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O Futebol num Admirável Mundo Novo

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O Futebol num Admirável Mundo Novo

Aldous Huxley romanceou um modelo de sociedade do futuro, a partir de uma série de tendências de desenvolvimento já sentidas na era da industrialização, no seu famoso livro Admirável Mundo Novo. Entre tudo o que pode ser discutível nesta ideia prospectiva o inegável, passados quase 90 anos do lançamento do livro, é a mudança inequívoca de muitos dos padrões dados como adquiridos na nossa esfera social e a aceleração para roturas ainda mais profundas.

Onde fica o Desporto nesta corrida para o futuro? E o Futebol, para onde caminha?   

Um Mundo novo precisa de um Futebol novo… Mas que Futebol?

Pode parecer uma mera abstracção filosófica, ou uma ideia tão distante que não vale a pena dispensar-lhe qualquer atenção, no entanto tem consequências bem próximas e perceptíveis para quem não encara com leviandade, egoísmo ou conformismo o que vai vivendo.

Pode parecer mais fácil queixarmo-nos de que as crianças já não são o que eram… De que não têm o mesmo interesse pelo jogo apesar de aparentemente as condições proporcionadas serem melhores… Pode parecer mais simples alegar que a crise foi a causa da falência e queda da importância das associações desportivas no tecido social… Podemos até esperar por um passado que já fez sentido (e onde muitos pararam), mas que nunca mais fará porque vivemos em frente, inclinados para o futuro!

Isto desfaz o sentido e significado de todos os lamentos, mas sobretudo de visões e estratégias ultrapassadas (porque serviram para condições que já se alteraram). Torna urgente pensar um novo Desporto, um novo Futebol, para uma Sociedade nova e em constante mutação. O que queremos desta área, desta modalidade em particular? Como enquadra-la adequadamente nas novas dinâmicas sociais? E o que precisamos fazer para o conseguir?

Fugir não é solução.

Fugir ao futuro é uma corrida que tem um vencedor antecipado! Os agentes com poder de decisão no meio futebolístico precisam ter esta noção presente para que não tornem obsoleto o produto que tentam promover, que será engolido velozmente se não se posicionar de forma firme e concreta na globalidade do espectro social.

Cabe a todos os responsáveis construir um futebol diferente, desde os clubes de bairro com os meninos mais novos, até à alta-competição. E será escusado lamentar o facto do boom tecnológico e a insegurança tirarem as crianças da rua, será escusado apontar armas ao mercado capitalista como sendo promotor de desigualidades. As cartas estão na mesa, haverão várias formas de jogar, mas não há a possibilidade de voltar atrás e mudar a “sorte”.

Um retrato momentâneo da realidade nacional.

Podemos analisar os vários quadrantes do Futebol nacional e perguntar: É isto que precisamos? É isto que queremos?

Começando pelo futebol profissional, passando pelo futebol amador, pelo futebol jovem, ou abordando mesmo a estrutura organizativa desde os níveis governamentais aos níveis associativos. Todos estes domínios se interligam, quer queiramos e tenhamos noção disso ou não. Mas se assim é, notamos uma estratégia global para o desenvolvimento da modalidade e para a sua adequação ao futuro?

Com certeza que não são questões fáceis de resolver, por tudo o que está envolvido, mas não deixa de ser importante tentar. Dar passos, ainda que pequenos, na direcção certa.

Podemos deixar-nos levar por interpretações luminosas de dados que servem os interesses de um determinado conjunto de pessoas. Haverão mais federados, mais títulos nas selecções jovens, os nossos melhores clubes conseguem evoluir e competir internacionalmente, mas é preciso saber: À custa de quê e de quem?

E colocar todas as questões incómodas: Há mais federados em relação há 10 anos, mas porquê? Há mais federados, mas haverá mais gente a praticar? E qual o período médio de duração da inscrição dos federados que começam nos primeiros escalões? Qual a proporção de federados por distrito em comparação com o período de há 10 anos atrás nos diferentes escalões? O nível qualitativo dos federados por cada distrito, sabe-se como tem evoluído? Os investimentos realizados têm o retorno avaliado apenas em competições ganhas, em números momentâneos?

O quadro não deve ser pintado em tons escuros, mas será necessário uma nova cor no Futebol que caiba num Admirável Mundo Novo.

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