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Copa América Centenário, dia 11

Em busca da história, Arouca na Copa e uma insossa despedida da ‘Charrua’ desinspirada

Venezuela e México, por razões distintas, buscam a história. Os mexicanos buscam a vitória na Copa América há anos já, sendo habituais convidados na prova, pretendem juntar o título da competição sul-americana aos múltiplos que detém da Gold Cup, tornando-se dessa forma no primeiro ‘verdadeiro’ campeão continental americano.

A ‘Vinotinto’, que alinhou de amarelo, procura a melhor participação de sempre. Já igualou o primeiro apuramento para os quartos, em 2007, e tentará certamente repetir as meias-finais de 2011.

Osorio aproveitou o apuramento para alterar profundamente a ‘Tri’. Corona entrou para a baliza, a linha de três no centro da defesa deu lugar à parelha Reyes-Moreno, Molina entrou para médio defensivo, Torres Nilo para a lateral esquerda, Aguilar na lateral direita, Peralta para a dianteira, Guardado e Herrera foram os interiores e Lozano e Aquino os extremos.

Na Venezuela Dudamel mexeu consideravelmente menos. Entrou o ‘arouquense’ Velazquez no lugar de Vizcarrondo, o lesionado Rosales viu Alexander Gonzalez ocupar a titularidade na direita, Seijas regressou para emparceirar com o capitão Tomás Rincón e na frente dupla novidade, o ‘holandês’ Christian Santos e Del Valle, ex-cedido ao Paços de Ferreira e dos quadros do Rio Ave.

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A bela concretização do central do Arouca que deu vantagem à Venezuela e continua a correr o mundo virtual.

O jogo foi bastante aberto, conseguindo os venezuelanos abrir o marcador por intermédio do central do FC Arouca Velazquez, concluindo acrobaticamente para um bem celebrado avanço no marcador. A Venezuela mirava a liderança do Grupo C.

As ocasiões foram-se dividindo pelas duas balizas, com Aquino a sair lesionado aos 18 minutos, entrando o ‘abanador’ ‘Tecatito’ Corona. Foi uma vantagem controlada pela ‘Vinotinto’. Rincón e Seijas bem nas coberturas, a selecção muito compacta e Peñaranda a ser um quebra-cabeças para os mexicanos, que lhe deram a devida importância, rapidamente o procurando derrubar a cada posse.

Feltscher e Gonzalez começaram bem ofensivamente mas foram obrigados a permanecerem mais contidos face às investidas do México.

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Herrera e Guardado iniciaram o jogo bastante interventivos mas foram desaparecendo da partida, bem anulados pelos médios venezuelanos.

A vantagem venezuelana ao intervalo apenas espantava quem não viu o encontro. Personalizada, a selecção de Dudamel anulou o México, com Peralta a ser uma desilusão na frente.

Se Feltscher se revelou superior em quase todos os momentos à oposição, mesmo depois do ‘estouro’ de Peñaranda, a colocação no terreno de Layun no recomeço valeu a subida notável da produção de ‘Tecatito’ Corona e Alexander González sentiu imensas dificuldades com as investidas pelo seu flanco.

Dani Hernández faz aos 73 minutos duas defesas ‘impossíveis’, continuando a somar paradas para entrarem nos melhores momentos da competição. Um digno sucessor do, agora, seleccionador Dudamel nas redes venezuelanas.

As entradas de Corona e, especialmente, Layun mudaram o cariz do encontro na segunda metade, onde o México carregou fortemente, encostou a Venezuela atrás, com Peñaranda a pecar na finalização, o aspecto em que terá de melhorar. Foi o extremo do FC Porto Corona a desencadear toda uma jogada que redundou no empate, por si conseguido, individualidade máxima ao serviço da equipa.

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A segunda metade do portista valeu-lhe o troféu de melhor em campo.

A ‘gazua’ Corona foi a figura mexicana do segundo tempo.

Josef Martínez obriga Corona a uma parada vistosa por via de uma conclusão acrobática já dentro dos últimos 10 minutos.

Quer venezuelanos, quer mexicanos, dispuseram de oportunidades para vencerem o jogo na parte final do desafio mas o apito final deu-se com o 1-1.

Um empate final que mantém o México na frente do Grupo e ‘obriga’ a Venezuela a enfrentar a Argentina nos quartos-de-final. Este foi um desafio bastante cativante de seguir.

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O Uruguai, maior vencedor da Copa América, despediu-se com um 3-0. A selecção que apontou o primeiro golo de sempre da prova, fica com o registo do tento 2500 da competição no adeus, com Corujo a ser o autor desse, o seu primeiro golo com a ‘celeste’

Apesar de a partida não decidir já nada estiveram em Santa Clara mais de 40 mil pessoas a ver o encontro. Os números nos estádios têm espevitado depois de se terem colocado algumas dúvidas sobre o interesse que a prova estaria a trazer.

Do lado jamaicano Schaefer, que tinha dado tão boa conta quer na Copa América, quer na Gold Cup, ambas de 2015, acaba por perder esta prova. A equipa exibiu-se abaixo do esperado. Barnes longe do brilho anterior, Donaldson foi um mastigador, de pouco adiantou à frente de ataque. McAnuff e McCleary, que foram desequilibradores há um ano, desta feita também pouco se viram e a selecção perdeu muito com a lesão de Kemar Lawrence, especialmente porque o alemão – com diversas soluções para a lateral esquerda, optou por mudar o destro Watson de flanco e encostar Mariappa à direita, perdendo a profundidade que os laterais haviam dado em 2015.

Esta partida deveria ter servido para dar oportunidade aos menos utilizados, observar possibilidades futuras, mas o seleccionador dos ‘Reggae Boyz’ não mexeu no onze e a equipa saiu claramente derrotada, o que é uma dupla derrota, pois alinhou os ‘titulares’ no sentido de não perder de forma muito contundente, o que acabou por suceder.

Blake foi dos melhores da Jamaica. O guardião dos Union já havia impedido resultados mais volumosos e logo aos sete minutos foi a muralha que fechou o golo a Abel Hernández.

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Tabarez agarrou-se em demasia aos nomes. Cavani foi um desastre na prova e a resposta de Abel Hernández, eleito melhor no relvado, neste terceiro encontro, já com tudo decidido, deve ter dado que pensar ao veterano e consagrado seleccionador ‘charrua’, poderia ter feito a diferença nos outros encontros. O posicionamento de Hernández até trouxe alguma liberdade a Cavani, ficando o avançado do Hull mais no centro e Cavani a abrir mais na esquerda.

Lodeiro alinhou um pouco descaído para a meia esquerda, mas sempre buscando a sua zona de eleição, o centro criativo.

Até chegar ao golo, o Uruguai dominou por completo o encontro, de forma tranquila. A resposta jamaicana ao golo fez-se com três cantos seguidos, mas Muslera e a defesa resolveram cada situação.

O 1-0 viu o Uruguai consentir algum domínio à Jamaica, sem causar perigo evidente, o que explica os números finais de posse de bola.

Aos 49 minutos Hector tem um bom remate na cabeça da área mas Muslera mostra-se seguro.

A Jamaica entra bem na segunda parte, também porque o Uruguai permaneceu igual a si mesmo, golo obtido, linhas a baixarem, posse entregue ao adversário, busca do ataque rápido, no espaço, o que caracteriza o futebol uruguaio, mesmo que tenha um jogador como Lodeiro, capaz de definir, de ter bola, em enorme qualidade.

Foi uma segunda metade morna. A Jamaica a tentar chegar ao golo, sem grande sucesso, o Uruguai a baixar o ritmo, pena para um jogo que deveria ser disputado nos moldes do excelente Colômbia x Costa Rica, onde os ‘cafeteros’ até jogavam a liderança do grupo. São opções técnico-tácticas que têm o condão de trazer ou afastar os adeptos do jogo.

Um canto que viu ‘reflexo’ lento jamaicano originou mais uma rápida saída de bola uruguaia. Maxi Pereira assiste Cavani, que cabeceia ao ferro. O Uruguai, sem forçar nada, ameaçava o segundo, que chegaria um par de minutos depois. Arevalo Rios sempre activo a ganhar bolas foi um pêndulo nesses lançamentos, recuperando a bola nos processos de construção jamaicanos para lançar contra-respostas.

Lodeiro ganha a linha na esquerda, numa jogada bem divisada, assiste, Hernández falha o remate que bate em Watson e anicha-se nas redes de Blake.

Corujo entrou aos 82 minutos, com Tabarez a não brincar nada nas substituições, conservador e cheio de preocupação em segurar a vantagem. Abel Hernández deu lugar a Ramírez, isolando novamente Cavani na frente, Vecino a reforçar o miolo no lugar de Carlos Sanchez e o lateral-médio direito, também médio de cobertura, para defender ainda mais o resultado. Entrado com intuito de segurar, acaba por ser o futebolista da Universidad Chile a apontar o terceiro uruguaio.

Uma vitória relativamente fácil para o Uruguai na despedida, ainda que por números excessivamente expressivos para aquilo que os ‘charruas’ produziram.

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Abel Hernández a receber o prémio de melhor da partida.

Autor: António Valente Cardoso

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