-- ------ Análise às finanças dos três grandes (1º Semestre)
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Análise às finanças dos três grandes (1º Semestre)

Análise às finanças dos três grandes (1º Semestre).

Ao longo dos tempos, as finanças e o respetivo investimento que os clubes fazem no futebol tornam-se cada vez mais preponderantes na conquista de títulos e no aumento do prestígio fora de portas. Logo, os clubes portugueses precisam, cada vez mais, de fazer uma boa gestão das suas contas.

 

1. Receitas

Existem várias maneiras de um clube futebol obter rendimentos, mas no caso dos três grandes portugueses existem 4 principais fontes de receita: Receitas TV; Prémio UEFA; Patrocinadores; Receitas de jogos.

 

1.1  Receitas TV

São a segunda maior fonte de rendimento, por isso assistimos uma intensa negociação, por parte dos três grandes, em 2015. Porém, apenas a partir da próxima época será possível uma melhor comparação dos valores entre estes três, pois os tão falados contratos com MEO e NOS, no caso de Porto e Sporting, apenas irão começar a partir da próxima época. Há ainda a referir que, como existe por parte de FC Porto e Sporting CP antecipação de rendimentos destas mesmas receitas, será interessante saber a quantidade que irão receber ao longo dos 10 anos de contrato.

 

1.2 Prémio UEFA

É a principal fonte de rendimento dos três grandes, como é possível visualizar nos gráficos abaixo. Esse rendimento depende, contudo, do bom desempenho desportivo dos mesmos. Com o aumento significativo dos prémios da UEFA a partir desta temporada, o apuramento para os oitavos de final poderá gerar rendimentos superiores a 30 milhões de euros só em prémios. Sendo que, indiretamente, faz aumentar todas as outras rúbricas, daí a importância da participação na Liga dos campeões.

 

1.3 Patrocinadores

Com base no mercado pequeno aos quais os três grandes estão inseridos, é um tipo de receita importante. Não tende, contudo, a crescer muito significativamente comparando com as restantes receitas. Poderá crescer apenas com o negócio MEO/NOS, devido ao negócio combinado entre direitos de TV com os patrocínios.

Imagem 1- Receitas do Sporting Clube de Portugal (comparativo com as três últimas temporadas). Fonte: www.sporting.pt

 

Imagem 2- Contas do FC Porto relativas ao 1.º semestre, com as respetivas comparações desde 2014/15 até agora. Fonte: www.fcporto.pt

 

Benfica é, dos três grandes, o que apresenta claramente melhor performance no que a receitas diz respeito.

Imagem 3- Receitas do Benfica superam largamente a de FC Porto e Sporting CP. Fonte: www.slbenfica.pt

 

1.4 Breves conclusões

Os prémios UEFA são muito importantes para os três grandes. Há mesmo uma certa dependência, por forma a manter o indispensável equilíbrio financeiro.

As receitas de jogos têm aumentado significativamente, devido à crescente aderência do público aos jogos. Esse crescimento, porém, tende a estagnar, pois as médias de ocupação para o campeonato já rondam os 90%. Apenas em jogos especiais da Champions League poderá haver aumentos significativos, como no caso do Sporting esta temporada.

 

2. Gastos c/ pessoal

É uma das rúbricas mais importantes para percebermos o investimento que os clubes fazem nesta mesma época. Apesar de incluir os gastos em funcionários do clube e membros da Direção, a grande fatia corresponde aos jogadores de futebol e aos respetivos membros do staff.

O FC Porto é, de longe, a equipa que tem acumulado mais despesa em termos salariais. Há jogadores com salários muito elevados, como são os casos de I. Casillas, Maxi, Oliver, Brahimi e Aboubakar.

O Sporting triplicou os gastos com pessoal. Nas últimas três épocas (coincidindo com a entrada de Jorge Jesus) esta rúbrica encontra-se já ao nível dos seus eternos rivais, sendo que, a continuar neste ritmo, poderá mesmo ultrapassá-los.

O Benfica, apesar do desinvestimento inicial após a chegada de Rui Vitória, tem acompanhado o crescimento dos seus rivais. Isto explica-se pela quantidade exorbitante de jogadores sob contrato, mas não só. A manutenção de jogadores com salários altíssimos como Salvio, Luisão, Taarabt, Carrillo,… também “ajudam”.

Em resumo, acaba por ser normal este tipo de crescimento. O futebol mundial está pautado por valores cada vez maiores, o que obriga os três grandes a um aumento cada vez maior do seu teto salarial para competir com a elite europeia. O problema deste tipo de investimento é se é sustentável. Como vimos na rúbrica anterior, em Portugal este tipo de investimento é apenas sustentável com as receitas da Liga dos campeões e como agora só há dois lugares (e mesmo o segundo não está certo)…

Imagem 4- Comparativo na rúbrica “Gastos com pessoal” dos três grandes.

 

3. Resultado operacional s/ transação de atletas

Esta rúbrica corresponde à diferença entre as receitas e os gastos correntes do clube.

Apesar de todas as receitas que o clube possa vir a ter, tudo se resume a esta rúbrica. Ou seja, um clube pode alcançar receitas recorde, mas se as despesas continuarem a ser superiores às receitas o clube continua com prejuízo.

O Benfica consegue manter um resultado positivo nos últimos quatro anos, o que salienta o trabalho feito pela sua Direção no que toca a construir um clube autossustentável. Nota-se também que este resultado depende do desempenho desportivo nas competições europeias. Nos piores anos desportivos a esse nível tem, proporcionalmente, os piores resultados operacionais.

O Porto tem acumulado resultados negativos devido ao intenso investimento feito, mas com o «apertar do cinto» é obrigado a diminuir este resultado para se tornar cada vez menos dependente das transferências de jogadores.

O Sporting, apesar do aumento significativo das receitas da UEFA, tem permanecido em terrenos negativos. Isto é resultado do investimento feito pelo clube, sendo que fica cada vez mais dependente das competições europeias para conseguir um resultado positivo.

Imagem 5- Resultado Operacional (excluindo transações de atletas) dos três principais clubes portugueses.

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