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Campeonato Europeu de Sub-21 – Final – Alemanha vs Espanha

Campeonato Europeu de Sub-21 – Final – Alemanha vs Espanha

O Estádio de Cracóvia recebeu a grande Final do Campeonato Europeu de Sub-21 de 2017. Alemanha e Espanha defrontaram-se na capital polaca pelo ceptro de campeão europeu do escalão de Sub-21. Num estádio bem composto e sedento por Bom Futebol, o árbitro francês Benoît Bastien foi o nomeado para controlar as incidências entre alemães e espanhóis.

A Caminhada Alemã para Cracóvia

Vencedora da edição de 2009 do Campeonato Europeu de Sub-21, a Alemanha começou este Europeu inserida no Grupo C. No mesmo grupo que Itália, Dinamarca e República Checa, a selecção alemã dominou nos dois primeiros jogos. No primeiro jogo venceu a República Checa por 2-0 e no segundo jogo dominou e venceu a Dinamarca por 3-0. Com duas vitórias, cinco golos marcados e nenhum sofrido, os alemães estavam bem encaminhados para as meias-finais.

Ao terceiro, e último, jogo do grupo surge a primeira derrota. Um golo foi o suficiente para a Itália vencer a Alemanha. Com esse resultado a Alemanha terminou a fase de grupos em segundo lugar, em igualdade pontual com a Itália. Sendo o melhor segundo classificado de todos os grupos (diferença de golos marcados e sofridos de 4), a Alemanha garantiu um lugar na meia final.

Na meia final o adversário foi a Inglaterra, vencedora do grupo A. Com um empate a 2-2 no tempo regulamentar e no prolongamento, a eliminatória teve de ser decidida no desempate por penalties. A Alemanha foi mais forte e venceu no desempate por 4-3, garantido um lugar na final.

Com uma selecção recheada de jovens de grande qualidade e fome de títulos, o seleccionador Stefan Kuntz tem um variado leque de soluções para enfrentar a Espanha. Estes foram os onze jogadores escolhidos para iniciar o jogo: Pollersbeck, Toljan, Stark, Kempf, Gerhardt, Haberer, Weiser, Meyer, Arnold, Gnabry e Philipp.

Figura 1 – Alemanha estruturada em 4-2-3-1

Invicta Fúria Espanhola até à Final

Vencedora de quatro anteriores edições do Campeonato Europeu de Sub-21, a Espanha ficou inserida no Grupo B nesta edição de 2017. Juntamente com Portugal, Macedónia e Sérvia, os espanhóis ficaram em primeiro lugar do grupo ganhando todos os jogos. A prestação da Espanha na fase de grupos traduz-se em nove pontos feitos, nove golos marcados e um golo sofrido. Números que traduzem elevado rendimento.

Na meia final o adversário foi a Itália, vencedora do Grupo C. Apesar da dificuldade que a astúcia defensiva da Itália criou, Saúl Ñíguez resolveu a contenda para o lado espanhol com três golos. Com o resultado final de 3-1, a Espanha carimbou a passagem à final.

Conhecendo somente o sabor da vitória e tendo entre a sua equipa o melhor marcador da prova (Ñíguez com cinco golos), a Espanha chega à final com ligeiro favoritismo. Composta por jogadores habituados aos grandes palcos do futebol europeu, como Asensio, Ñíguez e Deulofeu, a selecção espanhola quer voltar a ser a força dominante na Europa. Com esse objectivo em mente, o seleccionador Albert Celades, fez avançar a seguinte equipa inicial: Arrizabalaga, Bellerin, Meré, Vallejo, Jonny, Llorente, Ñíguez, Ceballos, Asensio, Ramirez e Deulofeu.

Figura 2 – Equipa da Espanha no habitual 4-3-3

Alemanha mais equipa durante a primeira parte

Apesar da Espanha ter entrado mais forte nos primeiros 5 minutos de jogo, rapidamente a Alemanha soube equilibrar o jogo. Ambas as equipas com um bloco de pressão defensivo alto, foi a Espanha quem mais sentiu dificuldade em encontrar soluções ofensivas para ultrapassar esse bloco de pressão.

A primeira oportunidade de golo surgiu aos 7 minutos e foi para a Alemanha. Meyer a surgir sorrateiramente a desviar de cabeça o cruzamento de Gerhardt, com a bola a embater no poste. Cinco minutos depois respondeu a Espanha. Num lance de insistência após canto do lado esquerdo do ataque, Ceballos cruza a bola para o interior da área onde surge Bellerín a saltar mais alto que os seus adversários para o cabeceamento. Contudo o seu remate a sair ao lado da baliza.

A Alemanha pressionava alto, de forma organizada e estruturada. Adoptando um 4-4-2 quando a equipa estava sem bola, Meyer e Philipp eram os responsáveis por pressionar a 1ª fase de construção de jogo a três dos espanhóis. Weiser e Gnabry recuavam para a mesma linha de Arnold e Haberer de forma a controlar a profundidade ofensiva dos defesas laterais da Espanha. Com muita dificuldade na organização ofensiva, a Espanha só conseguia aproximar-se da área alemã em situações de contra-ataque ou ataque rápido. Contudo colocava poucos jogadores neste tipo de situações, sendo que a Alemanha demonstrou uma transição ataque/defesa muito organizada. Rapidamente conseguia colocar-se em superioridade numérica na zona da bola, assim que perdia a bola.

Gnabry, por duas vezes, ameaçou o golo da Alemanha. Aos 16 minutos, intercepta um passe de um colega com o pé direito e remata de pronto com o pé esquerdo. O remate embateu nas malhas laterais da baliza mas pelo exterior. Aos 21 minutos Gnabry teve tudo para fazer o golo num lance de confusão dentro da grande área espanhola mas o remate saiu fraco. Arrizabalaga não teve dificuldade em defender.

Foi exactamente devido à boa pressão defensiva que a Alemanha chegou ao 1-0. Após recuperar a posse de bola em terrenos mais avançados, Toljan trabalha bem no corredor direito. O defesa lateral a fazer o cruzamento para o interior da área, onde surge Weiser a cabecear (sem saltar) fazendo um belíssimo remate em arco por cima de Arrizabalaga. Aos 39 minutos e a Alemanha chegava à vantagem no marcador.

Imagem 1 – Weiser a comemorar com os seus colegas – Fonte: www.uefa.com

Pouco depois o intervalo acabaria por chegar, sem que tivesse havido mudança no marcador. Uma vantagem alemã justa tendo em conta que a Alemanha foi superior à Espanha na maioria dos primeiros 45 minutos. Como se pode verificar pela Figura 3, a Alemanha teve mais posse de bola, mais oportunidades de golo e mais remates. Conseguiu ainda ter uma maior número de passes efectuados, o que geralmente é o ponto forte da Espanha.

Figura 3 – Estatística da 1ª Parte – Fonte: www.meusresultados.com

Espanha regressa a todo o gás mas Alemanha mantém a vantagem

A perder por 1-0 a Espanha tinha que ter uma atitude diferente na segunda parte. O sinal partiu do banco com Celades a tirar Jonny Castro aos 51 minutos e a fazer entrar Gaya. Um troca directa mas com Gaya a ter capacidade para dar mais profundidade ofensiva em detrimento da maior segurança defensiva de Jonny Castro.

A alteração deu uma nova alma à selecção espanhola. Aliás nesta segunda parte vimos algo perto da “Fúria” espanhola. Ñíguez teve uma grande oportunidade de golo mas Pollersbeck defendeu o forte remate do espanhol.

A Alemanha nestes segundos 45 minutos explorou essencialmente o contra-ataque e o ataque rápido. Com a Espanha mais balanceada para o ataque, existia espaço nas costas do sector defensivo espanhol. Gnabry, aos 61 minutos ganha muito bem o espaço nas costas da defesa espanhola. Com um passe perfeito entre o defesa direito e o defesa central, Gnabry ficou cara a cara com Arrizabalaga mas o espanhol foi superior ao alemão e fez uma brilhante defesa. Na sequência do lance surgiu um canto, no qual Kempf remata de cabeça, com a bola a passar perto da baliza.

Apesar de mais posse de bola a Espanha estava a esbarrar numa Alemanha muito bem organizada defensivamente e que não se importava de jogar mais recuada. Apesar de uma postura mais recuada, a Alemanha não prescindia de atacar a baliza da Espanha. Gnabry volta a ter uma boa oportunidade, aos 66 minutos, mas o seu remate saiu por cima da baliza.

Celades faz sair  Ramirez aos 71 minutos de jogo e coloca em jogo Iñaki Williams. Uma aposta para ter uma frente de ataque mais móvel e veloz. Logo no minuto seguinte Ceballos remata com perigo à entrada da área. O remate sai fora mas muito perto da baliza da Alemanha.

Imagem 2 – Ceballos, melhor jogador do torneio, em duelo com Stark – Fonte: www.uefa.com

Nos últimos 20 minutos de jogo a Espanha conseguiu encostar a Alemanha ao seu meio-campo mas a melhor oportunidade que teve foi num remate de Deulofeu aos 75 minutos de jogo. O espanhol fez um belíssimo movimento com bola da esquerda para o centro mas o seu remate acabou por bater num defesa e a bola a sair para canto.

Mesmo com a saída de Llorente e a entrada de Mayoral, passando a jogar em 4-2-4, a Espanha foi incapaz de anular a vantagem da Alemanha. As alterações efectuadas pelo seleccionador Kuntz vieram refrescar e dar ainda maior consistência à organização alemã. Apesar da expressiva posse de bola nesta segunda parte, a equipa espanhola não conseguiu criar reais situações de golo. Aliás, na segunda parte a Espanha fez tantos remates na baliza como a Alemanha, ou seja, somente um.

Figura 4 – Estatística da 2ª Parte – Fonte: www.meusresultados.com

Figura 5 – Estatística Final de Jogo – Fonte: www.meusresultados.com

Resultado Final: Alemanha 1 – 0 Espanha

Imagem 3 – Alemanha a grande vencedora – Fonte: www.uefa.com

Com a vitória por 1-0 a Alemanha volta a ser vencedor do Europeu de Sub-21. Esta é a segunda conquista europeia da categoria por parte da Alemanha.

Uma vitória justa, visto que a Alemanha foi mais forte na primeira parte em todos os momentos do jogo, com destaque para a transição ataque/defesa que limitou bastante as acções ofensivas do adversário. Na segunda parte e já em vantagem no marcador, a selecção alemã demonstrou ser bastante eficaz na organização defensiva e muito perigosa nas transições defesa/ataque.

Concluído o Campeonato Europeu de Sub-21 de 2017, fica na retina a qualidade das equipas presentes. Destaque evidente para a Alemanha e a Espanha, contudo Portugal, Inglaterra e Itália deixaram bons desempenhos neste Europeu de Sub-21. O Bom Futebol europeu está assegurado para o futuro!

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