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Bailes de Debutantes, um Nico de Carlitos Ekstraklasa entre os centro-europeus

Bailes de Debutantes, um Nico de Carlitos Ekstraklasa entre os centro-europeus

Quem nos acompanha sabe a nossa opinião sobre a Ekstraklasa, a liga polaca, claramente subvalorizada a todos os níveis face à qualidade de jogo que ali se observa – e que facilmente se pode analisar, os encontros podem ser acompanhados gratuitamente online em quase todo o mundo devido a um acordo entre a Ekstraklasa e a plataforma Dailymotion.

Bom Futebol é uma linha que ali se vê facilmente, mesmo que bem mais físico, comparativamente com o futebol ibérico, seja pelos talentos locais ou através dos recrutas que vão chegando à Ekstraklasa oriundos de todo o mundo.

Outra característica relevante da Ekstraklasa, que se estende a outras ligas centro-europeia, é a fácil aposta nos jovens ainda em idade formativa, sendo normalíssimo verem-se adolescentes de 16 e 17 anos em estado de plena afirmação, acabando vários deles logo transferidos para campeonatos de maior dimensão – alguns com sucesso, outros nem tanto, na medida oposta desta, face a uma maior renitência em dar tempo sustentado a esses jovens, como se observa em nomes como o excelente guardião Dragowski ou o goleador Kownacki.

TOMASZ LOSKA

Há pouco mais de um ano o guarda-redes Loska estava no terceiro escalão polaco e não imaginaria que meses depois iria brilhar no histórico Gornik Zabrze e atingir os sub21 da Polónia.

Aos 19 anos o Bom Futebol de Tomasz Loska era visível no terciário Nadwislan Gora. O clube acabou por descer à 3.Liga, quarto escalão, porém Loska muda-se para o Rakow Czestochowa, que havia ficado à porta da subida. Titularíssimo, fecha a primeira volta com 15 golos sofridos em 19 encontros e sete partidas ‘limpas’, saltando da 2.Liga para a 1.Liga, onde reforça os quadros de um dos clubes com mais história na Polónia, o Gornik Zabrze.

O propósito era regressar à Ekstraklasa e Loska chega ao clube com este em 8.º lugar no segundo escalão. O jovem guarda-redes soma mais sete partidas ‘virgens’ e é figura vital no retorno do Gornik Zabrze à LOTTO Ekstraklasa, fechando a Nice 1.Liga na 2.ª posição.

As duas derrotas a fechar a parte inicial da LOTTO Ekstraklasa colocaram o Gornik Zabrze em 2.º, depois de liderar boa parte deste início de época, contudo Loska ganhou mesmo estatuto, situação que o catapultou para a selecção de sub21.

Apesar de não ter ainda uma técnica muito apurada no agarrar das bolas, bloca imensas, Loska tem uma presença e velocidade de saída em mancha notáveis para um guarda-redes de formação ‘amadora’, que há um ano atrás alinhava numa terceira divisão, percebendo-se que possui um potencial de afirmação e evolução muito grande. Uma surpresa!

PLAMEN KRACHUNOV

Na LOTTO Ekstraklasa é comum verem-se futebolistas de outros países do antigo bloco Leste, como é o caso de Krachunov, um central búlgaro de 28 anos que, a certa altura, pareceu ter Bom Futebol para atingir a selecção, contudo foi perdendo espaço no CSKA Sófia e resolveu emigrar a meio da temporada 15/16. Nos escoceses do St. Johnstone também não jogou muito, mas recuperou tempo de jogo na época passada ao serviço dos cipriotas do Ethnikos Achnas, de onde chegou no último Verão para reforçar o campeão da 1.Liga Sandecja Nowy Sacz.

A equipa já esteve melhor na época e Krachunov continua a ter alguns excessos de dureza, é um ‘filho’ em dupla de centrais, ou seja, apesar de ser forte na marcação, necessita de um líder ao seu lado e seria uma solução potencialmente interessante numa linha de trás a três, não como três defesas, mas pensando em três centrais, pois não se imagina Krachunov com saída.

ADNAN KOVACEVIC

Já Kovacevic é outra história, tem Bom Futebol para ser central ou médio, sabe sair a jogar, vem evoluindo de forma sustentada e afigura-se como potencial solução defensiva bósnia na próxima década. Com 24 anos, Adnan Kovacevic ainda não atingiu o seu cume evolutivo e o Korona Kielce na LOTTO Ekstraklasa parece ser meramente mais um degrau rumo a ares mais competitivos.

Aos 17 anos estreou-se na primeira equipa do NK Travnik, onde foi solidificando posição até ser titular indiscutível aos 19 anos e se mudar para a capital a representar o FK Sarajevo, já depois de atingir a selecção de sub21.

Infelizmente, na época passada, sofreu uma grave lesão nos ligamentos cruzados, apenas regressando aos relvados, de forma definitiva, em Abril. A mudança para a Polónia tem-se revelado bem positiva, com Kovacevic a se afirmar no eixo defensivo do Korona Kielce.

Rápido na chegada à bola, com muita boa antecipação e timing de corte, Kovacevic tem jogo para alcançar patamares de eleição.

SASA BALIC

Também da antiga Jugoslávia chegou à LOTTO Ekstraklasa Sasa Balic, montenegrino, esquerdino, tem 27 anos de Bom Futebol agora ao serviço do Zaglebie Lubin. Aos 17 anos estreou-se nos seniores do OFK Belgrado, mas Balic queria experimentar as várias ligas da ex-Jugoslávia e alinha pelo Inter Zapresic croata durante três épocas. Segue-se a experiência ucraniana no Metalurh Zaporizhya. Em 2015 rumou ao ‘Europeu’ ASA Tirgu-Mures da Roménia para ter os primeiros encontros de Liga Europa.

A estreia na Bósnia-Herzegovina faz-se no FK Sarajevo na temporada passada, mas a mudança do defeso foi inesperada. Balic assinou pelos ‘Ferroviários da Transilvânia’, o CFR Cluj-Napoca, no início de Julho, mas no final do mesmo mês trocou os romenos pelos polacos do Zaglebie Lubin, onde tem alinhado entre a lateral esquerda numa linha de quatro atrás e a ala esquerda numa defesa a três, onde se encaixaria muito bem igualmente, onde garantiria profundidade pela esquerda, numa ideia mais ousada de jogo.

Defesa esquerdo ou central, Sasa Balic é polivalente e brilha nos clubes onde passa e na selecção do Montenegro, onde é figura desde os sub17, sendo um elemento de valia para qualquer plantel face à panóplia de soluções que oferece.

Na habitual tradição balcânica, Balic é muito mais do que um defesa, sabe jogar no meio ou à linha, é forte na marcação, sabe sair em posse, mas não tende a complicar, procura a eficiência acima de tudo.

EMIL DILAVER

Internacional jovem austríaco, Dilaver faz parte dos muitos milhares de refugiados que fugiram da Jugoslávia durante a separação das várias repúblicas e as guerras civis que eclodiram. Nasceu em Tomislavgrad, no ocidente da Bósnia-Herzegovina, em 1991, detém cidadania bósnia, mas rumou com a família para os Alpes austríacos, onde cresceu.

Foi no bairro de Penzing, em plena Viena, que Dilaver deu os primeiros pontapés federados na bola, pelo Red Star Penzing, passando aos 10 anos de idade para a academia do Áustria Viena. Em 2007 e em 2008 foi campeão austríaco de sub17 pelos ‘Violett’. Aos 17 anos estreia-se no futebol sénior cedido pelo Áustria ao Wienerberg do terceiro escalão, numa temporada partilhada entre os sub19 da academia e o pequeno clube de Viena.

Em 2009/10, ainda com idade júnior, faz uma época plena na ‘B’ do Áustria, nessa temporada a alinhar na Erste Liga, segundo escalão austríaco e o seu primeiro ano sénior divide-se entre os treinos e alguns desafios na primeira formação e a confirmação na ‘B’.

2012/13 foi ano de explosão do Bom Futebol de Dilaver nos ‘Violett’, que ajuda na conquista do tão almejado campeonato; ele que é um lateral ofensivo, possuidor de dotes técnicos acima da média, que adora atacar e enervar adversários, perfeito para fazer todo o flanco direito.

Em 2014 opta para deixar o Áustria e ruma à vizinha Hungria para ser campeão, duas temporadas depois, pelo ‘Fradi’, o histórico Ferencvaros. No recente defeso realiza nova mudança de ares e viaja da Hungria para a Polónia, onde quererá por certo repetir os sucessos conquistados nos anteriores emblemas. No Lech Poznan Dilaver volta a ser orientado por Bjelica, que havia estado ao leme do Áustria Viena na temporada 13/14, até Fevereiro de 2014, mas o antigo médio internacional croata está a apostar no austríaco como central e o Lech Poznan chega à pausa invernal como vice-líder da prova e com claras ambições de título.

Quando já se viu a capacidade ofensiva e técnica de Dilaver, pode dizer-se que Bjelica quer mesmo um central com saída de bola, até porque tem o miúdo Gumny em grande estilo na lateral direita, 19 anos de potencial a explorar em pleno com este menino formado no Lech Poznan, aproveitando o croata a versatilidade e experiência de Dilaver, de 26 anos, para projectar ainda mais o Lech ofensivamente e dar-lhe equilíbrio defensivo.

DRAGOLJUB SRNIC

Sérvio, feito no Macva Sabac natal, Srnic é um médio de classe, gémeo de Slavoljub Srnic, extremo ainda no Estrela Vermelha, para onde rumaram aos 16 anos.

Em 2013 Dragoljub leva o seu Bom Futebol para o miolo do Cukaricki e ajuda o clube a subir da Prva Liga para a Superliga sérvia, onde se afirma em qualidade, na leitura de jogo, no posicionamento, a integrar-se muito bem nas manobras ofensivas da equipa, com boa visão e passe.

Esta época Srnic chegou à LOTTO Ekstraklasa, onde procura afirmar-se como pêndulo no Slask Wroclaw. Aos 25 anos Srnic ainda tem margem para crescer, mas ao antigo dianteiro internacional polaco Jan Urban, corrente técnico do Slask, pedir-se-ia que potenciasse melhor as qualidades do sérvio, excessivamente limitado defensivamente pelo técnico e a ter algumas dificuldades em ganhar a titularidade apesar de mostrar-se mais-valia quando está no terreno.

PATRYK KUN

Baixinho, capaz de driblar a dois pés, Kun evoluiu em equipas de menor dimensão. Surgiu aos 16 anos nos seniores do Vegoria Wegorzewo, onde alinhava com o irmão Dominik, dois anos mais velho. Foi contratado pelo Stomil Olsztyn, mas teve dificuldades em ganhar tempo de jogo na primeira equipa, frágil, jovem, o que lhe foi possibilitado no Rozwoj Katowice do terceiro escalão, que ajudou a subir, já depois de ter abandonado o Stomil e após recuperar confiança no local Vegoria.

Kun regressa ao Stomil Olsztyn em 2015 para se afirmar na plenitude com seis golos e nove passes na 1.Liga, cedido pelo Rozwoj, que agora o emprestou ao Arka Gdynia, para a estreia do ala na LOTTO Ekstraklasa. Vai ganhando confiança num nível ao qual não estava habituado, com defesas mais fortes, mas seria interessante vê-lo a alinhar como lateral-ala numa linha de três atrás, pode ser a sua posição ideal, partindo um pouco mais de trás.

MARTIN POSPISIL

Na pausa invernal da LOTTO Ekstraklasa, o Légia Varsóvia leva dois pontos de vantagem sobre um trio, o Gornik Zabrze, o Lech Poznan e o Jagiellonia Bialystok, onde está o médio ofensivo checo Pospisil e um Bom Futebol perfumado nos pés e na cabeça.

Médio ofensivo completo na boa tradição da Europa Central, Pospisil é capaz de tudo, formou-se no Sigma Olomouc, onde a afirmação apenas chegou aos 20 anos, depois de uma cedência ao Fotbal Trinec.

Pospisil rapidamente captou os olhares de emblemas de maior dimensão e mudou-se para o Viktoria Plzen, porém não se adaptou e regressou a Olomouc, cedido, deixando de seguida Plzen para rumar ao Jablonec, onde faz três épocas a encher o campo de magia, com maior liberdade criativa, pouco esmorecendo apesar das várias alterações técnicas no clube.

No Jagiellonia Bialystok é uma das faces ofensivas da equipa, a competir com o jovem Swiderski pelo lugar atrás do avançado-centro, numa época que está a ser muito bem conseguida até ao momento pelo clube. A versatilidade do checo Pospisil possibilitaria a Mamrot colocá-lo na dupla de médios centro, onde a ideia é mais de destruição do que de construção, mas ultimamente Pospisil tem sido relegado para o banco, funcionando como alternativa directa a Swiderski, este um avançado que joga no apoio a Sekulski.

NICO VARELA

Hispano-uruguaio de 26 anos, Nico Varela andou pelos escalões secundários espanhóis sem grande nota, Múrcia, Cádiz, UCAM Múrcia, Almería, ganhando finalmente espaço afirmativo e tempo de jogo pleno no segundo escalão helénico, ao serviço do Zakynthos.

Em 2015 Varela ruma ao Botev Plovdiv, continua o processo afirmativo, com qualidade, contudo volta à Grécia para ajudar o Larissa a regressar à Superliga, onde alinha na temporada passada.

Varela chega agora ao Wisla Plock, onde já soma seis tentos. Exuberante, é um médio ofensivo com golo, tendencialmente a surgir bem desmarcado em zonas de finalização, não é o ‘10’ de pensar e criar, antes um integrador de dinâmicas ofensivas com boas movimentações rumo à área e à baliza.

CARLITOS LÓPEZ

Tal como Nico Varela, o espanhol Carlitos López não conseguiu vingar no futebol ‘caseiro’, Torrellano, Ontinyent, Fuenlabrada, Novelda, Eldense e, já aos 26 anos, Villarreal ‘B’, com passagens por S. Petersburgo no secundário Petrotrest e pela primeira cipriota no Aris, a exibir Bom Futebol de goleador nos escalões secundários espanhóis, confirmado em pleno nesta mudança para o Wisla Cracóvia, onde se vai coroando como rei, são 15 golos já obtidos!

Carlitos pode alinhar como avançado ou como médio ofensivo, no meio ou a partir da linha, revelando uma codícia pelas balizas adversárias pouco comum num futebolista da sua idade e sem oportunidades ao mais alto nível. O que tem mostrado na LOTTO Ekstraklasa coloca-o sob olhares de ligas mais mediáticas, desde a Holanda até à Dinamarca, Bélgica ou Alemanha, um feito digno de nota para um futebolista que até há uns meses atrás tinha carreira essencialmente realizada na IIB espanhola. Agora é a Europa uma das metas.

ARMANDO SADIKU

O líder da LOTTO Ekstraklasa, Légia Varsóvia, despendeu 750 mil euros para contar com o potente avançado albanês de potencial reconhecido há anos, desde os seus tempos nas selecções jovens da Albânia.

Sadiku surgiu no Turbina Cerrik. Aos 18 anos marcava golos em catadupa no Gramozi e na época seguinte, 10/11, mantém esse perfil no Elbasani. Segue-se o secundário suíço Locarno, onde aponta 19 golos na segunda temporada e muda-se para o Lugano, onde sobe a fasquia para 20 golos na Challenge League, segunda helvética e no Inverno 13/14 troca o Lugano pelo FC Zurique, com mais golos do que as oportunidades dadas, escassas para as suas demonstrações. Ruma ao Vaduz na segunda metade de 15/16 para ajudar à manutenção do clube, acabando por descer o FC Zurique, inesperadamente, nessa mesma temporada – um ‘castigo’ pela falta de visão para aproveitar o pujante avançado.

Na temporada passada desce com o FC Zurique, mas volta ao Lugano para 2017, de novo na Superliga, chegando com o clube na luta pela permanência (em 8.º/9.º) e ajudando-o a atingir o pódio! A mudança para a Polónia está a ser com menos minutos do que antecipado, contudo Sadiku soma dois golos e quatro assistências, nada mau para uma alternativa ao ataque, que até iniciou como titular, mas perdeu espaço. Tem Bom Futebol.

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