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“Deixem jogar o Mantorras!”

Pedro Manuel Torres, mais conhecido no mundo do futebol como Mantorras, certamente que não escapa ao imaginário dos adeptos do futebol nacional no virar o milénio, apesar da sua curta carreira profissional.

Nascido no Huambo, em Angola, teve uma infância difícil mergulhada na pobreza e no meio da uma guerra civil que fustigava o País. Para fugir à mesma, a sua família fugiu para Luanda onde Pedro tinha que trabalhar para ajudar a sua família, que vivia no pobre bairro Sambizanga. Foi aí que começou a jogar no Progresso de Sambizanga, evidenciando-se e tendo-se estreado aos 16 anos no campeonato angolano. Sendo convocado para a seleção sub-21, foi num torneio das Palancas Negras em Portugal que atraiu a atenção de vários clubes. Pela mão de Jorge Mendes, chega ao Barcelona para fazer testes mas, apesar de se ter destacado novamente, a única vaga de extra-comunitários disponível ficou para outra promessa do futebol africano chamado Haruna Babangida.

Do Barcelona para o… Alverca

Apesar do interesse de outros clubes, Luís Filipe Vieira consegue a contratação do jogador, adoptando-o como se fosse seu filho. Protegido pelo clube, Mantorras cresce e é o destaque na subida de divisão, tendo ajudado o Alverca a chegar à Primeira Liga. Com apenas 18 anos, ajuda o Alverca a derrotar o campeão Sporting e começa a chamar a atenção não apenas dos grandes em Portugal, mas também de vários clubes europeus

Salto para o Benfica com o padrinho Vieira

No final dessa época é contratado por Vieira, que fazia parte da direção encabeçada por Vilarinho, e chega numa onda de euforia, com as inevitáveis comparações a Eusébio, que lhe augurava um futuro brilhante. Foi então que aconteceu um dos mais famosos episódios do futebol nacional, quando, após um jogo com o Varzim onde o Benfica cedeu um empate tardio contra os Poveiros, e na sequência de uma apertadíssima marcação do central Alexandre a Pedro Mantorras, António Simões pede numa conferência de imprensa que “Deixem jogar o Mantorras!”.

Lesão no joelho com apenas 20 anos

Depois de uma boa época de estreia no Benfica, uma lesão grave no joelho, da qual nunca recuperou verdadeiramente, obrigou a 4 intervenções ao mesmo, que lhe roubou 2 temporadas. Seria, no entanto, fundamental para o título conquistado por Giovanni Trappatoni, que percebeu que, apesar do angolano não puder jogar mais de 15 a 20 minutos, só o facto de ser mandado fazer exercícios de aquecimento provocava o “efeito Mantorras”, puxando pelas bancadas. A “Alegria do Povo” marcou 5 golos em 15 jogos, tendo 4 deles sido fundamentais na fase final do campeonato. Acarinhado pelo mundo benfiquista e pelo povo angolano, Mantorras foi jogando esporadicamente até se retirar com apenas 29 anos, na temporada de 2011/2012. Mesmo tentando jogar no “seu” 1º de Agosto, o seu joelho não o permitiu e é actualmente embaixador itinerante do Benfica.

Porta-Estandarte de uma Nação

Apesar de não ter tido o mesmo impacto na seleção que tinha no Benfica, foi o porta-estandarte da seleção de Angola no Campeonato do Mundo de 2006 e considerado como um dos melhores jogadores angolanos de sempre. No Benfica, para além de simbolo, foi o jogador que mais perto esteve de ser o “novo Eusébio” não apenas pelo seu potencial, mas pela reação que conseguia criar no Estádio da Luz sempre que aparecia, a titular ou como suplente, tornando-se num símbolo do clube. Certamente, se não fosse aquele joelho, esta águia teria voado muito mais alto…

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