-- ------ Futebol para gente séria - Bom Futebol
Bom Futebol

Futebol para gente séria

Futebol para gente séria

Futebol para gente séria

O Futebol começa por ser um jogo, uma modalidade desportiva, mas não deixa de ser uma área de negócio, uma indústria que movimenta bastantes recursos e que se enquadra na Sociedade como sendo parte importante da mesma. A imagem que transmite nunca pode ser inocente mas, seja por negligência ou por uma grave ausência de valores, tem-se tornado um domínio social cada vez mais propício a todo o tipo de acções negativas que prejudicam o efeito e importância que poderia ter no desenvolvimento do Homem.

Que pessoas procuram o Futebol, e porquê?

“O Futebol é bom, mas não é para pessoas sérias como eu. Eu sou sério demais para estar no Futebol!”

Francisco Carvalho, Presidente Honorário do Grupo Desportivo de Chaves.

Foi esta afirmação convicta de Francisco Carvalho, em entrevista a João Ricardo Pateiro para o valioso programa Entrelinhas da TSF, que serviu de mote à construção deste breve artigo. Não é dispensável recordar que o agora Presidente Honorário do Grupo Desportivo de Chaves, que é também o seu principal investidor, é o homem responsável pelo desenvolvimento do clube nos últimos anos, com os resultados que temos conseguido perceber.

Só o facto de se insinuar ou suspeitar a existência de práticas menos lícitas, ou a intervenção de pessoas sem valores e carácter nesta área, já seria razão para uma profunda análise no sentido de prevenir quer o desgaste da imagem que se transmite, quer principalmente a perversão das intencionalidades que podem ser alcançadas. Mas torna-se ainda mais urgente reflectir quando alguém de mérito reconhecido e que conhece perfeitamente este negócio por dentro é tão assertivo, cru e contundente na sua opinião.

Não creio que o problema esteja no jogo, porque esse mantém a sua essência. Mas o Futebol cresceu para lá do jogo que é… O produto que representa, e o negócio adjacente (que proliferou numa lógica puramente capitalista), trouxe mais pessoas, diferentes pessoas, com diversas motivações. Tudo num sistema desregulado, de competitividade económica selvagem, envolvido e camuflado demasiadas vezes pela aura da emotividade que o Desporto carrega.

 E se o negócio matar o jogo?

É imperial ter uma visão bastante bem definida e actual sobre o Desporto para poder determinar em que sentido poderá encaminhar-se o seu desenvolvimento. O lucro (os resultados), que serviu e serve de medida para todas as coisas nesta economia de mercado, não pode subjugar as características e valores que tornam o Futebol naquilo que é, sob pena de começar a parecer legítimo utilizar todos os meios para este fim tão pobre.

É comum nos dias que correm atribuir relevância competitiva a acções duvidosas que se desenrolam muito longe do campo: pressões e controlo sobre a arbitragem (sejam elas feitas através de influências ou ameaças), utilização excessiva e manipulação dos meios de comunicação (desde os diferentes tipos de imprensa, até à utilização de plataformas de redes sociais), coacção sobre treinadores e jogadores por parte de dirigentes ou agentes (seja ela de forma declarada ou sob a forma de insinuações), doping financeiro (com o aproximar do final das competições de forma mais acentuada, seja de forma directa, ou através de negócios posteriores que ajudam a camuflar a verdadeira intenção), etc.

E é neste quadro de crime e vácuo ético que queremos manter o Futebol? Algo terá de ser feito, porque mesmo as pessoas de valores inapagáveis que ainda resistem ficarão conotadas com a imagem global que se tem deste meio. Mas pior ainda serão os efeitos que o negócio terá sobre o jogo em si, e sobre quem o pratica. Não precisamos de um grande exercício de memória para recordar os processos ligados a apostas desportivas, por exemplo.

O negócio tem o jogo agarrado pelo pescoço, e aperta cada vez mais!

Não é um problema somente da alta-competição. Não é um problema somente do Futebol.

Ao relatar situações deste género pode ficar-se com a sensação de que estes são problemas exclusivos das altas-esferas, de contextos elitistas que propiciam este tipo de maneirismos. Mas na realidade, não parece que essa conclusão seja verdadeira. Até porque se há algo que a alta-competição ainda mantém é o estatuto de referência ou modelo pelo qual se guiam muitos dos que tentam alcançar níveis mais elevados de desempenho, ou mesmo pessoas e grupos de outras áreas.

Sendo assim, quem se movimenta e vive em contextos menos ricos e expostos provavelmente vai conhecendo situações decalcadas a partir das que são mais mediáticas. Sem espírito crítico, sem conhecimento, mas sobretudo sem carácter, tudo pode parecer legítimo.

É importante referir que os valores, ou a falta deles, dizem respeito às pessoas e não ao meio em que actuam ou à mediatização que este tenha. A falta de coragem, a desonestidade, a falta de respeito ou a soberba não têm lugar no Futebol, são antes o lugar de algumas pessoas que certamente de Futebol têm muito pouco.

Deixe o seu comentário

bomfutebol