-- ------ Um Campeonato do Mundo para eliminados? Uma verdadeira bomba...
Bom Futebol

Um Campeonato do Mundo para eliminados? Uma verdadeira bomba…

Campeonato do Mundo

UM CAMPEONATO DO MUNDO PARA ELIMINADOS? UMA VERDADEIRA BOMBA… – A Economia do Golo

QUANDO A FANTASIA É PERCUSSORA DA REALIDADE…

Um livro bastante interessante e que recentemente li, apesar de estar no domínio da fantasia, foi um denominado “Yankee 46”.

Apesar de ser escrito em italiano, por Enrico Varrecchione, um jornalista italiano do site digital Mondo Futbol, relata uma situação fantástica de um hipotético campeonato mundial, disputado nos Estados Unidos, para reabilitar o mundo a seguir ao pós Segunda Grande Guerra.

Até aqui, a trama parece não se entrecruzar com a realidade que vamos apresentar, mas se dissermos que a competição em que entravam dezasseis equipas previa dois torneios: o torneio para o título de campeão mundial (que atento à nacionalidade do autor, obviamente foi vencido pela squadra azurra, ainda que naquele tempo tal fosse possível, atento à base da equipa ser “Il Grande Torino” que desapareceu na colina de Superga três anos depois, e para cúmulo da ironia presente, numa final jogada perante a Suécia do trio Gre-No-Li, que fez fama e fortuna no Milan) e o torneio, onde os derrotados da primeira fase lutavam por um título de consolação para permitir aos americanos disputarem mais jogos, divulgarem a modalidade e com as receitas pagarem as despesas do torneio.

A título de curiosidade, Portugal também aparece mencionado como participante, tendo como base os inolvidáveis “Cinco Violinos” tendo perdido com a Argentina no primeiro jogo, no prolongamento, e no torneio de consolação com a Bélgica, após uma arbitragem em que os nossos compatriotas ficaram com bastantes queixas.

A REALIDADE….

Apesar de estarmos no domínio da ficção, nos últimos dias, a leitura deste livro voltou a entrar no meu subconsciente.

Tal deveu-se à proposta da Federação Americana de Futebol em acolher um Campeonato Mundial para as selecções eliminadas, tal como naquele torneio quimérico que relatamos anteriormente.

Efectivamente, para os americanos foi um rude golpe ficar de fora da principal competição futebolística à escala mundial. Aliás, desde 1990 não falhavam a participação no evento e chegaram mesmo a causar dissabores à selecção das Quinas, como ocorreu em 2002 e 2014. Aliás, tal malogro poderá colocar em causa, inclusivamente, a afirmação do soccer, que aos poucos vinha-se afirmando como modalidade de referencia no país do Tio Sam.

Porém, tal hipótese poderá ter algo de revolucionário, atendendo às selecções que ficaram de fora do Mundial russo: desde logo a Itália, que surpreendentemente foi eliminada pela Suécia. Mas, também, a Laranja Mecânica, ou o vencedor da Copa América, o Chile, Gales, que foi semi-finalista do último Mundial e que conta nas suas fileiras com Gareth Bale,ou as Irlandas com os seus fantásticos adeptos e ainda as Black-Stars do Gana, tornando o torneio em algo de muito atraente aos olhos de espectadores, patrocinadores e operadores televisivos.

O PROBLEMA ESTÁ NA FIFA

Porém, não se pense que esta fantasia será fácil de se concretizar.

O vencedor do Mundial recebe da FIFA cerca de 32,5 milhões de euros, sendo que os direitos de transmissão televisiva da principal prova mundial de futebol ascendem a biliões de euros. Aliás, fruto disso, alguns magnatas como o Presidente do Paris Saint-Germain e accionista maioritária da cadeia de televisão desportiva BeIn Sports encontra-se sob investigação.

Assim, tal prova poderia causar um verdadeiro terramoto nas instâncias do futebol mundial.

Desde logo, pela divisão de interesses da competição a acompanhar. Óbvio, será que italianos, holandeses ou qualquer outro adepto de futebol de uma selecção não apurada para a Rússia não olhará para a prova com o mesmo interesse, encantamento ou fascínio… mas, é a prova que desde 1930 prende a emoção e entra na história.

Será que a FIFA estaria na disponibilidade de correr o risco da perda de biliões de euros, da perda de biliões de telespectadores, da perda de patrocinadores para aceitar a realização de um torneio oficioso?

E os clubes aceitariam de bom grado mandar os jogadores para o outro lado do mundo para participarem num torneio particular, sem a obrigatoriedade do rótulo “prova FIFA”?

Efectivamente, atento aos milhões e aos activos envolvidos, custa-nos a crer que a ideia frutifique e passe do papel à prática!

NÃO OBSTANTE…

Não obstante, não se pense que a ideia, além de encontrar suporte num livro ficcional, é assim tão descabida!

A nova Liga das Nações, criada pela UEFA, irá ser uma competição com quatro divisões, com subidas e descidas. E, refira-se que o modelo agrada às federações europeias.

Além disso, em outras modalidades, para fomentar a competitividade há mundiais divididos em divisões. Falamos no nosso bem-amado hóquei em patins! O rugby, esse, nas instâncias europeias divide o famoso Torneio das Seis Nações, em duas divisões.

Tal, leva-nos a crer que, futuramente, até para estimular a competitividade no futebol mundial e para evitar verdadeiras “degolas dos inocentes” na principal prova do futebol mundial, que tal possa ocorrer…

Mas, devidamente estruturado pela FIFA, com o beneplácito de todas as federações presentes e com regras bem definidas… não, escolhendo as equipas só pelo seu nome ou atractividade…

A Economia do Golo

 

Autoria: Vasco André Rodrigues – A Economia do Golo

Deixe o seu comentário

bomfutebol