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Entrevista Exclusiva a Hélio Vaz

Atleta do Torreense, Hélio Vaz, em entrevista ao BomFutebol

De Menino de Ouro a Mágico do Oeste – Entrevista Exclusiva a Hélio Vaz.

Este é Hélio Vaz, um extremo de grande qualidade, que tem tido um percurso interessante, com passagens pelo Montijo (Terra Natal), Bolton, S.L.Benfica, U.D.Leiria, Atlético, entre outros. Hoje, mais forte que nunca, espalha a sua magia e Bom Futebol por terras de Torres Vedras, ao serviço do Torreense.

O Bom Futebol falou com o jogador, numa conversa em que se falou de todo o seu percurso.

O Menino de Ouro do Montijo.

 

Quem era o menino Hélio Vaz, de 15 anos, que vivia no Montijo?

Hélio Vaz: Hélio Vaz era um miúdo muito simples, sempre de um lado para o outro com uma bola debaixo do braço. Muito amigo dos meus amigos.

Muitas vezes as mães dos meus amigos nem me podiam ver. Brincávamos de manhã, íamos todos almoçar e, passados 10 minutos, já eu tinha almoçado e ia tocar as companhias de novo (risos).

Um ano depois, com 16 anos, tudo mudou. A estreia pelos seniores do Olímpico Montijo, ainda tão jovem e, logo com um golo, terá sido um dos momentos mais marcantes da tua carreira?

Hélio Vaz: Aos 15 anos perdi a pessoa mais importante para mim. A pessoa que cuidou de mim, que me ensinou tudo o que sei e sou hoje, a minha Bisavó. Nesse ano prometi que todos os golos que marcasse seriam dedicados a ela. Esse ano foi um ano muito marcante, não só pela época mas, igualmente muito a nível pessoal.

Hélio Vaz ao serviço do Montijo.

Seres, aos 16 anos, o segundo melhor marcador dos seniores, com 32 golos em 52 jogos realizados, foi um marco enorme e algo que recordarás com muito orgulho.

Hélio Vaz: Sim, nessa época e com apenas 16 anos a fazer uma boa época e uma subida de divisão, consegui despertar atenções, tanto de clubes portugueses como de clubes ingleses.

 

Do interesse de diversos clubes à experiência em Terras de Sua Majestade.

 

O interesse na tua contratação era muito. Quais eram os clubes que demonstraram interesse? Porquê o Bolton?

Hélio Vaz: Na altura tinha Benfica, Porto, Académica, Braga. De Inglaterra tinha o Newcastle e o Bolton. Optei pelo Bolton porque estava lá o Ricardo Vaz Te, que ajudaria a integrar.

Ricardo Vaz Te com a camisola do Bolton de Inglaterra.

Como foi, com tão tenra idade, passar três meses em Bolton? O Ricardo Vaz Tê foi por certo um grande apoio.

Hélio Vaz: Foi uma grande aventura, vi como é o futebol profissional. O Vaz Te nessa altura foi muito importante por causa da língua. Muitas vezes eu não percebia e ele explicava-me o que o mister queria.

Jogavas nas reservas e treinavas com os seniores correto?

Hélio Vaz: Treinava com o Sub 23 e treinava na Equipa Principal.

Como foi treinar ao lado de Anelka e Jay Jay Okocha, entre outros?

Hélio Vaz: Não dá para explicar. Só vendo. Muita magia. A par deles só o Aimar.

 

Chegar a um clube grande, como o Benfica, será sempre um sonho.

 

Por falar em Aimar, logo após o tempo de experiência no Bolton regressaste a Portugal e para ingressar no Benfica. Foi o concretizar de um sonho?

Hélio Vaz: Exactamente, nessa altura, se não me engano, era o Quique Flores o treinador. Sim, claro que foi concretizar de um sonho, acho que qualquer jogador tem um sonho de jogar num clube grande.

Hélio Vaz em foto para a posteridade com a camisola do Benfica.

Com 17/18 anos, na Luz, fizeste parte de uma, muito interessante, geração de grandes talentos (Nélson Oliveira, Diogo Figueiras, Mário Rui, José Coelho, Roderick Miranda, David Simão, Leandro Pimenta, Danilo Pereira, etc), como recordas esses primeiros tempos?

Hélio Vaz: Nos primeiros tempos foi complicado, tive de abdicar de muita coisa. A adaptação, mudança de posição e ideias do treinador; mas os meus colegas sempre ajudaram. O que tornou as coisas muito mais fácil.

Ter Danilo Pereira (actualmente no Futebol Clube do Porto) como companheiro de quarto foi importante? (risos)

Hélio Vaz: Nos juniores dava-me bastante bem com o Danilo Pereira, até brincávamos porque ele tem “Hélio” no nome. Não é normal ter Hélio como sobrenome… (risos)

O rótulo de “Menino de Ouro” pesou na altura?

Hélio Vaz: Esse rótulo nunca pesou, na altura havia muitos jogadores com rótulos.

Muitos jogadores criam rótulos o que é bom mas também poderá ser mau, porque as pessoas acabam sempre por esperar mais de nós. Eu sempre gostei desse tipo de pressão, faz-me estar sempre “vivo”.

Menino de Ouro – Hélio Vaz em diversos jornais desportivos.

Grande dupla que fazias, nos primeiros tempos, com o Nelson Oliveira, na frente de ataque. As grandes exibições e os muitos golos deram-te a possibilidade de assinares o teu primeiro contrato profissional. Foi certamente um momento muito marcante.

Hélio Vaz: Sim. Na altura como não consegui adaptar-me a extremo, o mister mudou a táctica e muitas vezes jogava ao lado de Nelson Oliveira. Em Dezembro já era dos melhores marcadores da equipa e assinei contrato profissional.

Acho que quando assinei como profissional pelo Benfica nem queria acreditar. Mas fiquei tão contente, porque tive de abdicar de tanta coisa e, no final, valeu a pena.

 

Da lesão, que lhe alterou a trajetória, à alegria de ser “filho de Aimar”, de lhe perguntarem pela Carbonero e as palavras de David Luiz, que ficaram para sempre.

 

Depois veio a pior parte. Num momento importante, tens uma lesão que te impede de fazer a pré-época com a equipa principal. Conta-nos como foi essa fase.

Hélio Vaz: Sim, perdi. Parei 3 meses, fui emprestado ao Mafra numa equipa já definida e sem fazer pré-época. Devia ser um ano para ganhar experiência, mas joguei pouco. Tive muitas dificuldades, principalmente na mudança de posição para extremo, que, mais tarde, viria a ser a minha posição e na qual jogo atualmente.

Hélio Vaz no treino do Benfica com Aimar, Saviola e Maxi Pereira.

Nos “intervalos” entre empréstimos tiveste a possibilidade de treinar ao lado de grande jogador do Sport Lisboa e Benfica, casos como Aimar, Saviola, Gaitan, David Luiz, etc. Quais são as sensações de um jovem cheio de vontade de triunfar e evoluir ao treinar com tantos talentos do futebol mundial?

Hélio Vaz: Foi dos anos que aprendi mais, aprendi especialmente a nível táctico. Eles ensinaram-me muito. Sempre uma palavra amiga. Aprendi a olhar para futebol de uma maneira diferente e até a jogar.

Aimar, Saviola, Gaitan estavam num nível muito superior.

Hélio Vaz com David Luiz, Jorge Jesus e Salvio.

Que momentos de alegria/cómicos guardas na memória desses tempos?

Hélio Vaz: Tanta coisa. Desde esconderem roupa,  chamarem-me Villas Boas, que na altura era o treinador do Porto (O David Luiz dizia que era parecido…). (risos)  O Ruben Amorim dizia que era o Casillas e perguntava-me como estava a Sara Carbonero. (risos)

Saviola dizia que era filho do Aimar. (risos) Era miúdo, faziam de mim o que queriam. (risos)

Mas as palavras mais importantes foram do David Luiz, – ” Continua a trabalhar e trabalha para ti, porque nunca se sabe quando a hora chega e, quando chegar, estares bem”.

 

“Com Jorge Jesus… até a trinco.”

 

Com Jorge Jesus também treinaste a defesa esquerdo? (risos)

Hélio Vaz: Com Jorge Jesus treinei e joguei, contra o Estoril, amigável, o jogo todo a defesa esquerdo. Depois joguei muitas vezes a médio interior e até a trinco. (risos)

Estás de acordo que todas essas adaptações ajudam o jogador a entender melhor o jogo na sua globalidade?

Hélio Vaz: Sim, claro. Na verdade as adaptações fizeram perder algum tempo, principalmente na posição, porque em Portugal os avançados tem de ser grandes e fortes. Eu como era baixinho e tive dificuldades. Mas perdi muito tempo à procura da minha posição.

Mas o pior foi eu aceitar a mudança de posição, porque não gostava de jogar a extremo e, na altura, tinha de ser ensinado e ter alguém que me explicasse se estava a fazer bem ou mal. Com tantas adaptações, só aos 22/23 anos consegui fixar-me a extremo. Tive 1/2 épocas em que jogava a avançado e extremo. Na 3ª época fixei-me a extremo.

Por ter jogado em várias posições, hoje em dia, consigo perceber o jogo muito melhor.

 

“Fui na conversa de um empresário e acabei quase sem clube. Depois de falar com alguns amigos consegui ir para Leiria.”

 

Após boas prestações no Atlético Clube de Portugal (Segunda Liga 2011/2012), promessas de um futuro melhor fazem-te tomar a decisão de sair do Benfica. O que aconteceu nessa altura que quase te fez ficar sem clube?

Hélio Vaz: Na altura aconselharam-me a rescindir com o Benfica dizendo que havia um proposta melhor e que havia um clube da Primeira Liga a querer contratar-me. Foi na conversa de um empresário e acabei quase sem clube. Depois de falar com alguns amigos consegui ir para Leiria que, por acaso, não tinham começado por causa dos problemas que tinha tido ao cair da Primeira Liga.

Hélio Vaz ao serviço do Atlético.

Na União de Leiria, no terceiro escalão do Futebol Português, tens finalmente a oportunidade de demonstrares o teu Bom Futebol (28 jogos, 10 golos). Desportivamente, a experiência foi realmente boa?

Hélio Vaz: Sim, foi muito boa, voltei a ser feliz a fazer o que mais gosto. O clube na altura tinha alguns problemas, mas eu estava só focado em jogar. É essa a atitude que ainda mantenho.

Hélio Vaz na União de Leiria.

Mas a outro nível foi realmente duro. Salários em atraso complicam, e muito, a tua permanência no Liz. Por certo, não foi nada fácil viver esses tempos.

Hélio Vaz: Nessa altura havia algumas dificuldades financeiras e o clube estava a passar por algumas mudanças.

 

Chipre, a necessidade de regresso a Portugal e o retorno à União de Leiria com tratamento “especial”.

 

Nessa altura, o melhor que poderias fazer era sair do clube, dada a situação insustentável. Porquê Chipre?

Hélio Vaz: Queria arriscar em outro lado. Já que não tinha oportunidade para jogar numa Liga Profissional (em Portugal), optei por sair. Tinha feito uma grande época e não tinha aparecido nada.

A minha ida para o Chipre foi curta porque os meus pais estavam os dois doentes e eu tenho um irmão pequeno que na altura tinha 7 anos. Voltei para Portugal e para o Leiria novamente.

Hélio Vaz ainda teve tempo para espalhar Bom Futebol no Chipre.

No Regresso à União de Leiria, voltaste novamente à boa forma, mas na ultima temporada mais um contra tempo, dos grandes. Só uma mentalidade muito forte para o superares. Conta-nos o que aconteceu.

Hélio Vaz: Voltei, outra vez, à boa forma em Leiria e quase subimos de divisão.

A última época já termina da pior maneira. Já não conseguíamos subir, sofri uma entrada perigosa que me tirou 6 meses de fazer o que mais gosto. Penúltimo jogo do campeonato, o Leiria estava prestes a trocar de presidência e a criar SAD. Os novos investidores “russos” iam assumir o Leiria e, depois de ser operado, ninguém me dizia nada. Todos fugiam de mim. Fui operado, tinha de permanecer no clube até o meu contracto acabar. Aleijei-me ao serviço do clube, mas os  “actuais” presidentes (SAD) empurravam a responsabilidade para o Leiria e o Leiria “clube” empurrava para os “russos”.

Resumindo, fiquei numa casa 3 meses sem ser paga e sem ordenado. Tive de fazer a minha fase de recuperação no campo para o Peniche, porque nem treinar me deixaram. É triste porque defendi aquelas cores com o meu sangue e suor e, no final, foi assim que me trataram.

No final, o ex-presidente assumiu as minhas despesas, neste caso, Rui Lisboa, grande ser humano. E não me deixou faltar nada. Concluídos 5 meses de recuperação, deixei Leiria e fui para casa.

 

Torreense: “Não há palavras… continuam a ser o nosso 12 jogador.”

Após tanto tempo, voltas renovado e com muito força e vontade. 3 golos nos primeiros 3 jogos ao serviço do Peniche. Há males que vêm por bem?

Hélio Vaz: É verdade, voltei a sorrir após tanto tempo parado. Peniche foi mais um desafio que consegui vencer.

Hélio Vaz em grande forma em Peniche.

Após o Torneio do Oeste, o Torreense não mais te largou. A maior proximidade com o Montijo (Terra Natal) pesou muito na decisão?

Hélio Vaz: É verdade, o interesse começou aí, mas eu tinha chegado ao Peniche e seria injusto sair. Ajudaram-me bastante, tanto o Pedro Solá, como o presidente João Viola. Voltei, em forma, passados 7/8 meses e apareceram clubes com o objetivo de disputar a fase de subida, mas mantive-me no Peniche.

O Montijo foi a equipa que me criou, é normal que tenha um grande carinho pelo o Montijo. Joguei 10 anos no Montijo.

O Sport Clube União Torreense é um clube especial? Que mensagem gostarias de deixar aos seus adeptos?

Hélio Vaz: Não há palavras, foram grandes durante a época toda, espero que voltem em força este ano. Que continuem a ser o nosso 12º jogador.

Declarações importantes de Hélio Vaz.

“Hoje”,  com 26 anos, ainda com muito para dar ao Futebol, renovaste contrato com o clube de Torres Vedras. Sinal de um acreditar no projeto?

Hélio Vaz: É normal que com 26 anos ainda queira subir mais. Sinto que, neste altura, esteja preparado para dar o salto. É verdade, renovei, não fazia sentido, depois do que  fazemos na época passada, e não continuar.

Próxima temporada, o objetivo é tentar a subida?

Hélio Vaz: Não temos esses objectivos, mas temos muita qualidade no plantel, que pode surpreender muita gente.

Há Bom Futebol em Torres Vedras, com Hélio Vaz.

E a nível individual? Voltar a espalhar BomFutebol de modo a chamar a atenção de clubes de maior nomeada?

Hélio Vaz: Nunca tive nada dado, e é isso, sem dúvida, que quero continuar a fazer.

Muito te se fala do lado psicológico do jogador de futebol. Factor que pode ser decisivo para a sua afirmação no futebol ao mais alto nível, por muita qualidade técnico/tática que tenha. Depois de tudo o que passaste, de todas as tuas reais conquistas, sentes que estás totalmente preparado para voos maiores?

Hélio Vaz: Sim, sem dúvida, amadureci muito. Fiquei mais forte psicologicamente.

O que é para ti BomFutebol?

Hélio Vaz: Gosto de jogos com grandes equipas, que sejam teoricamente parecidas, a nível de qualidade. E que seja um futebol organizado, bonito e atacante.

 

Perguntas de resposta rápida:

 

Melhor/es Momento/s Desportivo?

Muitos. Mas em especial esta época. Chegar ao aeroporto e ter os nossos adeptos à espera da equipa.

Ídolo /Jogador referência?

Ricardo Quaresma.

Melhor jogador com quem jogaste?

Pablo Aimar, Jay-Jay Okocha e Anelka.

Jogador que mais dificuldades te causou?

Fábio Coentrão.

Melhor Treinador?

Jorge Jesus.

Melhor Golo?

Tenho dois de pé esquerdo, quase de meio campo, pelo Montijo, e de cabeça, quase fora da área, pelo Benfica.

Melhor Assistência?

Tenho várias, contra o Vilafranquense e contra o Benfica de Castelo Branco pela União de Leiria.

Filme Favorito?

Deadpool.

Música Favorita?

Tenho várias, mas a do Boss AC – “Mais que uma Mulher”, faz-me lembrar a minha avó.

Algo que não dispensas diariamente?

Estou sempre ouvir música e jogar à bola.

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