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Copa América Centenário, Meia-Final II

Depois da direita endiabrada, foi Bravo o maior soldado

Um jogo com imensas expectativas. A Colômbia a surpreender na competição, até por se ter apresentado sem os seus três ‘primeiros’ avançados (Teo Gutiérrez, Falcao e Jackson Martínez), numa formação renovada e a trabalhar/crescer em redor de James Rodríguez.

1.1

Pekerman chega ao encontro com três jogadores em dúvida por terem saído tocados do desafio dos quartos-de-final, Daniel Torres recupera e é o interior direito do meio-campo, o lateral esquerdo Farid Díaz não, apresentando-se Fabra, que deu muito boa conta do recado quando foi chamado, talvez até melhor que Díaz, e também ausente do onze inicial fica Bacca, igualmente condicionado, com o aniversariante Roger Martínez a celebrar de véspera (faz anos a 23/06, mas joga a 22/06 nos EUA, 23 já na Europa) o 22.º aniversário com a titularidade no eixo do ataque.

Pizzi não pode contar com dois elementos fundamentais no meio-campo. Arturo Vidal, que vem crescendo na competição, cumpre castigo após dois amarelos, enquanto Marcelo Díaz treinou condicionado até ao encontro e é baixa de peso como médio de cobertura. Na sua posição estará Francisco Silva, um central-médio defensivo, que cresceu na defesa da Universidad Católica e chegou a ser usado na habitual linha de três antes da chegada de Pizzi ao comando técnico da ‘roja’, entretanto reconvertido para médio defensivo na passagem para a Europa e, agora, no México. No lugar de Vidal estará Pedro Pablo Hernández, médio nascido e criado na Argentina, do Celta.

Mais conservador, o antigo avançado internacional espanhol nascido na Argentina, Pizzi, retira Puch, que tão boa conta de si deu na destruição mexicana, para reforçar o apoio defensivo, com o regresso de Isla para a lateral e a provável subida de Fuenzalida para médio direito.

A Colômbia cria a primeira situação de relativo perigo através da velocidade de Roger Martínez. O jogo abre bastante equilibrado e dividido, as equipas a procurarem encaixar uma na outra. Chile a procurar ter a posse no miolo defensivo em busca de uma abertura. Esta surge aos seis minutos. Bola pelo flanco direito, defesa colombiana a falhar na marcação e no posicionamento. Aranguiz surge na área a colectar uma assistência inadvertida de Cuadrado ao segundo poste e a concretizar fácil. Toda a linha defensiva e média colombiana ficou parada.

Este golo matutino favorecerá ainda mais o estilo de jogo chileno e os ‘cafeteros’ terão de se acautelar para as ‘mordidas’ letais da ‘roja’, agora ainda mais confortável no jogo. Está a ser a lateral esquerda colombiana a falhar.

Fuenzalida fundamental no Chile. Está a ganhar o duelo a Fabra e é ele a encostar para o segundo. Bola em profundidade no espaço, Alexis com bela recepção, pronto remate, Ospina com ligeiro toque para bola no poste, Fuenzalida imita Aranguiz e encosta para o 2-0. Arranque de pesadelo para Fabra, que tão bem se tinha desempenhado antes.

Depois do atropelamento do México, o Chile volta a ganhar forte vantagem bem cedo no encontro. Está difícil para a Colômbia, com os chilenos em pressão muito forte no miolo defensivo. Silva a oferecer o modelo de primeira construção anterior do Chile, de Bielsa, Borghi e Sampaoli, baixando para o meio dos centrais para iniciar a construção de trás a três.

Alexis volta a combinar com Fuenzalida, na direita do ataque chileno, arranca e é Ospina a impedir o golo. A indecisão entre Cardona, que joga mais interior na esquerda, e James, que não defende, está a deixar a nu todas as fragilidades de Fabra, que vê-se a braços com dois e três adversários. O lateral do Boca Juniors necessita de mais apoio. A hibridez posicional de James cria dificuldades nos posicionamentos dos colegas.

Aos 16 minutos surge uma bola bombeada na área chilena mas Bravo revela-se seguro. Começa a mostrar-se a Colômbia. Cardona faz o necessário apoio a Fabra, recupera, vira na direita em Cuadrado, mas o centro não tem melhor resposta. James consegue desequilibrar, isola Roger Martínez, Bravo impede o golo aos 23 minutos. O guardião chileno mostra-se à altura dos acontecimentos. James aparece no jogo.

Uma bola dividida, com Pedro Pablo Hernandez ensanduichado entre dois colombianos, com a perna direita ‘traçada’ entre Cuadrado, obriga à saída do médio do Celta Vigo, que vinha fechando bem. O jogador ainda regressou ao relvado mas aquele joelho indicia algo sério. Sem mais soluções, Pizzi é obrigado a recorrer ao miúdo Pulgar, um médio defensivo sem grandes capacidades de construção. A Colômbia está a aproveitar e tem o melhor momento no jogo. Arias surge em zona de finalização, nas costas do lateral esquerdo, Bravo sobrepõe-se mais uma vez. Começa a ganhar preponderância no jogo o guardião chileno.

Cardona começa igualmente a surgir ofensivamente no encontro, ganha uma falta frontal aos 35 minutos para James Rodríguez bater, um pouco descaída para a esquerda. Os ‘cafeteros’ desperdiçam mais uma boa oportunidade. Mal cobrada a falta.

1.2

O Chile procura colocar gelo no encontro. Bravo leva um amarelo por ‘queimar’ tempo no batimento. Jogo a ficar um pouco mais ríspido, intensidade sempre presente mas algumas entradas mais duras. James a exagerar no individualismo. Canto para a Colômbia e é Bravo em quatro ocasiões seguidas a resolver. Primeiro soca para fora da área, pára um remate de meia distância de Carlos Sánchez, sai a punhos a novo canto e, finalmente, agarra a bola aérea.

Bravo a reclamar estatuto de melhor no relvado nesta primeira metade. Que fabulosa exibição, Brava mesmo!

A ameaça de tempestade, trovoada, leva ao adiamento do recomeço do encontro por tempo indefinido. Paragem superior a duas horas devido à passagem de um forte temporal.

Depois da pausa forçada, Pekerman retira Cardona, que não conseguiu funcionar como nos encontros anteriores, e entra o jovem Marlos Moreno, que inicia o segundo tempo encostado à faixa esquerda. Apesar de se observar a quantidade de água no relvado, a Colômbia arranca com uma bela jogada pela direita, sempre pelo chão. A bola não trava e a segunda metade inicia-se bem mais intensa do que previsto após a longa paragem.

Face a tanta água presente, é evidente a superior qualidade técnica individual dos futebolistas, capazes de receber, fintar e passar rasteiro sem demonstrarem incómodo com o relvado, isto tendo em conta o peso que a relva tem no momento, cada movimento levanta água. O Chile está a estancar a melhor entrada colombiana, baixando novamente o ritmo da partida.

Carlos Sánchez, que já havia sido admoestado na primeira metade, comete nova falta para amarelo (já podia ter visto ainda antes do primeiro) e é expulso, 57 minutos de jogo, vida muito complicada para os ‘cafeteros’. Apesar disso, o retraimento chileno mantém a Colômbia com possibilidades e são mesmo estes a criar novamente perigo nas imediações da baliza de Bravo.

Beausejour falha a final após levar amarelo aos 65 minutos, acumulado ao que já trazia. Será interessante verificar quem Pizzi escolherá para a lateral esquerda, a primeira escolha (Mena) face à Argentina, jogo em que Beausejour começou na sua posição de raiz, ala, continua de baixa com um problema no tendão de Aquiles, pelo que terá de ser criativo, pode ser Fuenzalida na lateral esquerda, este baixar na direita e ir Isla para o outro lado, mesmo Mark González, em imitação ao que vem fazendo Beausejour. Roco pode igualmente ser solução, numa perspectiva mais defensiva, ou Puch como ala com Isla e Fuenzalida nas laterais.

Ospina com defesa vistosa a cabeceamento de Pulgar, após cruzamento de Silva, os médios defensivos em processo ofensivo.

Bravo com saída deslizante a fechar Marlos Moreno na linha final. Um passe atrasado do jovem atacante seria golo quase certo. A Colômbia não parece estar com menos um. James avança, remate frontalmente e Bravo, a dois tempos, agarra.

Pekerman retira Fabra e, mesmo com menos um, alinha com três atrás e mete Pérez no miolo, Cuadrado e Marlos terão de percorrer todo o respectivo flanco. Aos 80 minutos sai Cuadrado e entra Bacca para os derradeiros minutos de forcing. A Colômbia termina com três defesas, dois médios e quatro jogadores na frente, Marlos Morena a abrir na direita, Roger Martínez a abrir na esquerda e James Rodríguez novamente a aproximar-se do ponta-de-lança, agora Bacca.

Fecho de jogo complicado com uma entrada demasiado grosseira de Murillo e Bacca a empurrar os chilenos em defesa do central. Recontro sem excessos, contudo. Nova entrada, agora de James, os colombianos estão a perder a compostura. Agora é Marlos a ter uma entrada fora de tempo. O árbitro a dar quatro minutos desnecessários de desconto. E entra um ‘streaker’ no relvado. Finalmente, a longa jornada termina, já depois das 5h00 portuguesas!

https://www.youtube.com/watch?v=xbOLKQKcLSg

A final de 2015 repete-se, com Chile e Argentina a fecharem face ao mesmo adversário com que abriram a Copa 100. Ninguém diria, após o fraco jogo de abertura, que a ‘roja’ iria até ao fim na defesa do debutante título de 2015. A Argentina soma a quarta final nas últimas cinco edições mas já não levanta o troféu desde 1993.

Autor do golo de abertura e a assumir a responsabilidade do miolo devido à ausência de Vidal, Charles Aránguiz é votado o melhor do encontro, apesar de ter sido Bravo a brilhar mais alto na manutenção da vantagem.

1.3

A paragem foi tão longa que até deu para ‘analisar’ o desempenho dos limpadores da água!

A beleza feminina de Colômbia e Chile esteve bem presente no Soldier Field.

Autor: António Valente Cardoso

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