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Futebol de Rua: Paradigma Morto?

Futebol de Rua

Futebol de Rua

Paradigma Morto?

Um tema que apesar de discutido há já muito tempo continua a fazer refletir muitos e bons treinadores: Futebol de rua: paradigma morto?

Concretamente objetiva-se trazer para discussão se a rua contínua “formadora” por excelência, é de alguma forma possível replicar a “rua” no futebol tido como mais estruturado nas academias de formação em futebol?

Posso referir que o futebol de rua não existe per se, ou seja, atrevo-me a referir que quando se alavanca o futebol de rua se está de alguma maneira a eleger um modelo (?) formativo um modus operandi próprio do ensino do jogo.

Ora na rua não há ensino (na lógica de um emissor de informação/conhecimento e um recetor do mesmo), há, no entanto, aprendizagem, não há passagem de conteúdos, não há estruturação por níveis de aptidão motora ou até criativa, na rua não existe descoberta auxiliada ou guiada, não existe a possibilidade sequer de todos jogarem, não existe uma democratização do futebol porque não existe enquadramento do “futebol para todos”.

O futebol na rua, ou em qualquer sítio ou local não formal, erigido espontaneamente por quem tem motivação para jogar o jogo de futebol, representa isso sim a possibilidade da liberdade (e creio ser por isto que se torna atrativo e apelativo no processo ensino-aprendizagem), a possibilidade de arranjar constrangimentos ao sabor da arbitrariedade e do processo idiossincrático do dono da bola e/ou do melhor jogador.

O que de bom a rua oferece

O não vale “bujas”, o não vale “altas”, o não vale “guarda-redes”, o querer jogar sempre bem e no limite para que da próxima vez não se fique em último ou de fora no momento da escolha das equipas, a adaptação constante, aquela pedra que no último segundo desvia a trajetória da bola obrigando a um outro recurso num tempo ínfimo, porque apesar de conhecida (a rua onde por norma se joga) esta apresenta sempre surpresas.

Ora este é um mundo de possibilidades, permite uma constante adaptação ao contexto de quem pratica, permite, em ruas com acabamentos menos conseguidos, a perspetiva de estar na eminencia de perder a bola por algo alheio à competência técnica e após apreendido o problema e a consequente resolução do mesmo cria-se a adaptação, a necessidade do querer de que não volte a acontecer aguça o engenho.

Em geral existe uma necessidade de aproveitamento dos recursos que o contexto holístico da “rua” transporta, não existe de forma alguma a necessidade da rua em si mesma.

Posto isto considero o treinador e metodologias de ensino espalhadas e utilizadas pelas escolas e academias de formação de jogadores, os principais culpados pelo não aproveitamento do que a rua oferece. Diz mais do treinador e da sua incapacidade de rever as condicionantes críticas de aprendizagem que a rua contempla e, após análise, transportá-las sob forma de constrangimentos da tarefa, para o treino do que da rua que existe sem existir para a formação de jogadores.

Em prol do Bom Futebol

Traga-se para os locais com requisitos específicos e adequados à tarefa (campos e/ou espaços erigidos nos últimos anos pelo país fora) o que de bom a rua oferece (i.e os seus constrangimentos motores e sociais) e não se tenha na rua em si o modelo formativo de excelência de jogadores de futebol. Tudo isto em prol do BOM FUTEBOL.

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