premier League apontou 13 em duas temporadas, valor que já superou em meia época de Super Lig. Continua a ter Bom Futebol nos golos que marca.

 

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