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WSC 2017 – Caraterização dos Diferentes Mercados

Scouting - Painel 5

WSC 2017 – Caraterização dos Diferentes Mercados – Painel 5

BomFutebol esteve no World Scouting Congress que teve lugar no passado dia 27 de Novembro em Vila Nova de Gaia. Organizado pela Quest, o congresso, apresentado por João Ricardo Pateiro, reuniu algumas figuras importantes do meio futebolístico e do Scouting em particular. Foram debatidos temas diversificados com convidados de grande nível que souberam prender a atenção de uma sala completamente cheia.

O 5º painel do dia,  colocou frente a frente duas realidades muito distintas do futebol mundial. De um lado Everson Rocha, analista de mercado do Atlético Paranaense e do lado oposto, Sylvain de Weerdt que tem funções de Manager da Área Francesa da Real Sociedad. A conversa foi moderada por Sérgio Pinto, jornalista que trabalha para o Mais Futebol, e teve como principal tema a caracterização dos diferentes mercados.

Everson Rocha começou o tema por explicar que é política do clube a aposta nos jogadores formados localmente, e os números são bem explicativos dessa política. No ano 2017, 60% dos jogadores do plantel profissional foram formados na academia do Atlético Paranaense e no ano de 2016 essa percentagem era ainda maior, de 70%.

Para além desse objectivo, que é formar para integrar no plantel profissional, o maior número possível de jogadores, o Atlético Paranaense procura ter uma metodologia que prepare os seus jogadores para contextos muitos diferentes, como é o caso do Europeu. Mesmo depois dos jogadores saírem do clube, o contacto mantêm-se numa perspectiva de auxílio, quando o jogador enfrenta dificuldades numa realidade muito diferente daquela a que estava habituado.

No entanto o clube não pode apresentar patamares de rendimento de excelência apenas com jogadores que são oriundos da formação. Para ajudar esses elementos mais jovens, é política do clube, integrar nas suas fileiras jogadores com grande experiencia, que sejam um suporte ao desenvolvimento daqueles que estão a começar uma carreira profissional.

Aliada a todo um planeamento estratégico, relativamente ao futebol, o clube possui estruturas físicas do melhor que existem na América do Sul, tendo sido inclusive dos primeiros a ter um centro de treinos. Numa procura constante de melhorar as condições de treino e de jogo dos seus atletas, o clube optou por colocar um sintético de 3ª geração no seu estádio.

BRUNO PEREIRINHA E O ATLÉTICO PARANAENSE

O principal motivo, foi a constante degradação do relvado natural, por força da passagem de um rio, muito próximo do estádio, o que torna o ambiente em redor do mesmo muito húmido. Com um relvado, quase sempre em péssimas condições, os espetáculos de futebol estavam muito aquém das espectativas. Para além desse factor, a cobertura do estádio foi desenhada de tal forma, que a incidência solar sobre o relvado era reduzida, aumentando as dificuldades em manter o relvado natural. Analisando os custos e os benefícios de ter um relvado natural a directoria optou, em boa hora, na opinião de Everson Rocha, pela instalação de um relvado artificial e os resultados, na sua opinião, têm sido excelentes, já que as condições que são oferecidas aos atletas, têm proporcionado uma melhoria na qualidade de jogo da equipa.

A ida de Bruno Pereirinha para o Atlético Paranaense, deu-se muito pela razão do clube em querer despertar para uma nova realidade, uma realidade muito mais competitiva e que procura dotar os seus jogadores de ferramentas para enfrentar desafios cada vez maiores. “Nos dois anos que ele esteve no clube, deu para perceber que é um jogador com um grande conhecimento conceptual do jogo, um cara muito inteligente e que ajudou muitos jogadores a ter um entendimento táctico do jogo muito mais aprofundado. Nós no clube, cobramos muito isso dos jogadores, mas o jogador Brasileiro é conhecido por não gostar de cumprir muito, nas questões tácticas. E neste aspecto o Pereirinha, ajudou muito os nossos jogadores da importância de cumprir com alguns pressupostos tácticos do jogo.”

O Atlético Paranaense, é dos poucos clubes Brasileiros que tem a preocupação em possuir uma metodologia de treino e uma metodologia táctica, desde os escalões mais jovens até aos escalões profissionais.

Por último Everson Rocha referiu que Portugal é o país ideal para a entrada dos jogadores Brasileiros na Europa e para a sua adaptação, não só pela questão da língua, mas também pela grande qualidade do treinador Português, que tem a capacidade de melhorar o jogador Brasileiro, nomeadamente pelas questões tácticas.

O FUTEBOL DE RUA NO BRASIL

Sendo um país com 200 milhões de habitantes e em que o futebol é o desporto rei, todos os anos tem aparecido, jogadores com muita qualidade. No entanto o futebol de rua, tem vindo aos poucos a perder terreno para as novas tecnologias e para a falta de segurança, principalmente nas grandes cidades. No entanto o território Brasileiro é muito grande e continuam a existir muitos meninos que jogam futebol na rua. Com o intuito de diminuir essas carências que se vão verificando, nomeadamente da falta de segurança, o clube tem vindo a constituir escolas e academias de futebol, com o objectivo de conseguir encontrar jogadores com potencial para chegar um dia à primeira equipa.

Em paralelo à constituição de escolas, pelas diferentes regiões brasileiras, a rede de scouts tem vindo a aumentar, o que tem permitido chegar a cada vez mais jogadores.

REAL SOCIEDAD

Sylvain de Weerdt referiu que sempre foi política da Real Sociedad trabalhar com os canteranos. Para além desse trabalho interno, existem centros de formação espalhados pelas províncias que estão próximas de San Sebastian. Também esses miúdos que trabalham nesses centros de formação, são considerados canteranos, já que muitos deles encontram-se nesses centros desde as categorias mais pequenas. Um dos aspectos importantes referenciado, foi a possibilidade de integrar nas suas equipas, jogadores provenientes de França. Existem 3 possibilidades por lei para contratar um jogador estrangeiro: os pais acompanharem o jogador; o jogador ter mais de 16 anos e por último a sua zona de residência ser a menos de 30 Km do centro de formação. Esta última premissa acontece relativamente a algumas zonas de França, o que facilita a contratação de jogadores Franceses, contornando as duas primeiras premissas.

A política é clara, ter no plantel profissional o máximo de jogadores canteranos, formados pela Real Sociedad e só depois procurar colmatar com jogadores de fora, inclusive estrangeiros, aquelas posições onde não existe qualidade, na formação, para actuar na 1ª equipa.

No entanto a grande dificuldade é que não existem, assim tantos jogadores de qualidade que possam ingressar no clube de San Sebastian, já que a qualidade do jogador Espanhol é elevadíssima. Nos últimos seis anos apenas foram contratados 11 jogadores de origem Francesa, o que atesta bem, 1º da qualidade do jogador canterano e por outro lado da pouca quantidade em qualidade dos jogadores que vivem perto da fronteira com Espanha.

A competição pelos jogadores é muito grande naquela região de Espanha, já que num raio de 100 Km existem vários clubes que participam na 1ª liga Espanhola de futebol, como a Real Sociedad, Eibar, Athletic de Bilbao, Aláves. Com tanta competição entre os clubes, é fundamental que o trabalho desenvolvido seja muito bem planeado e executado, para que os atletas permaneçam e que a capacidade de recrutamento seja maior.

ADAPTAÇÃO DO JOGADOR A UMA NOVA REALIDADE

Na Real Sociedad, tem sido difícil a adaptação dos jogadores estrangeiros a uma nova realidade, já que o clube tem de lidar com mentalidades todas elas muito diferentes e os jogadores tem que lidar, também eles com uma realidade muito distinta. A língua é um dos maiores obstáculos que os jogadores tem que suprir e todos aqueles que vem de países estrangeiros, necessitam de tempo para se adaptarem. Para além dessa adaptação a uma língua diferente e a um estilo de vida diferente, o jogador que entra na Real Sociedad tem de enfrentar outro problema, a adaptação a um estilo de jogo e de treino diferentes. Nesse sentido existe uma janela de 2 anos para que o jogador se adapte a todas estas mudanças.

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