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WSC 2017 – Investimento no Scouting

World Scouting Congress - Painel 4

WSC 2017 – Investimento no Scouting – Painel 4

BomFutebol esteve no World Scouting Congress que teve lugar no passado dia 27 de Novembro em Vila Nova de Gaia. Organizado pela Quest, o congresso, apresentado por João Ricardo Pateiro, reuniu algumas figuras importantes do meio futebolístico e do Scouting em particular. Foram debatidos temas diversificados com convidados de grande nível que souberam prender a atenção de uma sala completamente cheia.

O 4º painel do dia, teve como intervenientes o Team Manager e Diretor do Sporting Clube de Portugal SAD, André Geraldes, Miguel Ribeiro, diretor geral do Rio Ave Futebol Clube e o ex-diretor desportivo do Belenenses, Hugo Viana. A conversa foi moderada por Vítor Pinto, jornalista do Record, e teve como principal tema o investimento que os clubes atualmente fazem na área do Scouting e recrutamento de jogadores.

Vítor Pinto começou a conversa por questionar André Geraldes sobre a importância do Scouting na gestão de ativos e de que forma é que o Sporting sentiu necessidade de reformular o seu departamento para fazer face aos desafios futuros. Na opinião do interveniente existem duas vertentes que são fundamentais para a sustentabilidade dos clubes em Portugal, que é o rendimento desportivo e no caso particular do Sporting, a conquista de títulos e a vertente financeira.

É neste segundo ponto, que a ligação do departamento de Scouting, com os restantes departamentos do clube é fundamental. É importante  para clubes como o Sporting, identificar a tempo, jogadores que possam ser mais valias e com isso trazer rentabilidade desportiva num 1º momento e financeira num 2º momento, já que as receitas provenientes da venda dos passes dos jogadores, como todos sabem, são um dos mecanismos de maior importância para a sustentabilidade dos clubes em Portugal.

Relativamente às alteações que foram feitas no departamento de Scouting, André Geraldes não sente que foram motivadas por um possível atraso relativamente aos rivais, mas sim com o objectivo de criar um mecanismo que permitisse uma maior relação, relativamente ao que é futebol formação e o futebol profissional. O objectivo é falhar cada vez menos e para que isso aconteça é necessário existir uma relação entre os diversos departamentos e que todos tenham uma opinião sobre os ativos, quer eles sejam do departamento juvenil, quer eles sejam do departamento profissional.

Uma rede, como o Sporting tem, de pessoas a ver jogos no país inteiro e fora do país em diversos locais do mundo, faz com que seja necessária muita competência e capacidade para filtrar muito do que chega ao clube. Nesse sentido é importante estarmos reunidos dos melhores. Têm sido dados passos em frente, no sentido de atingir a excelência e os departamentos de recrutamento e o departamento de Scouting estão hoje em dia mais ligados do que nunca, acabando por fazer esse filtro, que pode parecer difícil, já que a informação chega de vários pontos do globo e o objectivo é o de falhar cada vez menos, filtrando toda a informação que chega. Mas para que tudo isto funcione é necessário alavancar determinados recursos financeiros, que sem a venda de jogadores são impossíveis de obter.

A REALIDADE DOS DEPARTAMENTOS DE SCOUTING EM CLUBES DE MENOR DIMENSÃO

Até à bem pouco tempo Hugo Viana, trabalhou como diretor desportivo do Belenenses e conta-nos uma realidade bem diferente. Na sua opinião o sucesso desportivo e financeiro são duas realidades muito difíceis de concretizar. Nesse sentido, “julgo que me faltou, no Belenenses, dinamizar um verdadeiro departamento de Scouting, que pudesse proporcionar melhores condições na hora do recrutamento dos jogadores. Infelizmente o Belenenses não possui um departamento de Scouting, e tive de ser eu, com a ajuda do Domingos Paciência, a procurar as melhores soluções para o plantel, e daí a nossa dificuldade neste aspecto organizativo.

Além deste problema, da falta de pessoal para dinamizar um departamento de Scouting, a SAD, não tinha acesso aos jogadores oriundos da formação. Todos sabem da importância das equipas de formação em Portugal, já que somos dos países que mais exporta jogadores e talentos. Sendo assim não tive oportunidade de identificar qualquer jogador com potencial para integrar a nossa equipa sénior”. Sem esse departamento a funcionar a opção foi por confiar em algumas pessoas, que dessem garantias no momento da escolha dos jogadores.

A EMERGÊNCIA DE UM DEPARTAMENTO DE SCOUNTING EM CLUBES SEM GRANDE EXPRESSÃO NACIONAL

Para Miguel Ribeiro, diretor geral do Rio Ave FC, a venda de jogadores tem de deixar de ser uma receita extraordinária, para passar a ser uma receita ordinária, já que um clube da dimensão do Rio Ave, tem de viver também, das receitas das vendas dos passes dos jogadores. As opções que se abrem neste sentido, são a formação desses ativos, ou o recrutamento de jogadores (nomeadamente a compra), para posteriormente vender.

O departamento de Scouting liderado pelo André Vilas Boas, procura detectar, os jogadores dentro de um determinado perfil (perfil Rio Ave), dentro daquilo que são as limitações financeiras de um clube desta dimensão. No entanto, e ao contrário de outros emblemas, em que o rendimento de um jogador deve ser imediato, como no caso do Sporting, o Rio Ave, pode dar-se ao luxo de contratar jovens jogadores, a preços mais acessíveis, e esperar que eles atinjam um grau de maturidade interessante, como foi o caso do Krovinovic, que esteve mais de um ano no plantel, até começar a jogar com regularidade.

Dentro de portas o objectivo passa por formar, embora Miguel Ribeiro, considere que o clube ainda não atingiu um ponto ideal. Nesse sentido, acredita que têm sido dados passos seguros, já que existe um grande mercado que passa pelo Scouting da formação. O próximo passo do clube passará inevitavelmente por encontrar condições para ter jogadores de fora, a dormir em instalações próprias, com boas condições de alimentação e também com boas condições ao nível escolar. Quando assim for, o clube irá ter o seu edifício concluído, com a sua formação desde os mais pequenos, passando pela equipa B, até aos profissionais da equipa A.

Um dos grandes desafios do Rio Ave é a construção de uma verdadeira equipa sombra, é essa a missão a que se propõem. Um dos exemplos é o João Novais, que está no plantel à 2 anos e 3 meses e que este ano tem sido um autentico reforço para o treinador. Miguel Ribeiro acredita que o mercado acabará por levar o João Novais, e nesse sentido o objectivo passa por ter já dentro de portas a solução para quando este jogador sair. No entanto, este tipo de organização levou algum tempo a implementar, e caso seja mantido, o clube com certeza que se irá manter neste patamar por muitos anos.

OS DESAFIOS QUE SE COLOCAM PARA QUEM QUER LIDERAR UM DEPARTAMETNO DE SCOUTING:

  • ter muita disponibilidade;
  • ter um nível de exigência compatível com o clube;
  • identificar que tipo de jogador se pode adequar as exigências do clube;
  • ter capacidade para decidir;
  • ter a capacidade para chegar 1º aos jogadores jovens nacionais;
  • ter capacidade para descobrir bons talentos em campeonatos menos competitivos.

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