-- ------ Entrevista Exclusiva a Ricardo Silva
Bom Futebol

Entrevista Exclusiva a Ricardo Silva

Ricardo Silva

Entrevista Exclusiva a Ricardo Silva

Ricardo Silva atual treinador do Pedras Salgadas partilha algumas das suas histórias e a sua visão de jogo. Um treinador ambicioso que vale a pena seguir.

Quem é Ricardo Silva? Quando decidiu fazer carreira no futebol? Como se define enquanto treinador?

Sou professor de educação física licenciado natural de Guimarães, com terceiro nível de treinador casado e com uma filha, sou uma pessoa normal que vive cada momento da vida e no futebol com muita intensidade, uma pessoa com confiança no meu trabalho com raízes sustentadas numa educação tradicional que me incutiram desde cedo que precisamos lutar pelos nossos objetivos.

Sou uma pessoa confiante sobre as minhas ideias, tenho uma forma de estar que respeita todos os agentes do futebol e sei que o futebol é algo que hoje estamos por cima e amanhã estamos por baixo dai não ter uma postura de me pôr em bicos de pés quando estou em alta. No entanto sou uma pessoa auto confiante e sei onde quero chegar e sei que mais tarde ou mais cedo chegarei.

Decidi fazer carreira no futebol desde que vi futebol pela primeira vez , tinha o sonho de ser jogador como qualquer miúdo de idade de escola não consegui por isso estou a tentar chegar ao futebol profissional numa via que também tenho uma paixão muito grande que é a área do treino e liderança.

Como treinador sou um treinador que tem um estilo de liderança próximo dos jogadores, com ideia bem vincadas naquilo que é o estilo de jogo que quando me contratam vão ter um treinador com ideias positivas naquilo que é a qualidade de jogo e que tenta incutir uma mentalidade vencedora nas equipas.

Começou a sua carreira no clube da sua terra, e campeão logo na sua primeira época enquanto treinador principal. Que nos diz da sua experiência no Taipas ?

A minha carreira começou no Clube Desportivo de Ponte depois é que surgiu o Taipas. Embora uma boa formação não viva de títulos fui campeão pelos iniciados e juniores do Caç. Taipas subindo de divisão nestes 2 escalões para o futebol nacional.

Depois seguiram-se os seniores com logo no primeiro ano a subir para a terceira divisão nacional. Foi sem duvida um clube que marcou porque foi o primeiro passo para hoje estar ligado ao futebol sénior e sobretudo por ter conhecido jogadores que ainda hoje passado alguns anos ainda me relaciono e vou deixando marca.

Seguiu-se o Uniao Torcatense e depois foi para o Vitória SC no escalão de juniores. Que nos diz da experiência no clube da cidade berço?

Muito boa. Apanhamos o Vitória num momento de transição diretiva com uma aposta clara na formação com a criação da equipa B. No entanto com muitos problemas financeiros. Acabamos por conseguir nessa época vender 3 jogadores ao Benfica desta geração e meter uns tantos na equipa B.

Foi um excelente ano acabamos por estar todos envolvidos numa causa que era salvar o Vitória de fechar portas porque houve esse risco e felizmente correu bem e neste momento o Vitória é um clube sólido e com tradição no contexto de formação.

Segui-se o Vianense e um ano de pausa na sua carreira. Como descreve esses anos?

Em Viana conheci gente espetacular um grupo de jogadores que nos acolheu de forma espetacular, um grupo que adorei trabalhar e em meia época que fizemos em Viana só perdemos 1 vez. Em relação à pausa serviu para concluir formações e para consolidar ideias ou altera-las. Evidente que um ano sabático a este nível para quem começa carreiras com ambição de chegar ao futebol profissional nunca é bom. Mas queria agarrar em algo de raiz e tínhamos que aguardar pela oportunidade.

Qual o papel da universidade na formação de um treinador ?

Fundamental. Decisivo… abre-nos sobretudo a mente para percebermos que no futebol “não está tudo inventado”, utiliza se muito este chavão que para mim está totalmente fora daquilo que é fundamental para termos uma evolução na nossa carreira. Não só pelos ensinamentos que um ensino superior nos trás porque 90% daquilo que sei de futebol aprendi no campo, no terreno, mas porque percebemos que temos que adquirir o nosso conhecimento e nessa perspectiva a nossa formação fora do campo enquanto pessoas e treinadores são fundamentais.

Segui-se o Pedras Salgadas onde ficou a 1 ponto do Play-off de subida, como descreve essa temporada?

Fabulosa. Começamos com um projeto que tinha como objetivo promover jogadores e acabamos por formar uma verdadeira equipa dentro e fora do campo. O nosso objetivo acabou por ser alcançando que era a manutenção mas chegamos a 3/4 jogos do fim que nos deparados estar metidos no barulho da ida a fase final.
Não conseguimos fica o registo de uma equipa que foi considerada aquela que praticava um futebol mais atraente e agradável de ver e com médias de idades de 22 anos, um orgulho muito grande porque mais uma vez saímos daquela época com uma ligação forte com as pessoas e com os jogadores que nutro muito carinho por aquilo que me deram nessa época.

Continuou a carreira no FC Felgueiras 1932, onde voltou a ficar perto da fase final. Acredita em maldição? Como descreve essa sua passagem?

(Risos)…Não. No Felgueiras houve muita coisa mal feita a começar pela planificação da época na qual tive pouca margem de manobra naquilo que eu considero decisivo para o sucesso: escolheres as pessoas com queres trabalhar. Não tive essa possibilidade. Acabei por aceitar um desafio demasiado grande para aquilo que foi a preparação de uma época mal feita com objetivos demasiado ambiciosos para o primeiro ano.
Precisávamos de mais tempo e acabar por filtrar e trabalhar para aquilo que é a construção de uma equipa vencedora…Falhamos por um ponto mas foi uma época muito boa as expectativas é que foram mal geridas por quem as criou, neste caso quem geria o clube. O Felgueiras é um grande clube e espero que regresse o mais rápido possível ao futebol profissional porque a cidade merece e a sua história também merece isso.

De regresso a uma casa que bem conhece, qual a sua expectativa para esta época?

As expectativas são para fazermos uma época tranquila e com ambição. Tranquila no sentido de conseguirmos a manutenção o mais rápido possível e com ambição porque encaramos qualquer jogo para o ganhar. Esta tem sido a nossa grande mensagem para dentro e para fora do grupo. Percebermos que a nossa identidade em termos de ideias são intocáveis e percebermos que temos ambição para ganhar a qualquer adversário. Temos um grupo com muita qualidade como pessoas e jogadores e faz com que a nossa classificação não seja uma coincidência. Vamos alcançar os nossos objetivos.
Quando vim para cá sentei me com o presidente e ele pediu me que me munisse de jogadores com ambição e com caráter e acabou por me dar autonomia na seleção do plantel. Isso faz toda a diferença a confiança que existe entre a direção e neste caso eu como treinador. Comungamos das mesmas ideias e evidente que esta confiança entre o grupo de trabalho, direção e eu que já tenho alguns anos de conhecimento do Campeonato de Portugal assim como o meu presidente, acaba sempre por dar uma simbiose positiva.

Habitualmente como preparas a tua equipa que para um jogo? Que fatores tens em conta?

O processo de preparação de um jogo tem muito a ver com a correção de erros do passado, com consolidar o que está a ser bem feito e dar seguimento a nossa metodologia. Vemos sempre os pontos fortes do adversário e pontos fracos mas com um foco proeminente naquilo que é o “nosso jogar” no fundo a nossa ideia de jogo. Podemos ter uma outra nuance para este ou aquele adversário mas regra geral a preparação é trabalhar muito na evolução do nosso modelo enquanto equipa.

Que diferenças encontras entre o Ricardo Silva do início da carreira para o atual?

Poucas naquilo que confere a ambição e naquilo que é a minha forma de estar no futebol . E muitas naquilo que é a minha visão sobre o jogo e naquilo que é o lapidar as ideias para o jogo e a minha forma de liderar.
Posso dizer que sou um amante do jogo entre linhas e daquilo que é o ataque posicional e estarmos a jogar dentro e em cima do adversário. No início tinha esta ideia mas por vezes não sabia como desenvolvê-la. Acabei por aperfeiçoar e potenciar exercícios que vou criando para conseguir acreditar algo sempre ao “meu jogar” mas também perceber o que é acessório e o que é essencial. Hoje em dia tenho de forma mais consciente os caminhos que a bola tem que percorrer é que decisões devemos influenciar nos jogadores para gerar este ou aquele comportamento.
Penso que ainda sou um treinador com uma ideia em metamorfose, não ideias perfeitas e penso que a minha ainda tem muito para crescer e tornar se cada vez mais forte é difícil de a contrariar para os adversários. Gosto da ideia de atacar bem para defender melhor e gira muito à volta disto a nossa proposta de jogo.

Qual o momento de jogo que mais preparas? Porque? Descreve um pouco do teu morfociclo.

Nenhum em especial e todos ao mesmo tempo. Tenho a obsessão de ter um jogar que seja forte em todos os momentos. Evidente que senão tiver jogadores fortes em velocidade de deslocamento nunca serei uma equipa que tenha uma ataque rápido fabuloso. Mas tento na mesma contrariar esse handicap com as decisões a tomar dentro do campo e os caminhos a seguir. Preparo todos os momentos no entanto há um momento que é aquele que distingue os treinadores dos bons treinadores e dos excelentes treinadores (neste caso ideia de jogo)-o ataque posicional-organização ofensiva.
Tento trazer algo mais as características dos jogadores e fazer com que eles adquiram algo mais para o seu jogo, rendimento e decisões dentro de campo. Mas evidente que olho a todos os 4 ou 5 momentos como quiseres chamar por igual.

O que é para ti Bom Futebol?

É ganhar mais vezes que os outros adversários. No contexto sénior e competitivo ou ganhas ou cais. O caminho para lá chegar é que podemos escolher. As boas ideias são aquelas que ganham.

Agora aquilo que é a estética do jogo gosto de equipas que tenham mais vezes bolas do que o adversário, sejam fortes na transição defensiva e percebam quando tem que contra atacar ou jogar em posse e segurança e perceber que há um momento que eu chamo contra ataque do contra ataque que é muito importante nestas equipas em que mal controlado normalmente se sofre mais vezes golos nestes momentos. Nos esquemas táticos ofensivos também considero importante para equipas de topo quer a defender quer a atacar que tenham criatividade e ou agressividade para fazer a diferença

Perguntas de resposta rápida:

1.Melhor momento desportivo?

Última vitória

2.Ídolo ou treinador referencia?

Algumas referências: Jorge Jesus pelo conhecimento do jogo, Leonardo jardim pela percurso ascendente no futebol nacional e André Villas Boas pelo estilo de liderança

3.Jogador que mais gostaste de trabalhar?

Não tenho jogadores preferidos, ao longo destes anos tenho deixado marca em muitos jogadores pela relação que vamos criando no entanto não são preferidos são apenas personalidades que se enquadram mais com a minha forma de liderar, mas normalmente sou um treinador que tem uma relação muito próxima dos jogadores e que me ligo fácil com as suas personalidades

4.Qual a tática que mais gostas?

Não há tática na minha forma de jogar há uma ideia de jogo, na qual assentam princípios que tem que se respeitar e decisões que tem que se tomar a nossa ideia vai de encontro ao jogador tomar a melhor decisão naquele momento e influencia lo sobre isso naquele momento naquele contexto.
Agora em relação aos pontos de partida de cada jogador que normalmente se chama a isso sistema de jogo é me indiferente, atualmente até estamos a usar pontos de partida que nao os tínhamos há algum tempo. Tudo depende do contexto que estamos envolvidos.

Aquilo que trazemos para os jogadores chama-se conhecimento de jogo. Essa é a nossa “tática “

5.Melhor Treinador da atualidade?

Pep Guardiola

6. Clube de sonho?

O atual e o próximo

7.Melhor golo marcado?

Os melhores golos para mim são sempre aqueles que envolve a dimensão coletiva da equipa e já tive vários ao longo dos anos.

8.Filme Favorito?

Conde de Monte Cristo

9.Musica Favorita?

Música comercial

10. Algo que não dispensas diariamente?

Agora que sou pai, não dispenso estar com a minha filha diariamente

Autor: Luis Martins

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