-- ------ Euro 2016 - Oitavos de Final VIII - Bom Futebol
Bom Futebol

Euro 2016 – Oitavos de Final VIII

Euro 2016

Oitavos de Final

Inglaterra  – Islândia

Stade de Nice – Nice

27 de Junho de 2016

Árbitro – Damir Skomina (Eslovénia)

1.1.jpg

Fonte: twitter.com/UEFAEURO

Inglaterra e Islândia defrontaram-se esta segunda feira ao início da noite para o jogo que encerra os oitavos de final. Em jogo estava o último lugar nos quartos de final.

Sendo claramente a equipa com maior favoritismo para este jogo, a equipa inglesa apresentou-se em campo com uma alteração na equipa. Para o jogo frente à Islândia, o seleccionador inglês Roy Hodgson fez alinhar a seguinte equipa: Hart a ser o guarda-redes titular; um sector defensivo composto por Walker, Cahill, Smalling e Rose; um sector intermédio com o médio de contenção Dier e os dois médios centros Alli e Rooney; no sector ofensivo Sturridge Sterling nas alas, com o avançado Harry Kane na frente de ataque.

2.1

Figura 1 – Inglaterra em 4-3-3.

A equipa da Islândia não mudou a sua equipa em relação ao último jogo. Sabendo do seu menor favoritismo mas dispostos a continuar a manter o sonho da nação islandesa bem vivo, Lagerbäck montou a equipa islandesa da seguinte forma: Halldórsson a ser o dono da baliza; uma defesa a 4 com Savarsson, Ragnar Sigurdsson, Árnasson e Skúlason; um quarteto do meio-campo com Gudmundsson e Bjarnason nas alas, e Gyfil Sigurdsson e Gunnarsson como médios centros; na frente de ataque Sigthorsson e Bödvarsson a serem os escolhidos.

2.2

Figura 2 – Islândia em 4-4-2.

A equipa inglesa entrou muito destemida neste último jogo de acesso aos quartos de final do Europeu de 2016. Com uma alteração tática a dar maior largura ao seu jogo ofensivo, com Sturridge e Sterling como extremos. Desde cedo a equipa da Inglaterra apoderou-se do meio campo ofensivo e logo aos 3 minutos de jogo, Sterling faz um movimento interior nas costas dos defesas centrais, sendo muito bem servido por um colega e no frente a frente com o guarda-redes Halldórsson a ser derrubado pelo islandês. Rooney foi o homem chamado para a cobrança do castigo máximo e abriu o marcador, fazendo o 1-0.

1.2

Imagem 1 – Momento em que Rooney marca a grande penalidade que deu o 1-0. Fonte: uefa.com.

Podia-se pensar que este golo madrugador seria o desmoronar da muralha islandesa, mas muito pelo contrário. Não há melhor resposta a um golo sofrido do que rapidamente marcar outro e foi isso que os islandeses fizeram. Dois minutos depois, aos 6 minutos de jogo, num lançamento lateral longo para dentro da área, Ragnar Sigurdsson aproveita muito bem o primeiro desvio de Árnason para na cara de Hart igualar a partida a um golo. Os dois defesas centrais a serem fundamentais no último terço do terreno, construindo o golo do empate.

1.3.jpg

Imagem 2 – Ragnar Sigurdsson a celebrar o seu golo, o golo do empate. Fonte: uefa.com.

O jogo voltou então ao guião que se esperava de início. Uma equipa islandesa com um bloco baixo, muito compacta defensivamente e sem contemplações para invenções em zonas de risco, procurava depois explorar o contra-ataque tendo como referência ofensiva para segurar a posse de bola o avançado Sigthórsson. Já o conjunto inglês assumia um jogo de maior posse e de maior domínio e controlo do jogo ofensivo, com a exploração dos corredores laterais e das subidas dos defesas laterais para criar superioridade numérica e assim fazer a bola chegar a zonas de finalização, através de cruzamento.

Aos 14 minutos Delle Ali a rematar com grande perigo à entrada da área, aproveitando uma certa confusão que se gerou dentro da área após canto inglês, mas a bola a sair ligeiramente por cima da trave da baliza islandesa. Dois minutos depois seria o seu colega de clube, Harry Kane, a tentar fazer o golo de longe mas o remate também a sair por cima. Com dificuldade em entrar em zona de finalização, a Inglaterra procura explorar o remate de meia-distância.

Com a equipa da Inglaterra balanceada para o ataque aos 18 de minutos de jogo foi a Islândia a fazer novo golo. Numa combinação entre Gyfil Sigurdsson e Bödvarsson à entrada da área, a bola sobra para Sigthórsson que perante a passividade dos defesas centrais ingleses teve tempo para preparar o remate e atirar à baliza com um remate colocado mas em que parece que Joe Hart poderia ter feito um pouco mais. A verdade é que em duas oportunidades a equipa da Islândia fez dois golos e conseguia dar a volta ao resultado.

1.4

Imagem 3 – Momento do remate de Sigthorsson para o 1-2. Fonte: uefa.com.

A Inglaterra voltou à carga em busca do empate, conseguindo cantos e livres laterais para o interior da área islandesa, mas a combatividade, dedicação e capacidade de luta da Islândia iam sendo capazes de manter a sua baliza protegida.

Aos 27 minutos Kane voltou a ameaçar. Sturridge ganha a linha de fundo após passe longo sobre o corredor direito nas costas da defesa islandesa, prepara o cruzamento com o pé esquerdo, onde surge Kane no meio da grande área a rematar em volley de primeira, para uma boa defesa do guarda-redes Halldórsson.

A equipa da Inglaterra era quem mais posse tinha e com mais necessidade de golo mas a Islândia nunca abdicou de atacar e aos 33 minutos Skúlason aproveitou uma bola que sobrou para a entrada da área após um novo lançamento longo, e num remate de primeira a fazer bola passar perto do poste da baliza de Hart. Aos 35 minutos foi Gylfi Sigurdsson a rematar de longe mas para uma defesa fácil de Hart, contudo a facilidade com a equipa islandesa faz a sua transição e com  poucos passes chega perto da área de Hart é notável.

Aos 38 minutos, num livre a meio do meio-campo islandês cobrado por Kane, Smalling surge ao segundo poste nas costas da defesa da Islândia mas a cabecear ao lado da baliza. Ainda antes do intervalo chegar, aos 44 minutos, Rooney surge à entrada da área a corresponder a um cruzamento de Walker da direita, mas a bater mal na bola e esta a sair longe da baliza da Islândia.

Pouco depois Skomina apitaria para o fim da primeira parte com a equipa da Islândia na vantagem do marcador, premiando a sua forte capacidade defensiva assente numa forte atitude colectiva mas também a sua inteligente forma como em transição soube explorar os deficientes posicionamentos dos ingleses, quando estes perdiam a bola, em especial explorando Sigthorssón numa primeira fase da transição defesa/ataque para retirar a bola da zona de pressão, para depois numa segunda fase os médios centros e médios alas subirem e aproximarem-se do avançado para explorar o espaço deixado vazio pela Inglaterra, em especial o espaço deixado em aberto pela subida do defesa lateral.

Para a segunda parte Hodgson a tirar Dier e a colocar Wilshere, preferindo ter alguém com maior capacidade de construção logo na 1ª fase de construção em detrimento de maior segurança e equilíbrio defensivo. Com esta alteração Hodgson esperava conseguir ter maior capacidade de criação de jogo e assim servir melhor os seus jogadores mais avançados.

Apesar da alteração em busca de maior capacidade ofensiva, a verdade é que a primeira grande oportunidade da segunda parte foi da equipa islandesa. Num pontapé de canto cobrado por Gudmundsson, o central Ragnar Sigurdsson aproveitou uma confusão perto da pequena área para fazer um pontapé acrobático, que foi direitinho ao corpo de Hart, livrando-se assim a Inglaterra de um mau começo de segunda parte.

1.5

Imagem 4 – Pontapé acrobático de R. Sigurdsson. Fonte: uefa.com.

Hodgson volta a mexer na equipa, refrescando o sector ofensivo com a saída do inofensivo Sterling, entrando para o seu lugar Jamie Vardy.

A verdade é que o tempo ia passando e apesar de terem mais posse de bola e passarem mais tempo perto da área islandesa, a Inglaterra não conseguia fazer a bola chegar a zonas de finalização e os seus remates de longa distância revelavam-se infrutíferos e pouco perigosos. O melhor que a Inglaterra conseguiu neste período aconteceu aos 78 minutos, quando Wilshere descobre Kane nas costas da defesa islandesa e o avançado inglês acaba por rematar de cabeça na direção do guarda-redes Halldórsson que defendeu sem problemas.

Já a Islândia continuava a demonstrar uma boa capacidade defensiva, capaz de suster os ataques ingleses bem como continuar a ser uma equipa perigosa nos ataques que desferia em contra-ataque, bem como nos lances de bola parada, como cantos livres e lançamentos laterais. Aos 76 minutos Lagerbäck decide refrescar o ataque retirando Sigthorsson e fazendo entrar Elmar Bjarnasson. Seis minutos depois mais uma grande oportunidade para a Islândia aumentar a vantagem. Novamente num veloz contra-ataque, Gunnarsson é servido no espaço nas costas da defesa inglesa, consegue espaço para trabalhar no 1×1 contra Cahill e rematar para uma boa defesa de Hart. Mais próximo do terceiro a Islândia do que a Inglaterra do empate.

Perto do final Hodgson fez a sua última alteração, ao fazer sair Rooney e a entrar o jovem Rashford para o seu lugar, isto aos 87 minutos. Dois minutos depois Trautsson a entrar para o lugar do esgotado Bödvarsson. A verdade é que a entrada de Rashford veio agitar as águas no ataque inglês, com as suas arrancadas pelo corredor esquerdo a criarem alguma dificuldade aos islandeses mas a não terem o desejado fruto.

Já perto do fim do jogo, surgiram as melhores oportunidades para a Inglaterra, nesta segunda parte. Primeiro foi Vardy que ao tentar corresponder a um cruzamento de Sturridge da direita, teve o seu cabeceamento desviado pela cabeça Árnasson, dando origem a canto, do qual surge Smalling a cabecear sem marcação mas o seu remate saiu muito torto. Logo a seguir o árbitro esloveno a apitar para o fim do jogo.

A incrível Islândia continua a sonhar neste Europeu. Não foi uma vitória de sorte, de uma equipa que se tenha limitado a defender. A Islândia soube defender mas principalmente soube atacar as fragilidades da equipa inglesa, que foi incapaz de contrariar o jogo islandês. Mais do que a eficácia tática da Islândia sobre a Inglaterra, esta foi uma vitória da humildade, da garra, da união e do espírito de equipa. Apesar da UEFA nomear para todos os jogos uma individualidade para homem do jogo, claramente que hoje o colectivo Islândia foi o homem  do jogo.

1.6.jpg

Imagem 5 – A Islândia a celebrar com os seus fiéis adeptos. Fonte: uefa.com.

 

Seguem-se as estatísticas de jogo, que confirmam uma selecção da Inglaterra mais rematadora e com mais ataques mas uma Islândia mais eficaz e objetiva.

 

1.7

Imagem 6 – Estatística Ofensiva Inglaterra (azul) e Islândia (amarelo). Fonte: uefa.com.

 

1.8

Imagem 7 – Estatística Geral da Inglaterra (azul) e da Islândia (amarelo). Fonte: uefa.com.

 

1.9

Imagem 8 – Estatística Defensiva da Inglaterra (azul) e da Islândia (amarelo). Fonte: uefa.com.

 

Destaque ainda para a nomeação para homem do jogo de Ragnar Sigurdsson. O defesa central islandês foi um exemplo daquilo que é o espírito da equipa islandesa: raça, brio, coragem e muito espírito de luta. Um lutador a defender e a atacar.

2.0.jpg

Imagem 9 – Ragnar Sigurdsson, o Homem do Jogo. Fonte: uefa.com.

 

Para o próximo jogo o sonho islandês vai ser posto à prova perante a equipa da casa, quando a França e a Islândia se defrontarem no Stade de France.

Autor: Ricardo Freitas

Deixe o seu comentário

bomfutebol
Powered by Live Score & Live Score App