-- ------ “Chega de Palavras Bonitas!” - Adepto do Vitória Sport Clube
Bom Futebol

“Chega de Palavras Bonitas!” – Vitória Sport Clube

“Chega de Palavras Bonitas!” – Adepto do Vitória Sport Clube

Vivo o Vitória e sinto o Vitória, e esta paixão em palavras é pouco para o que vou tentar exprimir neste texto. Chego uma hora antes a todos os jogos, quer os veja na bancada, quer os veja no café. Não gosto de ver os jogos sozinho, por mais que seja o único Vitoriano no café onde costumo ver os jogos do Vitória. Talvez num raio de 20 KM não exista mais nenhum Vitoriano e eu seja como diz o Abel do Grupo Santiago “um doente pelo Vitória” mesmo estando longe, palavras que aprecio e agradeço, sendo elas positivas e que só renovam a minha boa doença por um Clube que o meu Pai me deu a gostar desde criança.

Nesta noite de Domingo, em que a chuva caía, comentava com o dono do estabelecimento, Sportinguista de gema, que teríamos que ganhar o jogo para continuar na disputa do 5º lugar. Cheguei uma hora antes, de cachecol no corpo e uma camisola afetuosa ao Vitória, como é normal, o que causa alguns olhares num estabelecimento onde apenas costumam entrar Benfiquistas, Sportinguistas e Benfiquistas, mas como já “sou da casa”, depressa me consigo enquadrar no meio e defender o que é meu. Não pude ir ver o jogo ao Bessa, visto que nem sempre dá, uma vez que me encontro longe. Comecei por beber o meu café e como habitualmente faço a ver o onze Vitoriano para o jogo, um onze que tinha a meu ver todas as condições para ser feliz.

Estupinan no lugar de Rafael Martins pensei eu, mas depressa compreendi que Rafael era a aposta do Pedro para substituir o Tallo que era até à data o titular na frente de ataque, talvez pelas rotinas de treino. O jogo começa e que emoção ouvir os meus cantar na televisão, como gostaria de estar ali no meio deles a fazer o mesmo. O Vitória é realmente enorme, um Clube aparte de todos os restantes em Portugal.

Vitória Sport Clube

Durante os primeiros 5 minutos chega um Senhor ao pé de mim, pergunta-me quem joga, e eu respondo naturalmente como bom Vitoriano, “O Vitória meu caro!”, questionado sobre se é o “Setúbal” respondo mais uma vez, “O Vitória Sport Clube”, ao qual acende a primeira “discussão” com a resposta do sujeito “O Guimarães?” diz ele ao qual respondo, “Quem é esse, Senhor? O Clube chama-se Vitória Sport Clube, não Guimarães, Guimarães é a cidade, aquela bonita cidade fundada em 1143 por Dom Afonso Henriques.” O Sujeito consente e segue o seu rumo, o dono do estabelecimento sorri e diz “Parece que estão a jogar em casa”, ao qual devolvo o sorriso, “Sem dúvida, quem me dera estar ali, somos realmente únicos.”

A primeira parte desenrola-se e o Vitória não consegue tomar conta do jogo, e começa o bater da perna, o levantar da cadeira e o nervoso a surgir, e penso novamente “Bem que devia ter ido ao jogo.” É intervalo, as reações vão surgindo nas redes sociais, a única forma de comunicação que tenho para com os amigos que se encontram longe e torcem pelo mesmo emblema que eu. No Café, poucos e os que estão, nem vêm o jogo e eu ali a pensar que a grandeza do Vitória em termos dos adeptos deveríamos estar a lutar por outros patamares.

Inicia a Segunda parte e o Vitória sofre o golo, o animo vai abaixo, solto a primeira asneirada. O Bom Futebol onde anda? Quem viu o Vitória unido e agora que desunião? O Vitória reage e é assinalada grande penalidade, solto o grito que percorre o Café e deixa as pessoas a olhar, mas Nuno Almeida faz questão de brincar mais o VAR e dá apenas livre, é o descalabro. Asneira atrás de asneira e a voz cada vez mais alto, é mesmo um Vitoriano que ali está, ferrenho. Chegamos perto do final do jogo, e os nossos centrais andam a trocar a bola, a falta de soluções é tão evidente que me faz ficar irritado de uma maneira absolutamente estrondosa. “Como é possível?”, “Mas o que é isto?”, “Chutem a bola para a frente”, “Rematem à baliza”, tanta emoção negativa e após o apito final, tenho que sair do Café e mandar tudo o que sinto cá para fora para não ser expulso ali de dentro.

Perguntas sem resposta

Em suma, 90 minutos de mau futebol, que de bom nada teve, voltamos às derrotas, voltamos a perder fora de casa, quando os próprios adeptos deram um espetáculo e jogamos maior parte do tempo, “em casa emprestada”. “Que ambição? Que dedicação? Que tristeza! Que falta faz o Tallo, Que Vitória é este? Quem são estes jogadores? O que se passa?” Tantas perguntas que ficam sem resposta, tanta a tristeza acumulada no seio Vitoriano, tanta desunião e ainda á quem se recorra disso para se sobrevalorizar e atacar.

Quero soluções, programas, que cumpram o que nos é prometido, que o Vitória seja cada vez maior, que mostrem a ambição e a boa virtude de sermos Vitorianos, que estejam ao nível dos nossos adeptos. Eu quero ver o Vitória ganhar jogos, suar a camisola, honrar o emblema, jogar para marcar. Isso é o que eu e os Vitorianos querem. Eu não quero saber dos interesses que estão por de trás das candidaturas, das amizades filiais ou dos dos consagrados que se vão insultando mutuamente via redes sociais, é lamentável, chega a ser triste! Eu como muitos Vitorianos só queremos um Vitória que ganhe, que chegue ali e faça como os adeptos, que coma a relva, que eu ao final de 90 minutos possa festejar uma Vitória, quer seja no Café, quer seja no Estádio, eu como Vitoriano, tenho esse direito, e é um dever para eles, fazerem isso!

Basta!

Já chega de demonstrações de amor, de afetos, de palavras bonitas ou de sarcasmos e ataques pessoais, farto delas. Lamentável é ver o que o Vitória está neste momento a ser, quer de um lado da barricada, quer do outro, é lamentável e não dignifica nada do que somos! O Vitória não é nem pode ser isto! O Vitória somos nós, todos, em conjunto! Aos jogadores e até ao final da época, façam o favor de engrandecerem o Vitória da melhor maneira, de jogarem à bola, de fazerem o Vitória aquilo que é e de quererem o melhor para ele, como eu e muitos Vitorianos querem por favor! Só queremos ganhar, só queremos que em campo ganhem tanto como nós nas bancadas e que suem a camisola! Ao Treinador, que arranje soluções, tem dois planteis, e pela primeira vez o digo, se não estiver bem, é altura de dar o passo e saltar do barco e deixar que alguém o faça melhor.

Porque às vezes o melhor é mesmo isso!

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