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Copa América Centenário, dia 12

Bravo rolo compressor depois da luva ‘esburacada’ e o lento tango argentino

Com a Argentina segura na liderança do Grupo D, onde apenas algo extraordinariamente bizarro lhe retiraria a vitória do grupo, Chile e Panamá defrontavam-se pelo segundo lugar, no grupo e, consequentemente, nos quartos-de-final.

Claramente menos favorito à partida, o Panamá de Hernan Dario Goméz ainda tinha contra si a ausência de quatro pedras fundamentais numa selecção onde não abundam soluções. Baloy, Cooper, Godoy e Blas Pérez não são apenas titulares, são referências em todas as zonas do terreno e os castigos por acumulação de amarelos nos dois encontros anteriores e expulsão, no caso de Godoy, obrigaram o colombiano a refazer o miolo de transição à frente de Gabriel Goméz, introduzir um novo central a emparelhar com Miller e ‘inventar’ uma solução para a ausência do decisivo Blas Pérez, um dos melhores atacantes da Copa 100.

O Chile entrou bem, Pizzi optou por jogar com duplo lateral na direita, posicionando Fuenzalida adiante de Isla, e fazendo regressar o pivô Marcelo Díaz e Vargas no ataque.

À vontadinha foi o que pareceu o golo panamiano. Confortável e dominador, o Chile foi sobranceiro, Jara deixou-se desarmar pela pressão alta do ‘tanque’ Tejada, que dá na direita, onde Camargo surge em velocidade e remate para o ‘frango’ do torneio até ao momento. Bravo a abordar muito mal o lance e a ver a bola entrar nas suas redes.

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O Chile não esmoreceu nem abanou. A ‘roja’ entrou com a perfeita noção da sua superioridade, da necessidade de triunfar e das fragilidades da ‘marea roja’.

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Pela primeira vez se observou um Chile no melhor, com Vidal e Alexis muito participativos, a quererem a bola, procurando o jogo colectivo, com Vargas igualmente muito envolvido, assim como os laterais, especialmente Beausejour.

Mais do que o jogo em si, percebeu-se um enorme querer chileno.

Aos 15 minutos, 10 minutos após o golo sofrido, foi natural o empate. Bela jogada entre Vidal e Alexis, remate que Penedo consegue blocar mas Vargas faz o que se pede ao avançado centro, estar no local certo e concretizar quando a oportunidade surge.

Penedo voa para anular Vidal, num belo cabeceamento a cruzamento de Beausejour. O Chile envolve as duas laterais no jogo ofensivo, enorme largura e cruzamentos a choverem da esquerda e da direita.

O Panamá tenta defender-se como pode, notando-se imenso as baixas da equipa. Chile a ganhar todas as bolas a meio-campo. Cinco homens na linha da cabeça de área em construção chilena para a ‘roja’, avassaladoramente sobre a ‘marea roja’, que resiste ainda assim.

Beausejour a cruzar bolas perfeitas, atrás de bolas perfeitas, Vargas a responder e a dar a cambalhota em cima do intervalo, novamente linha ofensiva de cinco, desta feita na zona entre o penalti e pequena área, alinhados por Beausejour, o centrador.

Uma avalanche ofensiva chilena ampla ao ponto de atacarem em 2-1-3-4, o que causou um calafrio face à incúria defensiva novamente.

Nova perda de bola chilena no primeiro momento de construção, logo a abrir a segunda parte, e o entrado Abdiel Arroyo tem um forte remate que podia dar novo empate. No entanto, o Chile não desacelera na entrada, continua a carregar forte.

Lançamento em profundidade de Isla, Vargas, no espaço, muito bem na recepção, viragem, assistência para Alexis que finaliza de forma brilhante!

Arroyo a fazer a diferença ofensivamente, a mostrar-se, rematar e dar que fazer às linhas recuadas do Chile.

Depois do Chile acalmar um pouco, passar a gerir o encontro, o Panamá reduz o marcador, novamente com uma bela oferta de Bravo, a não segurar ou, sequer, blocar, um cabeceamento relativamente à figura.

Sempre a controlar, os chilenos chegam ao quarto. Fuenzalida, que começou como ala direito mas passou para lateral esquerdo no arranque da segunda metade, imita o anterior ‘inquilino’ da posição, Beausejour, e centra largo para excelente elevação de Alexis, que bisa como Vargas, este recolheu o prémio de melhor em campo.

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Vitória natural chilena, passagem aos quartos-de-final para defrontar o México, no cabeça-de-cartaz dessa fase. Retirando os erros de Bravo e as permissividades defensivas demonstradas, este Chile pode fazer mossa.

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Martino, já qualificado, dá minutos a diversos argentinos, remodela a defesa, com Roncaglia a entrar para defesa direito, Funes Mori a derivar para defesa esquerdo e o jovem Cuesta a entrar para o lado de Otamendi. Kraneviter  é titular no meio-campo e para o ataque Higuain começa com a companhia de Lavezzi e ‘Kun’ Aguero.

Já Baldivieso volta a ter Cabrera na defesa, agora a emparceirar com Azogue, adaptado a central pela direita, e Zenteno. O central Gutiérrez alinhou como defesa esquerdo e Campos, que entrou tão bem na segunda partida, entra para estar mais solto pela faixa esquerda. Meleán alinhou no miolo e Smedberg fechava à direita com Saavedra a entrar dentro para uma linha defensiva assustadoramente enorme.

Entrada dominante da Argentina, posse e controlo da partida com os bolivianos a espreitarem contras rápidos. Arce sempre fora das rotinas colectivas, deambulando pela frente.

Um livre frontal dá vantagem à Argentina antes dos 15 minutos. Livre de Lamela a embater na barreira e enganar completamente Lampe. Bolívia desnorteada e Argentina faz logo o segundo.

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A Bolívia entrou com tanto receio da Argentina que durante boa parte do encontro defendeu em 6-3-1, com uma linha defensiva de seis bem vincada e mesmo na saída de bola a selecção ‘verde’ não desmobilizava, não se desdobrava ofensivamente, sendo expectável que Baldivieso siga os passos de Dunga no Brasil e Ramón Díaz no Paraguai, saída do comando técnico depois desta participação.

A lesão do avançado Duk viu o seleccionador colocar Diego Bejarano, ou seja, abdica do avançado centro e coloca um segundo lateral direito no relvado, quando já perdia por 2-0.

O terceiro golo surgiu por alturas da meia hora e depois foi um coleccionar de oportunidades para a ‘albiceleste’, já com Messi em campo no segundo tempo, mas o resultado não foi além do 3-0. Cuesta, no seu segundo encontro com a selecção principal argentina, marca.

Na segunda metade Campos ainda tentou desequilibrar com a bola no pé, contudo nunca teve companhia, ninguém saía no seu apoio, continuava toda acantonada atrás.

Lavezzi recolheu o maior número de votos para a eleição de melhor no relvado.

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Apesar de a Argentina ter alinhado com dois centrais nos flancos defensivos, quer Roncaglia, quer Funes Mori, deram profundidade e largura ofensiva, aproveitado as linhas excessivamente recolhidas da Bolívia, pareciam laterais de base, o que reprova ainda mais a ideia de Baldivieso para este encontro.

Agora começa o ‘afamado’ ‘mata-mata’.

Autor: António Valente Cardoso

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