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CAN sub20 2017, a mais portuguesa das edições

A Taça Africana das Nações de sub20 apresenta o Bom Futebol africano no seu estado ainda mais puro, contudo também aqui já se nota a precoce busca do El Dorado futebolístico e Portugal nunca esteve tão representado

Zâmbia acolhe pela primeira vez a CAN para sub20 e a sucessão da mais ganhadora, Nigéria, titular em sete vezes e vencedora de 2015, está em aberto pois os jovens nigerianos falharam a qualificação. Esta edição é tão mais importante quanto qualifica quatro dos oito participantes para o Mundial da categoria na Coreia do Sul.

De 26 de Fevereiro a 12 de Março um manancial de olheiros estará nos estádios zambianos a avaliar pepitas em potencial, diamantes em bruto para moldar nas academias europeias.

Tal como a Nigéria, também o Gana (três vezes campeão), Argélia (79), Marrocos (97), Angola (2001) e República do Congo (2007) são antigos campeões sem presença nesta fase final, com claro realce para os ganeses, habituais candidatos – como a Nigéria – ao ceptro mundial. A Costa do Marfim, finalista em três ocasiões, é outro ausente de peso.

Uma das grandes favoritas ao título continental é a selecção camaronesa. Pelo caminho ficaram Zimbabwe e Líbia. Nos 21 escolhidos está Tolo, já na academia dos Seattle Sounders, Ayuk, nos Philadelphia Union, Didiba nos italianos do Perugia, Kevin Sóni nos gauleses do Pau FC, Kalvin está no Alcobendas de Espanha e Bodiong, a alinhar nos cipriotas do Akritas.

Kegne, Yindui e Ngeh são do ano de 1999.

A selecção dos Camarões arranca logo diante de África do Sul, num duelo claro de estilos. Os sul-africanos eliminaram Namíbia e o Lesoto para chegarem à fase final.

Com um naipe feito na forte liga sul-africana, há duas excepções, Luther Singh, um jovem carregado de talento, que brilhou no GAIS Gotemburgo e foi alvo de forte disputa pelo seu concurso, prevalecendo o Sporting Braga.

Também em Portugal está a outra excepção, Liam Jordan, filho de um antigo futebolista sul-africano que emigrou para a Nova Zelândia, onde Liam cresceu, agora está no Sporting CP.

Kodisang, que se estreou nos Platinum Stars a dois dias de completar 16 anos, é um dos elementos de 1999 neste lote, a par de Kubheka, Ngcobo e de Meyiwa, este nascido quatro dias antes de o virar de milénio.

No Grupo B está ainda o Sudão, a única selecção totalmente ‘caseira’. Ainda mais desconhecida, a selecção de sub20 do Sudão eliminou o Quénia depois de este ter alinhado cinco jogadores acima da idade permitida no empate a um da 1.ª mão. A desistência do Malawi permitiu ao Sudão avançar para a 3.ª ronda onde causou o maior escândalo ao eliminar a Nigéria. O Sudão perde 1-2 em casa, parecia fora da prova, mas vai à Nigéria vencer por 4-3 e eliminar os sempre candidatos.

Completa o Grupo B a selecção do Senegal. Na 2.ª ronda os jovens senegaleses bateram a Tunísia nos dois encontros, 1-2 fora e 2-0 em casa, na 3.ª deixaram pelo caminho o Gana com 3-1 em casa e derrota por 1-0 no Gana para qualificação rumo à fase final.

Diagne é um dos jovens nascidos em 1999 da selecção, tal como Niane, Guèye e Diatta.

Com muito talento, é natural a ambição senegalesa em se qualificar para a Coreia do Sul. Waly Diouf está no Valenciennes, Mamadou Diarra nos turcos do Boluspor, Miquilan no Caen e Ibrahima Ndiaye nos egípcios do Wadi Degla.

No Grupo A está o sempre candidato Egipto. A chegada à Zâmbia não foi fácil. A eliminatória diante do Ruanda apenas se decidiu através dos 11 metros depois de 1-0 favorável à selecção da casa em cada encontro. Angola foi um passeio, depois da vitória magra de 1-0 no Egipto, o jogo no sul redundou num inesperado 0-4 para o Egipto.

O ‘craquezinho’ Taher Mohamed já está em França, no Le Havre por empréstimo, enquanto Elnouby encontra-se no FC Zurique.

Os ‘faraós’ mais novos abrem a prova diante de Mali. O Mali goleou a Mauritânia, total de 7-1 nas duas mãos e venceu também o Burkina Faso, 0-0 fora e 2-0 em casa, para se apurar rumo à fase final.

O guarda-redes Samuel Diarra alinha na Cultural Leonesa, Abdoul Karim Danté está na academia do Anderlecht, Ousmane Diakité, Sekou Koita e Amadou Haidara na do RB Salzburgo, Sidiki Maiga está no Alcorcón, Djenepo no Standard Liège, Fofana no Alanyaspor.

Abdoul Karim Danté já disse às câmaras que a razão de estar no futebol é a sua irmã.

Grande parte desta selecção maliana foi vice-campeã do mundo de sub17 há dois anos no Chile, por isso são naturalmente favoritos ao título continental africano e a fazerem figura na Coreia do Sul, é uma das selecções com mais experiência europeia.

A Guiné-Conakry deixou pelo caminho Libéria, Costa do Marfim – esta pela regra do golo fora – e Gâmbia. Morlaye Sylla e Alseny Soumah foram inscritos pela primeira equipa do Arouca no início de 2017, eles que estão com a formação júnior da Freita. Também em Portugal está Naby Bangoura, parte da equipa do Vizela.

Finalmente a organizadora Zâmbia, que tem como ‘lusitano’ Emmanuel Júnior Banda, que coloca o, agora, distrital Sporting Clube Esmoriz no mapa internacional. A formação da Barrinha, a lutar com o vizinho a norte Sporting Espinho pelo regresso aos nacionais, já partilhou nas redes sociais o orgulho em ter o seu atleta na competição.

Igualmente já na Europa estão Kenneth Kalunga, nos dinamarqueses do Ikast, Mumba Mwape no Getafe e Patson Daka, a rumar no arranque de 2017 ao Liefering, clube-satélite do Red Bull Salzburgo.

Como organizadora do torneio, a selecção da Zâmbia sabe a responsabilidade que possui e o apuramento para a Coreia do Sul será o mínimo exigível aos mais jovens zambianos.

A música oficial da prova.

A entrega da bandeira aos jovens ‘Leões’ do Senegal antes da partida para a Zâmbia.

Boubacar Baba Diarra, presidente da federação de futebol do Mali, deixou uma mensagem especial aos sub20 malianos.

A confiança abunda nas hostes sul-africanas.

O mais previsível é que no final deste sub20 continental vários outros jovens rumem a academias/clubes europeus, norte-africanos ou norte-americanos, especialmente das selecções que se qualificarem para o Mundial de sub20, antecipando desta forma um natural incrementar do valor por alturas da prova sul-coreana. Muito e Bom Futebol é o que se espera da Taça Africana das Nações 2017.

 

 

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