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Dar um passo em direção ao abismo

Dar um passo em direção ao abismo

Dar um passo em direção ao abismo

Para quem conhece o meio futebolístico, mesmo a um nível e dimensão nferior, não deve ser surpresa o que tem vindo a público relativamente à corrupção, ao tráfico de influências, ao branqueamento de capitais, à coacção, etc. que grassam nas suas entranhas. Todos temos sido complacentes com um área em que a partir de determinado momento começou a ser considerado natural “jogar nos bastidores”, aceitando por comodismo que esta falta de regulação abra espaço aos personagens de carácter mais dúbio, com uma gritante falta de valores e noções éticas. Chegámos ao ponto de valorizar quem tem este tipo de acção e estratégia, pondo a nú a nossa matriz cultural mais vincada: “O chico-espertismo.”

Actualmente, por mais ridículo que pareça, tem mais ponderação num recrutamento a capacidade de influenciar os árbitros do que a competência ou conhecimento da área, por exemplo! Tal como o ciclismo, que implodiu e dificilmente representará o que outrora representou, o futebol caminha para um abismo. Daremos o passo em frente?

A culpa não é do Futebol!

Já não é a primeira vez que por aqui veiculamos esta opinião: o Desporto dará para tudo o que queiramos dele fazer. Mas não é uma ferramenta com efeitos imediatos e automáticos, como muitos parecem querer vender!

Tem potencial na mudança de comportamentos e transmissão de valores? Sim! Tem potencial e pode contribuir de forma importante para o desenvolvimento da Sociedade? Sim! Pode dar um contributo na construção de um estado individual de bem-estar e saúde? Sim! Pode tudo, desde que orientado de forma rigorosa e intencional, com base em conhecimento aprofundado e específico. Caso contrário, pode ser utilizado para objectivos diametralmente opostos.

A culpa não é da ferramenta, mas de quem a utiliza!

E não faz sentido diabolizar o Futebol, ou o Desporto no geral, como sendo o único meio onde este tipo de actuação é comum. Este é um domínio interligado e que, em muitos casos, reflecte as tendências sociais e económicas dominantes, com a agravante de uma mediatização provavelmente excessiva, e um envolvimento emocional que amplia em demasia os estados de cada um de nós.

O Futebol e o Desporto padecem dos seus males mas estes não são assim tão distantes daqueles que assolam outros domínios da nossa Sociedade, como seja a Política, por exemplo. É o Homem que fará a diferença nesta equação!

As condições para a rotura.

As resistências que sempre se levantam contra mudanças efectivas e profundas são da dimensão dos interesses instalados. Mesmo os que, estando por dentro do sistema, já conseguiram perceber que este rumo leva ao lodo preferem utilizar todos os meios para manter o seu estatuto, o seu poder e os seus benefícios, abdicando de uma visão e objectivos que devem ter como interesse primário, necessariamente, o desenvolvimento global.

Seriam os que têm mais poder de decisão os primeiros a ter condições para operar mudanças importantes, mas na generalidade são os últimos a deseja-las.

Posto este cenário, que alternativa nos resta?

Chegar-se-á muito previsivelmente a um limite ainda mais baixo, insuportável! Um processo cataclísmico que destruirá por completo as bases do sistema criado em torno desta área social, que também muito provavelmente terá réplicas noutras áreas adjacentes (a Política, a Justiça, o mundo empresarial e da alta-finança, etc.), abanando por completo e colocando em causa os pressupostos que mantêm a nossa Sociedade e Economia.

Descabido? Só para quem estiver bastante distraído! Basta passar os olhos pelo que tem vindo a público, e perceber a promiscuidade que envolve as relações entre todas estas áreas sociais.

Pode parecer uma fatalidade, mas será o primeiro passo para uma rotura que não só é necessária, como é urgente!

É possível mudar?

Será sempre possível, mas é preciso antes de tudo compreender em que sentido queremos encaminhar a mudança e quais as condições que temos para o conseguir. As alterações pontuais pouco ou nenhum impacto têm tido, mas é imperial que a transformação comece dentro de cada um de nós:

No desejo de uma Sociedade verdadeiramente justa, que para além da moral se funde em princípios éticos universais.

São estes princípios que se ausentam na acção de muitos dos que ocupam cargos importantes na nossa Sociedade, seja na Política, na Justiça ou no Futebol. Podemos ser complacentes, conformarmo-nos, continuar a curvar as costas, ou apontar de cara levantada um caminho novo, diferente!

Esta realidade não está assim tão distante: Quem nunca teve conhecimento de concursos públicos controlados? E de jogos controlados? De relações promiscuas entre o poder político e o futebol? De alguém importante ter dado um “jeitinho”?

É possível mudar! Cada um de nós!

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