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Futebol de rua? O lado humilde do futebol

Futebol de rua? O lado humilde do futebol

Nunca os jogadores de classe mundial saberão o que é viver um jogo intenso, mas afinal o que é jogar a final da Champions League comparada com aquela final jogada numa rua à toa com outros rapazes com a mesma paixão depois de virem da escola?

O Messi não sabe, nem nunca saberá, o que é chegar a casa, dar um beijinho à mãe, pegar na bola, e ir para ‘o campo’. Aquela rua significa muito para mim! Todos os dias, bola debaixo do braço, correr que nem um desalmado para chegar lá a tempo, a minha mãe dizia-me sempre: “Filho, vai devagar, mas afinal para que é essa pressa toda?” Eu respondia sempre com a humildade necessária: ” Mãe, tem que ser, quanto mais rápido for, mais tempo jogamos”.

Não precisamos de patrocínios com a Adidas ou com a Nike para sermos felizes, por exemplo, para haver jogo qualquer coisa remotamente esférica serve. Quando o desespero aumenta, qualquer coisa esférica (que role), uma pedra ou uma lata, desde que houvesse jogo o resto eram detalhes.

O gordo vai à baliza? O mais fraquinho vai para o meio? O craque fica no ataque? Havia sempre os fortes contra os fracos, aquelas goleadas históricas de 50-0, mas se fosse necessário, o último golo antes do dono da bola ir embora é que decidia o encontro.

Quem já jogou futebol de rua, sabe o quanto é doloroso quando a bola vai para debaixo de um carro ou passa um idosa no meio do nosso campo improvisado, já não basta terem a mobilidade reduzida ainda demoram muito tempo a sair do campo. Quem já não mandou uma bola para dentro de uma casa que não é a nossa? Caso te aconteça, fica uma dica, espera dez minutos, se houver devolução da bola, agradece com um sorriso sarcástico. Se não, toca à campainha e implora por Deus que te devolvam a bola.

Um jogo de futebol de rua não há tempo fixo para acabar uma partida, gostamos da incerteza, muito provavelmente um partida só acaba com a mãe do dono da bola o chama para jantar, quando partimos alguma coisa e temos que fugir com medo da reação do dono ou quando alguém parte uma perna e tem ir para o hospital ou então quando a vizinhança liga à polícia porque estamos a fazer muito barulho e já são dez da noite.

Enfim, como eu amo o futebol de rua.

Autor: Fábio Neves

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