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CSL – Evergrande vs SIPG – Cimeira lusofóna pelo topo chinês

A chegada de André Villas Boas ao comando técnico do Shanghai SIPG pretende oferecer ao clube o título da CSL – Superliga chinesa, ‘derrubando’ o poder instituído pelo Evergrande, orientado pelo ‘Sargentão’ Scolari. O jogo grande da 3.ª jornada teve este enorme duelo de Bom Futebol, aqui analisado.

O Guangzhou Evergrande Taobao foi fundado nos anos 50 e em 2010 passou para as mãos da Imobiliária Evergrande, a segunda maior do território chinês, que o transformou no imperador local. O sucesso nacional e continental do Evergrande trouxe um gigante mundial ao clube, o grupo Alibaba, que em 2016 ultrapassou a Wallmart como a maior empresa de retalho do mundo e que detém perto de 40 porcento do Evergrande.

Orientado por Scolari e respectiva equipa técnica, onde permanecem nomes como Murtosa e Darlan Schneider mas acrescida do antigo central boavisteiro Paulo Turra (hoje no papel de técnico principal devido ao castigo de Luiz Felipe Scolari), desde meados de 2015, o Evergrande chegou, viu e apenas sabe vencer, campeão ininterruptamente desde 2011, primeiro com o sul-coreano Jang-Soo Lee, depois com Lippi, finalmente com o gaúcho campeão do mundo de 2002 ao leme do Brasil e finalista europeu de 2004 com Portugal, um trajecto apenas comparável, nacionalmente falando, ao do Ludogorets na Bulgária, também campeão secundário em 2011 e desde aí, debutante no máximo escalão búlgaro, sempre campeão.

Além dos campeonatos chineses neste novo formato, o Evergrande coleccionou já duas taças, 2012 e 2016 e foi campeão continental em 2013 e 2015.

O amor do presidente da China pelo futebol – face à íntima relação empresas-estado no país – levou a que milhões fossem facilmente libertados nestes anos recentes para trazer a liga chinesa para as bocas do mundo e os rezingões europeus, que reclamam de ‘barriga cheia’ face aos elevadíssimos encaixes que vão fazendo, torcem o nariz, quais ‘Velhos do Restelo’, a esta ameaça, que se revela bem mais ‘perigosa’ para o ‘status quo’ do que sucedeu com o boom no Médio Oriente, onde o primeiro investimento em força dos Qataris, dos Emiratos ou Sauditas desvaneceu-se, ou reformulou-se mais racionalmente, em termos das ligas locais, percebendo que os futebolistas em fim de carreira que para ali foram pouco acrescentaram ao real desenvolvimento das ligas, passando a apostar em jovens – ou não – sul-americanos, africanos ou leste-europeus e procurando um crescimento – que estagnou – mais sustentado, além, claro, da entrada em força em históricos emblemas europeus, guindando estes ao topo.

Bem mais recente é o Shanghai SIPG, apenas criado no final de 2005, com um crescimento sustentado e sólido nos primeiros anos de vida. Promovido ao segundo escalão em 2007, estreante na CSL em 2013 e que em 2015 mudou de mãos, passando a SIPG (Shanghai International Port Group), a empresa pública ‘dona’ do porto de Xangai, ‘apenas’ o porto mais movimentado do mundo, em 2016 a movimentar um inacreditável número de 37 milhões de contentores!!!

Esta aquisição revolucionou o clube, quer no seu logotipo, quer no investimento, com isso chegando ao vice-título de 2015 e dando-se ao luxo de ter emprestado aquele que há uns cinco anos ou seis era o futebolista mais bem pago do mundo, o ‘primeiro’ milionário da nova CSL, o argentino Darío Conca, e ainda o goleador ganês Asamoah Gyan.

Sven-Goran Eriksson foi o homem escolhido para o novo capítulo, liderando a formação ao 2.º lugar e apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos, mas substituído por a direcção entender que não conseguiu promover jovens do clube e se revelou demasiado ‘estático’ tacticamente, ficando em 3.º no ano passado. Quem diria que um inovador dos anos 80 seria um retrógrado dos anos 2000. O sueco está agora na segunda chinesa e chega ao porto de Xangai André Villas Boas e equipa técnica, com um novo contrato leonino para o portuense da ‘cadeira de sonho’.

Hulk foi a primeira ‘loucura’, chegando ainda Elkeson do rival Evergrande e a segunda ‘loucura’, Óscar, um trio de brasileiros para tentar o primeiro título para o clube, acompanhados pelo veteraníssimo amarantino Ricardo Carvalho, que deverá ter aqui um excelente espaço transitório para si, sendo perfeito para trabalhar os centrais chineses, como anteciparem, lerem o jogo, se posicionarem, trabalharem impulsão, etc.

As formações oficiais no arranque da partida. Fonte: Match Sports Sina

Este é um desafio importante para ambos os lados. Scolari já perdeu um encontro, em dois disputados, da liga, enquanto Villas Boas terá por certo o intuito de dar a primeira vitória do SIPG sobre o Evergrande, com vantagem de três vitórias e três empates nos duelos anteriores.

Nos onzes iniciais constam seis brasileiros, os três estrangeiros de cada lado têm todos a mesma nacionalidade. No Evergrande estão Ricardo Goulart, Alan e o ‘on form’ Paulinho, que Tite tão bem potencia na ‘canarinha’, do lado do SIPG iniciam Hulk, Elkeson e Óscar.

Começo bastante mais dominador dos donos do terreno e Hanchao a concretizar bem a assistência de Ricardo Goulart, um dos melhores elementos da liga chinesa, dando vantagem cedo ao Evergrande, com Villas Boas a ‘matar’ mais um jovem, num ‘chico-espertismo’ aos regulamentos que exigem a utilização de um sub23 no onze inicial e três nos 18 da folha de jogo, retirando um miúdo de 19 anos logo aos 15 minutos.

Antes da meia hora de jogo o Evergrande dobra o avanço, aos 24 minutos, recuperação ainda no miolo ofensivo, com Alan a desmarcar-se bem na frente, a antecipar-se no domínio à saída de Junling e a concretizar da melhor forma.

De Óscar ainda nada e a escolha de tampão pelo SIPG a revelar-se pouco eficiente. Huikang é facilmente desposicionado e perde noção de equilíbrios. Nos duelos individuais o Evergrande apresenta-se mais forte, quer na resolução defensiva, quer no desenvolvimento ofensivo.

Hulk foi o único a tentar contrariar a clara superioridade do Evergrande no período inicial. Fonte: Match Sports Sina

Depois de alcançar a vantagem, o Evergrande permite o equilíbrio por parte do SIPG, baixando a intensidade e oferecendo algum conforto ofensivo aos visitantes, contudo apenas por uma ocasião – e fruto de uma escorregadela defensiva – os campeões sentiram alguma ameaça, com Zeng a não vacilar e a confirmar o canto. A posse de bola é do SIPG, procurando o Evergrande espreitar o contragolpe.

Sobre o intervalo Villas Boas viu o seu médio mais posicional lesionar-se, obrigando a substituição. Vantagem justa para o campeão no descanso, com o SIPG a não se mostrar colectivamente, apenas Hulk deu algumas pinceladas individuais, mas sem continuidade.

O arranque da segunda metade vê os brasileiros finalmente combinarem para o golo. Óscar, Hulk, centro e Elkeson a relançar a partida com o 2-1 aos 52 minutos. O dianteiro a ler muito bem o posicionamento defensivo para cabecear com todo o sucesso.

Foi uma boa lição de AVB ao intervalo pois o SIPG entrou com real vontade em ultrapassar o grande rival. Nos anfitriões percebeu-se a baixa de ritmo na primeira metade, notando-se no começo da segunda parte demasiada passividade, como se tivessem ficado ainda no balneário, tirando disso máximo proveito a formação de Xangai.

O golo sofrido teve o condão de acordar novamente os de Guangzhou para o encontro e é Alan a ter nova enorme oportunidade de golo, negada por Junling, praticamente quando Villas Boas fechou as alterações, percebendo-se a equipa baralhada. Paulinho atira fortíssimo ao ferro e é novamente o Evergrande mais perto do golo.

Apesar do retomado controlo do Evergrande, é o Shanghai SIPG a igualar o encontro, novamente resultante da ligação ‘canarinha’, com Elkeson a isolar Óscar na área pela direita, este a dar na perfeição e Hulk a cabecear para o 2-2.

A recuperação dos portuários deixou as linhas atrasadas do campeão em polvorosa e após o empate é o SIPG a mostrar-se mais perto da vitória. Nos últimos 20 minutos surge o SIPG em cima do Evergrande, cuja formação parece fisicamente muito desgastada.

Tal como o 2-2, contra a corrente, também o Evergrande beneficia de uma grande penalidade aos 78 minutos, quando eram os forasteiros a ameaçarem o golo. Goulart não desperdiça e aos 80 minutos o campeão volta à dianteira na contagem.

 

Junling ainda se mostra novamente a impedir o Evergrande de alcançar o 4-2. Os donos do terreno terminam em cima da área visitante.

Triunfo do Guanghzhou Evergrande por 3-2, naquela que foi a primeira não-vitória de Villas Boas desde a sua chegada à China, em encontro muito disputado, estatisticamente equilibrado, com momentos de domínio divididos pelos dois clubes, primeira parte do campeão, melhor arranque de segundo tempo dos visitantes e muito Brasil a decidir em ambas as formações. Os estrangeiros, aqui, revelaram-se claramente decisivos ofensivamente – onde existiam apenas, mas convém sublinhar a boa exibição de Junling. O guardião do SIPG foi vital para impedir mais golos ao Guangzhou.

 

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