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Copa América Centenário – Quartos I

Um consagrado mau exemplo, ‘estrela’ de campeão, até aos golos mandona e depois sofredora

Entrada mais afoita de todo o torneio para os EUA. Klinsmann obrigado a mexer no onze titular pela primeira vez, face ao castigo de Yedlin, entra o central canhoto Besler, que faz o corredor esquerdo e Fabian Johnson flecte da esquerda para a lateral direita.

A opção de Arroyo, quando Jaime Ayovi tinha dado tão boa resposta no jogo anterior, libertando mesmo Enner Valencia, não se mostrou a melhor durante a primeira metade.

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O Equador equilibra a partida, consegue ganhar várias vezes a bola no meio-campo mas a rigidez defensiva e posicional que o boliviano Quinteros impôs para este encontro impede os meiocampistas de se aproximarem e darem linhas de apoio ao avançado Enner Valencia.

O domínio é repartido mas é Jefferson Montero a conseguir a primeira jogada de perigo, atirando ao lado da baliza de Guzan.

Do lado dos EUA é Bobby Wood a mostrar-se mais no jogo. Zardes continua apagado.

Jermaine Jones, desta feita sobre a meia direita com Bedoya sobre a meia esquerda – Klinsmann trocou os elementos interiores também pelas ligações já estabelecidas com os exteriores, começou com alguns passes transviados mas é ele quem acaba por assistir Clint Dempsey para um cabeceamento vitorioso. Os EUA chegam à vantagem aos 21 minutos.

A resposta imediata da ‘Tri’ até que é interessante mas somente momentânea. A posse de bola norte-americana demonstra desorientação defensiva do Equador, com dificuldade em se recompor do golo sofrido. Dempsey volta a ter uma boa oportunidade e é Dominguez a defender.

Antonio Valencia excessivamente faltoso, podia ser expulso ainda no primeiro tempo.

Aos 42 minutos é Bedoya a desmarcar-se bem, numa boa movimentação com Dempsey, mas Dominguez volta a revelar-se seguro na baliza.

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Uma primeira parte que arrancou equilibrada mas que passou a ser quase totalmente norte-americana depois do golo. Nota ainda para o facto de o golo de Dempsey ter sido obtido no ‘seu’ estádio, ele que representa os Seattle Sounders.

Já nos descontos uma falha defensiva do miolo estado-unidense viu Arroyo isolar-se, contudo Brad Guzan blocou para canto a bola.

O Equador necessita de Noboa e Gruezo mais interventivos na construção e a chegarem mais à frente.

Equador entra bem. Livre lateral, bola na linha ganha ao primeiro poste, Enner Valencia a não dar o melhor seguimento. A ‘Tri’ a mostrar intenção e Enner Valencia a entrar forte. Noboa e Gruezo a, finalmente, penetrarem e darem vantagem e desequilíbrios favoráveis ao Equador no ataque à baliza dos EUA.

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Antonio Valencia a destruir o esforço colectivo. Árbitro expulsa Jones e dá segundo amarelo ao equatoriano. O experiente jogador do Manchester United deveria ter ficado no balneário. Valencia agride Bedoya e deveria ter sido expulso, já o havia feito durante o primeiro tempo.

Péssimo exemplo por parte de Antonio Valencia e Jermaine Jones, dois dos mais experimentados em campo.

O jogo a fluir mais pela direita equatoriana, esquerda norte-americana, tirando partido da ausência dos dois elementos expulsos.

Zardes a aparecer finalmente, mas fruto de bela iniciativa do capitão Bradley a ganhar metros em posse, dar em Zardes, que assiste bem Dempsey.

Jogo a endurecer e a partir.

Montero a continuar como um dos mais activos equatorianos, porventura o seu melhor encontro na competição. O extremo do Swansea ganhou consecutivamente a linha ou o interior a Fabian Johnson.

Depois de várias oportunidades equatorianas, bola no espaço, Wood a ganhar na esquerda, bola no interior, Zardes a ganhar de cabeça para Dempsey, que remata para o jovem dos LA Galaxy encostar perto do poste e fazer o 2-0. Os EUA souberam tirar o melhor partido da saída, aparentemente tocado, do ‘chefe de orquestra’ Noboa.

Livre lateral, canto curto, passe perfeito para a entrada da área e finalmente Arroyo, à terceira, a bater para o golo. A ‘Tri’ relança o encontro. Klinsmann retira imediatamente Dempsey e coloca o homem de contenção Beckermann, prioridade a segurar o resultado.

Aos 76 minutos Montero volta a arrancar de forma incisiva, assiste na perfeição e Enner Valencia volta a falhar o golo. O cabeceamento sai a centímetros do poste. Novamente cabeceamento falhado por Enner aos 77. O avançado, desta feita, a desperdiçar demasiadas oportunidades flagrantes.

Montero continua a ganhar a linha, excelente combinação com Walter Ayovi, mas falhou novamente a finalização. A ‘Tri’ a encostar os EUA às cordas.

Foi um imenso sofrer, linhas baixas, vários erros e precipitações, mas o Equador não consegue bater Guzan – ou acertar na baliza, no caso de Enner Valencia neste encontro.

Guzan a evitar um autogolo de Brooks já para além dos 90 minutos. Os EUA não necessitavam de sofrer tanto depois de tão boa primeira parte. O resultadismo de Klinsmann podia ter custado bem caro aos norte-americanos, quando a ‘Stars and Stripes’ estava melhor, dominava, controlava o jogo.

Arroyo torna-se mais perigoso na sua posição de origem, a partir do flanco direito, caso tivesse aí alinhado talvez o Equador conseguisse penetrações e desequilíbrios idênticos aos causados por Jefferson Montero no lado oposto.

No próximo encontro Klinsmann será forçado a três alterações, algo que poderá abalar seriamente toda a dinâmica de jogo de um onze em relação ao qual o alemão não abdicar. No lugar de Bedoya estará naturalmente Zusi, que o substituiu em todos os encontros, mas Jermaine Jones e o excitante Bobby Wood serão mais complicados de mudar, pois os restantes futebolistas têm perfeita percepção de que são meras peças sobressalentes. No caso do veterano médio poderá ser Kyle Beckermann a ocupar a posição. Já a ausência do avançado que se mudará de Berlim para Hamburgo oferece várias possibilidades, Wondolowski com Dempsey mais solto atrás, pouco crível face à ideia de jogo de Klinsmann, o adolescente Pulisic, ainda que seja mais de miolo, ou o excelente Darlington Nagbe, mudança mais natural e que já merecia oportunidade do seleccionador.

De Washington, bem perto da fronteira canadiana, os norte-americanos rumam ao Texas, mantendo-se na Costa Oeste, fica a aguardar o vencedor do Argentina x Venezuela, sendo a meia-final disputada em Houston.

Autor: António Valente Cardoso

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