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Façam-se as Contas Agora! – Altura de Reflexão!

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Façam-se as Contas Agora! – Altura de Reflexão!

Campeonatos terminados é altura de fazer contas, refletir, tirar ilações e apurar responsabilidades. Às equipas que se mantiveram, parabéns pelo trabalho e regularidade; às que subiram de divisão ou foram campeãs, mérito pela persistência, competência e dedicação; às que desceram, perceber o que se passou, que erros foram cometidos, incongruências e más decisões tomadas…

Para subir de divisão ou ser campeão, é necessário que quase tudo esteja perfeitamente alinhado: um clube com infraestruturas, condições materiais e sentido de responsabilidade no cumprimento das suas promessas e no concretizar das suas obrigações financeiras (existem clubes que de forma pontual, outros recorrentemente, têm dificuldade em pagar atempadamente os salários, porém importa saber que os seus dirigentes tudo fazem para o regularizar destas situações ou evitar que sequer sucedam); uma equipa técnica multidisciplinar, competente e focada apenas no treino e na competição (não tendo que ser obrigada a gerir constantemente situações fora âmbito das suas funções); jogadores disponíveis, física e mentalmente, com qualidade e motivados; e uma massa adepta que acompanha, apoia e eleva o clube em qualquer lugar e face a qualquer resultado!

Por outro lado, será que os clubes, jogadores e treinadores, que desceram de divisão são os menos competentes do campeonato?! Será assim tão linear?! O que pode uma equipa técnica fazer quando os jogadores não recebem o seu vencimento a horas, com meses de ordenados em atraso (situação que em Portugal parece ser comum, normal e aceitável)?! Ou quando um dirigente, na semana que antecede uma competição importante “informa” que determinado jogador terá de jogar obrigatoriamente devido a compromissos financeiros ou contratuais?! O que pode um jogador fazer face a promessas nunca cumpridas?! Como será o ambiente no balneário de uma equipa que não tem o apoio dos seus adeptos, que tem um treinador ditatorial ou que é, constantemente, prejudicada pelas arbitragens?! Como se ultrapassa e controla a situação de suspeita de aliciamento de jogadores na viciação de resultados?!

Sem dúvida a descida de divisão deve-se à conjunção de uma multiplicidade de fatores, contudo considero que, de entre todos os intervenientes, jogadores e equipa técnica deverão ser os menos responsabilizados, na medida em que são a “cara”, a parte visível do todo e, como tal, os principais interessados em ganhar, em cumprir os objetivos, em honrar os compromissos e manter uma imagem profissional de competência.

Quem Falha na Preparação, Prepara-se para Falhar!

Face ao exposto revela-se de vital importância: a definição de estratégias e princípios de ação no início da temporada, i.e., atribuição e clarificação de funções e papéis a desempenhar por cada um dos agentes; um correto planeamento e seleção de jogadores de acordo com os objetivos definidos; o respeito e cumprimento de promessas e compromissos por parte de todos ao longo da época; e, no final, uma pontinha de sorte! Paralelamente, é importante a existência de uma equipa técnica competente, dotada de ferramentas comunicacionais, que lhes permita transmitir de forma clara o pretendido, e versátil, com capacidade de adaptação a imprevistos, de resposta a novos desafios e gestão de condicionantes que ultrapassam em tudo, as competências técnicas da mesma ou a componente técnico-tática do jogo propriamente dita e se reflete na coluna à direita da tabela!

Feitas as contas, ninguém é culpado, mas todos são responsáveis! É ténue a linha que separa o sucesso do insucesso, os vencedores dos vencidos. Parabéns aos campeões e felizes e sortudos aqueles que nunca desceram de divisão!

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