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Bailes de Debutantes – Liga Santander – Um Maxi Negócio da China

Bailes de Debutantes – Liga Santander – Um Maxi Negócio da China

Depois da liga portuguesa, a nossa análise aos estreantes com melhor nota prossegue por Espanha, mantendo-se o mesmo critério, somente um futebolista por equipa e que nunca tenha alinhado antes na liga onde está a competir, salvo uma ou outra excepção, como sucede com Kévin Rodrigues.

Habitual cliente do mercado sul-americano hispânico, a Liga Santander volta a contar com elementos oriundos dessa zona do globo, vários deles a darem excelente conta de si.

Ao contrário do que continua a assistir-se em Portugal e com o treinador português, mesmo que em ‘dose’ um pouco mais reduzida ultimamente, em Espanha um estrangeiro necessita de vincar real mais-valia para retirar espaço ao futebolista local, o que sublinha e reforça o facto da Liga Santander, apesar de bastante reputada e tida como uma das três melhores do mundo, não surgir no top10 das ligas europeias com maior utilização de futebolistas formados noutros países que não Espanha.

 

NETO

Mineiro, Norberto Murara Neto iniciou-se no Cruzeiro de Belo Horizonte, porém aos 14 anos rumou ao sul brasileiro, mais concretamente ao Paraná, para alinhar no Atlético Paranaense, clube onde se estreia como sénior e logo capta olhares transalpinos, ele que tem passaporte italiano – como o próprio nome Murara antevê.

Os anos de ‘Viola’ ao peito não foram fáceis, em perto de três anos realizou pouco mais de 10 encontros, alternativa ao inconstante Boruc, com Montella a optar por Viviano; mas convence o antigo avançado e em 13/14 bate o romeno Tatarusanu pelo lugar e finalmente tem oportunidade de demonstrar na plenitude as suas aptidões, mantendo a prevalência na temporada seguinte, ainda sob égide de Montella.

Em 2015 surge a oportunidade de rumar à ‘Fidanzata d’Italia’, a Juventus, mesmo sabendo de antemão que seria mera figura secundária numa área pertença do genial e eterno Buffon. Neto jogou na Taça e na Liga o suficiente para conquistar títulos, todavia a abertura da selecção brasileira, com o lugar da titularidade nas redes mais aberto do que nunca, motivou-o a nova mudança e Neto despediu-se de Itália para rumar a um trémulo Valencia.

Diego Alves vinha sendo uma das figuras de proa, mesmo nas épocas medíocres dos ‘Che’ e o jovem Jaume Domenech já mostrou qualidades para agarrar a baliza valenciana, contudo Neto chegou, viu e vai vencendo. Da baliza começa a excelente época – olhando ao trajecto recente do clube – do Valencia de Marcelino García Toral, com o brasileiro a exibir dotes que o colocam, sem dúvida, na órbita de Tite para Rússia 2018 (Ederson, Alisson terão aparentemente lugar assegurado, mantendo os níveis exibicionais, mas a terceira vaga será uma guerra gigantesca e Neto posiciona-se claramente nesse lote). Aos 28 anos tem tudo para lá chegar.

Guarda-redes da nova vaga brasileira, enche a área, mas as qualidades que primeiro captam o olho são a velocidade de reacção e de antecipação naquele metro perto da baliza. Ágil, acrobático, felino, tem bastante rapidez para a sua altura, quer em voo ascendente, quer a chegar ao chão. Como a maioria dos seus compatriotas, agarrar a bola não é a prioridade de Neto, soca, palma, evita golos, mas a tendência é isso mesmo e não agarrar e fixar o esférico, mesmo quando o podia fazer. Deve, no entanto, salientar-se que é preferível ceder um canto a tentar agarrar e oferecer um golo, claro está. O Bom Futebol do Valencia de Marcelino começa no seu guarda-redes!

PABLO MAFFEO

Aos 14 anos deixou a academia ‘perica’ para a aventura ‘Citizen’, como vários outros meninos catalães recrutados pela ‘máquina’ catalã montada no Manchester City, a querer replicar o sucesso de La Masía.

Pablo Maffeo voltou à Catalunha no mercado invernal de 2016 para representar o humilde Girona, entretanto ‘juntado’ ao leque crescente de clubes que pertencem à família real dos EAU – a um dos seus membros, Sheikh Mansour, onde se vem revelando um lateral direito de potencial excepcional e que pode mesmo regressar a Manchester para roubar a titularidade aos milionários contratados para a posição.

Veloz na decisão e antecipação, ousado ofensivamente, com belas mostras na marcação às estrelas da Liga Santander, Pablo Maffeo é uma das ‘estrelinhas’ que Pablo Machín trouxe neste debute do Girona no máximo escalão espanhol.

Maffeo tem somente 20 anos e já se lhe vê competências para rivalizar com os melhores da posição em Espanha. Foi peça preponderante na subida do Girona – e nas ameaças anteriores, sendo ainda de realçar a sua versatilidade a avançar com os dois pés. Por vezes entusiasma-se em demasia, algo a melhorar no futuro ou a ser compensado com um bom miolo de cobertura e melhor entendimento com o flanqueador que o acompanhe, mas Pablo Maffeo é um craque em potencial, talento puro!

PAULO OLIVEIRA

Paulo Oliveira é mais uma prova viva de que o talento em Portugal não tem apenas três academias de nascimento. Formado entre o Famalicão e Guimarães, o central internacional luso demora a convencer a cada passagem ou mudança, custou a vingar no Vitória Sport Clube, ainda passou por uma cedência ao Penafiel e a cada novo treinador sempre surgia Paulo Oliveira como alternativa secundária, entrando no relvado a cada ocasião para prová-los errados e demonstrar qualidade e, mais importante, simplicidade e rigor nos processos, sem a exuberância de outros, mais vistosos – mas bastas vezes menos competentes.

Em Alvalade também exibiu qualidade e responsabilidade sempre que chamado, todavia logo relegado para papel subalterno perante a chegada de outros, mesmo que com custos para a equipa.

Tranquilo, Paulo Oliveira é muito mais do que a sua frágil, longilínea aparência, raçudo dentro do campo, não abdica de nenhuma bola e tem um ponto muito positivo a seu favor, não parece esmorecer com os erros no próprio jogo, cresce, envigora-se de forma ainda mais vincada.

O arranque no País Basco afigurou-se titubeante, ainda em adaptação, à equipa, à liga, ao modelo de jogo, aos adversários, mas parece ter encarrilado. O minhoto tem sido ‘boss’ nesta senda de bons resultados do Eibar que leva quatro vitórias e um empate nos recentes cinco desafios de liga (12.ª a 16.ª). São os media espanhóis a elogiarem as melhorias do central minhoto e como tem liderado defensivamente a equipa para estes desempenhos positivos.

UNAI NÚÑEZ

Do Athletic Bilbao todas as épocas, ou quase, saem novos jovens de valor. A ideia dos ‘Leões de San Mamés’ prova que qualquer clube pode trabalhar as suas academias e promover futebolistas locais, terá naturalmente de dar-lhes suficientes e sequentes oportunidades de afirmação, aceitar os erros – que todos cometem, porém este é um caminho realmente possível e o mais viável.

O mais recente ‘leão vasco’ a ser promovido é Unai Núñez, central de 20 anos, a par de Maffeo, uma das novas referências dos sub21 espanhóis.

As suas exibições na primeira equipa foram de ordem tal que o Barcelona já se estará a movimentar oficiosamente para o levar para a Catalunha, procurando já saber com os responsáveis do Athletic os valores que poderão envolver esta mudança. Certo é que Unai já renovou, mal se falou do interesse ‘culé’, detendo agora uma cláusula de 30 milhões de euros.

Impositivo, duro ao limite, Núñez faz lembrar os tempos dominadores de Athletic e Real Sociedad na liga, com jogadores bem físicos, a disputarem cada bola como se fosse a derradeira bola do encontro, tem de refrear um pouco as suas entradas, algo facilmente trabalhável ao longo da carreira, mas é um central temerário no ar e no chão, marcador bem difícil de escapar e uma das revelações da Liga Santander 17/18.

KÉVIN RODRIGUES

Alinhou em duas partidas na temporada passada, mas a falta de opções completamente debutantes para o flanco esquerdo na liga espanhola 17/18 e a extrema qualidade do luso-gaulês faz com que entre naturalmente neste onze.

A sua chamada aos sub21 enquanto ainda somente na ‘B’ da Real Sociedad foi precipitada, no sentido de ser um futebolista a alinhar num terceiro escalão, contudo revelou-se acertada face ao potencial apresentado, sendo já Kévin Rodrigues uma natural alternativa para a ‘AA’ portuguesa e já se escreve que San Sebastian poderá ser destino de curta duração para o basco – sim, Kévin Rodrigues nasceu na região de Baiona, no País Basco francês, como tal pode alinhar pela selecção basca, que costuma a realizar um encontro por ano, na época natalícia.

Kévin surgiu no Toulouse, mas depois de três épocas a somar minutos apenas na ‘B’ finalmente ganhou calo no secundário Dijon, saltando daí para Espanha e para a secundária da Real Sociedad, com Eusébio Sacristán a trazê-lo para a primeira equipa e a confiar no seu poder e pulmão.

Kévin ainda tem uma enorme margem de crescimento, aos 23 anos, sobe bem, tem potência de remate – a aprimorar esse aspecto, bom nas coberturas, precisa de maior estabilidade pelo jogo afora, perceber melhor as movimentações colectivas, porém é um nome que chegou para ficar.

GUIDO PIZARRO

Formado no Lanús, Guido Pizarro seguiu as pisadas de centenas de compatriotas seus e moveu-se não através do Atlântico rumo à Europa, antes sobrevoando os Andes e a selva centro-americana rumo à milionária liga mexicana. Em quatro anos de Tigres da UANL venceu duas ligas Bancomer e agora chegou o seu momento europeu, no Sevilha de Berizzo.

Jogador feito, 27 anos, Pizarro é um médio de cobertura com aspirações, justas, a médio de transição ou criação, tem uma velocidade em posse e de drible bem acima do habitual num jogador mais posicional, naquele pêndulo do miolo, o que por vezes é contraproducente, pois ao avançar e perder a bola deixa a sua equipa desequilibrada na rectaguarda.

Berizzo poderia pensar em ter Banega como médio central, descair Pizarro na direita e Ganso na esquerda, ou vice-versa, mas dar maior amplitude em posse a Pizarro, para que este mostre as competências e o critério em progressão, aliás a equipa funciona melhor sem dupla atrás, ou seja, N’Zonzi e Pizarro apagam-se mutuamente, sendo que o plantel conta ainda com Geis para alinhar em zonas de recuperação. É pena que Pizarro esteja a mostrar-se apenas na sua vertente defensiva nos andaluzes. A sua desfaçatez em posse poderia desequilibrar ofensivamente e Berizzo não terá ainda compreendido que pode fazer isso com os jogadores que tem à sua disposição no miolo, mesmo que enquadre Pizarro como pivot no processo defensivo, pode inverter posições em construção, como acima referenciamos, puxando Banega para o meio e Pizarro para interior.

No México ficou realmente conhecido pelas suas capacidades como médio de contenção, no entanto a liga mexicana é bastante mais ‘rotativa’, permite aos médios envolverem-se de forma mais evidente na construção, como facilmente se nota no Bom Futebol deste argentino.

FEDERICO VALVERDE

Em mais uma época bastante aquém do esperado, o Deportivo Corunha tem no uruguaio Federico Valverde um dos bons tons do seu futebol.

Valverde tem somente 19 anos, alinha no miolo e passou por vários pequenos clubes ‘charruas’ antes de chegar ao Peñarol, onde o Real Madrid o contratou por cinco milhões de euros, em 2016. Depois de uma temporada no Castilla, Valverde é cedido aos galegos, onde tem passado pelas várias posições do miolo, na transição, na criação, como interior, é um jogador de arranques, desrespeita – positivamente – os adversários, avança sem medo e já foi requisitado por Tabarez para a selecção principal do Uruguai. Tem toques a fazerem lembrar Bruno Fernandes, pela imprevisibilidade, a forma como sabe driblar curto e desembaraçar-se de oponentes em espaços curtos, falta-lhe uma maior noção de equipa, primordial especialmente para um centrocampista.

PAULINHO

Paulinho é mais uma constatação de que nem sempre o caminho é mágico, aberto e claramente definido. Sem formação forte, o médio brasileiro deixou o Audax pela liga lituana aos 18 anos, estávamos no ano de 2006, passou depois pelo LKS Lodz da Polónia e não havia meio de agarrar lugar no Audax.

Em 2010 Paulinho chegou ao Corinthians, no ano seguinte estreava-se na selecção e em 2013 os paulistas encaixam perto de 20 milhões de euros com a mudança do médio para o Tottenham. Do nada chegava um talento trabalhador ao topo do futebol, uma história que parece saída de um livro de contos de fadas.

Paulinho volta a desafiar os ‘especialistas’ com a ida para a China, Scolari apostou nele, reconheceu-lhe talento nos pés e na cabeça, e Paulinho respondeu sempre e em cada momento, coleccionando títulos no Evergrande e chegando agora ao Barcelona por 40 milhões de euros, novamente sob uma névoa de dúvidas, que rapidamente dissipou.

Tite não o dispensará do Brasil no Mundial de 2018 e também Valverde conta com Paulinho para propulsionar o meio-campo ‘culé’, que pretende recuperar o título espanhol.

Vencedor da Libertadores com o Corinthians, da Liga dos Campeões Asiáticos com o Guangzhou Evergrande, Paulinho pode tornar-se no primeiro a conquistar a ‘Coroa Tripla Continental’, caso ganhe a Liga dos Campeões Europeus.

Se Maxi Gómez, abaixo desenvolvido, poderá ser um negócio da China para o Celta, transferido por mais de cinco vezes o valor pago pelos galegos no Verão passado, Paulinho foi um real achado para o Barcelona e está a valer cada cêntimo pago pelos catalães para o resgatarem da Superliga chinesa.

Paulinho é a estrela de entre os debutantes da Liga Santander 17/18, a superar todas as expectativas no relvado! Um médio completo, de fazer inveja aos mais mediatizados do planeta neste ‘Belo Jogo’, com Bom Futebol da ponta dos cabelos a cada chuteira que orgulhosamente calça.

AMATH NDIAYE

Polivalente avançado senegalês, Amath Ndiaye tem 21 anos e na temporada passada brilhou nas Canárias com a camisola do Tenerife.

A entrada em Espanha faz-se pelas camadas jovens do Atlético Madrid, onde brilha nacionalmente e na UEFA Youth League, mas a estreia sénior com o Tenerife foi um real assombro, ajudando a formação canária a atingir os play-off de acesso à Liga Santander antes deste regresso a Madrid, agora para alinhar no Getafe.

Driblador africano, Amath ainda não teve no Getafe a chance de se mostrar ofensivamente na plenitude, porém está dentro da boa época que Pepe Bordalás está a conseguir, numa formação bastante compacta e muito focada defensivamente.

Tem sido o jogador humilde e abnegado que Bordalás pretende, dando tudo pela equipa, mas ainda sem o brilho que exibiu no Tenerife. Ainda vai ‘explodir’ durante a temporada, usando uma daquelas jogadas de ‘parar o trânsito’.

JONATHAN CALLERI

Associado ao Flamengo, veremos se Calleri fica no Las Palmas muito mais tempo, contudo é um avançado de qualidade(s) inegável(is). Formado no All Boys, Jonathan Calleri mudou-se para o Boca Juniors em 2014 e o seu passe rumou ao ‘barriga’ uruguaio Maldonado, cedido ao São Paulo, onde ficou ídolo, e ao West Ham, sem grande sucesso – mal aproveitado por Bilic, até chegar agora às Canárias para representar o Las Palmas. Seis golos é o seu pecúlio nos insulares, exibições interessantes e olheiros em acção a cada encontro, sendo bastante referenciado nas ‘Américas’, quer no Brasil, quer no México e nos EUA, onde foi igualmente associado a clubes.

Calleri tem 24 anos e está fadado para chegar à principal selecção argentina e somar muitos golos na sua carreira. Necessita de técnicos que o compreendam e moldem a equipa de forma a que o jovem dianteiro coloque os seus talentos em campo e todos ganhem com isso.

Calleri tem uma bela noção de área, mexe-se bem, sabe desmarcar-se e fugir à marcação para surgir sozinho em zona de finalização, dá-se bem nos espaços, ou seja, face a uma defesa subida, mas igualmente dentro da área e em fechos de primeira, como se pede a um ponta-de-lança. No West Ham perdeu índices de confiança face à escassa utilização, chamado em vários encontros, contudo poucos minutos, sem tempo para sequer se integrar nas dinâmicas ofensivas da equipa. Não é por sua culpa que o Las Palmas se encontra em último lugar na Liga Santander, tem Bom Futebol para muito mais.

MAXI GÓMEZ

Paysandú no Uruguai produz mais um craque. Depois de Gargano, do ‘cão’ Arevalo Rios e do fabuloso Lodeiro, Maxi Gómez promete fazer abanar as primeiras páginas da imprensa com os seus golos.

Gómez tem 21 anos e fez-se no Defensor Sporting, onde o Celta Vigo o resgata pela módica quantia de quatro milhões de euros. Aludimos ao seu potencial e para que estivessem atentos ao que iria produzir na Liga Santander no início de temporada e o seu Bom Futebol já rendeu oito golos e duas assistências na Liga pelos ‘celestes’.

Tal como com Calleri, dado como certo no Flamengo para 2018, também Maxi Gómez já foi indicado pela imprensa espanhola como acordado com os chineses do Beijing Guoan por uma verba entre 20 e 25 milhões de euros. A confirmar-se, Maxi Gómez será uma grande perda para a Liga Santander, todavia um excelente negócio para o Celta, que num espaço de cinco meses encaixa mais de cinco vezes o que despendeu na sua contratação. Até por estas iminentes saídas, faz sentido realçar o desempenho destes avançados debutantes na liga espanhola.

Bom Futebol mantém-se na sua linha diferenciadora e aprofundada!

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