-- ------ Gonçalo Santos, mais do que uma promessa (17 anos - FC Barreirense)
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Gonçalo Santos, mais do que uma promessa (17 anos – FC Barreirense)

Gonçalo Santos, mais do que uma promessa (17 anos – FC Barreirense)

No Barreiro, no insuspeito FC Barreirense (um dos maiores viveiros de talentos do futebol nacional desde há décadas), mora um prodígio em forma de certeza. Gonçalo Santos tem 17 anos e muito futebol… da cabeça aos pés.

 

Só o tempo dirá se entra numa constelação de artistas que brotaram do maior clube do Barreiro para os maiores palcos nacionais. Chalana, José Augusto, M. Bento, Neno, entre outros, muitos outros, que saltaram da cidade do Barreiro para as luzes da ribalta. O Barreirense tinha tanta fama a este nível que chegou a haver um numeroso contingente de jogadores do Benfica provenientes desta cidade da margem sul, o célebre “Grupo do Barreiro”.

Para já, Gonçalo Santos tem pisado palcos nacionais no “seu” FC Barreirense. Ajudou a equipa de Juvenis A a manter-se no principal campeonato da categoria e ainda deu uma preciosa ajuda aos Juniores no regresso aos Nacionais do escalão.

Confirmou, esta época, o que tem sido um percurso sensacional nas camadas jovens do Barreirense. Tem jogado e feito jogar, tanto a construir como a finalizar. Dispõe de um mix de atributos que poderão (e o estão a) projetar para patamares de excelência.

Imagem 1- Acabado de fazer 17 anos, Gonçalo Santos acabou de completar a 7.ª temporada consecutiva pelo emblema alvi-rubro. Fonte: fpf.pt

 

1. Algumas características

Jogador de fino recorte técnico, esquerdino (apresentando igualmente boa capacidade com o pé direito – como mostra o vídeo abaixo um dos golos que apontou durante a época, sem deixar o esférico embater no chão, com um gesto tão belo como de difícil execução), muito forte a segurar a bola e no drible. Estes são os seus principais atributos, revelando igualmente grande faro de golo. Joga, tendencialmente, na banda esquerda do ataque, mas o mix de características que apresenta pode “empurrá-lo” para posições mais interiores. Concretamente a “10” ou a “9 e meio”.

Inteligentíssimo a jogar, é um jogador que qualquer equipa de futebol deseja ter pela multiplicidade de opções que, dentro do próprio jogo, «oferece». Jogando em posse, é importantíssimo pela capacidade invulgar que patenteia a segurar a bola. A sua capacidade de passe, tanto curto como longo (por norma para variar o centro de jogo), é igualmente imprescindível para este tipo de jogo. Contra defesas mais fechadas, é um jogador de «rasgo» e, por isso, fulcral para «derrubar muros».

Ademais, aparece sempre muitíssimo bem em zonas de finalização. Gosta de «atacar» a área com movimentos típicos de ponta de lança. Não se escuda a movimentos de risco, sentindo-se confortável em aparecer nas «zonas de tiro», confundindo marcações adversárias.

A jogar em transições é igualmente fortíssimo. Veloz e com superior controlo de bola, aliado a uma grande inteligência posicional, Gonçalo Santos é uma mais-valia se a equipa adotar essa forma de jogar (seja por estratégia, seja por sistema). O vídeo abaixo é exemplificativo disso mesmo. Desmarca-se muito bem, nunca perdendo a noção espacial da linha defensiva contrária, aguenta muito bem a carga do defensor adversário e conclui com uma finalização plena de classe.

 

2. Inteligência – o centro do seu jogo

Estas características estão aliadas a uma, a maior delas todas: a inteligência. É um jogador astuto na leitura de jogo e a contemporizá-lo. Sabe esperar, percecionar o que está a acontecer e soltar no momento cert(eir)o. Não cai no erro de acelerar o jogo só porque sim, ainda que possua atributos para tal. É muito inteligente na abordagem ao contexto de jogo. Ora cerebraliza-o, ora confere-lhe vertigem, ora o «parte». Sempre tendo em conta o que o momento «pede» e, como tal, o que a sua equipa (mais) precisa.

No vídeo abaixo está um exemplo disso mesmo. Recebe o esférico à entrada da grande área e não cai no erro de rematar ou partir para cima do adversário (mesmo que o pudesse fazer). Contemporiza, «lê» bem o contexto e espera pelo timing exato para soltar o esférico. Dá cérebro a uma jogada que teve excelente seguimento por parte dos seus companheiros de equipa (Diogo Romão a assistir e Edgar Golban a finalizar).

Jogador muito competitivo, consegue agregar um sem-número de valências que poderão fazer dele um dos grandes jogadores do futuro do futebol nacional. Consegue ir ao encontro do jogo, não se limitando a esperar por ele. Procura «agarrá-lo» quando a equipa, por alguma razão, não o consegue, não se escondendo dele. Assume e desafia. A si próprio e aos outros.

 

3. Época 2017/18 confirmou todos os predicados de Gonçalo Santos

Como foi supracitado, Gonçalo fez o grosso de jogos pelos Juvenis A, tendo igualmente atuado pelos Juniores.

Pelos Juvenis A, na 1.ª Divisão do Campeonato Nacional, participou em 20 encontros (11 da 1.ª Fase e 9 da 2.ª) e assinou 15 golos (7+8). Excelente média de 0,75 golos por partida. Marcou golos para todos os gostos. Da lista de vítimas constam Benfica (golo no vídeo abaixo), Belenenses, Vitória de Setúbal, Cova da Piedade, Oeiras, Amora, Cuba e Canaviais.

Pelos Juniores realizou 10 jogos e fez balançar as redes por 8 ocasiões.

Nos Juvenis A conviveu com dois estilos de jogo diferentes. Uma equipa técnica na 1.ª fase que privilegiava mais as transições e outra na 2.ª que dava mais ênfase à posse. Em ambas teve, note-se, sucesso. O que, por si só, indica o que anteriormente foi evidenciado. O seu superior entendimento de jogo e as características intrínsecas que detém fizeram o resto. É, por isso, um jogador de clube, não de uma ideologia. Não serve só para um estilo, sendo essa uma grande mais-valia que possui.

4. Jogador… moderno

Mais em tons de certeza do que de promessa, Gonçalo pode vir a ser um dos maiores a breve trecho. E não só pelo talento individual que evidencia. Tem mentalidade de campeão (quer ser sempre o melhor onde está inserido) e taticamente é muito culto. Defende bem os espaços que pisa e faz movimentos sem bola capazes de (as)segurar a equipa.

Alia, por isso, talento a uma cultura muito exigente própria do futebol moderno, exigências que são transversais a todos os jogadores dentro de um campo de futebol (sendo todos eles, independentemente das suas características, participantes destas dimensões tática e estratégica).

Augura-se grande futuro para Gonçalo Santos

Imagem 2- Gonçalo evidencia valências de futebolista do presente e do futuro.

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