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Evolução do Atleta de Futebol – Será o Fator Atleta, aquele que mais Evoluiu no Futebol?

Evolução do Atleta de Futebol – Será o Fator Atleta, aquele que mais Evoluiu no Futebol?

Evolução, uma palavra que está associada ao mundo de hoje, pois todos os dias algo muda no nosso planeta, podendo estas mudanças ser de diversos tipos, como físicas ou culturais. Desde os tempos primordiais, que a evolução está presente. Numa primeira fase, através da evolução das espécies, na qual nós estamos inseridos. Já Darwin, com a sua teoria da seleção natural, afirmava que os organismos mais bem adaptados ao meio teriam maiores possibilidades de sobrevivência do que os menos adaptados, deixando um número maior de descendentes, ou seja, os organismos mais bem adaptados seriam, portanto, selecionados para aquele ambiente.

Na literatura, podemos encontrar diversos significados para a palavra Evolução, sendo que todos eles indicam a mudança ou o conjunto de mudanças que ocorrem ao longo do tempo.

No que se refere ao futebol, a evolução está mais que comprovada, contudo é fundamental refletir onde é que houve realmente evolução no futebol, podendo esta ser em diferentes fatores, tais como, o atleta, o conhecimento, a tecnologia, a exploração de novas populações, entre outros. Neste artigo, procuro refletir sobre em que aspetos houve evolução no futebol, demonstrando a minha visão sobre este tema.

De seguida irei refletir sobre cada um dos fatores que, na minha opinião, tiveram maior ou menor evolução nos últimos tempos no futebol. Existem diversos fatores que poderia analisar, contudo irei apenas desenvolver os que, na minha opinião, são os mais relevantes.

Evolução da Tecnologia e Ciência

Os recursos materiais utilizados no futebol têm sofrido enormes alterações. Podemos identificar as mudanças no calçado, nos equipamentos, nas bolas, como em tantos outros materiais, que ajudam a melhorar a qualidade do treino e da competição. Não nos podemos também esquecer das mudanças que existiram no que se refere às condições de treino e de jogo (tipo de piso, iluminação, balneários, etc.), tendo sido estas acompanhadas pelo desenvolvimento de certos departamentos, como por exemplo, o departamento médico e o departamento de análise e observação. Todas estas melhorias levaram a que os atletas de hoje pudessem treinar e competir nas melhores condições possíveis.

Hoje em dia, quer os pisos dos campos, quer a qualidade das bolas, permite reduzir o número de lesões dos atletas (juntamente com a evolução da medicina desportiva). Assim, muitos atletas conseguem atingir idades próximas dos 40 anos e ainda permanecerem no mais alto rendimento.

Com a evolução da nutrição, os atletas podem realizar uma alimentação mais adequada de acordo com as suas necessidades específicas. Hoje em dia, os atletas têm nutricionistas que aconselham o que estes devem comer, usam suplementos, como por exemplo, os complexos vitamínicos que melhoraram o seu bem-estar e outros produtos que aumentam o seu rendimento desportivo, algo que não acontecia anteriormente. Como se sabe, uma boa nutrição, promove uma melhor recuperação e por consequente um melhor rendimento em treino e na competição. No passado, os atletas tinham hábitos de vida menos saudáveis, sendo que muitos deles não tinham a alimentação suficiente para a exigência que os treinos de alto rendimento colocavam sobre estes.

Evolução da Visibilidade e Comunicação Social

Nos dias de hoje, quando acontece algo de diferente no mundo, normalmente no dia seguinte já todos sabem. Isto devesse muito à evolução da visibilidade e dos meios de comunicação agora existentes. Antigamente não havia meios suficientes para a partilha de informação, acabando muita coisa por não se saber. Jogadores como Pelé e Eusébio não tinham à sua disposição a quantidade de informação e meios de comunicação que, por exemplo, o Ronaldo e o Messi dispõem hoje.

Mesmo assim, o nome de Pelé passava fronteiras, onde em 1969 fez com que a guerra entre nigerianos e separatistas do Leste Africano fosse interrompida com um cessar fogo até à saída da equipa do Santos do país.

Nos dias de hoje, é muito fácil ser conhecido mundialmente, apenas é necessário um bom agente com os contactos certos e deixar a comunicação social tratar do resto. Se recorrermos ao passado, reconhecemos que seria muito mais difícil ser famoso pela sua qualidade futebolística, aumentando assim o valor do atleta quando este chegava a níveis de reconhecimento mundial. Agora, por vezes, coloca-se jogadores na ribalta por terem realizado uns quantos jogos bons e terem feito alguns golos bonitos, mas que com o passar do tempo se percebe que afinal, apenas foi uma boa fase do atleta e que este, não têm a capacidade de manter o nível que se espera dele num diferente contexto competitivo.

É impossível não identificar a comunicação social como uma das maiores responsáveis pela evolução do futebol (independentemente se a evolução foi boa ou má), realçando a sua importância na partilha de informação.

Evolução da Exploração de Novos Povos/Culturas

No futebol, e no desporto em si, certas populações/culturas, numa fase inicial da modalidade, ainda não tinham sido exploradas e com o passar dos anos, começou-se a perceber que por ventura seria possível haver alguns povos, que pelas suas características individuais, obtivessem maiores vantagens. Podemos identificar o caso da exploração do jogador de origem africana, que aumentou significativamente nas últimas décadas no futebol europeu, muito devido ao desenvolvimento natural das suas habilidades (através do futebol de rua em contextos de países pouco desenvolvidos) como pelas suas características fisiológicas que em muito beneficiam os atletas no desporto.

Outro exemplo são os guarda-redes e os centrais, que tiveram uma grande mudança na sua seleção para integrarem a alta competição. Quando se começou a perceber que a altura poderia ser uma vantagem, procurou-se atletas com características que até à data ainda não se enquadravam no mundo do alto rendimento, visto que antigamente se pensava que os valores médios seriam os mais adequados para o desporto (como por exemplo a altura média, o peso médio, etc).

No futebol de hoje, para cada posição, temos um estereótipo de fisiologia que permite escolher os atletas mais capazes para cada posição em campo, sendo estas características ainda mais visíveis em modalidades individuais, como por exemplo no basquetebol.

Claro que existe sempre exceções à regra, mas que hoje vivemos num mundo de estereótipos, lá isso é verdade. Pois quem nunca viu ou soube de um atleta que foi rejeitado num determinado clube devido a não ter altura suficiente, ou a força necessária? Neste artigo não procuro analisar se é correto ou não este tipo de seleção. Apenas reflicto sobre a evolução no futebol.

Evolução do Atleta

O atleta, o fator mais importante do futebol, pois são eles que fazem o espetáculo que todos gostamos de ver. Será que a evolução também passou por este fator? Na minha opinião sim, mas simplesmente não foi tão grande como nos outros fatores acima referidos.

Hoje o atleta é mais forte e mais rápido, mas o que suporta essa evolução acima de tudo é a ciência e os mídia. Numa análise puramente técnica, podemos perceber que o atleta de hoje não está muito diferente em relação ao atleta do passado. Aliás, hoje a técnica do futebol está muito esquecida, pois a técnica não é apenas o saber driblar. Existe toda uma panóplia de movimentos técnicos que define se o atleta é tecnicamente evoluído ou não. Hoje atletas que dominam a técnica no seu geral, são poucos, em comparação ao passado, onde em cada canto do mundo encontrávamos uma mão cheia deles.

Fazendo uma análise mais pormenorizada, será que os atletas de hoje se jogassem e treinassem nas mesmas condições dos atletas do passado, a diferença entre eles seria tão significativa?

Se recorrermos a alguns dados sobre alguns atletas podemos perceber que o atleta não evoluiu tanto como se pensa, mas sim os outros fatores evoluíram de tal maneira que permitiram melhorar o rendimento do atleta. Com a comparação entre atletas do passado e atletas do presente, podemos facilmente perceber que com as mesmas condições externas os atletas iriam ter resultados muito mais próximos entre eles. Os atletas de hoje iriam sempre apresentar melhores resultados (muito devido à evolução da ciência), mas não seriam tão díspares como se pensa.

Os jogadores de antigamente não jogavam no futebol moderno? Claro que jogavam, e os craques continuariam a ser craques independentemente da era em que jogassem, tal como Newton, Beethoven, Einstein, Mozart e Picasso iriam ser génios nos tempos modernos.

Conclusão Final

O atleta evoluiu, mas na minha opinião tem sido o fator que menos tem evoluído no futebol/desporto. Claro que houve evolução, mas não acredito que seja tão díspar como se fala. Hoje temos atletas com todos os cuidados, com especialistas de cada área à sua volta para garantir que eles tenham o melhor rendimento possível, melhores condições de treino e competição, melhores tecnologias de análise de dados, maior visibilidade dos meios de comunicação entre outros. Se apenas focarmos a nossa atenção no atleta, este por ventura, não evoluiu de forma rápida e abrupta mas sim de uma forma lenta e progressiva.

Assim sendo, o que realmente evoluiu no desporto foram os fatores externos, que levaram a mudanças de formas de trabalhar e de seleções de atletas, promovendo assim a evolução do desporto. O futebol tem muitos fatores que contribuem para a sua evolução, onde apenas a evolução de um único fator influencia drasticamente a forma como conhecemos o futebol. Algumas mudanças são positivas, outras não, mas a mudança, essa sim é fundamental para a evolução quer do desporto quer do mundo.

Deixo aqui um vídeo (o qual aconselho vivamente a assistir) que mostra um pouco os fatores que acabei de falar (de uma perspetiva de outras modalidades), mas que é muito fácil perceber e fazer o paralelo para a nossa modalidade – o futebol.

Autoria: Filipe Campos

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