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Betis de Sevilha – Dos Sonhos de Grandeza À Estabilidade da Humildade!

Betis de Sevilha

Betis de Sevilha – Dos Sonhos de Grandeza À Estabilidade da Humildade! – A Economia do Golo

Um Sonho de um Só Homem!

Uma das grandes recordações do futebol do país vizinho nos idos anos 90 é o Bétis de Sevilha.

O Bétis do galopante extremo nigeriano Finidi George, do potente remate do lateral croata Robert Jarni, ou das “chutarias brancas” do avançado Alfonso Pérez que fazia do golo a sua profissão!

Era o tempo em que o clube era o sonho do seu presidente, e accionista maioritário, Manuel Ruiz de Lopera, que em 1992 houvera salvo o clube andaluz da bancarrota, ao adquirir a maioria das participações sociais.

E tal seria conducente a esse Betis desejoso de se afirmar como a grande potência do futebol andaluz, ultrapassando o arquirival Sevilha, e simultaneamente afirmar-se como um clube a ter (muito!) em conta no panorama futebolístico espanhol.

O Bétis do Denilson….

Para isso, o empresário e dono do clube não olhou a meios, chegando a ostentar o título da contratação mais cara do futebol mundial até à data. Quem não se lembra do extremo brasileiro Denilson, um homem de um repertório técnico único, e que custou ao clube, em 1998, a quantia de 32 milhões de dólares, que à taxa actual, e em euros, equivalem a cerca de 26 milhões de euros? Refira-se que esta transferência, passados 20 anos, é, ainda hoje, a quarta transferencia mais cara, de sempre, do futebol canarinho para o exterior.

Porém, tal seria o primeiro sinal de desmandos financeiros que quase conduziriam a equipa rumo ao abismo…o mesmo abismo, que antes tinha sido evitado pelo presidente.

E poderia ser simbolizado pelas constantes lesões da estrela contratada… na sua irregularidade exibicional… na sua incapacidade de se tornar rentável… numa certeza que o negócio fora mediático, dispendioso e acima de tudo pouco rentável!

Ora, tal falta de rentabilidade, consubstanciada na cada vez menor liquidez dos seus cofres, seria uma realidade com que o clube haveria de lidar nos anos subsequentes, perdendo o fulgor que Lopera tanto pretendia que o clube ostentasse.

A Queda de um Visionário!

Como consequência, na temporada de 2008/09, chegar-se-ia a um infeliz desenlace. A equipa “verdiblanca” desceu de divisão e a liderança de Lopera era cada vez mais contestada, também pelo facto de começarem a “vir a lume” os problemas judiciais em que se encontrava envolvido.

Ficou, por esta altura, na história uma manifestação com 60000 adeptos, denominada de “Yo Voy Betis”, em que, em uníssono, e com o pretexto de festejarem o último título conquistado pelo clube (a Taça do Rey de 2005, frente ao Osassuna), pediram que Lopera vendesse os 54% das acções de que era detentor. E se não aparecesse nenhum interessado, existia mesmo a ideia de os adeptos unirem-se assumirem o controlo do clube!

Porém, o presidente e dono resistiria…pelo menos até 2010, quando já acossado pela justiça de modo inapelável, e com o clube “dono” de um passivo na ordem dos 90 milhões de euros, resolveu vender 91% do total das suas acções.

Traduzindo para o quadro societário, tal representou a libertação de 51% do capital social, algo que posteriormente seria mais uma fonte de problemas para o clube.

Um Processo que em vez de Resolver, Complicou!

Com efeito, o processo da venda das mesmas à Bitton Sport foi pleno de irregularidades, tal como a Liga de Juristas Béticos denunciou (falamos de um conjunto de advogados afectos ao clube) o que conduziu a só em meados de 2017 as partes chegassem a um acordo, que passou pela aceitação das partes que 51,34% do pacote social ficassem na posse do clube, que as colocou à disposição dos seus sócios desde os 120 euros por título.

Refira-se que este conflito levou a que o clube entre 2010 e 2015 fosse administrado judicialmente, e que, em 2014, voltasse à “Liga de Plata”, ou seja à Segunda Liga espanhola, num momento em que o negócio supracitado encontrava-se embargado.

Contudo, o clube haveria de regressar novamente ao escalão principal e, como resultado da falta de dinheiro, com uma nova filosofia que passava pelo aproveitamento ao máximo dos seus recursos próprios.

Uma Nova Política, Uma Nova Aposta! (1)

Surge, pois, o manancial de oportunidades proporcionadas pela cantera!

Esta aposta, aliada à resolução do problema judicial já aludido, traduziu-se na “descoberta de um novo mundo” pelo clube.

Mundo esse que começou a fazer sentido quando o jovem e muito talentoso, Dani Ceballos, assinou pelo Real Madrid, no passado defeso – e após consagrar-se como o melhor jogador do Campeonato Europeu de sub-21 – por 16,5 milhões de euros. Um produto do viveiro que demonstrou que o “ouro” estava fácil de encontrar e sem “peneirar” muito!

E que tal aposta, poderia ser o futuro de um clube que, finalmente, percebeu que pode seguir os passos do vizinho que, desde que descobriu Monchi (hoje, director desportivo da Roma) cresceu para uma dimensão europeia.

Assim, nomes como o médio Fabian Ruiz, formado no clube e já avaliado em 15 milhões de euros, ou o lateral Junior Firpo são a certeza que a aposta na “prata da casa” é a mais acertada para um clube que não tem os recursos dos colossos que coabitam consigo no campeonato.

Uma Nova Política, Uma Nova Aposta! (2)

Além disso, os andaluzes resolveram seguir as directrizes de quem não quer dar “o passo maior do que a perna”, no que tange ao mercado.

Assim, passaram a apostar em atletas de valor mas incapazes de se afirmarem em equipas de dimensão superior (Christian Tello que, inclusivamente passou pelo FC Porto, ou Joel Campbell, que passou pelo Sporting), bem como em talentos de escalões secundários, ainda não descobertos. Neste item, temos de destacar , o ponta de lança, Loren Moron, contratado a custo zero ao Marbella, para ser lapidado na “filial” do clube, e cuja aposta, na presente temporada, já rendeu cinco golos em nove desafios.

Esta política é, pois, a certeza do futuro da equipa…a certeza que não interessa apostar milhões em investimento de risco…às vezes o êxito mora em casa, ou pelo menos, perto de nós!

A Economia do Golo

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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