-- ------ Uma Europa a duas velocidades: a dos líderes e a dos outros
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Uma Europa a duas velocidades: a dos líderes e a dos outros

Há algum tempo que se vai falando com alguma insistência de uma Superliga europeia, com os melhores clubes de cada um dos países de referência do Velho Continente. Uma espécie de Super Champions League que substitua os campeonatos locais na Europa, que subsistiriam apenas com os clubes menos proeminentes,

Uma Europa a duas velocidades: a dos líderes e a dos outros

Há algum tempo que se vai falando com alguma insistência de uma Superliga Europeia, com os melhores clubes de cada um dos países de referência do Velho Continente. Uma espécie de Super Champions League que substitua os campeonatos locais na Europa, que subsistiriam apenas com os clubes menos proeminentes.

Vem isto a propósito da temporada futebolística nos principais campeonatos da Europa e também da realidade da Champions League. Não para fazer um juízo de valor sobre esta possibilidade da Superliga europeia, mas para fazer uma análise ao fosso que se vai cavando entre os mais poderosos e os outros.

Comecemos pela Champions, olhando para o que foi a primeira mão dos oitavos da liga milionária, é fácil verificar que quando os jogos não opõem equipas das cinco principais ligas (Espanha, Inglaterra, França, Itália e Alemanha). O Liverpool goleou no Dragão, tal como o City em Basileia ou o Bayern frente ao Besiktas.

Apenas uma exceção, a derrota da Roma na Ucrânia, frente ao Shakthar de Paulo Fonseca, mas na realidade os romanos estão longe de ser um tubarão europeu, vindos da Série A que apenas agora parece estar a recuperar e a aproximar-se do nível de outrora, mas onde apenas a Juventus está no patamar dos outros grandes europeus.

Ganhar a Champions, como o FC Porto conseguiu há mais de 10 anos é hoje uma miragem para alguém que não seja um dos tubarões das principais ligas da Europa.

Mas se essa diferença de velocidade se sente na Champions, a nível interno o caso tornou-se gritante em 2017/2018 ao ponto de ser difícil encontrar uma Liga onde haja incerteza sobre quem levantará o troféu de campeão.

Uma Europa de campeões antecipados

Alemanha

Na Alemanha essa realidade já não é novidade. O crónico campeão Bayern de Munique vai revalidar o título, mais uma vez a única dúvida é saber a quantas jornadas do final da Bundesliga. Já se discutem sistemas alternativos para a competição, como um playoff, para tentar que exista alguma imprevisibilidade e que o título não esteja entregue antes de começar, como se verifica há seis anos consecutivos.

Espanha

Em Espanha, o Barcelona prepara-se para recuperar o título perdido para o Real Madrid, com sete pontos de avanço sobre o Atlético de Madrid, e pode dar a machadada final já no próximo fim-de-semana se bater os colchoneros em Camp Nou. E mesmo o empate parece ser suficiente para garantir que dificilmente o título lhe escapará.

Inglaterra

Em Inglaterra, o City de Guardiola está ao nível do Bayern, com um avanço de 13 pontos que pode subir para 16 caso vença no Emirates o Arsenal na próxima quinta, o jogo que tem em atraso. O nível exibido face à concorrência é tão superior que pensar em algo que não termine com os citizens com as mãos no título de campeões é tão utópico como voltar a ver o Leicester a ser campeão da Premier League nos próximos anos.

Em Inglaterra, o City de Guardiola está ao nível do Bayern, com um avanço de 13 pontos que pode subir para 16 caso vença no Emirates o Arsenal na próxima quinta, o jogo que tem em atraso.

Em Inglaterra, o City de Guardiola está ao nível do Bayern, com um avanço de 13 pontos que pode subir para 16 caso vença no Emirates o Arsenal na próxima quinta, o jogo que tem em atraso.

França

O campeonato francês não foge à regra. com os milionários PSG a disporem de uma vantagem de 14 pontos sobre o ainda campeão em título Mónaco. A chegada de Neymar voltou a repor a ordem normal do futebol francês dos últimos anos, em que invariavelmente a festa do título ocorre no Trocadero, junto à Torre Eiffel, com o clube da cidade-luz a festejar o título. E pela evolução da liga gaulesa, o cenário manter-se-á inalterado nos próximos anos tal a diferença abissal de investimento entre o PSG e os restantes candidatos.

Itália

Por fim, a exceção que confirma a regra: a liga italiana. Curiosamente é aquela que tem o campeão com mais títulos consecutivos, a Juventus, que procura a sétima consagração seguida. O Nápoles segue na frente, agora com quatro pontos de vantagem graças ao jogo em atraso que a Velha Senhora tem, mas se a Juve vencer esse jogo a menos ficará com apenas um de atraso, pelo que a Série A é a única das principais ligas da Europa que promete emoção até ao fim.

Resto da Europa

Depois temos casos de ligas de segunda linha onde ainda há equilíbrio mas mesmo esses casos vão escasseando: Turquia, Grécia e Portugal (e mesmo na Liga NOS o avanço do FC Porto, de cinco pontos para Benfica e Sporting parece deixar pouca margem quando vamos caminhando a passos largos para o final da competição). Porque nos restantes casos, o avanço já parece também excessivo, como na Holanda, Bélgica (onde o modelo competitivo poderá permitir que os rivais do Brugges ainda possam sonhar com o título), Suíça ou Rússia.

Um ano atípico ou um futuro sombrio para o futebol e os seus adeptos cuja paixão pelo desporto-rei pode sofrer com tão pouca emoção? Será esta a passadeira vermelha para o lançamento da Superliga Europeia?

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