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Celta de Vigo – Quando Bater No Fundo É o Que É Preciso Para Atingir o Êxito!

Celta de Vigo – Quando Bater No Fundo É o Que É Preciso Para Atingir o Êxito! – A Economia do Golo

Momentos de Glória…Momentos de Ilusão!

Tempos houve em que a Galiza era o verdadeiro símbolo da potência do futebol espanhol…

Na verdade, tal força era caracterizada por um Super Depor, que haveria de ser campeão do país no início do milénio, em 2000, por três equipas na Liga principal (o Deportivo, o Celta e o Compostela), mais duas na Segunda Liga (Racing Ferrol e Ourense) e um Celta de Vigo inebriante, capaz de destroçar qualquer adversário nos Balaídos.

Eram os tempos dos lendários Mostovoi, Karpin, Revivo, Gustavo Lopez, entre tantos outros, que faziam a equipa celeste ser das mais admiradas do futebol europeu.

Eram os tempos de expansão financeira na Espanha e na Galiza, cujo PIB crescia com maior velocidade do que o do reino.

E essa ilusão, seria o feitiço do Euro-Celta (apodo dado em homenagem àquelas noites dos Balaídos, simbolizadas pelo goleada em 1999 ao Benfica), que investiria como se o futuro fosse previsível e fácil de tornear.

Porém, nem sempre as nossas previsões saem como pretendemos….

Assim, apesar do “acidente” em 2003/04 que despromoveria uma das equipas que melhor futebol jogava, no ano imediatamente seguinte a ter-se apurado para a Liga dos Campeões, haveria de retornar…e esse retorno simbolizaria a quase morte da equipa!

Um Clube às Portas do Fim!

Pretendendo, pois, apostar imediatamente em regressar a patamares anteriores, o investimento do clube foi superior às suas possibilidades e demasiado dependente dos resultados desportivos e dos proventos por eles gerados. Ora, sabemos que o mundo do futebol é uma álea, um risco, que podemos tentar contornar, mas que existe…e neste caso confirmou-se!

Não obstante, a equipa no seu retorno ter conseguido qualificar-ser para as competições europeias, no ano precedente voltaria a cair nos escalões inferiores., numa demonstração que era incapaz de projectar o seu futuro a longo prazo.

Na verdade, este período do clube demonstrou a falibilidade de uma navegação à vista, capaz, apenas, de pensar no momento e olvidar que todos os projectos devem ser realizados a augurar o futuro.

E tal erro, de pretender o melhor dos mundos o mais rapidamente possível, simbolizaria quase a morte do clube.

Na verdade, as dívidas amontoavam-se, não existia dinheiro para pagar aos jogadores do plantel, os adeptos perdiam a fé e a credibilidade na administração do clube e o clube esteve em vias de entrar em administração judicial com a combinação que a não obtenção de um acordo com os credores, num período de três meses, levaria à sua liquidação.

Apesar de tal ter sido conseguido, o clube haveria de “penar” na Segunda Liga até à temporada de 2011/12.

Um Click Traduzido Num Jovem…Hoje Um Ídolo!

Contudo, neste período haveria um momento marcante e que ditaria o futuro do clube até aos dias de hoje.

Estávamos em 2009, e a equipa enfrentava o Alavés. Em caso de não vitória “os Celestes” seriam novamente despromovidos, neste caso para o terceiro escalão.

Atento aos condicionalismos já mencionados, tal seria, possivelmente a morte definitiva do clube!

E a poucos minutos do fim, tal parecia provável… até que o treinador da altura, Eusébio Sacristan, olhou para o banco e apostou num jovem que haveria de salvar o clube e, simultaneamente, indicar-lhe o caminho.

Falamos de Iago Aspas, formado na cantera, e hoje o símbolo maior de um Celta rejuvenescido e que, na revista Libero, recorda assim o momento:

“No banco de suplentes, estávamos dois da equipa B, Joselu Mato (hoje no Newcastle) que tinha 18 anos e eu, com 21. Tínhamos toda ilusão do mundo em jogar, mas pensávamos que iríamos só para completar a convocatória. Com 0-0, o treinador mandou-me efectuar o aquecimento, e ao minuto 60 apostou em mim. Não tinha nada a perder e muito a demonstrar aos meus. Nunca tinha jogado com tanta gente, nem nos Balaídos, mas tudo correu bem”.

Iago haveria de marcar os dois golos da equipa, salvando-a da morte e lançaria os passos para hoje se tornar a figura maior do celtismo.

Uma Aposta Diferente…e Com Êxito!

Além disso, e mais importante de tudo, mostraria o caminho para os responsáveis do clube, que ao invés de apostarem em jogadores caros, cuja rentabilidade poderia ser, no futuro, duvidosa, passaram a olhar para os produtos da casa, bem como em atletas com forte margem de progressão.

Esta aposta seria recompensada com o retorno à Liga Principal em 2012 e com a certeza que a nova política desportiva era a de gerar mais valias com os atletas, ao invés de os receber num estado em que a sua valorização seria praticamente impossível.

Deste modo, o próprio Iago Aspas haveria de sair para o Liverpool, na época 2013/2014 por 10 milhões de euros (para depois voltar em 2015/16, quando foi adquirido por 5 milhões ao Sevilha), mas não seria o único. Poderíamos citar o jovem Santi Mina, formado no clube, e vendido ao Valencia por 10 milhões de euros, ou o marfinense Pape Cheikh, cedido ao Lyon por igual montante!

Além destes, outros talentos da cantera poderão ser rentabilizados brevemente, demonstrando a excelência da decisão. Falamos do defesa-esquerdo, Jonny, já internacional espanhol, ou do capitão Hugo Mallo, um dos primeiros a seguir a epopeia de Iago Aspas, na equipa principal.

A acrescer, o clube optou por acreditar em talentos negligenciados por clubes de maior dimensão revitalizando-os (casos de Fontás proveniente do Barcelona ou do talentoso turco Emre Mor, que não se afirmou no Dortmund), bem como perscrutar jovens atletas em mercados fiáveis, mas que ainda nação atingiram a sua máxima valorização. Os casos do dinamarquês Pione Sisto (23 anos), do sérvio Nemanja Radoja (25 anos), do eslovaco Stanislav Lobotka (23 anos), ou do ponta de lança Maxi Gomez (21 anos), todos eles cobiçados por meia Europa demonstram a certeza da política desportiva seguida.

Os Resultados Falam Por Si!

Os resultados contribuem para a demonstração do êxito destas medidas. O clube, na verdade, estabilizou-se definitivamente na liga principal e deixou de tremer nos anos em que se apura para as provas europeias.

A comprovar a fantástica prestação na Liga Europa da pretérita temporada, onde chegou às meias finais, caindo, apenas, perante o Manchester United de Mourinho e com uma bola ao poste no último minuto que teria permitido à equipa almejar a sua primeira final europeia.

Tal demonstra que a equipa descobriu o seu rumo… que te ano continua a lutar pelo apuramento europeu… e que as noites de loucura podem regressar aos Balaídos, sem que para isso se tenha que hipotecar o futuro… e a responsabilidade aliada à ambição são as melhores receitas para o êxito.

A Economia do Golo

Autoria: Vasco André Rodrigues (A Economia do Golo)

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