-- ------ CP - Série D - Tapada no topo entre o Cevadeiro e o Conventual - Bom Futebol
Bom Futebol

CP – Série D – Tapada no topo entre o Cevadeiro e o Conventual

CP – Série D – Tapada no topo entre o Cevadeiro e o Conventual

Campeonato de Portugal, Série D, O Bom Futebol Português Ignorado

Duas ideias profissionalizadas provam que ser-se profissional, chamar pessoas conhecedoras para as várias áreas envolventes, delinear um projecto a médio prazo, de paciência, acaba por trazer dividendos. Mafra e Vilafranquense mostram isso.

O Mafra chegou à Ledman LigaPro, desceu, mas volta a estar posicionado na frente para esse regresso, um clube que deve muito desta ascensão meteórica ao seu presidente José Cristo. No caso do Vilafranquense, a SAD do clube foi adquirida/criada pela empresa de representação de futebolistas Eurofoot BV, que detém a maioria do capital, mas em parceria com outros investidores, utilizando o clube como plataforma giratória de futebolistas, contudo visa chegar às ligas profissionais, até por ter aí ainda maior visibilidade mediática para os jovens valores que trabalham no Cevadeiro. O Bom Futebol é marca de ambos os conjuntos.

Se no caso da formação de Mafra, o sucesso e continuidade já são avaliados, a equipa subiu à Segunda Liga, desceu, mas mantém-se a ideia e os objetivos continuam bem precisos, no Cevadeiro a pujança mediática do clube, aquando da criação da SAD, esfumou-se parcialmente, baixando claramente o nível comunicativo do clube, a todos os níveis. Veremos como prossegue a ideia profissional, esperando-se que seja para vingar.

Luís Freire foi o eleito para guiar o Mafra, versão 17/18, regressando ao clube sete anos depois de ali ter estado como adjunto de Filipe Moreira. Aos 32 anos, Freire já tem um bom lastro técnico, primeiro no Ericeirense, depois a guiar o Pêro Pinheiro a um histórico título distrital lisboeta e subida ao Campeonato de Portugal.

Em Vila Franca de Xira estava Filipe Coelho, o homem escolhido no início do caminho desta SAD, que saiu, experimentou os ares do Casa Pia e a Ledman LigaPro no Leixões, mas regressou. Depois de ter sido associado pelo diário Record ao Estoril-Praia, na sucessão a Ivo Vieira, acabou por rumar à China como adjunto de Paulo Bento no Chongqing Lifan, sucedendo-lhe Vasco Matos, que integrava a equipa técnica depois de ter ‘pendurado as chuteiras’.

O Dr. Mário Silveira e o Cevadeiro têm servido de fortalezas a Mafra e Vilafranquense, respectivamente, sem conhecerem a derrota em casa durante toda a 1ª volta.

A média de Golos da Série D do Campeonato de Portugal tem uma média de golos inferior às restantes, 2,44, tendo 27.5 por cento dos encontros realizados redundado em divisão de pontos. O Sacavenense rivaliza com o líder Mafra no capítulo defensivo, ambos concedendo somente nove golos nesta Série D. O melhor ataque é do perseguidor Vilafranquense.

Enquanto o Praiense de Agatão fecha o pódio, os outros dois representantes açorianos na Série D, Lusitânia e Sporting Guadalupe, findam a tabela depois de realizadas 15 jornadas. Tem sido um Bom Futebol escasso para o emblema angrense e para a formação da Graciosa.

Na Série D já estiveram no banco, excluindo interinos, 24 técnicos, oito mudanças, portanto. A média de idades nos bancos, dado retirado com base na data de início da competição e tendo em conta os treinadores da 1ª volta, está nos 42 anos! O antigo adjunto do Sacavenense, faz a sua estreia aos 30 anos como treinador principal, ao leme dos de Sacavém, Bruno Dias é o mais jovem a trazer Bom Futebol para a Série D do Campeonato de Portugal.

O número de jogadores utilizados por clube ultrapassa em pouco os 23, de 25 nações diversas. De Portugal se parte, passando por Uganda, África do Sul, Angola, Gabão, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné-Conakry, Nigéria, Camarões, Costa do Marfim, Cabo Verde, Senegal, Tunísia, Canadá, EUA, Colômbia, Brasil, Venezuela, China, Turquia, Ucrânia, Suécia, Holanda e Itália.

Mafra

O Bom Futebol mafrense assenta no equilíbrio. A equipa terminou a 1ª volta da Série D com um empate e uma derrota, mas segurou a liderança na viragem da fase regular.

Apesar de Luís Freire ter recorrido a somente 19 futebolistas, mas apenas o guardião João Godinho é totalista. Aos 33 anos, Godinho é um guarda-redes rodado do terceiro escalão. A formação no Benfica deixou-lhe certamente ambição e sonho a maiores voos, ele que esteve na segunda tentativa ‘B’ em Portugal, em 03/04, num plantel onde rivalizou com o luso-moçambicano Ricardo Campos, com o lateral esquerdo Tiago Gomes, o falecido Bruno Baião, Amaro Filipe, promessa não-confirmada, Fernando Alexandre, Carlitos Seidi, o enorme Manuel Fernandes, Hélio Pinto, Hélio Roque, João Vilela ou Vasco Firmino.

No Mafra desde 2012, perdeu a titularidade em 2014, recuperando-a na temporada passada, mas sempre com jogos realizados, mesmo nas épocas onde passou à condição de suplente.

A equipa é experimentada e foi montada com o claro propósito de desafiar os lugares cimeiros e procurar regressar ao segundo escalão.

Cinco dos jogadores mais utilizados são novidade para 17/18.

Além do luso-guineense Juary, os ainda mais jovens Hugo Santos e João Gomes têm contribuído bastante para uma linha defensiva bastante segura, apesar da juventude destes seus integrantes.

O gaiense Bruninho tem sido a estrela ofensiva, bem acompanhado por Leandro Borges, que optou por descer um escalão e regressar para mais perto de casa, mas numa formação com claros objectivos de subida.

Nota-se uma clara influência canarinha, com a presença de Lucas, Rafael Goiano e Alison nos mais utilizados, sendo ainda de realçar o criativo Mauro, mais um nome oriundo da Margem Sul, este com formação entre Sporting CP e Belenenses, que ajudou o Académico Viseu a regressar à Segunda Liga em 2013, pelo meio da sua passagem pelo Atlético CP. Afirmou-se em pleno na Quarteira e fez duas belas temporadas no Anadia antes desta mudança para Mafra.

A média de idades do plantel está acima dos 26 anos e nos onze mais usados aproxima-se dos 28 anos, a experiência a contar. Mais de metade das caras novas já com minutos entra nos mais utilizados.

Vilafranquense

Há um claro propósito no Cevadeiro, posicionar o Vilafranquense no futebol profissional português. O plantel, agora orientado pelo antigo internacional jovem Vasco Matos depois dos Yuan Renminbi terem ‘roubado’ Filipe Coelho, conta com nomes de peso e com história no futebol português, como os luso-angolanos Carlos Fernandes e Rúben Gouveia, o avançado Marocas, Luís Pinto, o lateral Pedro Correia e os brasileiros Balú e Ragner, intercalados com jovens de elevadíssimo potencial, Carlos David, Diogo Izata, Miguel Lourenço, Luquinhas, Gonçalo Gregório e Dénis Martins, que foi estranhamente desaproveitado pelo Vitória vimaranense.

No caso de Carlos Fernandes é um regresso aonde tudo começou e tem sido importante nas redes dos ribatejanos.

A plataforma mycujoo.tv tem sido a forma de alguns clubes fazerem chegar os seus desafios ao grande público, às pessoas, sem dependerem dos filtros mediáticos tradicionais.

Sintrense x Vilafranquense

Após a derrota no Mário Silveira, à 8ª jornada, o Vilafranquense não voltou a ser derrotado, cedendo somente dois empates, para se encostar novamente ao Mafra no final da 1ª volta.

 

Mais de dois terços dos golos da equipa estão divididos por três elementos, Carlos David Moura, o jovem brasileiro que chegou a estar ligado ao Benfica, o goleador algarvio Marocas e o veterano Luís Pinto, um futebolista muito rodado na Segunda Liga, onde passou seis temporadas e meia, regressando ao terceiro escalão a meio da última temporada, deixando o Sporting Covilhã para envergar a camisola do Torreense.

Já associados a outros emblemas, o médio Diogo Izata, o central Dénis Martins e os canarinhos Luquinhas e Carlos David permanecem como peças preponderantes no Vilafranquense.

Com 23 futebolistas utilizados, a idade média do plantel do clube e dos mais utilizados assemelha-se em tudo ao Mafra, mas os de Vila Franca de Xira têm bastante mais amarelos recebidos, quase um por jogo acima em média. Nos reforços, também são cinco os que integram o grupo dos mais utilizados, no caso para 11 novidades já experimentadas oficialmente na Série D 17/18.

Praiense

Outrora um médio de valor no futebol português, com reputação ganha acima de tudo no Bom Futebol do Boavista dos anos 80, o bejense rumou aos Açores em 2004 e por ali tem estado, com algumas saídas, mas sempre a regressar. Primeiro foi adjunto no Santa Clara, assumindo o comando em 04/05, na temporada seguinte rumou ao Operário de Lagoa, aí permanecendo até 12/13, quando acedeu ao convite de Formosinho para o coadjuvar nos angolanos do Recreativo Caála, voltou aos Açores na temporada passada para assumir agora o clube de Praia da Vitória, na Terceira, e tem-no no pódio da Série D à viragem de campeonato.

Na baliza está o promissor Tiago Maia, mais um jovem valor, internacional luso, com pouquíssimo espaço sénior para se afirmar, agora a tentar confirmar-se aos 25 anos no Campeonato de Portugal, ainda a almejar certamente voos mais altos.

Formado no Estoril-Praia, David Augusto tem uma alcunha que diz muito sobre si, ‘Dinamite’, um lateral-médio-extremo esquerdo de pujança, pulmão, vigor, a defender e a atacar, que terá palcos de maior dimensão a aguardar por si, faça as escolhas certas. Depois de duas boas temporadas no Sintrense, desceu ao Distrital lisboeta para envergar as cores do Oeiras, mudando-se daí para o Sacavenense e agora a aceitar o desafio do Praiense. De valor.

Apesar dos vários ‘continentais’, o Praiense alimenta-se da qualidade açoriana em nomes como o reputado goleador Diogo Fonseca, Filipe Andrade, Magina, Diogo Moniz, Vitinha ou Serpa, juntamente com a experiência da Margem Sul em João Peixoto, o único totalista da equipa.

A média de idades anda na mesma faixa dos dois primeiros, porém o Praiense tem uma presença lusa bem mais evidente dentro do quadro de futebolistas utilizados na Série D 17/18 do Campeonato de Portugal, igualando à centésima a idade média dos mais usados com o Mafra. Em termos de admoestações, o Praiense está ao nível do Vilafranquense, ambos consideravelmente acima do líder.

Apenas David ‘Dinamite’ Augusto entra no grupo dos mais utilizados por Agatão de entre os novos rostos no plantel. Apesar de contar com vários insulares do arquipélago, o Praiense ainda não colocou no relvado qualquer formando seu.

Depois do arranque em falso, com a derrota caseira diante de Alcanenense, o Praiense apenas voltou a ceder pontos em casa face ao Sintrense, à Jornada 5, somando sete triunfos nos Açores, seis como anfitrião, um na visita ao ‘vizinho’ Lusitânia.

Praiense x Loures, mais um desafio e mais um emblema a recorrer à plataforma mycujoo.tv

Praiense x Loures

Continuidade é a palavra que melhor caracteriza esta equipa, já habituada a jogar junta, com rotinas criadas, o mesmo técnico, o que também facilitou a integração de ‘Dinamite’ nas dinâmicas. Dois dos reforços já saíram, o experiente extremo Hugo Santos rumou ao Ideal e o jovem Rúben Miranda mudou-se para o Angrense, da Liga Açores, que mira um retorno rápido aos Nacionais.

Torreense

Nuno Hidalgo, o guardião que brilha nas areias e nos relvados, regressou a Torres Vedras para se confirmar como o jogador local já chamado, algo que o Torreense tinha mais amiúde no passado, jovens formados no clube.

Tiago Esgaio quer deixar de ser ‘apenas’ o irmão de Ricardo e vai provando no miolo do Torreense que tem Bom Futebol para ambicionar vingar em pleno no futebol profissional, como o seu irmão, hoje no Sporting Braga. Tiago é totalista é já leva cinco golos no seu pecúlio, a que acrescem as jogadas em que interveio e que redundaram em concretizações para os do Oeste.

 

Pedro Bonifácio e Hélio Vaz acrescentam qualidade, já com bastante experiência, mesmo que ambos ainda tenham futebol para chegar além, alicerçando ofensivamente a equipa, a par de Diego Zilio. A estrela ascendente vem, contudo, do país dos Pandas, Zhang Lingfeng, de 20 anos, é um médio ofensivo que, juntamente com outros, encontrou em Portugal o melhor espaço para crescer como futebolista. Não espantará que em breve regresse à China para integrar a Superliga local.

 

As cadeiras de sonho entraram no léxico do futebol luso e Rui Narciso estará numa das suas por certo, um torriense de gema, vários anos nas camadas jovens, posteriormente a integrar a equipa técnica sénior e, após duas épocas no Malveira, a regressar a Torres Vedras para assumir a primeira equipa do clube. Aos 40 anos, Rui Narciso tem ideias para ir além, mas o ‘seu’ Torreense será sempre O clube.

Rui Narciso fez uso de 20 elementos na 1ª volta, 65 por cento portugueses, com uma idade média de 25,65 e os onze mais um ano mais velhos de média. A equipa é disciplinada, teve sete novas caras utilizadas face à temporada anterior, três das quais nos onze mais.

A época passada de Rui Batalha no Loures foi notável, obtendo 15 golos a partir de uma posição mais interior e próxima da baliza, quando no Malveira estava mais preso ao flanco, ‘formativo’, mudando-se nesta temporada para Torres Vedras, onde divide o protagonismo ofensivo com os acima citados Pedro Bonifácio, Hélio Vaz, Zhang Lingfeng e Diego Zilio, mas tal não o impede de se mostrar. Aos 21 anos, o polivalente médio-avançado, que alinha em qualquer espaço da frente, promete bastante para o futuro.

Sacavenense

No início da temporada, dos 16 técnicos apenas um se estreava nesta Série D, contudo o decorrer da época trouxe já várias mudanças e cinco dessas novidades são debutes, entre os quais Bruno Dias, que sucedeu a Nuno Lopes, passando de adjunto a treinador principal do Sacavenense com uma estreia de nota, a apresentar argumentos e a posicionar os de Sacavém na zona cimeira da classificação.

Numa equipa rodada, o local André Duarte é de realce, defesa de 20 anos que capta atenções, algo que se aplica também ao luso-são-tomense Joel Neves, ao extremo ‘Robinho’ e ao ponta-de-lança guineense ‘Iaquinta’, ambos obrigados a alta fasquia no rendimento para fazerem jus às alcunhas.

Com 22 jogadores utilizados na primeira metade, o Sacavenense tem mais de quatro quintos dos jogadores com primeira nacionalidade portuguesa, uma idade média acima dos quatro primeiros, a queimar os 27, com os onze mais usados a fazerem esta subir para os 27.5, dentro do quadro do trio da frente. O Sacavenense foi a equipa, entre o top cinco, que mais reforços utilizou, 13, cinco dos quais nos onze mais.

Nomes como os de Saavedra, Hugo Cardoso, Tiago Santos, Nuno Borges e Pedro Augusto contrabalançam a juventude e irreverência de Joel, André Duarte, Iaquinta ou Robinho.

Sublinhe-se que os modelos apresentados procuram posicionar os jogadores mais utilizados para formar um onze adaptável, não reflectem directamente as ideias e processos de jogo dos treinadores, pois nem sempre os mais utilizados são os que entram constantemente de início.

Loures

A boa época do Loures em 16/17 levou a enorme cobiça e Luís Silva viu-se com um plantel novo em mãos, o que sublinha o bom trabalho da equipa técnica na Série D, pois o Loures volta a mostrar-se competente e com Bom Futebol, faltando-lhe apenas maior acutilância ofensiva.

O plantel é bastante jovem, pouco acima dos 23 anos. Depois de começar a temporada em Ponte de Sôr, Sadjó Buaro estreou-se no Loures a fechar a 1ª volta com um golo. O avançado guineense promete para a segunda metade.

Rodrigo Martins chegou dos juniores do Estoril-Praia para se mostrar e tem-no feito com atitude.

Esperava-se mais tempo de jogo para Diogo Caramelo, mas o luso-cabo-verdiano Elton tem sido ligeiramente mais utilizado, disputa ainda mais animada com a chegada de Sadjó.

Rodrigo Martins, André Galamba, Gonçalo Salvador, Tomás Silva, Negou, Josué, Frias ou Gonçalo Silva lideram um jovem grupo carregado de sonhos e ambições.

Apesar da luta pela manutenção se apresentar bastante apertada, 6º e 13º viraram separados por apenas quatro pontos, este Loures mostra-se pronto para repetir a tranquilidade da época passada e volta a colocar jovens valores em ‘montra’.

Coruchense

Campeão escalabitano em 2017, o Coruchense pretende fazer melhor do que há duas épocas, quando subiu para descer logo de seguida. A equipa reforçou-se com jovens de muito potencial, desde os totalistas João Valério e Diogo Branco, o primeiro um guarda-redes de valor, formado entre Belenenses e Torreense, no segundo ano de sénior, primeiro a jogar, Branco pode alinhar na defesa ou no miolo defensivo e chega oriundo do Atlético CP, também ele sénior de segundo ano. Totalistas são igualmente Semeano e Cajarana, mais um defesa com capital para subir a escada piramidal do futebol.

Lusitânia x Coruchense, mais um clube a tirar partido da plataforma mycujoo.tv.

Lusitânia x Coruchense

Lusitânia x Coruchense

Mauro Andrade e Tiago Baptista funcionam bem no meio-campo, são mais dois futebolistas de alto potencial evolutivo, a pedirem olhos atentos por parte dos observadores nacionais e internacionais.

O luso-ucraniano Buha acrescenta também qualidade, assim como o avançado Rui Caniço, um naipe de mais-valias para André Luís, que esteve vários anos nos escalões de formação do Cartaxo, treinou os seniores do clube três épocas e soma a segunda em Coruche. Aos 35 anos, André Luís é mais um jovem nos bancos da Série D do Campeonato de Portugal a aspirar por mais.

Caldas

Independentemente do resultado final, desde que assegurada a manutenção, esta será uma época para memória futura nas Caldas da Rainha, depois de José Vala e equipa técnica guiar os pupilos a uma surpreendente meia-final da Taça de Portugal.

 

 

O antigo central formado no clube teve uma carreira longa nos escalões secundários, essencialmente no Caldas. Depois de várias épocas como adjunto e treinador dos mais jovens no clube do Oeste, experimentou o lugar de treinador principal em Óbidos, regressando ao Caldas em 2016 para reforçar o estatuto nacional novamente no clube.

Novo encontro que pôde ser acompanhado através de mycujoo.tv

Caldas x Praiense

O veterano Pedro Emanuel, goleador de créditos firmados na região, foi uma das aquisições da temporada, contudo soma bem menos tempo de jogo do que antecipava, cortesia da capacidade concretizadora de João ‘Tarzan’ Rodrigues, cortejado por diversos emblemas e pronto para dar o salto para as ligas profissionais. Aos 23 anos, o dianteiro formado na Associação Espeleológica de Óbidos é um dos goleadores da Série D e foi um dos heróis caldenses na caminhada até às meias da Taça.

Percebe-se como o clube vai gerindo os seus recursos ao observar os mais utilizados, onde seis são formados localmente. A única forma, salvo investimento exterior de nota, para um clube sobreviver nos escalões secundários é assentar a base, o esqueleto do seu plantel, nos jovens que forma, locais, mais acessíveis financeiramente, que sentem a camisola, que trazem muito mais adeptos, uma relação que tantos outros emblemas parecem esquecer ou menosprezar por completo.

Nuno Januário, Marcelo e Diogo Clemente são dois bons exemplos de jovens de potencial, todos na ordem dos 21/22 anos, ainda com muito para crescer e evoluir, mas o mesmo se aplica a Militão e a Luís Farinha, a rodearem bem ‘Tarzan’. O brasileiro Felipe Ryan chegou para acrescentar, que é o que se pede a um reforço, também ele a sonhar com voos bem mais altos na carreira.

Vala já recorreu a 22 elementos, com uma taxa lusa acima dos 86 por cento. A idade média do plantel aproxima-se dos 26 anos de idade.

Tal como no Coruchense, também o Caldas tem os onze mais usados com idade média inferior à do plantel.

Na Mata está uma equipa carregada de Bom Futebol!

Sintrense

Sérgio Boris, o responsável por guindar o Cova da Piedade do distrital setubalense à Ledman LigaPro, iniciou a época 17/18 na Série D do Campeonato de Portugal, ao leme do Sintrense, mais uma SAD que se propõe a colocar Sintra nos escalões profissionais, contudo apenas resistiu até à 6ª jornada, sendo substituído por Carlos Simões, que já havia passado pelo clube na condição de adjunto e estava em Paris nesse papel, coadjuvando Luís Loureiro no Lusitanos Saint Maur. O final da 1ª volta marcou nova mudança técnica, Jorge Prazeres, que havia entrado no Pêro Pinheiro à 5ª ronda, trocava este pelo rival concelhio.

A equipa somou cinco triunfos, cinco empates e cinco derrotas na 1ª volta, notando-se um excesso de impaciência nos dirigentes sintrenses, a não darem tempo para os técnicos moldarem os plantéis às suas ideias de jogo.

Descontente com o comportamento, a direcção não só mudou o técnico com dispensou alguns dos jogadores com mais tempo de jogo, para ver como a 2ª volta correrá e se tantas alterações resultarão.

Um dos casos estranhos no plantel prende-se com Luís Elói, promissor talento do Sporting CP cedido ao Sintrense, que custa em somar minutos de nota, quer na ‘B’ leonina, quer agora neste empréstimo. Esperar-se-ia que ‘pegasse de estaca’ no Sintrense.

Já o médio de cobertura Paulo Lima, que chegou directamente dos juniores leoninos, somou mais minutos.

Na plataforma mycujoo.tv são habitualmente cinco encontros, da Série A à E, passando por B, C e Série D, por jornada passíveis de acompanhamento directo deste Campeonato de Portugal, partidas como esta.

Sintrense x Eléctrico PS

O plantel é experimentado, um elemento comum a boa parte das formações da Série D, tendo os técnicos já recorrido a 24 futebolistas, dos quais 21 caras novas, com os onze mais utilizados a perfazerem uma média quase nos 29 anos de idade, claramente a mais madura da Série D.

Esta maturidade talvez se reflicta no elevado número de cartões por jogo, as tais admoestações táctica, mas também pode ser o oposto, pois habitualmente os cartões em excesso denotam imaturidade, demasiada ânsia na chegada à bola.

A viragem marcou algumas mudanças. Além de Siaka Bamba, também Rui Varela deixou o Sintrense, comprometendo-se com o Vilafranquense. Érico Castro abandonou Sintra para passar a marcar golos pelos ‘Gansos’.

Fátima

Uma das mais curiosas e fascinantes aquisições e constituições de uma SAD. Na terra mais ‘católica’ de Portugal, com o santuário e todo o imaginário religioso associado a tal, a SAD do Fátima é adquirida por um grupo de empresários árabes liderados por um milionário saudita, o que não deixa de ser um fabuloso contraste que mereceria ainda maior atenção mediática.

João Bastos foi o escolhido para iniciar a temporada, contudo o técnico foi cedo substituído por Kata, antigo médio que brilhou, entre outros, com as camisolas de União Leiria e Beira-Mar, a passar dos gabinetes para o relvado. Cinco vitórias e apenas uma derrota nos últimos oito encontros da Série D, até finalizar a 1ª volta, relançaram o Fátima na tabela. A luta pela manutenção promete ser árdua e todos tentam atingir a tranquilidade o quanto antes.

Um dos valores que procura a afirmação no futebol português através do Fátima é o central luso-francês Raphael Almeida, formado entre Mangualde e Académica, fez o debute sénior no Penalva do Castelo, passando aí três temporadas, mas captando os olhares do Lusitano Vildemoinhos, para onde rumou na época passada, agora sobressaindo no Fátima.

Tiago Melo e Jouini são alguns dos outros elementos de potencial ainda em claro desenvolvimento.

O polivalente Laranjeiro, com muitas épocas de Primeira, lidera um grupo que conta ainda com Mendonça, Jorge Neves, Miguel Neves, João Martins e André Sousa, sinónimo de muitos quilómetros de futebol nas pernas, plantel reforçado entretanto com a experiência do marfinense Siaka Bamba e os golos e velocidade do gabonês Serge Kevyn, para ajudar à capacidade de concretização de Pio Júnior, outra nova cara no clube, chegada no Verão, a reforçar a experiência.

Já foram utilizados 25 jogadores, mas o guarda-redes italiano Vimercati e o defesa-médio André Sousa são totalistas na 1ª volta. O plantel divide-se em percentagem entre os portugueses e os não-portugueses, estando a média de idades deste e dos mais utilizados dentro da faixa etária do grosso das restantes competidoras desta Série D.

1º Dezembro

Depois de um avassalador domínio no futebol feminino, alterações directivas no Conde de Sucena anteciparam o que vinha a caminho em termos de mudanças artificiais federativas, findando um projecto de sucesso para as raparigas e apostando no masculino, com o clube a regressar aos Nacionais e aqui se mantendo.

Nuno Presume regressou às lides dos bancos nos sintrenses, mas acabou demitido, depois de um belo arranque de época, com quatro vitórias nos primeiros cinco encontros, cedendo lugar à estreia do antigo internacional português Beto, bronze no Mundial de sub20 de 1995, antigo central formado no Sporting CP, que tem aqui o seu debute sénior no banco.

Pedro Rosário é um dos muitos mistérios do futebol português, de genial promessa adquirida pela Lázio ao Benfica, continua a titubear na sua afirmação sénior, não conseguindo vincar posição. Com 23 anos, o extremo ainda tem muito caminho para se afirmar, porém o 1º Dezembro parece não ser o seu palco e deveria procurar outros caminhos, tem de jogar – e bem – para confirmar o potencial que tantos lhe viram nas camadas jovens.

Meio ano mais velho do que Pedro Rosário é Martim Águas, filho de Rui Águas, neto de José Águas, que concluiu a formação no Casa Pia e vai trilhando o seu caminho com qualidade. É por ele que passa o jogo ofensivo dos sintrenses.

O local Ruizinho é outro nome a mostrar serviço, sempre ligado ao clube, desde os Traquinas, Rui César deambula pelos flancos e mostra-se cheio de fulgor. Outro nome muito forte, que passou pela formação do clube e regressa para a estreia sénior é o médio Alexandre Sousa, ele, Duarte Coelho e Pedro Amador têm somado bastantes minutos, o que se pede na transição júnior-sénior. João Lima, outro central, também procura confirmar a qualidade que exibiu nas camadas jovens, enquanto o promissor Gonçalo Agrelos, cedido por Os Belenenses, tem estado aquém do esperado, praticamente ainda não jogou.

Este plantel tem vários ‘rebentos’ prontos a saltar para outros espaços competitivos.

Alcanenense

Os de José Torcato têm vivido uma época de altos e baixos, começaram com vitória-derrota-vitória-derrota, tiveram um par de triunfos seguidos, quatro derrotas de enfiada, finalmente o único empate, voltando a vencer, mas perdendo os últimos dois encontros da 1ª volta, para caírem novamente na zona de descida.

Danny Esteves tem sido o goleador da equipa, soma quase um terço dos golos, ele e o veterano cabo-verdiano Luís Tavares são responsáveis por mais de metade dos tentos do Alcanenense na Série D 17/18, no que à 1ª volta diz respeito.

Na baliza está um sénior de primeiro ano, Fábio Ferreira, de regresso às imediações de onde nasceu, ele que se iniciou no Vieirense, passou pela União Leiria e rumou em iniciado ao Olival, deixando o FC Porto para fechar o ciclo formativo novamente em Leiria, a temporada passada, agora a somar todos os minutos no Alcanenense. A partilhar o estatuto está o veterano Filipe Faia, torrejano de 36 anos a somar igualmente todos os minutos da primeira metade de época.

Também em debute sénior está Aílson Tavares, luso-cabo-verdiano oriundo da Académica, médio de cobertura, a emparelhar com o cabo-verdiano Bob e o local Bruno Ferreira, este no segundo ano de sénior, no miolo.

Em Alcanena também se aderiu à plataforma mycujoo.tv.

Alcanenense x Caldas

O plantel sofreu, entretanto, algumas alterações com vista à manutenção. Foram utilizados na 1ª metade 23 elementos, 56 por cento portugueses, com uma média de idades de 24.40.

Pêro Pinheiro

Marco Guerreiro foi o escolhido para assumir o Pêro Pinheiro na sucessão a Luís Freire, o responsável por fazer retornar o clube sintrense aos Nacionais, naquela que foi a sua primeira experiência como líder de clube sénior, depois de estar vários anos ao serviço da Associação de Futebol de Lisboa. Mas a Série D, profícua em alterações técnicas, vê o clube alterar o rumo bem cedo e chamar Prazeres para suceder a Guerreiro. Jorge Prazeres deixa o clube depois de perto de uma dezena de encontros, para rumar ao vizinho Sintrense e é Rui Sousa, que guiou Tires (2012) e Real Massamá (2014) aos Nacionais, tendo também dado dimensão ao Alta de Lisboa, consigo a lutar igualmente pelo acesso ao Campeonato de Portugal, o escolhido para tentar salvar o Pêro Pinheiro da despromoção.

Ivan Dias, na baliza, o reforço já durante a época Maurício Antunes, Cláudio Jerónimo, Luís Leite ou Leo Mofreita são algumas das caras novas, bem jovens, de potencial para chegarem mais longe.

A recepção dos açorianos ao Pêro Pinheiro pode ser (re)vista aqui.

Lusitânia x Pêro Pinheiro

O trio de técnicos que passaram, até ao momento pelo banco – fora interinos, já fizeram recurso de 29 elementos, quase quatro quintos dos quais portugueses. A idade média aproxima-se dos 27 anos, enquanto nos onze com mais minutos sobe para ligeiramente acima dos mesmos 27.

Eléctrico Ponte de Sôr

Reconhecido igualmente pela sua formação de basquetebol, o Eléctrico tenta manter o interior profundo de Portugal presente nos Nacionais de futebol, aqui sem a presença da família Melnychuk, provavelmente os ucranianos mais alentejanos do mundo, muito importantes no desenvolvimento do basquetebol nacional e local. O ecletismo do clube vai além disso, como o seu vídeo institucional tenta demonstrar.

Depois de uma década entre a III e a II Divisão, o Eléctrico desceu ao distrital portalegrense em 2013, regressando na época seguinte, para novamente ser despromovido em 2016, voltando volvida uma temporada com o firme propósito de voltar a ter uma estabilidade na Série D, contudo tal não se vem afigurando fácil para Pedro Canário, antigo avançado da região, que trouxe o clube de volta aos Nacionais depois de um bons trabalhos igualmente no Gafetense e no FC Crato, não resistindo à ditadura dos resultados e cedendo o lugar a Pedro Duarte no início de Dezembro.

Este é outro plantel que já sofreu diversas alterações, num grupo de interessante qualidade, desde o local ‘Paéco’, passando pelo totalista texano Adeniran, o algarvio João Lobo ou o cedido Adélcio Varela são apenas alguns exemplos de Bom Futebol potencial no Eléctrico.

Além dos 21 novos rostos de início de época já usados, o Eléctrico encaixou na 1ª volta da Série D mais sete novidades, num total de 32 futebolistas alinhados, tendo o menor índice de presença lusa, 42.75 por cento. A idade média é das mais jovens da Série D, 23,62 anos, praticamente não variando na relação entre o total de utilizados e os onze mais. 14 dos jogadores utilizados nasceram em 95 ou 96 e um dos futebolistas, o brasileiro Henrique Silva ainda tem idade júnior, apenas o Alcanenense, também com um canarinho, Gustavo Lopes, e Lusitânia com o júnior de 1º ano Duarte Rocha, o fizeram na Série D.

Lusitânia Açores

Dos Açores chega um plantel inteiramente luso, mais do que isso, é na sua quase totalidade açoriano, com João Silva, criativo, sénior de primeiro ano, ‘pescado’ na Graciosa, Guadalupe, a ser um dos destaques e a pedir mais tempo de jogo.

Roldão Duarte deu lugar a Artur Veredas, mas a equipa terá de melhorar bastante na 2ª volta para evitar o regresso à Liga Açores.

O rigor orçamental dita leis e é preferível segurar as várias modalidades, ter uma gestão segura, mesmo que possa levar a um retorno ao regional, do que realizar investimentos arriscados, sem cobertura, sem garantias de sucesso. O Lusitânia é, neste momento, uma montra do futebolista açoriano, nomeadamente o terceirense.

Sporting Guadalupe

Depois dos títulos em Macau, Bruno Álvares voltou na época passada a Portugal para ser adjunto no Fátima, que acabou por assumir, passando nesta temporada para os açorianos do Guadalupe, onde demonstra dificuldades em escapar da última posição na Série D.

A equipa somou seis derrotas e dois empates nos últimos oito encontros, até findar a 1ª volta, o que afunda a formação da Graciosa no fim da tabela.

Diogo Conceição, Abudu, Manuel Silva, Simão Moreno e Zaneth são alguns dos jovens no plantel em busca de um lugar ao Sol.

 

Uma sequência de bons resultados pode ajudar a formação insular a recuperar algum terreno – e bem necessita, mas não será tarefa simples.

Pelo Guadalupe jogaram na 1ª volta 21 futebolistas, dois terços portugueses como primeira nacionalidade, a média de idade está nos 25.5 e sobe para perto dos 27 nos onze com mais tempo de jogo. São 12 os novos recrutas, seis dos quais no top de mais utilizados.

Estrelas

Não faltam jovens de talento, tal como nas restantes séries do Campeonato de Portugal, alguns deles já com passagens pelo segundo escalão, mas a Série D promete ser muito renhida até final pela manutenção. Na frente a vantagem é confortável, mas não totalmente segura, ainda podendo assistir-se a mudanças na segunda metade do campeonato.

Dados

Legenda da Tabela: JU – Jogadores Utilizados; Nac – Percentagem de Portugueses Utilizados; Id – Idade Média dos Futebolistas Utilizados; Id XI – Idade Média dos Jogadores Mais Utilizados; Am – Média de Amarelos por Jogo; V – Média de Vermelhos por Jogo; Alt – Média de Altura dos Futebolistas Usados; Ref – Reforços para 17/18 Utilizados; Ref XI – Reforços nos onze mais utilizados; HG – Futebolistas utilizados formados no próprio clube; Sub23 – Jogadores nascidos em 1995 e 1996 utilizados; sub21 – Jogadores nascidos em 1997 e 1998 utilizados; sub19 – Jogadores nascidos em 1999 e 2000 utilizados; sub17 – Jogadores nascidos em 2001 e 2002 utilizados.

Alguns dados sobre cada plantel da Série D do Campeonato de Portugal, versão 17/18.

Deixe o seu comentário

bomfutebol
Cópia não permitida! Conteúdo protegido por direitos de autor.