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A frenética J1 League está de volta

Durante anos povoou as madrugadas europeias via Eurosport, uma liga carregada de público, jogada a um ritmo alucinante, que dá sempre prazer acompanhar e que, em 2017, volta a ter um português, Hugo Vieira e o Bom Futebol é um dado adquirido

A estreia do goleador barcelense, um dos muitos prospectos atacantes que Galegos Santa Maria magicamente continua a produzir, viu-o somar mais uma liga ao seu historial, depois de Portugal, Espanha, Rússia e Sérvia, com golo logo na sua estreia oficial envergando a camisola do Yokohama F Marinos.

Num duelo bem histórico logo a abrir, o Yokohama F Marinos bateu o Urawa Reds por 3-2, com a vitória a vir do banco por Hugo Vieira (um golo e presença activa no terceiro, ao bloquear a visão ao guarda-redes dos Reds) e o jovem Naoki Maeda, autor do tento vitorioso.

O ano de 2017 traz dois históricos novamente ao máximo patamar, Cerezo Osaka e Shimizu S-Pulse, duas das formações que estiveram na primeira época de J-League, em 1993, prova que conta apenas com dois totalistas, o mais titulado e campeão corrente, Kashima Antlers, e o Yokohama F Marinos, tendo em conta a base anterior Yokohama Marinos e Yokohama Flugels, entretanto fundidos no final do século passado.

2017 fica ainda marcado pela descida do terceiro totalista ainda na J-League, o Nagoya Grampus.

A seguradora Meiji Yasuda é o ‘naming sponsor’ da J1 League, que por isso se denomina agora Meiji Yasuda J1 League.

Depois de tentarem perceber o sucesso de um modelo com uma fase de campeão depois das duas voltas, ao estilo sul-americano, algo que duraria cinco anos, ao terceiro é decidido abandonar esse modelo e voltar ao tradicional a duas voltas com campeão consagrado no final da prova, após as 34 jornadas. Diga-se que a JLeague começou desta forma, até por ter sido bastante influenciado pelo futebol da América do Sul, contudo compreenderam que este modelo não atrai mais investidores ou adeptos face ao tradicional.

Os bancos da JLeague, assim como os relvados, já tiveram nomes ilustres e uma paleta enorme de nacionalidades. Paulo Autuori, Osvaldo Ardiles, Nelsinho Baptista, Stuart Baxter, Guido Buchwald, Toninho Cerezo, Benito Floro, Hugo Fernández, Alexandre Gallo, Ivan Hasek, Wim Jansen, Emerson Leão, Ivica Osim, Holger Osieck, Carles Rexach, Roberto Rivelino, Joel Santana, Luiz Felipe Scolari, Jozef Venglos, Pim Verbeek, Arsène Wenger ou Carlos Queiroz são apenas alguns de entre as dezenas que desde 1993 ocuparam as lideranças técnicas dos clubes nipónicos de primeira linha.

Rudi Vata, Ramón Díaz, Zico, Bebeto, Wanchope, Cacau, Littbarski, Rahn, Massaro, ‘Toto’ Schillaci, Jakimovski, Utaka, Richard Witschge, Frode Johnsen, Jorge Dely Valdés, Begiristain, Pecnik, Bickel, Mujcin, Diego Forlán, Lineker ou Michael Laudrup, entre tantos outros, deram perfume global a uma das mais entretidas ligas que o futebol conhece.

Parte da equipa que venceu o primeiro título do Kashima Antlers em 1996, Masatada Ishii assumiu a equipa em 2015 para levar a formação à conquista da oitava liga do seu historial. Ishii é ainda o primeiro não-brasileiro a dar a JLeague ao Kashima, onde foram campeões como técnicos João Carlos, Toninho Cerezo e Oswaldo de Oliveira, o homem do primeiro tri na história da prova.

Ishii é ainda o primeiro campeão como futebolista e como treinador na história da JLeague.

O arranque de campeonato 2017 foi com surpresa, o campeão viu-se derrotado em casa pelo FC Tokyo.

Uma das figuras do campeão passou por Portugal e ao serviço do Portimonense deu mostras de muita qualidade, contudo não passou o ‘crivo’ de forma a saltar para uma maior divisão e vence o título neste segundo regresso ao Japão depois de duas estadas no Algarve, Mu Kanazaki. Estranhamente, também antes na Alemanha, não saltou ao escalão maior.

O veterano Sogahata parece ter perdido o lugar na baliza para o sul-coreano Sun-Tae Kwon, contratado ao Jeonbuk Hyundai, internacionalizado pelo seu país aos 30 anos, tem agora 32, mantendo muita experiência nas redes. Os brasileiros Léo Silva e Pedro Júnior foram contratados na JLeague e chegam para ‘roubar’ lugar.

As mascotes do Kashima Antlers, algo comum nos estádios nipónicos, ou não fosse o Japão também famoso mundialmente pela sua ‘animé’ e bandas desenhadas.

 

O plantel do campeão para 2017. Foto: sítio oficial do Kashima Antlers – www.so-net.ne.jp/antlers

Como é habitual, apesar do investimento dos clubes em desenvolverem as suas academias, várias delas associadas às escolas, muitos dos jovens futebolistas continuam a ser adquiridos no ‘High School System’, um modelo adaptado da América do Norte.

A dupla de centrais é bastante jovem, Ueda tem 22 anos e Shoji 24, Yuma Suzuki é um avançado a observar atentamente, tem 20 anos e vai acumulando minutos, mas necessita de jogar mais, no Kashima ou noutra franquia, para continuar a afirmar-se como potencial titular da selecção principal. Espera-se que seja 2017 o ano de afirmação absoluta de Shoma Doi. Aos 24 anos já tarda em se estabelecer como primeira escolha, funcionando mais como ‘tapa-buracos’, muitas vezes – demasiadas – a alinhar no flanco quando se nota que a posição de eleição e onde rende claramente mais é no papel de médio ofensivo pelo centro.

Ogasawara parece eterno. O capitão caminha para as 38 primaveras, que fará no início de Abril, mas mantém-se como o ‘fiel da balança’ do miolo do campeão, ele que esteve em cinco dos oito títulos do Kashima Antlers.

A liga continua a possibilitar cinco estrangeiros, já sem o limite de três fora da AFC em inscrição, continuando contudo a existir essa restrição na folha de jogo, onde apenas podem constar quatro não portadores de passaporte nipónico. Apesar disso, o vice-campeão de 2016 – que teria sido campeão caso fosse apenas realizada a soma dos pontos obtidos na fase regular, Urawa Red Diamonds, apenas tem dois estrangeiros inscritos até ao momento, um dos quais a bisar na jornada inaugural, o canarinho Rafael Silva, na derrota face ao Yokohama F Marinos.

Apenas Rafael Silva foi novidade no onze de estreia para a JLeague 2017, os restantes vêm da temporada transacta.

O antigo defesa Michael Petrovic está ao leme do clube desde 2012, depois de ter estado cinco anos a orientar o Sanfrecce Hiroshima, ‘preparando’ o caminho para os sucessos recentes da formação da famosa – pelos piores motivos – cidade nipónica.

A recuperação das derrotas inaugurais foi feita da melhor forma, goleada na Liga dos Campeões ao FC Seul por 5-2.

O Urawa Red Diamonds continua em busca da segunda JLeague do seu historial. Este é o plantel 2017. Foto: sítio oficial do Urawa Reds – www.urawa-reds.co.jp

Yuki Abe é o capitão, Tadanari Lee uma das grandes referências da equipa, mas o realce aqui vai para o ‘10’ Kashiwagi, um médio indiscreto que Petrovic lançou no Sanfrecce Hiroshima e que se revela um pêndulo ofensivo neste Urawa Reds, onde reinam os seus passes para golo. É estranho que nunca tenha sido ‘requisitado’ pelo futebol europeu. Kashiwagi é daqueles que leva gente ao estádio só por si, extravagante nos festejos, que se percebe divertir-se nos relvados e tem um toque de bola mágico, parecendo sempre descobrir o timing certo para oferecer golos. A sua mente é mais acelerada e se não tem ainda mais assistências é por isso mesmo, os outros por vezes não o conseguem acompanhar.

O Kawasaki Frontale continua em busca do primeiro campeonato maior. Este ano no banco conta com Toru Oniki, antigo médio do clube, que sucede a Yahiro Kazama, o primeiro futebolista japonês a marcar um golo na JLeague e que estava a orientar o clube desde 2012, entretanto rumado ao histórico Nagoya Grampus com o propósito de rapidamente recolocar o clube na J1 League.

Pertencente ao gigantesco grupo Fujitsu, o Kawasaki Frontale arrancou com vitória por 0-2 na visita ao Omiya Ardija.

Oniki foi obrigado a inventar um lateral direito em face das lesões do brasileiro Elsinho e de Takeoka, sendo Yusuke Tasaka, um médio ofensivo/avançado, com três anos de futebol alemão no Bochum, a cumprir bem o papel. Também o eixo defensivo foi composto por ajustes, em virtude da lesão do brasileiro Eduardo, reforço 2017, e não entrando ainda o também Michael Fitzgerald, neozelandês com passaporte nipónico.

Shogo Tanaguchi, central ou médio defensivo de 23 anos, o mais utilizado de 2016, liderou esse eixo diante do Ardija, ao lado do habitual defesa esquerdo Kurumaya. Kyohei Noborizato começa a temporada como titular da lateral esquerda em virtude do desvio do rival Kurumaya para o centro.

Enquanto Tanaguchi e Neto asseguram os equilíbrios defensivos no miolo, é Ryota Oshima a pautar o jogo do meio para diante. Oshima tem 24 anos, é internacional japonês em todas as categorias e deverá ser uma questão de tempo até ser convencido para uma aventura europeia.

Kengo Nakamura é mais um eterno da liga, continuando a passear classe nos relvados nipónicos. Também no Frontale está o consagrado Morimoto, com pouco tempo de jogo na época passada em virtude de uma lesão meniscal que lhe ‘roubou’ metade do ano. Morimoto é oriundo de Kawasaski e detém os recordes de mais jovem debutante e mais jovem goleador da liga, fazendo tudo isso antes de completar 16 anos. Aos 28 já dá a ideia de estar na liga como um trintão face à sua precocidade.

 

Como a maioria dos clubes nipónicos, também o Gamba Osaka tem uma relação com uma grande empresa japonesa, pertence à Panasonic. Os 10 anos de Akira Nishino no banco viram-se vencer a JLeague pela primeira vez em 2005 e a Liga dos Campeões Asiáticos em 2008. Kenta Hasegawa está no banco desde 2013, pegou no clube despromovido no ano em que Nishino saiu e venceu a J2 League, conseguindo algo inédito em 2014, o clube foi campeão da J1 League, algo visto poucas vezes no mundo do futebol, um clube ser campeão do segundo escalão e no ano imediatamente seguinte vencer a divisão maior.

O começo de temporada na liga fez-se com empate a um diante de Ventforet Kofu.

Genta Miura tem 21 anos, chegou do Shimizu S-Pulse e parece ter pegado de estaca no centro da defesa do Gamba Osaka. O seu parceiro de início de época também é novidade em Osaka, Fábio mudou-se de Yokohama para reforçar o Gamba.

Formado no clube é Yusuke Ideguchi, médio de 20 anos que já integrou os trabalhos da principal selecção japonesa.

Yasuyuki Konno é a voz de experiência no Gamba Osaka, ele e o ainda mais experimentado Yasuhito Endo, mais de 130 vezes internacional ‘AA’ pelo Japão.

Ademilson, depois do bem-sucedido empréstimo por parte do São Paulo, foi definitivamente adquirido pelo Gamba Osaka, ajudando já o clube a avançar a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões Asiáticos.

O Omiya Ardija realizou em 2016 a melhor época da sua história, terminando a J1 League em 5.º depois de se ter sagrado campeão da J2 League. Hiroki Shibuya procurou evitar a descida em 2014, não o fez mas a direcção valorizou o trabalho e qualidade apresentados, confirmando-se isso mesmo com o título da J2 e o brilhante 5.º posto de 2016. É um homem da casa, fechou aqui a carreira de futebolista e permaneceu mais de uma década a trabalhar a formação do clube e, posteriormente, como adjunto da equipa principal.

O ex-nacionalista Nejc Pecnik é um dos elementos do plantel, que arrancou com derrota caseira diante de Kawasaki Frontale.

Depois de uma vida no Kashiwa Reysol, onde foi campeão, o médio Barada junta-se este ano ao Ardija. O jovem da casa, Keisuke Oyama, começa 2017 como primeira escolha para o meio do terreno. Também para o centro do meio-campo chegou Aria Jasuru Hasegawa, filho de mãe japonesa e pai iraniano.

Outro reforço de 2017 é o ala Yusuke Segawa, provavelmente o mais brilhante da J2 League 2016, especialmente considerando o ‘minnow’ Gunma em que alinhou. Segawa somou 13 golos e 13 assistências na segunda liga e chega para espantar a J1 League.

o baixinho Genki Omae, que esteve na Alemanha ao serviço do Fortuna Dusseldorf, é outro dos novos nomes do plantel, chegado do Shimizu S-Pulse.

A Mazda é a dona do Sanfrecce Hiroshima. O regresso ao escalão maior em 2008 trouxe o clube ao topo. Desde aí são três J1 League a candidatura habitual ao título no início de ano. A equipa tem, contudo, falhado na prova continental, três vezes eliminada na fase de grupos e uma outra logo nos 16 avos de final.

O trabalho de Hajime Moriyasu, antigo internacional do Japão como médio de contenção, nos anos 90, é de real nota. Ele chegou, viu e venceu. Parte do sistema jovem do clube, Moriyasu chegou a orientar os sub20 japoneses, tendo deixado Hiroshima para orientar o Albirex Niigata, mas regressou para o sucesso, sendo ele o homem que guiou o clube aos três campeonatos.

A época iniciou-se com um empate a um diante do Albirex Niigata, que se salvou da relegação face aos golos, em detrimento do mais histórico Nagoya Grampus, despromovido pela primeira vez.

Aos 27 anos, parece ser finalmente a hora de Ryotaro Hironaga, eterno suplente das balizas, a começar 2017 como titular face à impossibilidade aparente de Hayashi

O plantel 2017 do Sanfrecce Hiroshima. Foto: sítio oficial do Sanfrecce Hiroshima www.sanfrecce.co.jp

Felipe chega do Ceará para assumir a ‘10’ do Sanfrecce, mas nota para o jovem Morishima, que pode ser a surpresa de 2017. Kudo passou um ano em Vancouver depois de toda a carreira no Reysol, agora a aparecer como reforço em Hiroshima.

Kudo vem desafiar a titularidade do nigeriano Utaka na frente de ataque.

Yoichi Naganuma é outro jovem nome a acompanhar de perto. Formado em Hiroshima, estreia-se no plantel sénior e pode ser uma das revelações da temporada, caso o técnico tenha a ousadia de apostar neste flanqueador.

Depois de cinco anos no Kashiwa Reysol, Nelsinho Baptista tomou conta dos destinos do Vissel Kobe em 2015, naquele que é o quarto clube do brasileiro na JLeague. O 7.º lugar de 2016 foi a melhor posição de sempre do clube na liga e, depois do extraordinário no Reysol, Baptista quererá repetir o feito em Kobe.

O ano arrancou com triunfo na visita ao Shimizu S-Pulse.

No Vissel está o terceiro guardião sul-coreano a titular da liga. Seung-Gyu Kim é um dos guarda-redes da selecção.

Wataru Hashimoto chegou cedido para a segunda metade de 2016, por parte do Urawa Reds, agora em definitivo no Vissel e a estrear-se em 2017 com o golo vitorioso na jornada inaugural. O centro da defesa começa com o reforço Watanabe e o ‘homegrown’ Iwanami, um central de 22 anos internacional em todas as categorias e às portas de sê-lo também absoluto.

Outra das novidades para 2017 é o ex-sportinguista Tanaka. O avançado chega para ‘substituir’ Pedro Júnior que, com Leandro e Kazuma Watanabe, formou um trio que acumulou 56 golos em 2016! Watanabe é uma força goleadora desde há anos.

Os golos que Watanabe soma no seu historial mereceriam mais do que uma internacionalização pelo Japão. No entanto, a concorrência é apertada e, como na maioria das selecções, quem está ‘dentro’ tem habitualmente segundas e terceiras oportunidades, especialmente com seleccionadores europeus, como sucedeu recentemente na selecção japonesa.

O Kashiwa Reysol começou 2017 com um bom triunfo em Tosu, 1-3 na visita ao Sagan.

Takahiro Shimotaira assumiu a equipa em 2016, iniciando-se como treinador principal dez anos depois de pendurar as luvas no Reysol como futebolista.

A Hitachi é a dona do Reysol.

Na equipa está aquele que muitos vêem como futuro dono da baliza nipónica, Kozuke Nakamura, feito no clube e internacional em todas as categorias até aos sub23. Como ele, Shinnosuke Nakatami, central de 20 anos, fez-se no Reysol e deverá a médio prazo constituir-se alternativa ao principal seleccionado do Japão. A dupla de centrais é local e bem jovem, acompanha Nakatami o esquerdino Nakayama, com 20 anos feitos em Fevereiro. Yusuke Kobayashi é outro nome da casa com grande margem de progressão.

A velocidade de Junya Ito é desconcertante, especialmente as suas mudanças de velocidade. Chegou ao Reysol oriundo do Ventforet em 2016 e tem somente 23 anos.

No Yokohama F Marinos está o gaulês Erick Mombaerts desde 2015 e a equipa arrancou a temporada com remontada.

Além de Hugo Vieira, Ken Matsubara é um dos reforços 2017, lateral direito polivalente que chegou do Albirex Niigata. Outra novidade é o australiano-sérvio Degenek, que deixou o 1860 Munique de Vítor Pereira para reforçar o Yokohama F Marinos.

Um dos capitães é a lenda Nakazawa, mais um eterno da liga, com 39 anos. Rookie do ano em 1999, jogador do ano em 2004, vencedor da JLeague em 2003 e 04 e da Taça da Ásia em 2000 e 2004, com mais de 100 encontros com a camisola do ‘Sol Nascente’, será um dos nomes que o minhoto trará na memória.

David Babunski também chegou em 2017 ao Yokohama F Marinos. O formando de La Masía pode ser um estrondo na JLeague, ainda que o ritmo a que esta se joga o levará a uma necessária adaptação.

A estrela emergente local é Manabu Saito, cujo drible curto e baixo índice de gravidade já o fez ser comparado a Messi, com as devidas distâncias e, desde logo, o facto de Saito ser destro. Mas que tem capacidades malabaristas com bola, sem dúvida.

Na frente as escolhas são todas bastante móveis. Os miúdos Tagachi, nascido em Nova Iorque filho de mãe norte-americana, 23 anos, e Maeda, 20 anos, que deu a vitória na partida inaugural de 2017.

Yoshiyuki Shinoda fez toda a carreira no Avispa Fukuoka, primeiro como médio, posteriormente no banco, até 2011. Em 2016 assumiu o FC Tóquio para colocar a equipa no meio da tabela.

A formação da capital tem diversas novidades, a começar logo pela baliza. Na direita o ex-universitário Muroya abre com uma titularidade que se aguardava de Tokunaga. Depois de um ano na Holanda, o canhoto Ota está de volta ao FC Tóquio. Outro retorno, este da Coreia do Sul, é o criativo Takahagi. Nagai chegou do despromovido Nagoya Grampus. Yoshito Okubo é reforço para o centro do ataque, onde competirá com o também veterano Ryoichi Maeda.

Muitas novidades e muita experiência para tentar guindar o FC Tóquio a lugares de apuramento para a Liga dos Campeões Asiáticos.

Debutante na J1 League em 2012, o Sagan Tosu conseguiu segurar-se até agora no máximo escalão, estreando-se mesmo com uma excelente 5.ª posição. No início de 2016 chegou o primeiro europeu para orientar a equipa, o italiano Massimo Ficcadenti. O antigo defesa/médio esteve à frente do FC Tóquio em 2014 e 2015. Depois de mais de uma década a orientar clubes em Itália, Ficcadenti teve no Japão a primeira experiência fora do país e parece apostado em permanecer no País do Sol Nascente.

Gonda esteve um ano cedido pelo FC Tóquio aos austríacos do Horn, agora regressa ao Japão para reforçar o Sagan Tosu.

Um nome a seguir é o jovem central sul-coreano Min-Hyeok Kim. Formado nas escolas sul-coreanas, passou pelo Hamburgo e chegou em 2014 oriundo da Universidade de Soongsil.

Riki Harakawa está cedido pelo Frontale ao Sagan Tosu.

Depois de quatro anos na Bélgica, Yuji Ono está de volta à JLeague. Daichi Kamada veio do High School em 2015 e parece pronto a fazer misérias na JLeague. Tem muito Bom Futebol este jovem.

Começado no terceiro escalão, aquando do surgimento da JLeague, o Vegalta Sendai tem-se dividido entre J1 e J2 no século XXI, mantendo-se no máximo escalão desde 2010, com duas prestações brilhantes, o 4.º lugar em 2011 e o vice-campeonato em 2012, mas desde aí tem voltado à luta pela permanência.

Em 2017 começou com vitória sobre o Consadole Sapporo. O treinador é Susumu Watanabe, que fechou a carreira de futebolista aqui em 2004, permaneceu nos escalões jovens, como adjunto e em 2014 assumiu o posto de treinador principal.

O flanco esquerdo abriu 2017 com Nagato, reforço oriundo da Universidade Hosei.

Tirando Nagato, a equipa é bem experiente, o plantel aliás, talvez necessite de um rejuvenescimento, para trazer mais irreverência, algo que Mita certamente aportará.

Jubilo Iwata é a equipa JLeague da Yamaha. Foto: sítio oficial do Jubilo Iwata, www.jubilo-iwata.co.jp

O Jubilo Iwata arrancou com um nulo face ao histórico e recém-promovido Cerezo Osaka.

Nanami, um dos melhores médios dos anos 90 e 00 no Japão, parte da selecção nipónica campeã asiática em 2000. Foi no Jubilo Iwata que começou o futebol profissional e jogou praticamente toda a carreira, salvo três cedências, participando nos três títulos do Jubilo. Depois de pendurar as chuteiras em 2008, aqui, integrou os quadros técnicos e é, desde 2014, o treinador principal da equipa.

A estrela Shunsuke Nakamura, 38 anos, mudou-se este ano do ‘seu’ Yokohama F Marinos para o Jubilo Iwata e é de crer que Nanami molde a equipa em torno daquele que ainda foi seu companheiro na selecção nipónica. O jovem Kawabe, cedido pelo Sanfrecce, tem em Nakamura e Nanami belos ‘professores’ para aprimorar o seu desempenho criativo.

Kengo Kawamata procura retomar a forma goleadora no Jubilo. Pode fazer uma bela dupla com Nakamura.

Apesar da apertada permanência Satoru Sakuma mantém-se como treinador do Ventforet Kofu. A equipa começou com um bom empate em Osaka.

Fumitake Miura estreia-se como treinador principal na J1 League depois do seu trabalho no terciário Nagano Parceiro ter captado a atenção da liga principal. É ao leme do Albirex Niigata que faz o debute. O começo não podia ser melhor, empate em Hiroshima face a um candidato ao título como é o Sanfrecce Hiroshima.

Kisho Yano é uma das novidades. O defesa deixou o Albirex pela experiência alemã no Freiburg, regressando dois anos depois. Entre 2013 e 2016 esteve no Nagoya Grampus voltando a ‘casa’ após a descida do histórico de Nagoya. Tomisawa chega vindo do JEF United.

Depois de meia época cedido ao Fagiano Okayama, o irmão do meio dos Sakai volta ao Albirex Niigata regressa para começar como titular na lateral esquerda.

A grande novidade é, contudo, o ex-secundário Teruki Hara, médio de 18 anos apontado a grandes coisas no Japão.

O Norte japonês volta a estar representado, o Consadole Sapporo subiu e agora ostenta igualmente o nome da ilha, Hokkaido.

Shuhei Yomoda é um técnico da Universidade. Foi olheiro da equipa nacional, com Takeshi Okada, que o levou para o Consadole Sapporo, equipa onde assumiu o cargo de treinador principal em 2015, quando orientava os juniores, depois do despedimento de Barbaric. O sucesso está à vista com esta promoção apenas época e meia como técnico principal no futebol sénior.

Formado no Cerezo Osaka, o sul-coreano Gu é o quarto do seu país como titular nas redes da J1 League. Com 22 anos, é um dos nomes para o futuro da selecção principal da Coreia do Sul.

Yokoyama chega cedido pelo Ormiya Ardija, Fukumori ajudou à subida emprestado pelo Frontale, agora está no clube em definitivo. Kikuchi está cedido pelo Sagan Tosu.

Além dessas diversas cedências, a formação da cidade que já recebeu uns Olímpicos de Inverno tem alguns formandos do clube, como é o caso do médio Fukai.

Para Ken Tokura, o ‘Balotelli Japonês’, o objectivo será repetir a veia goleadora de 2016, onde chegou aos 20 na J2 League.

Shinji Kobayashi promoveu e estreou o Oita Trinita na J1 League, voltou a promover e debutar uma formação no máximo escalão japonês, o Montedio Yamagata em 2009, fê-lo pela terceira vez em 2014 com o desconhecido Tokushima Vortis, voltando a promover um clube em 2016, desta feita o histórico Shimizu S-Pulse. Se o seu histórico na J1 League não é muito relevante, a verdade é que Kobayashi é uma espécie de Vítor Oliveira do Japão, com a diferença que tem acompanhado sempre as equipas que promove.

Freire, ex-Chaves, Nacional e Vitória Guimarães, é um dos reforços neste retorno do S-Pulse à J1 League.

Se Shirasaki tem quilómetros atrás de quilómetros nas pernas, Notsuda tem muito para aprender com este e podem formar um miolo ofensivo bem intenso e contrastante para o Shimizu. Bom Futebol caracteriza ambos os médios ofensivos.

O norte-coreano nascido no Japão, filho dos muitos norte-coreanos que vivem no arquipélago e a grande estrela da Coreia do Norte apontou 27 golos na subida do Shimizu novamente à J1 League. Pode ter em Koya Kitagawa o aliado perfeito, caso Kobayashi veja no miúdo de 20 anos uma ideia de jogo diferente, alinhando com um extremo mais de linha e Kitagawa mais perto de Tae-se, em maior ligação com o veterano Shirasaki e Notsuda, como desenhamos neste possível onze ‘ideal’.

Kiyoshi Okuma promoveu o FC Tóquio em 1998 e 2011, somando agora a sua terceira promoção como técnico.

O internacional Jin-Hyeon Kim é o quinto dono das balizas na J1 League oriundo da Coreia do Sul.

Um dos reforços para 2017 também vem da Coreia do Sul, mas é croata, o central Jonjic. Mizunuma chega cedido pelo FC Tóquio, um internacional em todas as categorias jovens que tem tido algumas dificuldades em se afirmar definitivamente. Poderá ser no Cerezo, aos 27 anos já tarda em confirmar o potencial que se lhe via quando no Yokohama F Marinos.

O avançado Kakitani foi contratado pelo Basileia em 2014, faz uma temporada de adaptação razoável mas perde espaço no segundo ano e regressa ao Cerezo Osaka. O talento está lá, capaz de jogar em qualquer posição ofensiva, até mesmo como ‘10’. Seria de esperar que vingasse na Europa.

Sugimoto foi o mais efectivo no ano passado, 20 golos durante o ano.

A época abriu, como habitualmente, com a Supertaça, a Xerox, com o campeão Kashima Antlers a vencer por 3-2 o Urawa Red Diamonds e o Bom Futebol presente.

Autor: António Valente Cardoso

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