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Gedson, o titular certo por razões erradas

Gedson Fernandes

Gedson, o titular certo por razões erradas

O encanto com o mais recente “produto” saído do Seixal está em níveis de histeria máxima, sobretudo depois da exibição vistosa que o jovem médio realizou em Istambul, coroada com um golo.

Esta histeria generalizada é tal que abarca adeptos do Benfica, analistas e, pasme-se, adeptos rivais (algo pouco comum na nossa realidade desportiva).

Porém, de todas – e foram muitas – as análises que ouvi/li sobre o jogador, nenhuma se debruça nas melhores características do jovem, preferindo ir sempre pela habitual notoriedade dada por cada “cavalgada” do miúdo.

Numa recente entrevista ao jornal “Expresso”, José Boto trouxe-nos em poucas palavras a definição mais correta para Gedson: “É um jogador que agrada a Gregos e a Troianos”, isto é, é um miúdo com tão boa qualidade técnica quanta capacidade física e que, por isso, agradará a qualquer treinador/adepto, seja ele alguém de gosto mais técnico e colectivo, seja alguém de gosto mais atlético e menos evoluído.

Neste momento, parece-me um jogador que está em cima do muro, ou seja, está no momento decisivo para que se defina o rumo definitivo para a evolução da sua carreira.

Virtudes e Defeitos de Gedson

Observando o histórico de Rui Vitória e, com isso, o teor das suas ideias sobre o jogo, arrisco claramente a dizer que Gedson evoluirá pelo caminho que mais notoriedade individual lhe dará no curto prazo, mas que menor lhe servirá para atingir a plenitude evolutiva que os seus recursos técnicos lhe permitem.

O jogo realizado na Turquia trouxe-nos todas as virtudes e defeitos que Gedson tem nesta fase da sua carreira: Incrível capacidade para “comer” metros em condução e acelerar o jogo em deslocamento, mas também um nível de decisão que terá de melhorar de forma muito evidente e que, dificilmente, acontecerá se prosseguir pelo caminho das ideias de Rui Vitória, já que, o que o treinador do Benfica mais procura nas individualidades ofensivas, são exatamente jogadores que se destaquem pela capacidade física e de transporte de bola, veja-se como prefere Sálvio a Zivkovic, por exemplo.

O fazer de cada bola um momento de aceleração sem que entenda se é ou não isso que aproxima a equipa do sucesso, perante o contexto circunstancial, o procurar soltar apenas quando a “barra de energia” está no limite e o oxigênio no cérebro escasseia, em vez de procurar a associação constante para a resolução dos seus próprios problemas, não fará de si melhor jogador, na melhor das hipóteses, será o jogador mais vistoso, mas apenas isso e longe do que realmente pode ser.

Naturalmente que este tipo de erros é compreensível e até natural, face à idade que tem e ao processo formativo que terá tido, no entanto, seria necessária uma ideia sobre o jogo completamente diferente da que tem o seu treinador para que fossem corrigidos de forma consistente e eficaz, ainda que o próprio jogo lhe venha a ensinar e a corrigir algumas coisas de forma natural, mas não o suficiente.

“quem acelera o jogo é a bola e o que acelera a bola é o passe.”

Nesta fase para o corrigir, mais do que lhe colocar “rédeas” fortes que lhe travem o ímpeto, seria necessário convence-lo – pelo jogo e pelo treino – de que o caminho será o do colectivo, evitando que se convença a si próprio de que estará a jogar melhor, quanto mais e velozmente correr com a bola.

O que Gedson terá de entender é que o deslocamento veloz acelera apenas o jogador, isolando-o da equipa. Pois quem acelera o jogo é a bola e o que acelera a bola é o passe. Circunstancialmente podem ter o mesmo resultado, mas não passará da circunstância e nunca chegará a ser uma constância.

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